Postagens

Mostrando postagens de 2011

Curta IX

Olho aquele poço profundo cor de abóbora, os peixes nadam calmamente
No anzol a boca morde, puxe o peixe não é gente.

Curta VIII

Um músculo paralisado, estica rompe
De desejos o alado,
em cartáse se encontra,
revele-se na sombra do cortejo,
a bela flor esmiuçada,
virgem maria, é uma visão?
Acorde menino é um relampejo.

Curta VII

A fruta madura no alto do pé dá flor,
cheiro de manga doce com aquela pitanga quase incolor,
sinto gosto da fruta amarga taca melado e guela abaixo.

Curta VI

Cada corrente no seu elo parte fora do que dentro
Na cobiça por dar liga, arrebenta e foi-se embora.

Curta V

O avesso do avesso tem seu preço
Da mistura do compasso, linhas tortas eu farejo
No balançar de notas agudas, vou ali buscar tal apreço

Cartada

Em uma luta inglória
Soldados em ritmo de batalha
Em suas mãos cartas
Corações, paus e azes

Na mesa se encontram
Quem é o juiz de tal jogo?
O fato das coisas não serem como são
Na última cartada cheque-mate

Curta IV

Em prosa de linhas
Incompreensíveis aos olhos alheios
Como disse em outros versos
Poesia sente-se e muitas vezes não se entende

Momento único

A juventude me deu asas daquelas bem pequenas
Não sei o que é envelhecer vendo-se jovem o coração
Mas, as vezes, se engana com tal batimento
Deixe as rugas brotarem e encantesse com elas
Não precisamos provar que somos jovens
Uma alma jovem é viva sem a propensa intenção
No fim todos sabemos o nosso destino
Faça o que quiser, mas faça ser como único

A Arte Pop em uma música sem sentido?

Bajulada como uma rainha
Perdeu a elegância refinada das ideias
As rugas que aparecem na face
Encobre com tal maquiagem
No destempero da vaidade

A humildade de se ver madura foi perdida
Chupa os mais novos como se quisesse ter
Aquela fonte da eterna juventude
Que nunca poderá mais ser

No alto da flor da idade
Tanta coisa poderia mostrar
A beleza de amadurecer linda
Fica apenas o botox e uma falsa alegria

Canta como aquela garota
Dos idos anos 80
Libertando uma pobre sintonia
Esquecendo do passado de glória

Perdeu-se o sentido
Vamos todos cantar
L-U-V
Num som patético e dançante

Para pensar um som
Timbre inefasto e repetitivo
Bate na mesma tecla
Eureka, descobriu-se um latido
L-U-V
A Arte Pop em uma música sem sentido?

Ok, sou melancólico

Tristeza infindável dos dias que se passam
Um olhar longínquo num marasmo alto
Aquela gota de lágrima que é reflexiva
Tudo bem podem dizer
Oquei, sou melancólico!

Os ombros arqueados carregando um mundo
Apenas uma sensação de brincadeira
A melancolia nem sempre é triste
Naquele sorriso “a la Monalisa”
Oquei, sou melancólico!

Um falso ar de alegria momentânea
Com aquele gosto de ser e pronto
Algum problema tu tens com isso
Oquei, sou melancólico

De passagem já digo
A minha melancolia me faz ter terra nos pés
E asas de anjo decaído
Oquei, sou melancólico

Fingimento materno

Finges que me ama
Sim, eu nasci das tuas entranhas
Da boca para fora dizeis verdades
Espinhos infindáveis na língua se encontram

Tanto fingimento de amor materno
Rancor por não ser aquilo que quisesses
Assim é vida daqueles que tentam
Ser a si mesmos nem mais ou menos

O cordão umbilical que insiste manter
Faz a ti mais mal por isso não consegues perceber
Que filhos são caminhos trilhados pelos mesmos
Na tua boca as palavras morrem com tal desespero

