sábado, 29 de dezembro de 2012

Avesso


Sou o excesso do meu avesso
Aquele destempero de razões
Cuja felicidade parece nunca abarca

O avesso é uma camuflagem
Escondida como pérola
Reluzente de pedra
Transparente como água filtrada

Sou avesso do meu avesso
Pairando em córrego translúcido
Metamorfoseado de contos de fadas

As asas que tenho nos pés
Catapultam para o oriente
Laranja cor quente
Arrepio que congela e acalma

Sou feito de avesso
Navalha na carne solta
O avesso do meu avesso eu

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Verso moço

Não escrevi nada que valesse a pena ser publicado
Minha escrita tem um quê de infantil
Voltada pra dentro, umbilical
Há em mim uma pressa moça como diria Cora
Não me sinto a vontade de publicar
Escrever um livro, só por deleite
Prefiro continuar a fazer meus versos descolados do tempo
Organizados na minha desorganização
Frutos de ideias e pensamentos soltos

domingo, 23 de dezembro de 2012

Percorrendo


Antes te procurei por caminhos de girassóis,
naquela eterna soledade de um alvorecer.
Revirei pedras de um azul celeste,
na breve honra de tê-lo como mulher.
A tua mão valseia pela minha nuca,
toca-me, arranha e assanha...
Uma mulher de carne e osso pra sempre serei.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Espera

Minha vida se tornou uma espera
Parece que tem coisas que acontecem devagar
Lentas, arrastadas, pesadas como correntes
Um mínimo de esforço e tudo parece pesado
Carrego meu mundo nas costas
Quase em posição quadrúpede
Extensão nos olhares e uma ponta de imaginação
Só ela me tira do marasmo hoje em dia.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Minguante

Estou numa fase minguante
Sem ideias pra compor
As mesmas palavras se repetindo
Se fosse doceiro meu doce seria insonso
Aguado diria
Acho que é fase de lua
Vou esperar ficar cheio
Redondo, abaulado
Como aquele doce em tacho
Bem temperado
Com raspas de canela.

sábado, 15 de dezembro de 2012

O lustre e a morte

A luz e o calor da lâmpada atrai a abelha
Ela gira desesperadamente
Contorcida de dor e sofrimento
Observo tudo de olhos atentos
Não perco nenhum movimento
A morte chega aos poucos
Não sinto dó e nem pena

Sonho

De alto de um morro
Avisto um mar azulado
Pulo panelas de pressão
Escalo  a parede de um hotel

Andarilho nas palavras
Encontro letras no meu sonho
Ideias alucinadas
E um poema subconsciente

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Show


Ansiedade toma conta
Quanto tempo esperando
Aquele show ansiado
Desejado de coração

As luzes do palco irão se acender
Verei você pela primeira vez
Uma memória que vai ficar

Parece uma besteira
Mas quando a gente gosta de um artista
É porque ele nos diz algo que toca

Dançarei freneticamente
Com aquela batida melodiosa
Que nem tanto gosto
Porque tua inteligência é que me instiga

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Adversário

Finjo que não existo
Na dissimulação persistente
Sei dos teus pontos fracos
Ataco

O adversário dentro de nós
Avilta, enseja
Cria obstáculos a luz
Combata-o antes que tarde seja

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Número 7

Você já me falou do número 7
Sinto falta dos seus conselhos
Aquela bela voz suave e sútil
Como pude ser bobo
Em não ver a nossa numerologia
Eramos dois números pares
Feitos um para o outro
Nasci 7
Mas você, ainda não me falou
Fale qual o teu número?
Faz tanto tempo que não nos vemos
Tudo bem, tanto faz
Qual o seu número, ok!
Somos números pares
Dizem que os sete são profetas
Você se vê como um?
Não, não mesmo
A felicidade não se encontra em números
Por isso quero ter você por perto
Não vá embora, não me deixe
Adeus, sou uma lua minguante
Meu eterno adeus!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Apostema

Eu não me curvo
Renego-me
Entrego-me
A poesia

Poesia é aquela que corta
Lapídea a alma
Arranca o orgulho
Derruba do alto

Eu não me curvo
Renego-me
Entrego-me
A poesia

É um apostema aberto
Daqueles que não param de putrefar
Expurgo todas as dores
Ali me deito sem descansar

Eu não me curvo
Renego-me
Entrego-me
A poesia

sábado, 22 de setembro de 2012

Quero ser Jonathan

Sou Jonathan,
dos sonhos de Adélia.
Aquela mineirice que encanta,
faz as mulheres recolherem-se de tanto tesão.

Conquisto com minha lábia,
de trovadores
que visceram as damas,
com simples expressões.

Sou Jonathan,
um menino com olhar baixio,
de fala mansa,
dizem que sou padre.

Arranco-te do tédio,
vem me conhecer minha amada,
Senhora dos meus céus,
pureza da alma.

Quero ser Jonathan,
poeta da natureza,
da mística, da beleza de um Deus .

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Poesias em 140 caracteres

Você
Quantas vezes te procurei por caminhos abertos,
em teus cabelos cor de selva,
te encontrei abismada de fronte a uma aquarela.

Possessão
Sangue encarnado em um peito circunflexo,
coração dilatado,
meu amor é possesso.

Revoada
Naquele azul-celeste os pássaros brindam,
em revoadas metafísicas.

Corpo
O corpo se lambuza,
em uma alma que abusa.

Tocar
Findar do dia,
eu te toco com minha imaginação.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Pássaro-semente

Voei por matas selvagens
Comendo dos frutos
Despersando as sementes

Sou um pássaro-semente
Cada palavra dispersada
Encontra um solo diferente

Ora seco e inóspito
Ora úmido e reluzente

O meu bico cor de fogo
Devora a tudo que encontra
Com apetite voraz
Transcende o alimento

A matéria metafísica
Aquela energia transformada
Como pássaro-semente ei de ficar
E voar, voando pelas palavras.


domingo, 9 de setembro de 2012

Bye bye

Beijos nas gardênias
Sem culpas e sofrimentos
Levo da vida o melhor
Bons sentimentos

Não consigo acreditar em coisas tão universais
Tente entender, darling
Prometas que seguirás teu caminho
Com afeto e adoçante

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Independência da poesia

Aquele grito na beira do riacho
Vamos todos nos tornar independentes
Sem frases e ideias autorais
Entregando-se a qualquer balela

A forma que escrevo independente fica
O pensar independente se torna
Independência que tardia
Ela vem com esforço e vai embora

Rimas frouxas, menos complexas
Facéis de conjugar
Tudo indenpendente fica
A poeisa é dependente da forma?

