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Mostrando postagens de 2010

Azuis

A vida é um ladrilhar de pedras em falso
Cada sorte é mera conscidência dos fatos
Corre para longe, voa bem alto
Mergulho naquela imensidão que são seus olhos

Profano

Imagem
Num sonho profético, na imensidão além mar
Com uma andorinha que só se encontra
Vagando a procurar um pouso a sustentar
Naquela eterna razão de laços
E em um canto profano a deformar

O sentimento poético

Na categoria do mais belo
Bonito nem sempre é feio
A cada beleza superexposta
Há um pouco da feiúra

Nada que se diga é belo
Se não houver o feio
A coisificação da criação
Entre belo e feio
Na arte de pensar as palavras
Tem pouco valia

Uma poesia é uma nota circunscrita
É um pequeno bloco de ideias
Nada mais que um ideal
Um sentimento que veio e é fugido

Para uma tela, um pincel
Para uma letra, um livro
Para a poesia, sentimentos

Hipocrisia

O hipócrita é aquele que diz que ama sem amar
É o amigo que não consola quando você precisar
Ter um belo sorriso no rosto e ter vontade de matar
É dar um beijo na tua boca e escarrar o sentimento que se dá

Todo hipócrita adora falar sem pensar
Acredita que a vida é nada de cá e muito de lá
É aquele semblante au revoir
Na eterna infância do deixo estar como está

E se ainda diz o que lhe faz movimentar
Como pêndulo há sempre de ficar
Num eterno vai e vem de afazeres
Sem nada aprofundar

O hipócrita é sempre raso
Como aquele riacho a pisotear
Sem nada a acrescentar aos outros
Na vida deixa se levar

Clara do Samba

Clara clareou o dia
Fez da vida uma eterna sinfonia
Do seu jeito jocoso de ser
Enterneceu de luz o Samba a saber

Uma vez essa garota mineira
De tempero carioca cantou
Ninguém não viu um canto de dor
E nesta dor-amor de tantas cores
Com aquela saia roda ela girou

E a luz clareia e incendeia
Refaz a paz dos tambores
De batuques consagrados
E aquela menina no samba enfeitou-se

Clareia, clareiou
Nas correntes que foram infligidas
Das dores amadurecidas
Com aquele suor de tempos de outrora
Clara a bela flor, encantou e se encantou

Ogun te Obaluaiê Yansa Oxumáre Otete

Antes era amor

E num instante tú pensas que é flor
Mas se esqueceu dos espinhos
Tú achas que é cor
No outro sombrio
A vida é sempre pouco de dor
E muito de alegria
Quem se apega nada tem amor
Por que pouco deu-se
E muito valor é do que eu preciso

Água que corre para o mar

Quando se desce de uma montanha
As águas beiram desesperadas
De veia em veia escorregam para ser amadas
E neste vai e vem leva a si própria

Tanta água a se levar
Que a vida parece uma profecia
Das águas a desaguar
Em pequenos veios a se fartar

Águas que passam por um lugar
Já dão pistas que não voltam
Porque o que carregam deixam a desejar
Num estante sempre a evaporar

O pequeno é bastante e as águas não desmentem
Atravessam tantas tempestades
Que no leito dos rios chegam aprofundar
Em tempo dissipam

Menino

Eu sou um menino
Que voa sem desfarsar
Com aquele olhar sempre calmo
Daquele jeito bem amineirar

O tempo passou tão rápido
A face agora com algumas linhas
Já denotam que o menino ainda persiste
E sonha com belos dias ensolarados

O ambiente de cor cinza esta para trás
Num quase longínquo estar
Com aquela forte impressão
De azul, vermelho e amarelo
Tantas cores permanecerão

E no fundo escuto uma música
Ah! Vem cá meu menino
E digo: estou indo para ti
Correndo como um garoto que descobriu o que é Amar

Sentimental

Os lábios encarnados de desejo
Na face rubra de tanto beijo
Com o calor da alma em cada ensejo
No clarão do luar com absoluto anseio