Na dissimulada intenção de amar
Aquela bolha que não deixa voar
Permita que seja feliz e pronto
No parto as dores de um adeus

Curta III

A tua luta é da vitória
No bom nocaute da desgraça
Que palavra feia menino
Não a use para nada

Pessimismo

Vale
a pena
sofrer por uma luta morta
anos de escravidão da mente

Verdade seja dita
façamos uma festa
procure as baladas preferidas
entorpeça-se de álcool e amores
perca

Reapareça
nas gotas de dignidade
quem importa com tal sandice
vamos, voltemos aquela música
tão bom de sentir

Anestesiado
corre pelas ruas pelado
que nada isso é coisa de
sabe o que quero dizer

Vale
a pena
morrer por tão pouco
entorpeça-se com tal gosto
faça nada
dance conforme a música

Cresça
naquele mundo confortável
da cabeceira do seu quarto
mundo pequeno de se ver

Vamos ser pragmáticos
quem houve esses gemidos
isso sim nem percebe
fala mais alto
alguém vai te escutar

Cuidado
todo aquele que mostra
o que pensa-sente
falecimento é como nota
já nasceu morta a pobre luta

Idade Média Contemporânea

Na cabeça uma coroa dourada
Postulada com aquela cena branca
Em um dos dedos anéis de ouro
Cajado, Rebanho, Guia

Entortando o pescoço se vai
Alicerçado na crença de uma vida
Tanto faz outras tiradas
Só glória a única válida alma

A dignidade humana exaltada
Naquele discurso pueril
Meus sentimentos a todos são o mesmo
Vistas grossas a grande alma faz

Nos porões de uma sociedade infame
Do qual todos pertencemos e irmãos seremos
Aquele objeto de quatro pontas
Ajoelhe e agradeça ele salva tua alma

O monarca da plebe injustiçada
Nada faz porque segue a lei
Dos anos fugidos e controversos
Sempre amou os seus

As estrelas douradas aos seus pés
Em trono deposto se encontra
Ainda subjugam o Estado
No leito da lama dama

Faça a sua reverência
Vossa Majestade conclama
Os hereges de agora são outros
Cortem a cabeça e me tragam
Plena de paz e eterno sacerdócio-lei

Caminho

Não sei ao certo percorrer em linhas retas
Aquelas cor de abóbora
Verdes em lembranças mórbidas

No tropeço do avesso
Daquele jeito sem saber
Cada qual com a sua metade

Os ouvidos sentem o som
As palavras nem sempre são úteis
Gesto contínuo de afeto

Sentirei a vida com a alma
Se estas são coisas repetidas
Quem é o Senhor do tempo para julgar

O caminho nem sempre existe
A gente vaga até que um dia
Aquela sentelha inspiradora
Para e diz: - Vem comigo, eu não o caminho

Silêncio

Quantas vezes não fazemos silêncio
Os outros não nos querem ouvir
Então não diga nada, seja

A liberdade está nas vontades
No brio do clarão
Luz que ilumina e aquece

Ternura se faz com calor
Aquele fogo que esfria
Congela os minutos
E se desfaz em poesia

Silenciar
Este amigo que poucos compreendem
Porque na ânsia de expressar
Ainda não perceberam
A gente é mais gente no silêncio

Curta II

Versos fáceis
Ritmados
Milimetricamente medidos
E eu perfeito
Na mais pura sapiência da escrita
Olho para baixo e vejo
Oh! Pobre gente maltrapilha

Sentado no meu trono altivo
Com a beleza de um faisão
Mandos e desmandos
Sou rei e vassalo
Como diz um fúnebre ditado
Julgas e serás julgado

Curta I

Torpe cavalo alado, caído da imensidão do infinito
Com um passo em falso, abismo
Mergulhado na superfície da existência
Cansado de dizer e mais nada
Lambe a entrada da vida

Diversidade

Minhas mãos tocavam as suas naquela larga avenida
Andávamos como dois seres apaixonados
A sensação de proteção era o que importava
Um frio e gélido vento parecia nos desviar do caminho
Com os corações quentes, sentíamos só eu e você