Nas linhas curvas
De compassado traço
Poesia e independência se entrelaçam
Minhas formas são independentemente diversas

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O copo

Em um copo vazio
Uma taça de espumante
Aquele querer bem
Insinuante desejo

Em copo semi-cheio
Uma taça de vinho
Aquele querer que corrompe
Desejo exposto

Em um copo cheio e transbordante
Uma taça de champagne
Aquele querer que devora
Desejo consumado

domingo, 26 de agosto de 2012

Oração Suplicante de Correção

Peço ao Criador ajuda de seus anjos e arcanjos para a correção de minha alma imperfeita para que consiga sentir e ver tua Luz. Que ela ilumine meu caminhar e transforme naquilo que é tua vontade.


Rogo pela paz e correção dos sentimentos para que eu seja transformado no instrumento benéfico a sua vontade.

Rogo-lhe para que me inspire a criar novas formas de autocontrole e que o egoísmo inato não triunfe mais e sim a tua glória no alto dos céus.

Abandono-me nos teus braços para que seja tu a mandar as provações e que não seja, eu, a criá-las.

Perdoe-me pelas faltas, pelos estados de cólera, pela pouca entrega.

Que o Criador de todas as coisas me torne o que já está determinado para tua e completa glória. Amém.

sábado, 25 de agosto de 2012

Sério?

Conseguiram me tirar do controle
A raiva no olhar
Ódio corrompendo a alma
Aquele sangue árido escorrendo pelos olhos como lágrimas

Em face do transtorno
Humilhado e taxado como louco varrido
E o destempero tomando conta
Que ninguém chegue perto

Um pedaço de madeira na mão
Lascas voando e o céu se aclareando
A força que batia corrompia até o mais simples silêncio

Depois no esmeril lixando a madeira
Que forma daria? Sério?
Pouco importava mas o sentimento esvaía

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Gabardine

Aquela calça masculina
Tecido clássico
Apertada mostrando volume
Sensual de gabardine
Uma leve curva que denota mistério
Podendo ser risca de giz
Tem que ser bem cortada
Alinhavada com cuidado
Olho de novo para prateleira
Apenas a peça
Parada, estática
Alguém quer comprar?

sábado, 4 de agosto de 2012

Loja de tecidos

Há vários tipos de tecidos
Cada qual com sua composição
Elastano, poliéster e algodão

Musseline, cambraia e seda
Crepe golden, prada e fustão
Cada qual com sua textura e forma
Alguns armam outros caem como luva

Estampados ou lisos
Olho pra eles e vejo um certo tédio no prada
Uma leveza de viver da viscose
A dureza da sarja

O único tecido que me encanta é a musseline
Sua transparência e delicadeza
Dê um pique
Rasga

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Ato

Diante de um sacrário
Pediste a santificação da sua alma
Como um cordeiro imolado

Tudo passou diante dos teus olhos
Aquele vulto negro
O carro, o freio, a morte

As sombras em dissipação
O vermelho e árido
Azul celeste

Recolha os cacos
Branca luz acesa
Não mais escondida
Agora no candelabro

segunda-feira, 4 de junho de 2012

São Francisco de Caravaggio

Entre aquela sombra
Perpassando pela direita
Um feixe de luz
A pintura de Caravaggio
Medito com São Francisco
Cenas vivas
Contemplativas de inspiração barroca
O cordão de lado
Hábito poído
A passagem pela morte
E a redenção pela cruz
Um santo para cada tempo
Os santos de hoje sem distinção

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Constelações

O céu com suas constelações
A abóboda terrestre
Suas estrelas e luzes próprias
Encantam as crianças

A menina logo sobe ao telescópio
Naquela precisão de ver um planeta
Agitação pela curiosidade
Algo que nunca deveríamos perder

O mundo do adulto
Aquela rotina maçante
Nos tira o brilho dos olhos
As estrelas nos devolvem esse brilhar

Conheço Saturno e Vênus, e você caro leitor?
Já se deu a oportunidade de ver os céus
Claridade que acalma, rejuvenesce e transcende
Toda criança no fundo sabe disso

Por preconceito tolo de adultos
Perdemos esse religar com o espaço
Somos feitos de poeira cósmica
Um dia retornaremos como chuvas ou estrelas

terça-feira, 29 de maio de 2012

Ode a Carlos Drummond de Andrade

Imaginaste uma escola onde todos pensassem iguais
Um mundo onde todos pensassem iguais
A arte onde tudo fosse igual
Que tedioso seria!
A escola castra o aluno naquilo que ele tem de mais puro
o pensamento
Não façamos de nossas crianças passarinhos presos na gaiola
Deixemos que elas voem quando assim quiserem
A insubordinação mental de Carlos foi um alívio para ele
Faltou-me na infância o prazer e a ousadia de questionar
Hoje não falta.

sábado, 26 de maio de 2012

Girando a roda

Em recolhimento da face
O aprofundar se faz necessário
Aquela roda que gira
Moinho d'água
O sol resplandescente dentro de si
Toma conta dos pensamentos
Há caminho de descobertas
Árvore da vida
E o sete na porta bate
Deixando o que não mais importa
Segue uma nova história

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Em meio a guerra

Nos idos anos 40
Bombardeios na Itália
Moças e rapazes afungentados
Correndo das bombas
Escondendo-se dos escombros
Um pequeno grupo ali se ajuntou
Com o evangelho na mão
Pediram proteção e saíram atrás dos desamparados
Cada face era uma oportunidade
Para amar o semelhante
Não se importando rico ou pobre
Eram todos iguais em dignidade
Diante de várias experiências
Surge uma nova atmosfera
Dessas jovens que amaram a Deus
Um mundo de coisas aconteceu
E veio uma nova identidade
a Unidade
Como uma marca no peito
Este ideal de vida se espalhou
Chegou ao Brasil
Aflorou, deu e dá frutos
E como é bom dizer que fiz parte dessa história

domingo, 13 de maio de 2012

Garimpeiro

Hoje em dia o zircônio vale mais
A peleja na mina diamante é raro
Já tentaram de tudo
Lixa o zircônio pra ver se vira diamante
Garimpeiro que é bom conta-se nos dedos
Estou com Coralina
Na labuta da vida enchê-la de meandros
Bater enxada, suar a camisa
Que cada palavra que eu consiga escrever
Seja assim
Doida, minha, diamante em estado bruto

Palavra e luz

Quando se enche de palavras soltas
Notas sem valor
Vaga-se sem destino

Cada ser tem seu modo de ver
Mesmo que sejam transfiguradas
Palavras não podem ser vagas


Olhe para tua consciência de artista
E deixe bem claro o porquê está aqui
Não se submeta a uma vontade imperiosa


Os artistas são livres
Podemos dizer as coisas mais vis
Ou as coisas mais libertadoras


A palavra abre
Fecha
Encerra
E traz luz

Vírgulas

Lâmina que transpassa
Corta palavras
Dividindo-as em pontes
Agora, livre de propósitos.

