terça-feira, 29 de junho de 2010

Os nois desatados

Desate o nós
Da garganta quase esmaecida
De tanto grita GOOOOLLL
Tanto vale amor
Em tanta pouca vida
Cantas em voz alta
Numa linha divisória
Antes sempre navego
Dentro de um nó desatado

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Momentos a sós

Quantas almas sentem-se sós
Dentro de vastas multidões
No profundo acanhamento
Entre o ter e não ter

O mundo pede movimente-se
Parados na inércia fulguram ostentastes
Cada qual com a sua dureza
Na límpida face desnuda

Momentos a sós
Deveriam ser de paz interior
Mas não o são, o caos borbulhante
Em pequenas notas inconstantes

sábado, 26 de junho de 2010

Amor e outras coisas

Antes o que deveria ser entendido por Amor?
Já me fiz várias vezes essa pergunta
Alguns diriam, há que se entregar ao objeto amado
Outros diriam, há que gostar de si mesmo
No fundo só se sabe o que é Amor quando se é ferido

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Há verdade?

Não sei se a verdade existe
Ou se há verdades
Só posso dizer sobre o que sinto
O que vejo pode ser destorcido
O que sinto é sempre real

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Em um livro

Um dia lê em um livro
Morta-viva vivia
Fiquei repensando
Quantos mortos vivos caminham pelo mundo?
E nem percebem seus estados necrofágicos

Morto-vivo nunca estou
Porque quem consegue refletir sobre os próprios atos
Ainda sadio se encontra
Morte e vida algo tão comum
Que vivo sempre prefiro estar

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Reflexões sobre humanos

Voltei ao meu cantinho
Calor tão bom de sentir
Mas a aventura me chama
Em outros caminhos percorrerei

Sem medo de ser o que se é
Sem medo de viver o que se deve viver
Sem medo de se arriscar pela vida a transitar

O calor intimo é reconfortante
Mas é no frio que prefiro estar
Com mãos geladas e coração quente
Permito-me chegar

Num dia irão entender
Que calor pode ser bom
Mas é o frio que faz a gente pensar
De tanto tagarelar coisas fúteis
Prefiro o meu humano laço a desbravar

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Tempo

Sigo o Tempo
No espaço de tempo
Que ele me der

Sigo a vida
No espaço da existência
Que ela me quer

Sigo os sentimentos
No espaço da mudança
Que vieram para ficar

No silêncio quero cultivar o que sinto
Para que um dia posso doa-lo
Num instante de vida
Ei sempre de lembrar

A ti entrego o melhor que posso dar
Desde que aceites de coração
Numa vasta razão
Ainda não aprende o que é amar

Cada qual com seu tempo
Um tempo que não sei se há de chegar
Mas com o coração aberto
Para quando quiseres entrar