Os dias passarão sem tanto deslumbrar
Que a vida corre sem muito apressar
E eu em teus braços de sempre ficar
Naquela eterna quentura dois corpos amar

O tempo confesso pouco importa
A intensidade de cada gesto é que faz crer que agora
No avarandar do amor os sentimentos provocam
Quero ter você ao meu lado e nada mais

Amar só se for Amor

Quando a gente ama um alguém
Sempre se deseja perto ficar
Coladinho com aquele calor
Tão bão de sentir e dar

Quando se ama sem esperar
A vida presenteia sem grandes alardes
Não é preciso filosofar
Nem se faz mais tanta questão de embates

Aquele amorzinho que um dá
É recebido e compartilhado de lá pra cá
Num vai e veem bem gostoso
Que n'alma penetra e fica já esperar

No Amor se sabe quando se ama
Se quer amar sempre bem mais
Amor só se for Amor
Para os dois na vida se eternizar

Imagem

Hoje busquei uma imagem
Para ver aonde estavas
Encontrei em tão poucos amantes
A luz que em mim parava

Com aquele ar de querer mais
Tantos fatos se passaram
Que aqui está você
Na minha imagem refletida

Um pouco de mim, um pouco de ti
E a imagem sempre mais bela a formar
Para que quem sabe um dia
Uma coisa só estariamos a ficar

Os apaixonados quando se encontram
Se relevam sempre melhores que são
Mas o que importa não é imagem
É a vida que brota da relação

Com você quero ficar
Com você quero amar
Com você encontrei sentimentos
Com você a imagem que fica é de extrema alegria

Feliz assim!

Eu fico a pensar em ti
Daqueles momentos que passamos
De uma bela taça de vinho
Com aquela mancha na camisa

Penso em ti
Dos momentos que vivemos
Com a aquele tesão que nos consome
Que faz de nós dois uma coisa só

Agora estas aqui
Perto assim de mim
Que nada é passageiro
Parece que sempre durará

Com aquele calor de teus lábios
Aquela ânsia de encontrarmos
Em um fogo intenso e calmo
Há de sempre nos revermos

Estou assim feliz
Te encontrei por aí
Sem muita pressa de chegar
Com o coração sempre a desejar
Feliz assim!

Intuição

A intuição fulgurás de um instante
Daquela parte que não cabes julgar
Momento de uma pausa invulgar
Naquele sentido que só a intenção se faz

No sentido de poucos sentidos
Na pele que sente algo
Que delira tal fato
E se torna como que verdade absoluta

Intuir é algo profético
Daquelas coisas que não se explica
Dos momentos que se percebe
Em nada há de acontecer

Preguiça

Estou com preguiça de alguns
Sabe daquele povo que não sabe cuidar de si
Daquela gente que fica com a cara na cerca
Procurando ver o que o vizinho anda fazendo

Gente a sim, é um porre
Vá cuidar da própria existência
Trave a língua com fel
E deixa escorrer guela abaixo

O meu jardim está bem cuidado
Tento ser um bom jardineiro
Daqueles atentos as pragas
Para sempre exterminá-las

Declaração

Onde tu estavas e não te encontrei
Caminhei por caminhos e só agora te vê
Roube-me da monotonia dos dias
Leve para bem longe daqui

Corremos de mãos dadas
Naquela campina que idealizamos
Vamos! Não deixemos que a vida passe de relance
Esteja comigo está noite

Abraça-me e aqueça este corpo
Quero ficar com você
Ainda não compreendeu?
Outras aparecerão, mas só tu estas aqui dentro

O fim ainda não chegou
A minha alma se encheu com teu carinho
A vida teve um novo sentido
Corre comigo! Eu estou te chamando, vem

Com os pés e asas

Em meus pensamentos obsessivos
Tu estás sempre presente
Como aquela máquina que registra
Fica na memória e no coração

Tua voz é a minha calma
Aquele abraço que tu me darás
Parece que já sinto
Calor entre dois corpos

Imagino tua pele tocando na minha
Aquele arrepio tão bom na espinha
Que congela os instantes
E deixa aquele gosto de querer mais