As interrogações usadas para questionar
Transformam-se em exclamações
Soltando os pontos finais
Sem aspas e travessões

Vírgulas que dão apenas pausas
Respiros em processo contínuo
Mudando a linha para compasso, quem sabe

Giros, giros, que dão base ao triângulo
De cume agudo
Na perpendicular

sábado, 12 de maio de 2012

Descobri na literatura

Descobri na literatura
Que Adélia Prado pode ser meu céu
Carlos Drummond de Andrade a minha introspecção
a volta ao meu castelo interior
E que Cora Coralina, meu chão, de terra batida
E a Senhorinha de cabelos brancos
Essa fica guardada pois não é o momento
Procurei (in)conscientemente por tradição
Encontrei com esses três na literatura e a outra na vida
Um ciclo se fecha, como numa mandala, como numa via crucis
Só entende quem vive a experiência

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Pausa

Sábio foi o homem
Que da pedra fez seu lápis
Do minério sua tinta
E da vida sua Arte

Fios

Fios retos
Fios encaracolados
Fios frisados
Só fios
Aquele vento que arma
Desconstroi e volta
Fios duplos
Fios unidos
Fios sem ponta
Fios que fazem moda

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Bailarina escarlate

Teu revoar como um passarinho
Com asas escarlate
Aquele giro ao céu azul
Lindo de olhar

Voe bailarina
Naquele gesto teu
Nas pontas dos pés
E o vento a ti levar

A vida é doce

Meu dengo gostoso
Que me faz te amar
Braços dados envoltos
Quero-te acalentar

Têm tantas coisas menino
Tu nunca saberás
A vida é um doce
E é bom se lambuzar

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Extâse com McQueen

Estamos todos cegos
Somos estranhos uns dos outros
Aos exageros superexpostos
Camadas e camadas de tecidos
Textura e formas dão a sensação de vazios
Aquele sussuro que te acompanha
Deixa-te paralizado
Quase um tom esquizofrênico
Frio que corrompe os sentidos
Escute o sino palpitando e extâse
Quase um gozo auditivo


Amor brega

Eu me esqueço dos teus beijos
Nas ondas dos teus braços
Envolvo-me naquele nosso desejo
Arranho tua face

Mostro o meu dengo doce
Nas curvas corro a ti dizer
Que amor mais brega
Toma jeito mulher

Mandalantras

Círculos
Circulares
Que circulam
Vidas passadas
Reencarnação
Retornam ao fim do ponto
A tênue linha mal feita
Puxa o nó
Desfeita
Círculos
Circulares
Que circulam
Vidas Passadas
Reencarnação
Retornam ao fim do ponto
A tênue linha mal feita
Puxa o nó
Refeita

sábado, 5 de maio de 2012

Na cidade de Riju

Adormeceste
Fauno veio a teu encontro
Levou-o a cidade de Riju
Lá onde não há bons e maus
Os rijuensis são seres com mãos de martelo
Vestem-se de togas brancas
Há também os religares que detêm a sabedoria
Corporificam os sete alados
Como é estranho aquele lugar

Pausa

Aquela luz o cega
Entorpece a mente
E ficas sem saber se as criaturas são pacíficas
Olhaste para trás e veio a escuridão
Fauno pede para que entre na toca de Utá
As árvores da desolação chegam
Penetram naquele solo úmido e pedregoso
Fauno arranca-o e o eleva
Acorda, acorda

Pezada

A semente não pode crescer
Naquele vaso que a abriga
Se queres matá-la
Dê pezada

A realidade das ruas
Aonde caminham meninas prositutas
Com sua dignidade ao meio-fio
Rastejam e sobrevivem

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Passarela



Aquele sintilar de pernas

                                                                Balançando freneticamente

Cruzam-se apressadas

                                                                 Aquele carão e pausa


Desfile não é tudo igual

                                                                 Modelos com seus olhares plastificados


Seriam bonequinhas de luxo?                  

                                                                  Não são


Na moda tem muita arte

                                                                   A arte de elevar o belo


Ao seu estado mais genuíno

                                                                   Olha, olha direito


Tem poesia em um desfile

O corredor roxo


Entramos naquele prédio
Em uma das ruelas de Paris
Era alto com janelas amplas
Procurávamos um assassino

No corredor roxo fomos ao quarto 45
Não vimos nada
O assassino em série havia se escondido
Onde poderia estar?

Corte a cena e veja
Há apenas um amplo corredor
Com tapetes no chão
E nas paredes pastilhas

Corta de novo a cena
Entraste dentro de uma fotografia de Torquato
Não há nada
Além daquela luz roxa que te inspira

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Sempre-vivas

A haste de um capinzal
Em um campo rupestre
Apanhaste as sempre-vivas
Botões brancos em palha
Tuas mãos cansadas
Mostram os nervos palpitando
Aquele fardo cheio
Conte-nos como é nascer viva sempre
Naqueles campos abertos
Pontos salpicados de delicadeza
Eu e você sentados olhando
Perdendo-se ao vento
E se achando



P.S: As sempre-vivas são plantas das serras de Minas Gerais em que as flores nunca secam mesmo depois de colhidas.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Tulipas e Paris

Uma praça em Paris
Tulipas rosas
Aquela estátua em forma de anjo

Um ar bucólico
Inspirando paz e harmonia
As cores chamam a atenção

Por este trançamento te vejo no banco
Com um olhar que se olha mais profundo
A contemplação do que é belo
Deixa-nos mais próximos da eternidade

Se todas as praças das cidades
Aquelas que se encontram na linha abaixo do Equador
Tivessem seu encanto e beleza
Provocariam mudanças no estado de alma

