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Mostrando postagens de Dezembro, 2010

Azuis

A vida é um ladrilhar de pedras em falso
Cada sorte é mera conscidência dos fatos
Corre para longe, voa bem alto
Mergulho naquela imensidão que são seus olhos

Profano

Imagem
Num sonho profético, na imensidão além mar
Com uma andorinha que só se encontra
Vagando a procurar um pouso a sustentar
Naquela eterna razão de laços
E em um canto profano a deformar

O sentimento poético

Na categoria do mais belo
Bonito nem sempre é feio
A cada beleza superexposta
Há um pouco da feiúra

Nada que se diga é belo
Se não houver o feio
A coisificação da criação
Entre belo e feio
Na arte de pensar as palavras
Tem pouco valia

Uma poesia é uma nota circunscrita
É um pequeno bloco de ideias
Nada mais que um ideal
Um sentimento que veio e é fugido

Para uma tela, um pincel
Para uma letra, um livro
Para a poesia, sentimentos

Hipocrisia

O hipócrita é aquele que diz que ama sem amar
É o amigo que não consola quando você precisar
Ter um belo sorriso no rosto e ter vontade de matar
É dar um beijo na tua boca e escarrar o sentimento que se dá

Todo hipócrita adora falar sem pensar
Acredita que a vida é nada de cá e muito de lá
É aquele semblante au revoir
Na eterna infância do deixo estar como está

E se ainda diz o que lhe faz movimentar
Como pêndulo há sempre de ficar
Num eterno vai e vem de afazeres
Sem nada aprofundar

O hipócrita é sempre raso
Como aquele riacho a pisotear
Sem nada a acrescentar aos outros
Na vida deixa se levar

Clara do Samba

Clara clareou o dia
Fez da vida uma eterna sinfonia
Do seu jeito jocoso de ser
Enterneceu de luz o Samba a saber

Uma vez essa garota mineira
De tempero carioca cantou
Ninguém não viu um canto de dor
E nesta dor-amor de tantas cores
Com aquela saia roda ela girou

E a luz clareia e incendeia
Refaz a paz dos tambores
De batuques consagrados
E aquela menina no samba enfeitou-se

Clareia, clareiou
Nas correntes que foram infligidas
Das dores amadurecidas
Com aquele suor de tempos de outrora
Clara a bela flor, encantou e se encantou

Ogun te Obaluaiê Yansa Oxumáre Otete