Acabei de acordar de um sonho
Pés no chão são para serem fixos
Mas os meus tem asas
Quero voar com você por aí

Confidência 2 - Poesia de 2007

Sensações estranhas tomam meu corpo
Emoções e sentimentos não são os mesmos
A cabeça quase reclinada encontra-se em pequenos lampejos
A face desfigurada em dores inconscientes

O tempo voa como um pássaro de fogo
Que em tudo arde, queima, sem deixar vestígios
O corpo treme, mudo estou, nada mais parece fazer sentido
Diante dessa situação o que é preciso entender?

O inconsciente parece querer tomar o consciente
Há uma briga interiorizada
Não sei quem irá vencer, nem sei se irá ter vencedores
O fato é que só se pode aguardar

Os instantes passam, passam como nunca haviam passado
Com o coração anestesiado não se sabe mais o que pensar
Os fatos serão consumados
O cinzel do escultor faz seus últimos entalhes

È doloroso ver-se neste estado
A cada estocada uma parte é arremessada
Mais dor que parece nunca mais acabar
Será que não haverá nenhum dia de tréguas?

A dor, dizem que só por ela amadurecemos
Mas como é difícil sustentar-se quando ela alcança os ápices da existência
Neste momento só há…

Instante - Revisitando 2008

Canção a meia luz de velas
Um espírito de sentimentos refinados
Açúcar na boca, doce lembrança
Circularidade da existência se fez em gestos

Calmaria na beira do mar
Ondas ondejando e velas apagadas
Correr na areia riscada de fel
A pele absorve uns instantes apenas

O coqueiro a balançar
Vento no rosto
Areia nos olhos
Cegueira

Tudo pode ser visto
Mesmo quando os olhos não vêem

Uma prosa poética

Intensidade
Força
Virilidade
Paixão
Explosão

Os dias passaram e eu me encontro assim
Tão tranquilo com o que sinto
Que a vida corre em seu ritmo
E você, quer correr junto a mim?

Simples é assim - poesia de 2008

Sábia na janela canta
A aroeira na mata dá flor
Canela de ema no alto do morro
Vegetação rasteira em vento voa

Campo rupestre,
Lagarto na rocha esquenta em sol poente
A aranha na sua teia se prepara para o deleite
A mosca fica esperta voa quase rente

Sábia na janela vou, vou, vou
João de barro na lama cavou e no bico barro transportou
A cigarra na mata canta, canta para atrair a fêmea
Perereca na beira da lagoa coaxa num som quase metálico

É noite, é luar, é fazenda, é só amar
Os bichos são o que são
Os humanos ainda podem mudar
Mas mudar requer intenção

Por isso a vida é assim
Pássaros voando
Sapos na lagoa
Lagartos em pedra
E a bela moça a olhar a vida sentada na beira da janela

Artilheiro

O brilho no olhar perdeu o sentido
Quem eu quero é quem eu quis
Não sou de vacilo parto para o gol
Artilheiro sempre em posição de ataque
Nem dê bobeira, porque de gol entendo
E se te dou abertura é para entrar
Mas não espere que entre sempre
Se der bobeira, dou o drible
Com aquela gingada de corpo
Só eu quem sabe dou
O tempo já começou e o juiz pode dar impedimento
Não espere cartão vermelho
Porque quando dou, é expulsão na certa
Ninguém faz do meu coração uma bola de futebol
Quando perceberes estará de chuteira na mão
E eu pronto para outro jogo

Devagar

A vida passa de relance
Se for para vivê-la que seja neste instante
Sem medo de me entregar sigo-a
Pode ser devagar

Sabe aquela música
Meu santo é de barro
Primeiro você veio
E devagar me pedes e vou

Em uma ponte, as águas por baixo passam
Olhando ao fundo percebe-se a claridade
É um remanso que vem e passa
As águas nunca são paradas

Vou devagar como tu pedistes
Como esse remanso que agora vistes
Elas passam, não há represa
E a vida continua