Voltemos a nossa realidade
Praças mal conservadas e cuidadas
Cinzas cor de prata
Com aqueles torrões jogados ao chão

Uma cena sem grandes precedentes
Fato típico de qualquer cidade
Prefira encher os olhos de cores coloridas
Mas não esqueçamos que nem tudo são cores

Tentativas

A gente passa por aqui
Deixa um pouco acolá
Entra sem pensar
É expulso
Bate na porta
Espera
Se não consegue
Tenta de novo
Prossegue
Vai em frente
Continua sem parar
Insiste até que um dia
Vai dar certo

domingo, 29 de abril de 2012

Brote

A sete palmos encontras-te
Seu cadáver em putrefação
Raízes brotam de si
A vida renasce quando a semente morre
Brotar é uma fase da vida
Enquanto não se morre
Aquela bela árvore não poderá existir
As tuas folhas não alcançaram teu destino
Deixe que a semente morra

sábado, 28 de abril de 2012

Kanji

Tooku
Encaminhe para o próximo
Shita
Suba aquela montanha
Mijikai
Alargue o pensamento
Kanpai
Cuide de si

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Viva

O sol brilha em nossos corações
Aquece aquele instante de um amor
Falando de coisas tão banais
Lembre-se daquele sorriso estampado

Aquela canção que não tem fim
Elevando os nossos olhos para o poente
Momentos de um prazer doce e frágil
Entregue-se ao que a vida tem de bom

Não há escuridão que não possa ser iluminada
Bata suas asas e voe longe do seu coração
Alcance a imensidão de um luar
Toque as estrelas e seja feliz

terça-feira, 24 de abril de 2012

O estranho olhar

Olha pelo buraco da fechadura
Estranho
É um bicho de outro lugar
Estranho
Será algo de outro planeta
Estranho
Não o toque ele pode te morder
Estranho
Encosta nele vai
Perdeu a graça, estranho

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Manet inspirado

Na paisagem bucólica de uma Paris inventada
O campestre tom esverdeado
Sentam-se a dama de pele alva
E teu amo com a cara deformada

Ela cobrindo tuas partes num gesto delicado
Ele na vontade de tê-la em seus braços
Toquem a trombeta do apocalípitico
E aquele anjo querubim eriçado

sábado, 21 de abril de 2012

Labirinto

Entrou em um labirinto com relvas cortadas
Os monstros ainda o perseguem
Caiu em um precipício e encontraste Fauno
A bela criatura revestida de noite


Adentrou em lugares não visitados
Pisa em solo firme e rochoso
Fauno dá uma fruta e ele a come
Em um sonho profundo penetrou


Mergulhado em pensamentos
Arrastando uma multidão
Não esta só, agora cria histórias poéticas
Momentos de alegria interior

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Balada

Na balada do azul solar
Raios atravessam o poente
Luzes do luar a beira mar

Balada inacaba
A menina rodando gira a saia
Cada giro mais luz é atirada ao azul celeste
Um pássaro surge

Em um instante o pássaro torna-se luz
A energia aquece o corpo e enamorar-se
Os braços estendidos, joelhos ao chão

Asas levantam vôo
Em um azul estrelar vê-se de tudo
Olha-se para baixo
As pessoas andam calmamente pela rua

No quintal uma balada
O povo dança
Em uma balada acabada

terça-feira, 17 de abril de 2012

A vida se repete

Não sei cantar outra coisa se não o amor
Aquele jocoso sentimento que enriquece o mundo
Torna-nos tão próximos e distantes

Ao falar dos amores sonhados tão teus
Parece uma tristeza em cada gota de desejo
Ininterrupta sensação de um conto belo

O amor cantado tantas vezes exaltado
Não é uma página dobrada e guardada no bolso
Nem funciona como um pensamento abstrato

Tantas vezes já repeti, me dilui
Naqueles versos tão presentes ao lado teu
Com aquela vida que se repete

Curtas

Curtas X

Não, não o sigo
Sim o caminho

Curtas XI

Não vendo a alma
Como peça de troca
E nem vendo amor
Como bijuteria barata
Dou em troca amor e alma


Curtas XII

O relógio fez cuco-cuco
Era o chá das três
Em um bule francês
Faço o fino
Torradinhas e pasta de atum

Bonsai da Pampulha

Aterrem, aterrem a Pampulha!
Não, podemos! Aonde irão as capivaras.
Suspendam, suspendam a Pampulha!
Sim, podemos! Em cima de um bonsai.

Trancado

O baú se fechou
A nudez desfeita
Cobriu-se em prosa
Aceita um copo de coca-cola
Uma biribinha vai bem agora

sábado, 14 de abril de 2012

Chamas

Encontrei-te em lugares nunca antes aventurados
Naquela escuridão que caminhava
E você foi luz para meus dias
Quando nos encontramos
Somos como chamas
Que se queimam até que um dia
O dia que não sei
Seremos só luz

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sorrio para você

Um largo sorriso move montanhas
Destrói as auguras do empobrecimento
Naquela alma cheia de coisas tão vazias
É melhor que nunca haja preenchimento
Não são necessárias lutas gloriosas
Aquele arregaçar os caninos
Já não temos tempo a perder
Preciso ter consciência disso
Aos xingamentos ouvem os bastardos
Caminho agora de mãos dadas com minha gente
Somos finitos não levamos nada deste lugar
Apenas o bem a quem seja

quinta-feira, 12 de abril de 2012

As lavadeiras

A lavadeira na beira do rio bate a roupa
Soca, sacoleja, rebola as cadeiras
Num movimento arqueado entre o socar e o limpa
Cantam ladainhas, musicando a própria vida

Cantos antigos, cantigas de roda
A voz melodiosa em tons agudos que atravessam o céu
Riscam de esperança e força
Na pedra batida a roupa tom de terra fica azul como o rio a frente

As lavadeiras, todas, em um único tom
Cantam uma única nota arrastando toda uma cultura
No alto do rio aquelas pessoas se sentem felizes
Cantam para agradecer a vida

Olham para frente e veem um rio de melodias
Ritmos, gingados ao balanço das ondas feitas pelos raios de vento
Cada uma delas têm histórias que estão entrelaçadas como roupas socadas
Socando é que se entende a alegria de ver a vida por ângulos diferentes

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Poesia do encantado

Aquela borboleta azul com asas abertas
Em uma laranja cortada em fatias
Uma banana seca arrematando a iguaria
Um cheiro perfumado abre teu dia

