sexta-feira, 13 de maio de 2011

O grito do poeta

Dize-me que nunca erraste
Da forca afiada na garganta colocaste
Daquele pulo da cadeira
Com um barulho no coração ferido

Não quero dizer de rosas
Para enfeitar os dias
Só para falar coisas bonitas
E alegrar essa vida maldita

Aquele eu que dilacera em carne
Com o vivente poeta de outrora
No fundo do poço se encontra
Grita em seu leito de morte

Oh, vida bandida
Da moça escarrada e esculpida
No lençol de organza
Vestida para abusar
Santa Querida

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Erros

O tempo passa como trovoada
Temporal dentro da alma
Que lança na escuridão dos dias
Como se fosse uma dor inventada

Os erros são como estacas
Marteladas na vida mal vivida
Naquela camada crua
Tanto faz agora os valores

Não se usa a razão na raiva
Outros sentimentos são cegantes
Depois dos fatos já consumados
A mera falência das explicações
Ora nunca importantes

Versos para Lobato

Em um dia cabisbaixo
Com aquele olhar quase Dona Benta
Num sorriso da Tia Anastácia
No encanto da Emília

Descobri aquela boneca de pano
Toda desengonçada e atrevida
Falando o que vem a cabeça
Dando ordens como rainha

Personagens de um autor conhecido
Que trouxeram tanto ao reino esquecido
Lá de outras estórias a serem contadas
Em uma vasta imaginação
Prosas de Monteiro Lobato

E quando Narizinho e Pedrinho
Corriam no quintal sozinhos
A Cuca vendo tudo aquilo
Logo faz um grande feitiço

Lendo o Lobato percebe-se que de fato
Tanta fantasia em tanta ideologia
Que impregna seu texto
Para alguns de racismo
Para outros apenas lirismo?