Figura poética

O sol a pino
O vento na face
Em uma motocicleta
Velocidade em alta tensão
O dia passou rápido
A volta foi de base
O sol invertido
Disfarce

Uma nova inspiração

No alto de uma montanha cor de laranja
O vento bate na batida do coração
Os olhos seguem aquele horizonte belo
E a cor dos tempos não são tons de cinza

Perderam-se as travas nos olhos
Aquele olhar longínquo não existe mais
A face desnuda com um sorriso estampado
E o corpo em êxtase e volúpia

Em samba de roda o mundo gira
Canta a alegria de se viver
Na eterna magia do bem querer
Os sulcos da testa agora fazem até aparência

Inspirações poéticas não param
Ele trouxe isso para o meu lado
Deste lado tão sombrio iluminou
Como um sol que ilumina e aquece

Somos sóis de um inverno passageiro
Enternecido por pequenas trocas de palavras
Naquele gosto do querer ainda mais
O tempo é chave e caminho

Devora-me e sejas devorado

Quero sentir tua pele alva tocando a minha
Naquele santo desejo de consumo
Em um beijo que esquente por dentro
E provoque infinitos sussurros

Sou um anjo disfarçado de pecado
Tenho desejo de carne viva
Toque-me com teu abraço
Aqueça estes longos dias

Tua parte que me corrompe
Que seja a mais bela alegria
Sentir-se naquele estado
De pleno gozo nos faria

O teu calor vai aquecer minha alma
Arranque de mim o topor de dias frios
Eleve-me ao ápice do abismo
Vem e me devora com teu amor e me faz sentir como uma flor

Mãe

Singela beleza num rosto sulcado pelo tempo
Em avida certeza amar sem nunca esperar
O parto das mães divinas parece nunca vezes cessar

Em longos prantos vê-se os filhos
Os filhos caminham em longos risos
As mães de braços estendidos sempre estão a suportar

Gestos, afagos, dengos, privilégios, amar
A mãe se sente mãe quando ama
E o amor de uma mãe pode até curar

Das mães pode-se esperar tudo
Em tudo que se espera é amar
Incondicional amor que leva os filhos, há sempre amar

Em linhas pontilhadas de bem querer

Um coração apaixonado
Que rasga ao peito o bem amado
O fogo consome as horas inexatas
Dias que nunca sempre passam

Tantas horas contadas no relógio
Os ponteiros que giram os segundos passados
Na eternidade daquela emoção
Que invade um coração enjaulado

Todo aquele que sente o bem querer
Pode ser sacramentado e lembrado
Como um doce perfume de dama da noite
Penetra na alma e impregna tal laço

Essas coisas acontecem quando menos se espera
Quando ao passar pela vida sem muita pressa
Com o semblante como lua ardente
Numa clara alusão a realidade que invade

Em tão pouco tempo se pode entender
Que estimular no outro o sentimento do querer
É a prova cabal de que se pode ter
O bem amado logo se quer ver

Meu blog está mais velho

Pois é eu nem sabia meu blog no dia 27 de julho completou dois anos e durante esse tempo ele ficou como que um diário virtual, mas muito reservado, poucos sabiam da sua existência. Foi criando sua identidade aos poucos. É a cara do Pai...rsrs...reservado ao extremo, mas que manteve sempre fiel aos ideais e idéias, escrever poesia, sempre, sempre.

E brindemos com poesia, caminho aberto por um sofrimento interior, mas que sempre me levou a ter os sentimentos mais puros e desejosos de felicidade, um brinde ao bem querer. E quem é que não quer ser bem querido e amado? Eu quero sempre!