Degusto cada prazer com aquele laranja
Sobressalta aos olhos
A delicadeza de contranstes
Ora vivo, ora inanimado

Os olhos são nossos guias
Basta preenchê-los com o que há de belo
Forma inequívoca de uma beleza
A bela forma de enriquecer os dias com cores e sabores

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Peixes e Capricórnio

Naquele que ascende como cabra
Mergulhado em profundos sentimentos coletivos
Procura invariavelmente a retidão da pisada
Em pensamentos sóbrios e sombrios

Aprofundando em um rio escaldado
De águas claras e controvertidas
Aflora-se como mina em rocha cortada
Tem um ligeiro senso de esquivo

Água e Terra, em Capricórnio e Peixes se espelha
Naquela sombra em um repousante riacho
Com uma Lua em virgem e Saturno capricorniano
Não há como fugir dos embaraçosos enganos




domingo, 8 de abril de 2012

Cheiro de gente

Ando pelas ruas da minha cidade
Olhando nos olhos dos transeuntes
Faces de todos os jeitos, cores, e amores

Ando pelas ruas da minha cidade
Toco o encantado
Aquele sorriso que emana
Resplandece em cada ser

Ando pelas ruas da minha cidade
Sinto o cheiro da minha gente
Pulsa em cada parte
Como em um balé de pontas

Ando pelas ruas da minha cidade
Vejo você e eu
Somos uma reconstrução de nós mesmos

sábado, 7 de abril de 2012

A escada

Subo aquela escada de arame retorcido
Tento entrar no meu inconsciente intempestivo
Os degraus são de um ângulo quase obtuso
Enquadram-se num precipício alusivo

Chegando ao final não vejo absolutamente nada
Aquela parede não me deixa transpassar
Pulo para o alto que em tudo permeia
E acabo caindo em outro lugar

Aquele sonho onde Dalí em relógio aparece
As horas parecem rodar como uma confusa ciranda de rodas
Quadrados de todas as cores giram sem parar
Engulo iguarias todas enfeitadas

Meus Deus, que confusão!
Em meu sonho Dalínesco
As figuras não têm significação
Sou um louco que vê fotos e as toca com a imaginação

A morte do poeta

Todo poeta morre quando finda-se as palavras
Seu agonizante grito emuda-se diante delas
Temos a alma repleta de sentimentos
Vagamos por caminhos que outros não entendem

Seres de profunda imaginação
Caminham por abismos existênciais
Chegam a pontos de equilíbrio
O poeta morre mas tuas ideias são eternas

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O amor entre duas pontas

Não tenho culpa se eu amo um igual
Daqueles amores tão bons de se sentir
Gosto de doce na boca que enobrece o ser
Já sentiu algo assim uma vez na vida?

É difícil para quem não está em pele
O calor que você sente pelo diferente, sinto pelo igual
Amor que invade a alma e te joga no chão
Te faz criar asas e ir com pensamento além da paixão

Já sentiu aquele frio pela pessoa amada
Aquela vontade de querer ficar para sempre
Estreitar os laços de tal forma
Que até as leis digam amém

Não tenho culpa se amo um igual
Que os homens de bem não vejam com maus olhos
Duas pessoas iguais que se amam
Em uma ponte de desejos onde o amor reina

terça-feira, 3 de abril de 2012

Como nota musical

Não tenho o dom para escrever música
Talvez por isso procure tanto me inspirar em ritmos
Aquele tom melódico de linhas em construção
As palavras veem rápido surgem na ponta dos dedos

Raramente escrevo em papel, ponho-as na tela do computador
Elas nascem espontâneamente, sem tanto forçar os músculos
Escuto a melodia da música e em tons escrevo
Ora fortes e vigorosos, ora frios e debochados

A minha escrita é a minha alma plasmada em letras
A música é o sangue que corre por veias e capilares
Nutrem instantes de uma breve e rápida vida

Sou uma nota musical, um Fá sustenido
Aquelas notas medianas que completam uma partitura
Um simples e marcante som

domingo, 1 de abril de 2012

Canto das flores


Teu perfume deixa um cheiro bom no ar
Alimenta o meu vício de te querer perto de mim
Sinto tuas breves curvas naquele penhasco ao mar
Leve como aquela andorinha que só quer voar

Cântico de notas que inundam meu ser
Faz querer o meu amor por você
Fale das breves histórias de um amor
O coração em rios sempre quando te escuto

Linhas de um amor puro e bom
É um refrigerido no mundo tão absorto e cru
A vida em uma cama nos protege dos percaussos
Naquelas frases soltas te amo sempre mais

quarta-feira, 28 de março de 2012

É o meu único vício

O sol daquela clara manhã ilumina o meu sorriso
Uma esperança surge de velhas ideias deixadas de lado
Sopro de uma existência ininterrupta

O calor da estrada em uma curva de alta velocidade
Saco o arsenal de notas musicais viciantes
Encontro-me viciado com aquele desejo de um som

Viciado em uma batida eletrônica que mexe com as minhas percepções
Toque mais alto, não ouço mais nada, vejo apenas sensações
O coração acelerado, apressado, batendo forte

Olho para aquele belo horizonte entremeado de uma grande paixão
A música é minha companhia para o hoje, brindo-a com aquele gosto de vício
Alucinante como um amor prestes a explodir

sexta-feira, 23 de março de 2012

Ouça-me

O teu som não me convence
O que adianta tanta doçura se nunca quis dizer nada
Perca a vida nas letras e deixe que elas expressem a tua dor

Não adianta criar o teu mundo encantado
Um gosto de mel que causa ânsia de vômito
Áspero como uma pedra-sabão
Esfole tuas ideias de um pequeno faz de conta

Amadurecemos quando tudo parece não existir
Sinto você fraca e sem substância
Aprofunde aquilo que tu queres dizer
As raízes da Caatinga não são rasas

Quando a tua música contiver seus desejos mais profundos
Avise-me que quero ouvir, um som límpido e agudo
Saiu das artérias e não da pele fina
Ouça-me você é capaz de ir além

Um casamento, uma aliança rompida não é o fim
Um câncer, uma depressão, uma tetraplegia não é o fim
É oportunidade de o novo recomeçar sem as velhas bengalas
As aparências são um espelho quebrado, somos alma além-mar

quinta-feira, 22 de março de 2012

A São Petersburgo

Criemos leis para oprimir?
Criemos leis para subjulgar?
Criemos leis para coisificar?

