Reflexão a dois

Quem algum dia quis ter muitos
Não teve nenhum
Daqueles poucos que tiveste na cama
Fartaram-se com os delírios de macho

O mundo parece a gritar que quantidade é ter experiência
Como se na vida amorosa a entrega fosse dos fracos
Daqueles sentimentalóides que sonham, devaneiam
Buscando fora de si algo que já o tem

Na carruagem da existência pobre e intempérie
Da vida que passa ao lado sem muitos questionar
Dos comportamentos abusivos que levam ao êxtase
Daqueles orgasmos tão infantis

A vida a dois é desapego
A vida a dois ainda é entrega
A vida a dois, ora antes, valorizada
Hoje nada mais é que: “Vamos brincar de casinha”!

Dois seres quando se encontram
Sem a intenção de se encontrar
E juntos deslumbram mais que uma vida a dois
Querem se reconhecer como únicos
Por isso associam-se numa rede de afetos

Cabe a divindade de outrora
Naquela face desnuda pelo tempo
Nos intervalos entre o prazer e a dor
Olhos nos olhos
Com aquele querer–se bem

Caminham não mais em corda bamba
Porque naqueles momentos de afeto
Descobriram que caminhar juntos
Não é uma estrada ladrilhada
Mas sim a ladrilhar

Comentários

  1. Esses caminhos "a dois" podem parecer tortuosos, mas no final de tudo, são os melhores possiveis, acredite

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