Eu transito

Eu transito pela vida
Caminhando nas pontas dos dedos
Não sou um bailarino
Mas reconheço o tal tropeço

Eu caminho com você
Agora tú apresentas ao meu lado
Com caminhar lento e apurado
Teu jeito de ser amaranha o tato

Tua voz penetrou em um coração endurecido
Amoleceu, e encheu de tal brilho
Que os olhos de tão puros abrigos
Recolhe teu afeto longíquo

O dia do encontro, daqueles que só saberemos
O olho no olho, pele encostando em pele
Fervente prazer eternecido
Por uma voz que me arrasta demancinho

Esperança de ouvir e de ver é tanta
Que o coração encanta
Com singeleza presença
Antes que eu cala-me para sempre

Pisciano Feelings

Imagem

Narciso

A vida é um itinerante caminhar
Em pedras de paralelepípedos
Instantes invulgar com aquele gosto de sempre amar
Colapso antes dentro que fora


O vento que bate em teu rosto
Desvirtua aquela franja, tira-a do lugar
Semblante quase límpido em um rio
Olhe para baixo, quero me jogar


Narciso quer ser eu mesmo
No intervocabular inexistentes
Os olhos fixos naquela água
A fundo se quer amar


As imagens destorcidas na parede
Narcisicamente há outros que olhar
Narciso gosta de se olhar no espelho
Daquela alma há pouco se procurar


E tanto olhar a si mesmo
A crença de se gostar
Narcisos aparecem em todos os instantes
Prontos para se devorar

Ilusão

Amor ilude
Amor eleva
Amor entristesce
Eu vou aonde meu coração me levar
Pode ser bem no alto de uma colina
Jogar-me lá de cima, sentir o vento no rosto

Com você alcançarei os céus
Na ilusão de encontrar
De crer que existe um alguém por aí

Tanta coisa acontece aqui dentro
O sangue correndo nas veias
Chega ao coração e grita alto
Onde tu estas?

Amor ilude
Amor condena
Amor devora-me
Amar, verbo de ação

Tratado sobre amizade

Imagem
Uma amizade nasce e cresce sem precisar de grandes impulsos. Ela é pequena, como uma semente que precisa de um lugar fértil para brotar. E cresce quando os fatos que poderiam matá-la na realidade a fortalecem. Amizade quando verdadeira, não precisa ser consumida, como se fosse uma mercadoria de troca, ela é espontânea surge porque tinha que surgir. Qual a amigo que te ligaria chorando, precisando ser escutado e você não o escutaria? Independente de qualquer horário que ligue. Amizade é assim, é doação de tempo, de afeto, carinho, mesmo a distância, mesmo sem nunca ter visto a pessoa em carne e osso. Sem nunca ter dado um abraço ela nasce porque devia de nascer.

A gente quando encontra um amigo assim, daqueles que você liga e ele fica feliz de estar te recebendo, devem ser cultivados. E quem é que não gosta de um carinho? Amizade é assim, nasce porque tinha que nascer. Cresce porque foi alimentada, na confiança, no respeito, e na admiração mesmo que a distância.


Hoje escrevo sobre iss…

Mi coración

Um coração despedaçado
Em mil pedaços ajuntados na luz de um luar
Aquele ser reluzente que invade a imensidão
Rouba meu coração sem grandes alardes

Quando vejo, estou em teus braços
Com uma taça de vinho tinto ao lado
Um calor que aquece e fulgurás noites
Na bela paisagem ao lar adentro

Uma clássica alusão aos apaixonados
Dois seres que se sentem amados
Que ao se tocarem reveem-se em lençóis de cetim
Naquele espaço só os dois sabem

Que coração quando ama não consegue ver
Despedaçado já não se encontrará
Apenas cansado de esperar

A vida renasce (Dedicada a Helena filha de Paula Eterovick e Eric)

Da sementinha plantada
A vida desabrocha
Em instantes de agora
Raízes são formadas

Helena é uma plantinha
Que em teu ventre cresce
De tanto amor e carinho
A vida dentro dela agradece

Acreditar na beleza
De ventres nascidos
Com tanta singeleza
Os céus agradecem
Helena, a flor de infinita nobreza

As horas

Tanta gente hipocrita
Que vive na sombra da misericórdia
Acha que a vida é uma ciranda de roda
No balancei-o vai, vai, vai

Tanta gente que pensa que pode tudo
Pensa que a vida não cobra
Da velha piada que assola
Com os sentimentos de outrora