O Estado laico perdeu sua importância
Estamos a deriva da Mãe de Deus
Que em seu manto protetor nos cobre das nossas vergonhas

As minorias são as sadômitas do povo em conversão
Glória seja os Santos nomes em vão que o Rei proclama
Que a São Petersburgo ninguém seja exaltado

Criemos leis para proteger os desprotegidos
Criemos leis para amparar os irmãos sofridos
Criemos leis para coibir ações penosas a humanidade

No Estado laico democrático de direito
A coroa já caiu faz tempo
Mas insistem em ultrajar os direitos de alguns
Porque o medo de ver os próprios defeitos é maior e mais constrangedor

quarta-feira, 21 de março de 2012

Image

Crown of thorns
Blackheads
Lights blinding
Love in a knifepoint
A hint of sadness
Singing at a dancefloor

sábado, 17 de março de 2012

Som sinérgico

O meu sangue é feito de sons
Cada gota derramada é uma imperceptível sinfonia
Aos agudos a energia que balança
Os graves e melódicos a sobriedade do momento

Pare e escute o som do teu coração
Pode dizer muita coisa sem querer dizer nada
Escute aquela melodia refinada e doce
Ao solo de uma guitarra que corta como navalha

Um estampido quase sinérgico
Aquele gosto de ácido nas palavras ensaiadas
Um tanto pscicodélicas e reflexivas
Ouça-a como uma pílula do amor

Os teus poros soam como uma dança tribal
Martelando os músculos ora descontrolados
Não verás mais nada além de um sussuro rompante
Delírio e morte ao extâse da própria sorte

sexta-feira, 16 de março de 2012

Hiperativo

Correndo de um lado para o outro
Naquela pressa de ver as coisas em tempo fortuíto
O automatismo dos novos tempos nos fizeram cegos
Obscuro mundo chipado em linhas pré-determinadas

Ao lado da avenida uma multidão caminha
Com aquelas asas nos pés como Mercúrio em seu mito
Voamos diante de tanta informação fabricada

O tijolo feito com as palavras e colado com argamassa
Em ideias tão estereótipadas e de rápida e fácil absorção
Fulgidas as letras dos nossos pensamentos atravessam a correria dos nossos dias

Enfrentamos filas só para obter coisas digitais porque é moda
Aquele iPad de última geração nos mobiliza mais que as questões sociais
Digo isto, diante do marasmo que se encontra os nossos dias
Vamos ao shopping para fazer umas compras?

Não é necessário ir longe, procuremos nos nossos atos
Corremos atrás de um prejuízo existencial
Compremos palavras num supermercado
Ponha no carrinho e consuma, numa eterna infelicidade de apenas possuir

domingo, 11 de março de 2012

O meu relicário

Em uma cama estou e acordo de um sonho
Daqueles que nós não gostamos de sonhar
Olho para aquele longo corredor e vejo só paredes
E no fundo um piano, e alguém o toca-o

A música ao fundo parece penetrar em minha vaga alma
Um sentimento de propensa obcessão pela vida
Os dias parecem que chegaram a um breve fim como uma nota musical

Aquele relicário onde guardo o meu melhor
Mesmo diante de um desespero quase interior
Chega como uma clara visão da inconsciência dos meus atos

Agora naquela beira da praia, esquento meus pés
Água fria e gélida, tocam os meus dedos
A voz contraída e um sofrego gosto de marésia

Fico naquele lugar, um quarto escuro
Com livros pendurados e uma luz que cega em instantes
Os bonecos em minha cama conversam comigo
No rompante do largo quarto durmo em profundo leito

Confidência 3

Procuro um verbete para qualificar o que penso
Não o encontro em nenhum dicionário
Ao menos se existessem em minhas memórias
Mas infelizmente não há mais o que dizer

As histórias que conto nestes versos frágeis
São pura imaginação de quem encontrou uma maneira de se expressar
Com aquelas doces palavras e ácidas ideias
Corroem-se em pensamentos e sentidos existências

Grande é o meu prazer em escrever
Elas veem como uma descarga de adrenalina
Chegam aos dedos e parecem que nunca vão secar

Posso não ter aquele dom latente de por no papel pérolas
Afinal, sou um aprendiz da palavra
O que importa neste vida é deixar o tempo revelar seu tempo

Sou um poeta que não procuro versos perfeitos
Daqueles que as pessoas mal conseguem compreender
Minhas linhas são tênues e ora convencionais
Mas o meu amor pela palavra, não, não é

sábado, 10 de março de 2012

Brasileiro

O meu povo canta com o corpo
Com aquela alma alegre
Inventa a própria história
Cria o ritmo com aquela batida em um tambor

O meu povo faz festa mesmo sem poder
Dança em rodas giradas a tempos atrás
Movimentos arqueados de um tempo em paz
Faz de uma belo sorriso seu canto e oração

Em uma pista de dança

Eu te vê naquela pista de dança, com coragem de uma menina pequena
Com minha arma apontada para tua cabeça disparei-a
Você nem notou que na realidade acertei seu pobre coração
Fiz com um prazer quase doentio de tê-lo ao meu lado

Agora não adianta fugir das armadilhas que coloquei a tua volta
Sadomizando o teu ser, com aquele gesto profundo comprimindo o teu eu
Tu, pertence-me e mesmo que tentes fugir  as raízes já estão formadas
Aquela música ao fundo é minha melhor droga para te corromper

Cala-te enquanto podes, farei de você o que quiser
Mando e desmando no teu coração contrito
O meu gozo é o teu prazer contido

Olhe para a pista de dança?
Aquelas luzes não te dizem nada
Com minha arma em punho, faço um disparo certeiro
Naquele onírico fim teu orgão muscular é meu

sexta-feira, 9 de março de 2012

Desgraça

A felicidade não baterá em tua porta
Naquela face desnuda de uma paixão voraz
Ao som de um tiro escuto teu choro
Caíste ao chão naquele vale encatado
Não terás sossego com tal reverterio
Nestas poucas linhas um ponto sem fim

sábado, 3 de março de 2012

Confidência 2

Sensações estranhas tomam meu corpo
Emoções e sentimentos não são os mesmos
A cabeça quase reclinada encontra-se em pequenos lampejos
A face desfigurada em dores inconscientes

O tempo voa como um pássaro de fogo
Que em tudo arde, queima, sem deixar vestígios
O corpo treme, mudo estou, nada mais parece fazer sentido
Diante dessa situação o que é preciso entender?

