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Mostrando postagens de Dezembro, 2011

Curta IX

Olho aquele poço profundo cor de abóbora, os peixes nadam calmamente
No anzol a boca morde, puxe o peixe não é gente.

Curta VIII

Um músculo paralisado, estica rompe
De desejos o alado,
em cartáse se encontra,
revele-se na sombra do cortejo,
a bela flor esmiuçada,
virgem maria, é uma visão?
Acorde menino é um relampejo.

Curta VII

A fruta madura no alto do pé dá flor,
cheiro de manga doce com aquela pitanga quase incolor,
sinto gosto da fruta amarga taca melado e guela abaixo.

Curta VI

Cada corrente no seu elo parte fora do que dentro
Na cobiça por dar liga, arrebenta e foi-se embora.

Curta V

O avesso do avesso tem seu preço
Da mistura do compasso, linhas tortas eu farejo
No balançar de notas agudas, vou ali buscar tal apreço

Cartada

Em uma luta inglória
Soldados em ritmo de batalha
Em suas mãos cartas
Corações, paus e azes

Na mesa se encontram
Quem é o juiz de tal jogo?
O fato das coisas não serem como são
Na última cartada cheque-mate

Curta IV

Em prosa de linhas
Incompreensíveis aos olhos alheios
Como disse em outros versos
Poesia sente-se e muitas vezes não se entende

Momento único

A juventude me deu asas daquelas bem pequenas
Não sei o que é envelhecer vendo-se jovem o coração
Mas, as vezes, se engana com tal batimento
Deixe as rugas brotarem e encantesse com elas
Não precisamos provar que somos jovens
Uma alma jovem é viva sem a propensa intenção
No fim todos sabemos o nosso destino
Faça o que quiser, mas faça ser como único

A Arte Pop em uma música sem sentido?

Bajulada como uma rainha
Perdeu a elegância refinada das ideias
As rugas que aparecem na face
Encobre com tal maquiagem
No destempero da vaidade

A humildade de se ver madura foi perdida
Chupa os mais novos como se quisesse ter
Aquela fonte da eterna juventude
Que nunca poderá mais ser

No alto da flor da idade
Tanta coisa poderia mostrar
A beleza de amadurecer linda
Fica apenas o botox e uma falsa alegria

Canta como aquela garota
Dos idos anos 80
Libertando uma pobre sintonia
Esquecendo do passado de glória

Perdeu-se o sentido
Vamos todos cantar
L-U-V
Num som patético e dançante

Para pensar um som
Timbre inefasto e repetitivo
Bate na mesma tecla
Eureka, descobriu-se um latido
L-U-V
A Arte Pop em uma música sem sentido?

Ok, sou melancólico

Tristeza infindável dos dias que se passam
Um olhar longínquo num marasmo alto
Aquela gota de lágrima que é reflexiva
Tudo bem podem dizer
Oquei, sou melancólico!

Os ombros arqueados carregando um mundo
Apenas uma sensação de brincadeira
A melancolia nem sempre é triste
Naquele sorriso “a la Monalisa”
Oquei, sou melancólico!

Um falso ar de alegria momentânea
Com aquele gosto de ser e pronto
Algum problema tu tens com isso
Oquei, sou melancólico

De passagem já digo
A minha melancolia me faz ter terra nos pés
E asas de anjo decaído
Oquei, sou melancólico

Fingimento materno

Finges que me ama
Sim, eu nasci das tuas entranhas
Da boca para fora dizeis verdades
Espinhos infindáveis na língua se encontram

Tanto fingimento de amor materno
Rancor por não ser aquilo que quisesses
Assim é vida daqueles que tentam
Ser a si mesmos nem mais ou menos

O cordão umbilical que insiste manter
Faz a ti mais mal por isso não consegues perceber
Que filhos são caminhos trilhados pelos mesmos
Na tua boca as palavras morrem com tal desespero

Na dissimulada intenção de amar
Aquela bolha que não deixa voar
Permita que seja feliz e pronto
No parto as dores de um adeus

Curta III

A tua luta é da vitória
No bom nocaute da desgraça
Que palavra feia menino
Não a use para nada

Pessimismo

Vale
a pena
sofrer por uma luta morta
anos de escravidão da mente

Verdade seja dita
façamos uma festa
procure as baladas preferidas
entorpeça-se de álcool e amores
perca

Reapareça
nas gotas de dignidade
quem importa com tal sandice
vamos, voltemos aquela música
tão bom de sentir

Anestesiado
corre pelas ruas pelado
que nada isso é coisa de
sabe o que quero dizer

Vale
a pena
morrer por tão pouco
entorpeça-se com tal gosto
faça nada
dance conforme a música

Cresça
naquele mundo confortável
da cabeceira do seu quarto
mundo pequeno de se ver

Vamos ser pragmáticos
quem houve esses gemidos
isso sim nem percebe
fala mais alto
alguém vai te escutar

Cuidado
todo aquele que mostra
o que pensa-sente
falecimento é como nota
já nasceu morta a pobre luta

Idade Média Contemporânea

Na cabeça uma coroa dourada
Postulada com aquela cena branca
Em um dos dedos anéis de ouro
Cajado, Rebanho, Guia

Entortando o pescoço se vai
Alicerçado na crença de uma vida
Tanto faz outras tiradas
Só glória a única válida alma

A dignidade humana exaltada
Naquele discurso pueril
Meus sentimentos a todos são o mesmo
Vistas grossas a grande alma faz

Nos porões de uma sociedade infame
Do qual todos pertencemos e irmãos seremos
Aquele objeto de quatro pontas
Ajoelhe e agradeça ele salva tua alma

O monarca da plebe injustiçada
Nada faz porque segue a lei
Dos anos fugidos e controversos
Sempre amou os seus

As estrelas douradas aos seus pés
Em trono deposto se encontra
Ainda subjugam o Estado
No leito da lama dama

Faça a sua reverência
Vossa Majestade conclama
Os hereges de agora são outros
Cortem a cabeça e me tragam
Plena de paz e eterno sacerdócio-lei