Tenho pena de gente com altos e baixos
Que não sabe o que é sentimentos normais
Porque só sabe viver na corda bamba
Um dia ela se rompe e cai

O bipolar é assim, tão altos e baixos
Que nem percebe o que faz
Daqui a pouco tá depre
Depois euforico
E assim numa vida tão cheia de altos e baixos
Parece que sempre vai perecer

Cartas para Julieta - Filme

Imagem
Cartas para Julieta, filme que recomendo, nem tanto por ser caracterizado como Romântico, mas pela história que me impregnou com a sensação de que amar é sempre um fato de se relacionar com aquilo que é desconhecido a priori. Quem pode dizer que conhece totalmente o outro? Sinto muito meus queridos, mas a nossa alma resguarda-se de segredos que nem mesmo os casais mais apaixonados poderiam conhecer.

Sai do cinema em prantos, caminhando pelas ruas da minha cidade, pensando em muita coisa, nas relações que estabelecemos uns com outros, nas nossas carências, principalmente nas minhas, mas sigo aquilo que no filme revela. E se? Sempre tento alcançar a ousadia daqueles que tentam viver suas histórias sem pensar nisso. Passamos de relance pela vida, não sabemos para onde iremos, então aproveitamos este espaço que a vida proporciona para vivê-la com dignidade e respeito aos sentimentos alheios.

Imaginem vocês apaixonados, digam aos seus, EU TE AMO, e em troca recebam uma belíssima bofetada…

Eu quero

Quero que roubem meus beijos
Peguem-me com força
Do meu peito abraçado
Com a alma em constante contrição

Quero movimentos abusados
Agitem o marasmo
Desejos despertados
Com gosto de quero mais

Quero terremotos
Vulcões existenciais
Doces e quentes afagos

Como eu quero
Um pouco de ti
Sempre de mim
Te quiero, lascivamente quero

Imaginação

Quem es tú que segues sem rastejo
Faz da vida um imenso desejo
Arrancando do ventre o ar rarefeito
Com rimas tão certinhas que fazem bocejo

Quem es tú que transpõe o meu corpo
Que faz de mim gato e sapato
Será?

Meu namorado imaginário
Coisa de gente doida
Que fica num pc imaginando coisas
Sem saber aonde isso vai dar

Imaginação
Falta a imaginação ao mundo
Não ao meu mundo
Criei com os pés ficandos no chão

Coisa de gente maluca
Imaginar uma história
Pô-la no papel
Que bom que fica só aí

Se a sua mente não viaja
Não consegue ir dentro de si
Podes ter certeza
Que parte daquilo que chamamos de vida
Deixou de ser vivida

Imaginação
Palavra cheia de significados
Sem ela a vida é seca
Por isso prefiro inundá-la

Os nois desatados

Desate o nós
Da garganta quase esmaecida
De tanto grita GOOOOLLL
Tanto vale amor
Em tanta pouca vida
Cantas em voz alta
Numa linha divisória
Antes sempre navego
Dentro de um nó desatado

Momentos a sós

Quantas almas sentem-se sós
Dentro de vastas multidões
No profundo acanhamento
Entre o ter e não ter

O mundo pede movimente-se
Parados na inércia fulguram ostentastes
Cada qual com a sua dureza
Na límpida face desnuda

Momentos a sós
Deveriam ser de paz interior
Mas não o são, o caos borbulhante
Em pequenas notas inconstantes

Amor e outras coisas

Antes o que deveria ser entendido por Amor?
Já me fiz várias vezes essa pergunta
Alguns diriam, há que se entregar ao objeto amado
Outros diriam, há que gostar de si mesmo
No fundo só se sabe o que é Amor quando se é ferido

Há verdade?