O inconsciente parece querer tomar o consciente
Há uma briga interiorizada
Não sei quem irá vencer, nem sei se irá ter vencedores
O fato é que só se pode aguardar

Os instantes passam, passam como nunca haviam passado
Com o coração anestesiado não se sabe mais o que pensar
Os fatos serão consumados
O cinzel do escultor faz seus últimos entalhes

É doloroso ver-se neste estado
A cada estocada uma parte é arremessada
Mais dor que parece nunca mais acabar
Será que não haverá nenhum dia de tréguas?

A dor, dizem que só por ela amadurecemos
Mas como é difícil sustentar-se quando ela alcança os ápices da existência
Neste momento só há uma coisa a fazer
Oferecer a própria vida como um ato de amor

Festa de aniversário

Brindo este dia como uma lembrança do meu nascimento
Sai do ventre de minha mãe com dificuldade
Talvez porque fosse o medo de enfrentar a vida

Pode ser também apenas um erro médico
Já que o próprio mandou-a voltar para casa
Estando em nítido trabalho de parto

Reelembro hoje disso tudo porque é meu aniversário
Nascendo às uma hora e trinta minutos de uma madrugada
Renascendo para a vida a cada instante me encontro

Sou agora apenas um garoto com  alguns anos
Feliz aniversário com gosto de doce na boca
E desejoso de futuro próspero acontecer

quinta-feira, 1 de março de 2012

Refletindo

Encha o peito ao brado perfeito
Aquele gesto de propensa intenção de dizer não
Saia daquele discurso em tela e viva a tua história
Não deixe que mais inocentes suplantem ao chão

Na liberdade da razão
Um filme em preto e branco passa pela memória
Anos calados de pura introspecção
Não serão mais os mesmos devido ao fato de nem tudo é não

Se uma história aviltante não é capaz de trazer a tua missão
Pelo menos faça o que puder para que aquele ser seja lembrado
A homofobia não é um caso isolado e precisa ser questionada
Por aquele que sofre essa inquietante omissão

Aqueles que com trava nos olhos omitem-se deste fato
Não veem tua população as marcas da desolação
Bravo é aquele que luta pela tua identidade fincada
Eu sou apenas um poeta, que finca as imagens na eterna liberdade de expressão

Carregas essa chaga pela realidade mundo a fora
Em um instante de reflexão vejo uma clara ausência
O país onde vivo não é de todos, porque omite o socorro
Daquele mesmo povo que faz das palavras seu gesto de libertação

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Pensei no povo de lá

Naqueles governos ditatoriais, o povo clama por liberdade
Os gritos de pavor se escuta aos montes, numa clara sinfonia do terror
Todo ditador tem o ego grande, mas a alma é pequena
Vejo no Oriente Médio reflexos de um mundo em oposição

Clara intenção de intimidação, deixe as palavras de lado
Lute pelo seus ideais com a faca nos dentes
Que a democracia tanta proclamada de agora, não seja apenas linhas de jornais

Massificando uma geração antes adormecida
Encontra-se a tocha e as bandeiras
Se há alguém neste mundo que prefere a opressão
Vós direis este alguém não ama nem a si mesmo

Que os árabes consigam restabelecer tua fé
Naquela liberdade proclamada por todos
E que não fiquem em silêncio sentindo tuas dores

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Som hipnótico

Aquela música "bate cabelo" te faz dançar
Como uma jovem sensação de querer mais
Teus músculos sincronizados com o ritmo
Em um vai e volta hipnótico

Isto deve ser erótico
Na batida o coração balança
Movimenta-o como um ponto em faca
Eletrônico e pulsante, vibra a cada instante

O teu refrão não sai da minha cabeça
Leva-me para outra dimensão
Transporte-me para uma pista de dança
Na louca inversão das paixões

Ouça, você consegue dançar sem parar
Oi, estou mais susceptível a você
Penetre naquele vai e vem
Todo garoto já dançou uma música assim

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Meu ato de contrição

Com o coração contrito de paixão
A alma elevada ao som do natural
Vejo a tua presença na tua ausência

Corro os olhos no mundo
Que para muitos é pura perdição
E encontro alento para confessar
A beleza deste mundo está fixa nos teus olhos

Se tú usares lentes miópes
Verás que não enxerga o mundo com bons olhos
O mal não é ausência de bem
Na realidade isso é tão Maquiável

Equilíbro meus pensamentos numa corda frágil
Não tenho verdades para dizer
Corra para o alto de uma serra
E terás a nitída certeza que a vida é um nada

É uma interrogação sempre presente
Nestas linhas do meu ato de contrição
Quero apenas dizer a tú que lê
Não há certezas, a única beleza da vida está nas incertezas

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Em uma fotografia desfocada

Mantenha uma foto antiga
Lembranças que ainda não tiveram um fim
Questiono a real necessidade de tal lembrança

Coloca no imaginário dos dias que foram bons
Aquele largo e falso sorriso de uma criança
Um porta-retrato na tela de um computador

Mantenha a imagem na tua memória
Talvez um dia te fará bem
Desejo é o inconsciente em alerta
Aquela pulsão que nunca quer esconder?

Em face daquilo que se deseja
Pensamentos divagam em sentimentos
Olho para aquela tela
Em uma fotografia desfocada te encontro

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A alma é um cordel

Nesta cor do cordel encantado
Figuras e mensagens populares
Encarnam o espírito do povo nordestino
Guerreiro e alegre

A cor do semi-árido
Barro batido e rochoso
Com renda e organza
E bonecas de cabaça

Minas tem um pouco do nordeste
Do Jequetinhonha ao São Francisco
Rios que cruzam de beleza
Na imensidão de uma singela riqueza

Naquelas histórias fantásticas
Olham para um país inventado
Não se quer ver de fato
Que pobreza não está na alma

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Bordel

Em um chorinho cantei-te amores verdadeiros
Sonhei um lindo amor de folia
Naquele timbre calmo e largo sorriso

Olhei para teus olhos lacrimejantes
Duas amêndoas panhadas no céu
Fiz mil coisas para encontrar estas rimas tortas
Para te confessar o meu doce desejo

Neste samba bem bolado de um mineiro
Rogo aos deuses o bem amado
Venha comigo nesta dança do requebrado
O som alto e muito ziriguidum

Vou fazer você ficar louco
Com o meu gingado te colocar no coração
Não adianta desviar o olhar, eu sou o que sou