Um golpe na cabeça, estilhaçados no chão
O sangue correndo em instantes
Como numa violência de uma bala perdida
Eu nos teus braços e vultos correndo a nossa frente

Aquela sombra que nos fizeste passar
Não nos tirou o brilho do nosso olhar
Todos têm direito a amar, um amor igual
Não viva calado com a sua dor guela abaixo
Viva bem no alto e crie sua identidade

Voe além do mar, com aquelas gaivotas
Viva sem se lastimar as chagas em tua face
Sustente o teu caminhar firme como rocha
Elas não serão em vão se você gritar

Not homophobia (Versão em inglês de Renato César)

My hands touched yours, we were at a wide avenue
We moved like two beings in love
The sensation of protection was what mattered
A cold and icy wind seemed to lead us astray
With warm hearts, we were just you and me

A hit over the head, broken peaces all over the floor
The blood running in an instant
As the violence of a lost bullet
I was in your arms and there was shadows running ahead of us

Why such violence, not homophobia
Why such hatred, not homophobia
Why such anger, not homophobia
Scream out loud for the world to hear, Diversity

That shadow that you forced us to go through
Did do not got the brightness off our eyes
Everyone has the right to love, a love equal
Do not live with your silent pain down your throat
Live high and create your identity

Fly over the sea, with those seagulls
Live without regret the wounds on your face
Hold your walk steady as stone
They will not be in vain if you scream

Diversity Diversity eh eh eh
Diversity Diversity eh eh eh

Rogado

Rogai para todos aqueles
Fantasmas da vida nas calçadas feridas
Com a estima alicerçada no asfalto
Eles aprenderam a andar

Rogai por aqueles que não comem
Um prato de comida afetivo
Naquele balançar de cabeças
Sem procurar tanta coisa para falar

Rogai pelos que escolheram da vida
Viver antes de morrer
Naquela morte sem esperar
No impasse da verdade
Aquela que nunca há

Rogai por todos que escolheram amar
Sem nada esperar dos outros
E sempre esperam um pouco de lá
Na propensa ilusão
Vida e morte sempre assim estará

Trágico fim

Um corpo no chão
O sangue vertido no asfalto
Aquele olhar de desolação
E um silêncio que gelava a espinha

Um morto
A pele cianocítica
Em transe estático
Passou-se pela terra e ninguém viu

O grito do poeta

Dize-me que nunca erraste
Da forca afiada na garganta colocaste
Daquele pulo da cadeira
Com um barulho no coração ferido

Não quero dizer de rosas
Para enfeitar os dias
Só para falar coisas bonitas
E alegrar essa vida maldita

Aquele eu que dilacera em carne
Com o vivente poeta de outrora
No fundo do poço se encontra
Grita em seu leito de morte

Oh, vida bandida
Da moça escarrada e esculpida
No lençol de organza
Vestida para abusar
Santa Querida

Erros

O tempo passa como trovoada
Temporal dentro da alma
Que lança na escuridão dos dias
Como se fosse uma dor inventada

Os erros são como estacas
Marteladas na vida mal vivida
Naquela camada crua
Tanto faz agora os valores

Não se usa a razão na raiva
Outros sentimentos são cegantes
Depois dos fatos já consumados
A mera falência das explicações
Ora nunca importantes

Versos para Lobato

Em um dia cabisbaixo
Com aquele olhar quase Dona Benta
Num sorriso da Tia Anastácia
No encanto da Emília

Descobri aquela boneca de pano
Toda desengonçada e atrevida
Falando o que vem a cabeça
Dando ordens como rainha

Personagens de um autor conhecido
Que trouxeram tanto ao reino esquecido
Lá de outras estórias a serem contadas
Em uma vasta imaginação
Prosas de Monteiro Lobato

E quando Narizinho e Pedrinho
Corriam no quintal sozinhos
A Cuca vendo tudo aquilo
Logo faz um grande feitiço

Lendo o Lobato percebe-se que de fato
Tanta fantasia em tanta ideologia
Que impregna seu texto
Para alguns de racismo
Para outros apenas lirismo?