Não sei se a verdade existe
Ou se há verdades
Só posso dizer sobre o que sinto
O que vejo pode ser destorcido
O que sinto é sempre real

Em um livro

Um dia lê em um livro
Morta-viva vivia
Fiquei repensando
Quantos mortos vivos caminham pelo mundo?
E nem percebem seus estados necrofágicos

Morto-vivo nunca estou
Porque quem consegue refletir sobre os próprios atos
Ainda sadio se encontra
Morte e vida algo tão comum
Que vivo sempre prefiro estar

Reflexões sobre humanos

Voltei ao meu cantinho
Calor tão bom de sentir
Mas a aventura me chama
Em outros caminhos percorrerei

Sem medo de ser o que se é
Sem medo de viver o que se deve viver
Sem medo de se arriscar pela vida a transitar

O calor intimo é reconfortante
Mas é no frio que prefiro estar
Com mãos geladas e coração quente
Permito-me chegar

Num dia irão entender
Que calor pode ser bom
Mas é o frio que faz a gente pensar
De tanto tagarelar coisas fúteis
Prefiro o meu humano laço a desbravar

Tempo

Sigo o Tempo
No espaço de tempo
Que ele me der

Sigo a vida
No espaço da existência
Que ela me quer

Sigo os sentimentos
No espaço da mudança
Que vieram para ficar

No silêncio quero cultivar o que sinto
Para que um dia posso doa-lo
Num instante de vida
Ei sempre de lembrar

A ti entrego o melhor que posso dar
Desde que aceites de coração
Numa vasta razão
Ainda não aprende o que é amar

Cada qual com seu tempo
Um tempo que não sei se há de chegar
Mas com o coração aberto
Para quando quiseres entrar

Cala-te

O tempo tudo cura
No silêncio a alma cala
Mesmo que o mundo lá fora grite
Feche a porta do quarto

Num choro quase contido
O coração batendo de saudade
Mas na memória sempre veem
Cala-te

No espelho eu e você

Olho-me no espelho
Em mim encontro um pouco de ti
Atrás tu te encontraste

Tuas mãos percorrem meu corpo
O meu pescoço inclina-se no teu peito
Minhas mãos passeiam em tua nuca

O beijo, o abraço, o afago
Sensação que acalma
Momentos passageiros de se ver

Dois corpos que quando envoltos
Alimentam-se daquele cheiro
Tão bom de se sentir

Querência

Amar e não ser correspondido
É dor e ferro fundido
Te teria em meus braços
Se ao menos permitiste

O teu sofrimento me faz querer cuidar de você
Mas a tua frieza só lhe faz mal
Não deixe que a doçura que o Amar é
Transforme em fel escorrente

Meu lado solar aceita teu lado lunar
Tudo é questão de querência
Se estou te querendo
É porque minha querência me faz agir assim

Eu te espero
Esperarei até quando for possível

Splash momentâneo

Pequena gota de orvalho
Em folha escorre ao cair em terra firme
Percola chão abaixo
Entre pequenos poros aceifados

Uma gota faz splash
Arremessando sempre mais
Sozinho acredita-se que se anda
Pobre coitado!

Junto é que se percola caminhando
Trajetos antes nunca tentados
Gota que se junta em gota
Em oceano um dia há de virar

Nu

Desnudo estou
A minha alma aberta cala
A expressões não são de tristeza melancólica

Nu estou
Com o coração pregado em uma lança
Mas sem receios de estar assim

Ao ser que sigo!

O desconhecido seduziu-me
Encantos letrados revestidos de silêncio
O olhar languido cuidadosamente pensado devora-me

Tua face límpida reveste-se de mistério
Na intempestiva inocência de te seguir
Olho um ser sem igual aparência

As ideias gladiam-se a existência intemperes
Com um jeito peculiar quase me desnudando
Palavras compõem um ser quase fechado

Observo com um olhar científico
Tudo é fachada, precisa de palavras para te proteger
Medo nunca corresponde a entrega

Doce e intenso o meu jeito de ser
Aspéro e corrosivo seu jeito de olhar
Fôrmula quase retórica de dizer
Te sigo na falência que tu mostras ser
Adoro te provocar!

