quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Caminho

Não sei ao certo percorrer em linhas retas
Aquelas cor de abóbora
Verdes em lembranças mórbidas

No tropeço do avesso
Daquele jeito sem saber
Cada qual com a sua metade

Os ouvidos sentem o som
As palavras nem sempre são úteis
Gesto contínuo de afeto

Sentirei a vida com a alma
Se estas são coisas repetidas
Quem é o Senhor do tempo para julgar

O caminho nem sempre existe
A gente vaga até que um dia
Aquela sentelha inspiradora
Para e diz: - Vem comigo, eu não o caminho

Silêncio

Quantas vezes não fazemos silêncio
Os outros não nos querem ouvir
Então não diga nada, seja

A liberdade está nas vontades
No brio do clarão
Luz que ilumina e aquece

Ternura se faz com calor
Aquele fogo que esfria
Congela os minutos
E se desfaz em poesia

Silenciar
Este amigo que poucos compreendem
Porque na ânsia de expressar
Ainda não perceberam
A gente é mais gente no silêncio

Curta II

Versos fáceis
Ritmados
Milimetricamente medidos
E eu perfeito
Na mais pura sapiência da escrita
Olho para baixo e vejo
Oh! Pobre gente maltrapilha

Sentado no meu trono altivo
Com a beleza de um faisão
Mandos e desmandos
Sou rei e vassalo
Como diz um fúnebre ditado
Julgas e serás julgado

Curta I

Torpe cavalo alado, caído da imensidão do infinito
Com um passo em falso, abismo
Mergulhado na superfície da existência
Cansado de dizer e mais nada
Lambe a entrada da vida

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Diversidade

Minhas mãos tocavam as suas naquela larga avenida
Andávamos como dois seres apaixonados
A sensação de proteção era o que importava
Um frio e gélido vento parecia nos desviar do caminho
Com os corações quentes, sentíamos só eu e você

Um golpe na cabeça, estilhaçados no chão
O sangue correndo em instantes
Como numa violência de uma bala perdida
Eu nos teus braços e vultos correndo a nossa frente

Aquela sombra que nos fizeste passar
Não nos tirou o brilho do nosso olhar
Todos têm direito a amar, um amor igual
Não viva calado com a sua dor guela abaixo
Viva bem no alto e crie sua identidade

Voe além do mar, com aquelas gaivotas
Viva sem se lastimar as chagas em tua face
Sustente o teu caminhar firme como rocha
Elas não serão em vão se você gritar

Not homophobia (Versão em inglês de Renato César)

My hands touched yours, we were at a wide avenue
We moved like two beings in love
The sensation of protection was what mattered
A cold and icy wind seemed to lead us astray
With warm hearts, we were just you and me

A hit over the head, broken peaces all over the floor
The blood running in an instant
As the violence of a lost bullet
I was in your arms and there was shadows running ahead of us

Why such violence, not homophobia
Why such hatred, not homophobia
Why such anger, not homophobia
Scream out loud for the world to hear, Diversity

That shadow that you forced us to go through
Did do not got the brightness off our eyes
Everyone has the right to love, a love equal
Do not live with your silent pain down your throat
Live high and create your identity

Fly over the sea, with those seagulls
Live without regret the wounds on your face
Hold your walk steady as stone
They will not be in vain if you scream

Diversity Diversity eh eh eh
Diversity Diversity eh eh eh