Brilho nos olhos

O amor provoca brilho nos olhos
Faz a gente se sentir a vontade
Na procura agora encontrada
A paz almejada sempre alargada

Aquela flor que te dei com vida
Você retribiu a sua maneira
Não me canso de agradecer pela certeza
Te encontrar é a mais pura grandeza

Posso escrever mil coisas vãs
O que interessa é se na vida provo
O meu amor por você é inspiração
Num eterno agradecer cá estou a pertencer

Sou um simples artista
Com lápis e papel na mão
Muitos sentimentos irão de encontrar
Mas nada é tão puro como te amar

Sem título

O calor que faz a minha janela
Entra pelos buracos da fresta
Aquele incessante bocejo o tomou
Dormiu em paz e não acordou

Frio

A espinha cortada ao meio
Naquele gélido espaço temerário
Com notas aguda no peito aberto
Tórrida sensação de felicidade

Aquele gelo de outra circundante
No vazio da felicidade erguida
Tantos amores no leito de morte
O frio tanto faria

Pedras

Cada pedra tem seu tamanho
Circular, ovais, quadradas
Rolam sempre em riachos
Vão se bastando ao se tocarem

No toque-toque dos lados
Pequenos pedaços são lascados
Para a bela forma a ser vista
Tantos fragmentos terão sido formados

As pedras nunca se evitam
Correnteza de água agitada
No corre-corre dos pedregulhos
Naquele riacho ficam escondidas

Se você olha e vê uma linda pedra
Saiba que anos se passam a vista
No castelo de areia formado
Cada grão foi pedra um dia

Tum

Eu sou meu silêncio
A minha vontade de falar
Sou aquilo sem muitas verdades
Para qual na vida deixo estar

Um sussurro de vento ao ouvido
Estampido fogos de artifício
Naquela imensidão que é o pensamento
Fico no canto sem tanto ladear

Beija-me

Um beijo amante, daqueles roubados
Com gosto de pão de queijo
Derretendo no canto da boca

Terno e quente
Arrepia os bicos dos peitos
E aguça os membros

Apenas um beijo
Pode provocar muita coisa
Da ojeriza até o desejo

Crianças e vítimas

A poesia se cala
As palavras bastam
A vida é em instante apagada
A termina existência se fez pó

Apenas em uma única coisa se fixa
Na esperança do sol brilhar
E daquela profunda noite investida
A alma de lá se encontrar

True Blood

A vida de todos é compensada pela monotonia dos olhares
Cada voz é aquela face obscura no luar
O sangue em teus caninos faz festa
Naquele revoar de pássaros morcegos

No cintilar da alvorada
Em braços o sangue vertido desabrochará
Findáveis sensações de êxtase
E um canto de sonora rudeza


Não haverá nada mais a acrescentar
E em um breve, gélido e pavoroso suspiro
O coração sem dar sinal de existência
As mãos a percorrer teu corpo
Paz e silêncio num leito de sangue

Lágrimas

Escorro pelo teu rosto
Desço rente àquela muralha
Lavando tudo que está a volta

Cada gota da minha presença
Pode ser algo da inocência
Antes que seja fora do que vertidas dentro

Teu gosto quase sempre amargo
Fogem para o alto em pensamentos
Que mais geram água e sofrimento

Pode ser de alegria
Nunca quase contida
Daquelas que saem fora da garganta
Inundando céus e terras

Em um simples lacrimejar
Cada gota a de lembrar
Um fato de exixtência que existe
E sempre na memória hei de guardar

Meditações dos tolos

Eu sou a luz que ilumina seu dia
A paz que atravessa os ares
Corta como navalha aquelas velhas ideias

Sou a voz que grita sem ser escutada
Instantes emudecidos por gestos inadequados
Com a simplicidade de um tolo

Tantos bravos homens morreram em seus tediosos dias
Com aquela medalha no peito
Tentando gritar algo sem importância

Ser o que se é importa?
Fazer o que se tem para fazer, fará a diferença?
Correr como um louco e cair de bruços

Sabe aquelas músicas mais inocentes
As de ninar mesmo, já ouviu?
Acorda deste teu sonho primaveril!

