domingo, 28 de dezembro de 2008

Simples é assim

Sábia na janela canta
A aroeira na mata dá flor
Canela de ema no alto do morro
Vegetação rasteira em vento voa

Campo rupestre,
Lagarto na rocha esquenta em sol poente
A aranha na sua teia se prepara para o deleite
A mosca fica esperta voa quase rente

Sábia na janela vou, vou, vou
João de barro na lama cavou e no bico barro transportou
A cigarra na mata canta, canta para atrair a fêmea
Perereca na beira da lagoa coaxa num som quase metálico

É noite, é luar, é fazenda, é só amar
Os bichos são o que são
Os humanos ainda podem mudar
Mas mudar requer intenção

Por isso a vida é assim
Pássaros voando
Sapos na lagoa
Lagartos em pedra
E a bela moça a olhar a vida sentada na beira da janela

domingo, 14 de dezembro de 2008

Seduzir


O amor não existe mais
Em cada instante o tempo passa e nem se percebe
Todos correm apressadamente na ilusão de chegar
Cavalgando em brasa fervente

Ar rarefeito em uma montanha laranja
Verdes prados em azul celeste
Solar aversão ao prazer
Gozo intempestivo, escorrendo como néctar

Saudade daquele corpo
Suor e cheiros combinam-se harmonicamente
Coração flechado apenas uma gota de sangue
Sente-se o ser amado

Lutas ardentes em um dia de neblina
Corpos envoltos em uma atmosfera peculiar
Escuridão e luz
Na cama ama-se enquanto há hormônios

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Aridez

Vermelho pulsar árido
Músculo contraído
Veias distraídas
Na eternidade simbólica
Corre para um rio de solidão

Gaia, Ártemis, Vênus
Deusas iluminadas
Sem nexo de existirem

Corpo mortificado
Sangue azul
Ossos carbonizados
Músculo
Pequeno músculo tendencioso

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Da aridez a umidade

Da aridez a umidade

A realidade constringe
A vida não pode ser regredida
As emoções são libertas
A cabeça esvaziada

O som penetra
A música afeta
A alma escancara-se para o mundo
Em pequenos gestos se liquefaz

Cavalgar em linhas retas
Alvoroçar em grandes ocasiões
Despertar anseios
Vislumbrar desejos
Acalantar preceitos

Da aridez a umidade
A vida passa em instantes
Em um dia pode-se estar seco
Em outro umedecido

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Poética

Necesidad

Yo tengo necesidad de amar
Yo tengo necesidad de hablar
Yo tengo necesidad de soñar
Yo tengo necesidad de escuchar
Yo tengo necesidad de pensar
Yo tengo necesidad de color

Necesidad es mío nombre,
Mis deseos no son utopicos
Mi vida no es una utopía
Viver una vida pequeña, eso no es para mi

Necesidad
Necesitó de amar
Un amor incondicional

En el túmulo, coloquen esta frase: "Tengo necesidad..."

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Conto - A menina de fita amarela


A menina de fita amarela
Arquimedes Diniz (autoria do conto)

Em uma rua cintilada de azul celeste, com folhas amareladas pelo astro rei caminha uma menina. Com o seu sapatinho tipo boneca, ela caminha vagarosamente, parece que seu caminhar reflete seu modo displicente de ser. Olhando para o chão ela encontra uma fita amarela, num instante posterior, a fita se encontra em seus cabelos negros azuis profundos, e olhando para seu rosto percebe-se um olhar frio, cabisbaixo, até mesmo arredio.
Parece que ela caminha para casa, seus pensamentos não podem ser entendidos, mas no fundo sabe-se que esta menina quer apenas passear pelas ruas da cidade onde mora. É uma cidade pequena como pequena é a menina de fita amarela.
Num passe de mágica, um vento forte, robusto, com mãos gigantes arranca a fita amarela do cabelo, e a menina começa a correr desesperadamente, mas a fita já se encontra muito longe, tão longe que nem mais se pode ver.
A menina passa a mão nos cabelos e com os olhos cheios de água, reclina a cabeça, parece que nada mais vai fazê-la feliz. Mas com seu jeitinho menina de ser, ela não sente mais vontade de chorar e aquele fato deixa de ser importante, porque no fundo ela compreende que nem tudo se pode ter. Ela enxuga os olhos, levanta a cabeça e continua a caminhar, num passo leve, solto, sem pressa de chegar ao destino.
Olha para o chão e vê apenas folhas, olha para as árvores ao seu redor e vê apenas galhos, e pensa, até as árvores perdem o que de mais importante tem, porque não posso perder a minha fita amarela. E isso a consola, a deixa mais calma, e o sorriso no rosto volta a iluminar o seu dia. O vento volta mas ela não se importa mais, porque agora ela pode aproveitar até o vento e como é bom sentir o vento no rosto.
Chegando em casa ela resolve escrever uma poesia, ela ama a poesia, prefere aquelas que digam o que ela sente aos outros, mesmo que isso incomode, ela nem se importa. De poesia nas mãos, pronta para novos passeios, ela se encontra só em seu quarto, mas sabe que mesmo só, há algo dentro dela que diz, a vida é uma aventura, e já que ela se encontra presente na vida e a vida presente nela, que outras fitas amarelas surjam e que se quiserem podem ir embora, pois ela encontrou o que tanto procurava, várias histórias para contar...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Poesias espirituais

