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A mulher de biquíni na Savassi

A espera de um amigo Próximo à praça da Savassi Surge uma mulher Rasga o cartaz de um político Com ele em mãos Deita perto da fonte Como ela mesma diz Uma cachoeira invertida Vestida com seu biquíni azul céu E umas gordurinhasa mais Escarrapachada na beirada Tira foto, vira famosa por um dia Vai embora feliz e acompanhada.

Visibilidade

Eu quero é visibilidade
ser visto
expressar o que tem dentro de mim
e libertar os meus dramas pessoais
Eu quero é visibilidade
dar voz a quem não tem
fazer de cada poema
uma grande orgia intelectual
Eu quero é visibilidade

O mendigo e a mulher que grita

Sentando em um banco de praça,
com os pés de asfalto,
a fome batendo na porta,
e aquela mulher gritando:
-Vocês vão filmar e não dar nada pra ele
Uma outra voz nos diz:
-Ela é que quer o dinheiro.
Pensando nestas questões,
onde a mentira suplanta a verdade
Nada que é por coação
é de verdade.

Rua

A rua em que te vi
não existe mais,
ou você não existe naquele espaço.
Construído com gotas de sangue,
derramadas nos verbos dos teus corpos.
Sôfregas expressões de uma tênue visibilidade,
fantasmas do agora,
ou de si mesmos.

Livros

Quero mergulhar em livros
tornando-me como página da história.
Revelar cada momento de dor,
da minha pobre alma.

Fruto

O fruto que se come
da árvore proibida
arranca a verdade
e só deixa as feridas.

Fazenda do meu avô

A fazenda de meu avô,
não existe mais.
Era um lugar onde moíamos café,
milho e cana-de-açúcar.
Lugar bom de se viver.
Não conheci meus avós por parte de mãe,
apenas os irmãos dela.
O medo de cobra era grande, pois
a casa era cercada de mato.
Havia também galinhas e bovinos.
Era uma pequena propriedade,
na área rural de Betim.
Bom lugar era este.