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Mostrando postagens de Março, 2010

Reconstrução

Todo mundo pensa que a vida é assim
Na casa destruida em lagrimas invertidas
Prosa e versos em longa busca de afetos

Todo dia a gente morre um pouco
Para viver um pouco mais
Vida e morte simples assim

Toda a existência centrada em si
Busca invariavelmente um outro
Na tentativa de busca-lo foi-se

Olhe para o dia ensolarado
Na beira daquela janela
Calor tão bom para se sentir

A nossa essência é que tem valor
Tantas vezes lutei lutas invisíveis
Seres imaginários como os moinhos

Os moinhos, ah! Os moinhos
O castelo de areia desmoronou
De grão em grão reconstruo

Saudade daquele tempo que não se volta
Saudade daquilo que ainda não vive
Sempre fica a saudade de me reconstruir

Como rocha ei de ficar
Bruto como uma pedra
Mas sempre limpido como um fundo de riacho

Impressão

Solar frieza
Antes nunca fostes
Num rio que deságua
A beleza sem rumores

Afetos inesperados
Em corações calizados
Instintos afeitos
Ninguém pode ser perfeito

O calor humano nunca é cobrado
A cada instante me disfaço
Em pequenos roupantes
Sentimentos outrora purgantes

Desejo

Olho-te em face do horizonte
Teu corpo bem próximo ao meu
Envoltos por um tecido de ceda

O olho no olho aqueta a alma
Faz aqueles breves momentos rever-te
Boca na boca lábios entumecidos

Hum! Que vontade de te abraçar
Rever em ti toda a saciedade da existência
Comendo da maça enfeitiçada

No fundo desejo-te
Até que um dia
Nos encontraremos como unha e carne

Quero e Amo

Se um dia te disseres: Te quero
É porque te quis
Se um dia te disseres: Te amo
É porque te amei

O amor como verbo é ação
Uma ação que requer retorno
No movimento pendular me encontro

Os sentimentos sofrem a ação do outro
Querer e Amar são transitórios
Enquanto trânsito pela vida

Vou Te querendo
Vou Te amando
Voô

Sensações

O corpo treme e alma encanta
A voz penetra, movimenta sensações
É estranho e genuinamente humano

A alma aberta quando encontra outra alma aberta
Unem-se de tal forma que parecem uma só coisa
Como é bom se sentir unido a alguém

Pode ser amigo, um amigo ainda desconhecido
Vejo num futuro há aproximidade
Daquelas coisas de amigos de infância

Sentir-se enamorado com o desconhecido
Rever nele um pouco da gente
Ligação que ainda não se entende

Amar ainda é um verbo distante
Mas quem sabe um dia, um dia que não se sabe quando
Enamora-se, sempre, requer uma dose de esperança.

Lembranças

Noites ensolaradas em véu branco alvo
Corações apertados em notas quase insonoras
A vida passa de relance, perdemos, perdemos

Conquistas a cada passo o balanço do vento
Em fagulhas da intransitividade da existência
Cada pessoa é um jeito de ser

A criança lambe o picolé, o gosto é tão bom
Lambuza, sem medo de se lambuzar
São instantes, não voltaram, guarde com açucar e afeto