Um ser humano na sua cruz

Rosto inclinado
Pregado em uma cruz Ele está
Sorvido gota a gota
Doado como só poderia doar-se

Uma prova de amor?
Uma loucura?
Uma vida renascida

Sentir-se um pouco como Ele
Como consola, mas não é uma consolação simplesmente
É uma certeza que se deve entregar plenamente o espírito
E deixar que o Pai intervenha

Num abismo encontro-me
Solto, livre, sem rumo
Há uma luz, fraca, mas há
Sem saber onde ela me levará, sigo-a



A cruz da unidade

Uma cruz é dada
Uma cruz é aceita
Uma cruz é erguida

Deixar pregrar-se nela
É a sabedoria divina
Que o mundo não quer nem mais saber
Porque o divino de outrem não existe mais

A felicidade está em aceitar os maus momentos
Através de uma doce lembrança
Jorrada pelas graças de um Pai

Pai que nesta cruz muitos possam se sentir igual a ti
Para que um dia, o dia já determinado
Venha-se conhecer
Que todos sejam Um


A Caridade vértice da Unidade

O frio bate
A alma gela
A caridade é rompida
Nada mais faz sentido

Diante dele recompomo-nos
Em um instante percebe-se
A vida é curta
A alma se faz pura
Se houver a propensa caridade

Caridade
Palavra que rompe os corações gélidos
Eleva a alma
Eterniza pequenos momentos

Ele é presente
Sente-se pelos poros
É preciso caminhar
Caminho não retilíneo
Que leva ao reto
Só Ele a reconstrói
E por Ele vale tudo
Até mesmo sacrificar o nosso pequeno Eu
Para que Ele sempre viva
E viver é também morrer por Ele que está no irmão


Ela: A Desolada e Gloriosa

Maria
Cristã perfeita
Nos ensina a gerar Cristo espiritualmente
Dentro de si conservou o verbo
Fez de cada fato um ato de amor a Deus

Ensina-nos a sermos discípulos de Cristo
Guarde-nos em teu coração de Mãe
Aqueça este corpo ainda frio

Dela se pode esperar somente o Amor
Amor de uma mãe que é desapegada de tudo
Até do amor por seu filho
Porque assim ela pode amar a todos
E como teu amor de mãe consola

Maria
A Desolada Dolorosa
Na tua alma Deus fez nascer a Igreja
A Desolada Gloriosa
Na tua alma Deus fez nascer a mãe muito amada
Aquela que só tem Deus

Vaso


 
Em um vaso azul turquesa
Uma figura feminina reclina-se
Ao longe se vê outra figura
Músculos aparentes com um arado na mão

Diante dela ele se exibe
Pobre figura, ainda não sabe como são as mulheres?
Ela nem o nota, não faz questão
Com um olhar de longe se observa

Ela, a figura desejada faz seu trabalho
Caminha pelos campos azuis celestes
Desaparece
Isto tudo pode ser visto num vaso chinês

sábado, 12 de julho de 2008

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Figuras poéticas




Estas figuras apresentadas foram criadas por mim, na realidade o que importa é a mistura de artes pois nenhuma arte é propriamente pura, todas podem ser Misturadas.