O caramelo é realmente doce
Amargo nem todos gostam
Com tanta coisa interessante no mundo
Fica com ele na boca e chupa

Amado

O lado daquele gosto de te querer
Busca o teu jeito-ser
Não importa tanto o externo
Na hora em que ti busquei

Vejo a hora de te rever
Naqueles momentos tão nossos
Duas carnes vivas
Unidas na lasciva existência

Encontro com o amado
Daqueles instantes de tensão
Olhos que se encontram
Bocas que se tocam
E corações ligados

Quem nunca conseguiu ter um amado
Daqueles momentos guardados
No peito batendo rápido
E em instantes tê-lo ao meu lado

Reflexão a dois

Quem algum dia quis ter muitos
Não teve nenhum
Daqueles poucos que tiveste na cama
Fartaram-se com os delírios de macho

O mundo parece a gritar que quantidade é ter experiência
Como se na vida amorosa a entrega fosse dos fracos
Daqueles sentimentalóides que sonham, devaneiam
Buscando fora de si algo que já o tem

Na carruagem da existência pobre e intempérie
Da vida que passa ao lado sem muitos questionar
Dos comportamentos abusivos que levam ao êxtase
Daqueles orgasmos tão infantis

A vida a dois é desapego
A vida a dois ainda é entrega
A vida a dois, ora antes, valorizada
Hoje nada mais é que: “Vamos brincar de casinha”!

Dois seres quando se encontram
Sem a intenção de se encontrar
E juntos deslumbram mais que uma vida a dois
Querem se reconhecer como únicos
Por isso associam-se numa rede de afetos

Cabe a divindade de outrora
Naquela face desnuda pelo tempo
Nos intervalos entre o prazer e a dor
Olhos nos olhos
Com aquele querer–se bem

Caminham não mais em corda bamba
Porque naquele…

A borboleta pacificadora

Olhem só como é belo aquele inseto
De asinhas frágeis e corpinho esbelto
Vejam como ela bate as asinhas
Gracejos de flor em flor

Ela voa nem imagina
Que o mundo só caminha
Daquele seu gesto pacificador
De encontrar sempre néctar em cor

O mundinho dela é colorido
Daqueles que só os bichos grilos
Nos anos idos
Sem perceber eram mantidos

E não é que a realidade bate na cara
Ei pequena, o mundo não é só cor!
Grita dentro de si um horror
Morre de desesperança e de dor

Corrosivo

As palavras negam-me
Os instantes afloram dos verbos
Cada reação corroem os sujeitos
Naqueles predicados mais de preceitos

Na pequena frase um adeus
Uma breve sentelha de um ponto final
Que antes eram vírgulas para parar
Aquele lado corrosivo de se expressar

Nada é possível terminar
Mesmo quando há um ponto final
Pode-se recomeçar
E mais corrosivo há de ficar

O fel que desce goela abaixo
É o mesmo que nutre as entranhas
Daqueles frouxos sorrisos
Apenas ossos e pó

O pedido (Bem-me-quer Mal-me-quer)

Sabe o pedido que se faz tanto
Daquelas estórias mais felizes que se deslumbra
Dos amores infindáveis
Das paixões inquestionadas

Sabe aquele momento de partir
De levar nada para dentro de si
De olhar para o passado
De ver que foi bom e só

Sabe que ninguém maltrata se gostar
Daqueles gestos a se apropriar
Dos instantes do verbo amar
E ainda sim você acredita que irá chegar lá?