Reconstrução

Todo mundo pensa que a vida é assim
Na casa destruida em lagrimas invertidas
Prosa e versos em longa busca de afetos

Todo dia a gente morre um pouco
Para viver um pouco mais
Vida e morte simples assim

Toda a existência centrada em si
Busca invariavelmente um outro
Na tentativa de busca-lo foi-se

Olhe para o dia ensolarado
Na beira daquela janela
Calor tão bom para se sentir

A nossa essência é que tem valor
Tantas vezes lutei lutas invisíveis
Seres imaginários como os moinhos

Os moinhos, ah! Os moinhos
O castelo de areia desmoronou
De grão em grão reconstruo

Saudade daquele tempo que não se volta
Saudade daquilo que ainda não vive
Sempre fica a saudade de me reconstruir

Como rocha ei de ficar
Bruto como uma pedra
Mas sempre limpido como um fundo de riacho

Impressão

Solar frieza
Antes nunca fostes
Num rio que deságua
A beleza sem rumores

Afetos inesperados
Em corações calizados
Instintos afeitos
Ninguém pode ser perfeito

O calor humano nunca é cobrado
A cada instante me disfaço
Em pequenos roupantes
Sentimentos outrora purgantes

Desejo

Olho-te em face do horizonte
Teu corpo bem próximo ao meu
Envoltos por um tecido de ceda

O olho no olho aqueta a alma
Faz aqueles breves momentos rever-te
Boca na boca lábios entumecidos

Hum! Que vontade de te abraçar
Rever em ti toda a saciedade da existência
Comendo da maça enfeitiçada

No fundo desejo-te
Até que um dia
Nos encontraremos como unha e carne

Quero e Amo

Se um dia te disseres: Te quero
É porque te quis
Se um dia te disseres: Te amo
É porque te amei

O amor como verbo é ação
Uma ação que requer retorno
No movimento pendular me encontro

Os sentimentos sofrem a ação do outro
Querer e Amar são transitórios
Enquanto trânsito pela vida

Vou Te querendo
Vou Te amando
Voô

Sensações

O corpo treme e alma encanta
A voz penetra, movimenta sensações
É estranho e genuinamente humano

A alma aberta quando encontra outra alma aberta
Unem-se de tal forma que parecem uma só coisa
Como é bom se sentir unido a alguém

Pode ser amigo, um amigo ainda desconhecido
Vejo num futuro há aproximidade
Daquelas coisas de amigos de infância

Sentir-se enamorado com o desconhecido
Rever nele um pouco da gente
Ligação que ainda não se entende

Amar ainda é um verbo distante
Mas quem sabe um dia, um dia que não se sabe quando
Enamora-se, sempre, requer uma dose de esperança.

Lembranças

Noites ensolaradas em véu branco alvo
Corações apertados em notas quase insonoras
A vida passa de relance, perdemos, perdemos

Conquistas a cada passo o balanço do vento
Em fagulhas da intransitividade da existência
Cada pessoa é um jeito de ser

A criança lambe o picolé, o gosto é tão bom
Lambuza, sem medo de se lambuzar
São instantes, não voltaram, guarde com açucar e afeto

A escrita

Escrevo compulsivamente
As idéias surgem
Não paro de escrever

A escrita é meu ofício
E neste momento vejo quem sou

E neste pequenos versos
Deixo registrado
O meu grande afeto por aquilo que escrevo

Paixão

Apaixonar-se
É a melhor coisa da vida
Sentir-se enamorado pode nos levar ao céu
Mas num instante pode ser também o inferno
Ah! Que belo inferno!

O corpo

Corpo em movimento
Ritmo compassado
Vigoroso arqueamento
Mente e corpo agem harmonicamente

A expressão é de dor
Contração e Relaxamento
Os muscúlos exigem energia
Ela vem, aquece, comapadece

A música ao fundo
O coração em perfeita harmônia
No gingado do corpo e alma

La carta de las parejas

Los enamorados se aparean
Aparean porque se aman
Aman porque se desean
Desear es la palabra que quién se enamora

No tengo un amor
Porque no se debe tenerlo
Pero se debe donarlo
Donarlo para quién se ama