segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Reflexão a dois

Quem algum dia quis ter muitos
Não teve nenhum
Daqueles poucos que tiveste na cama
Fartaram-se com os delírios de macho

O mundo parece a gritar que quantidade é ter experiência
Como se na vida amorosa a entrega fosse dos fracos
Daqueles sentimentalóides que sonham, devaneiam
Buscando fora de si algo que já o tem

Na carruagem da existência pobre e intempérie
Da vida que passa ao lado sem muitos questionar
Dos comportamentos abusivos que levam ao êxtase
Daqueles orgasmos tão infantis

A vida a dois é desapego
A vida a dois ainda é entrega
A vida a dois, ora antes, valorizada
Hoje nada mais é que: “Vamos brincar de casinha”!

Dois seres quando se encontram
Sem a intenção de se encontrar
E juntos deslumbram mais que uma vida a dois
Querem se reconhecer como únicos
Por isso associam-se numa rede de afetos

Cabe a divindade de outrora
Naquela face desnuda pelo tempo
Nos intervalos entre o prazer e a dor
Olhos nos olhos
Com aquele querer–se bem

Caminham não mais em corda bamba
Porque naqueles momentos de afeto
Descobriram que caminhar juntos
Não é uma estrada ladrilhada
Mas sim a ladrilhar

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A borboleta pacificadora

Olhem só como é belo aquele inseto
De asinhas frágeis e corpinho esbelto
Vejam como ela bate as asinhas
Gracejos de flor em flor

Ela voa nem imagina
Que o mundo só caminha
Daquele seu gesto pacificador
De encontrar sempre néctar em cor

O mundinho dela é colorido
Daqueles que só os bichos grilos
Nos anos idos
Sem perceber eram mantidos

E não é que a realidade bate na cara
Ei pequena, o mundo não é só cor!
Grita dentro de si um horror
Morre de desesperança e de dor

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Corrosivo

As palavras negam-me
Os instantes afloram dos verbos
Cada reação corroem os sujeitos
Naqueles predicados mais de preceitos

Na pequena frase um adeus
Uma breve sentelha de um ponto final
Que antes eram vírgulas para parar
Aquele lado corrosivo de se expressar

Nada é possível terminar
Mesmo quando há um ponto final
Pode-se recomeçar
E mais corrosivo há de ficar

O fel que desce goela abaixo
É o mesmo que nutre as entranhas
Daqueles frouxos sorrisos
Apenas ossos e pó

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O pedido (Bem-me-quer Mal-me-quer)

Sabe o pedido que se faz tanto
Daquelas estórias mais felizes que se deslumbra
Dos amores infindáveis
Das paixões inquestionadas

Sabe aquele momento de partir
De levar nada para dentro de si
De olhar para o passado
De ver que foi bom e só

Sabe que ninguém maltrata se gostar
Daqueles gestos a se apropriar
Dos instantes do verbo amar
E ainda sim você acredita que irá chegar lá?