terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Azuis

A vida é um ladrilhar de pedras em falso
Cada sorte é mera conscidência dos fatos
Corre para longe, voa bem alto
Mergulho naquela imensidão que são seus olhos

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Profano


Num sonho profético, na imensidão além mar
Com uma andorinha que só se encontra
Vagando a procurar um pouso a sustentar
Naquela eterna razão de laços
E em um canto profano a deformar

domingo, 12 de dezembro de 2010

O sentimento poético

Na categoria do mais belo
Bonito nem sempre é feio
A cada beleza superexposta
Há um pouco da feiúra

Nada que se diga é belo
Se não houver o feio
A coisificação da criação
Entre belo e feio
Na arte de pensar as palavras
Tem pouco valia

Uma poesia é uma nota circunscrita
É um pequeno bloco de ideias
Nada mais que um ideal
Um sentimento que veio e é fugido

Para uma tela, um pincel
Para uma letra, um livro
Para a poesia, sentimentos

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Hipocrisia

O hipócrita é aquele que diz que ama sem amar
É o amigo que não consola quando você precisar
Ter um belo sorriso no rosto e ter vontade de matar
É dar um beijo na tua boca e escarrar o sentimento que se dá

Todo hipócrita adora falar sem pensar
Acredita que a vida é nada de cá e muito de lá
É aquele semblante au revoir
Na eterna infância do deixo estar como está

E se ainda diz o que lhe faz movimentar
Como pêndulo há sempre de ficar
Num eterno vai e vem de afazeres
Sem nada aprofundar

O hipócrita é sempre raso
Como aquele riacho a pisotear
Sem nada a acrescentar aos outros
Na vida deixa se levar

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Clara do Samba

Clara clareou o dia
Fez da vida uma eterna sinfonia
Do seu jeito jocoso de ser
Enterneceu de luz o Samba a saber

Uma vez essa garota mineira
De tempero carioca cantou
Ninguém não viu um canto de dor
E nesta dor-amor de tantas cores
Com aquela saia roda ela girou

E a luz clareia e incendeia
Refaz a paz dos tambores
De batuques consagrados
E aquela menina no samba enfeitou-se

Clareia, clareiou
Nas correntes que foram infligidas
Das dores amadurecidas
Com aquele suor de tempos de outrora
Clara a bela flor, encantou e se encantou

Ogun te Obaluaiê Yansa Oxumáre Otete