Esqueça daquilo que já tiveste
Porque eu sou bom no que faço
Sabe aquele Bordel que fiz da tua vida
Vamos dançar num só compasso

Geração X

A geração X acredita em um sonho como Peter Pan
Não veem que as linhas de expressão são as marcas do tempo
Aquele que nos identifica com o que aprendemos

A vida é uma ficção para ser vivida na realidade
Perdemos tanto o tempo com brigas tolas
Com certezas tão infundadas e fragéis

A geração X olha para o que é velho
E despreza com tal zelo
Não percebem que na maturidade
Pode-se encontrar muito bom senso

A velhice não tem nada de decadente
Precisa ser exaltada com tal reverência
O corpo envelhece mas a alma é jovem
Não existe juventude se não houver maturidade

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Não dou o meu amor

Eu te sigo pelas ruas descalçadas
Com aquele chão batido de pó
Crio um mundo imaginário
Ergo aquele castelo de terror

Pinto a cara com sombra e morte
Minhas música são sombrias
Testo a inteligência dos meus monstros
E como uma mãe os plenifico

Teus desejos são absolutamente meus
Comando o teu pensar e agir
Faço de você uma bola de futebol
Meto o pé quando chega o fim

Quero tudo aquilo que é meu
Te dou o meu sincero amor
Não se engane com tal atitude
Eu pareço o que não sou?

Um ponto final só termina quando determino
E minhas poesias nunca têm
Reveja o que te digo
Não amarei nada, nem música e nem ninguém

Prefiro o meu amor incondicional
Aquele que guardo só para mim
Evite olhar com os teus olhos de "dê o seu amor"
Porque sou Medusa, e pretrifíco tantas quanto sejam necessárias
A história me fez assim, não me dou e te dou

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A menina de fita amarela (Parte 2)

Em um dia a menina de fita amarela, resolveu viajar para conhecer seu país que tanto amava, e descobriu que seu mundinho era apenas uma parte da vida. Descobriu dentro de si que o mar é seu grande companheiro de viagem. E como ela gosta do mar, daquele gosto de sal que impregna sua alma, deixando-a mais atenta. Caminhava pelas areias da praia, deserta por sinal, ela encontra um rapaz, olhares são trocados. Ela já não é aquela menina pequena, cresceu se tornou numa bela mulher, madura, com seu jeito todo especial de ser, mas que ainda guarda dentro de si aquela menina de fita amarela.

O rapaz se aproxima a convida para um passeio daqueles que só podem ser feitos nas estrelas, e cada areia se torna uma estrela em seus pés e de singela beleza eles de mãos dadas caminham, e veem seus reflexos naquela imensidão do oceano.

A lua já se encontra no topo, toda nova, toda bela, e os olhos de ambos se enchem de lágrimas. Daquelas lágrimas que escorrem em seus olhos no qual há um futuro promissor diria. Mas eles sabem que a vida nada é esperado, e que juntos podem caminhar por aquelas areias, basta que tenham a coragem de viver o momento presente, aquele que perpassa pela vida corrente.

Os dois ainda não resolveram o que fazer, estão apenas vivendo aquele instante. Várias coisas já perceberam como qualquer casal tem suas peculiaridades, mas a menina de fita amarela que agora é aquela mulher; pensa que são essas peculiaridades que dão tempero todo especial a relação ainda em construção.

Isto tudo passa na cabeça dela, mas ela está lá apenas vivenciando esse momento, com o coração tranqüilo, sem pressa. De alma aberta, para que aquele moço lindo se aproxime dela, do jeito dele. Com a cabeça em seu peito aquela menina reclina-se, espera ansiosamente por aquele carinho tão bom de sentir. Daquele que quando se toca, o coração dispara e se enche de alegria.

Uma coisa é certa, aquela menina que já é uma mulher, que nada que é verdadeiro e sincero pode se completar, e na sua grande lua interior ela aguarda o rapaz, que a lua interior dele também seja sempre sincera e verdadeira; e que juntos possam concretizar muitas outras histórias, está parece apenas começar, ainda não se sabe o final, porque ainda se encontram naquela beira de mar, olhando para aquela imensidão e curtindo o momento com os corações abertos.

Carnaval

Um dia em uma folia
O alerquim olhava para tua colombina
Aquele suor dos bailes de carnaval
Fizeram ambos amantes inesperados

Fantasia ao chão
Naquele ímpeto de verão
Suor e cheiro forte
Um prazer de poucos minutos

A folia continuava com os confetes
Riscando com serpentinas o salão
Fico só a observar
Em cores o carnaval é sempre mais preto e branco

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Afogados e desonrados

A liberdade é uma conquista alicerciada
Daquelas faces de dupla interpretação
Ou se pensa ao contrário
Engana-se com aquilo de fato

Cada ser na tua imensa razão de existir
Faz do poder a intercessão do querer
Pode-se querer muitas coisas
Mas na ilusão do bem querer faço estar e acontecer

Na imensa razão da retórica
O povo inteiro quer aquela falsa troca
De palavras o mundo enfarta
Na eterna luz dos afogados e desonrados

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Escolho ser finito como você

Somos seres finitos de cores nem sempre claras
A gente escolhe o caminho que quer percorrer
Deixo de ser sentimento e torno-me razão
Naquele instante finito um respiro

Quantos de nós não assumimos os nossos limites
Impondo-os aos outros que nada têm a ver
O mundo da morte sempre a espreita
Mesmo em corações com chagas abertas

Porque sempre que alguém morre
Principalmente um famoso, mesmo com a sua importância
Nos referenciamos com tal realeza
E esquecemos que são gente como qualquer um outro?

Pergunto-me porque precisamos enaltecer a morte
Naquela breve nota aguda e forte
De um tempo que não se pode voltar atrás
Fraca ilusão de nos manter conectados

Não, não somos uma família planetária
Como tantos gostam de afirmar
Talvez o fascínio e o desejo de guardar lembranças
Seja uma tentativa de proteger das dilacerações constantes

Escuto tua voz e não me emociono
Já perdi a sensibilidade de ver quem não se ama
Entregou-se a própria sorte, e buscou o leito de morte
Num fúnebre gesto de um adeus

sábado, 11 de fevereiro de 2012

De frente ao Santa Tereza

De frente para Santa Tereza encontro-me            
Vejo arranha-céus e árvores que quase ciliam a avenida
Os postes antigos ainda acesos            
É manhã de uma quinta-feira

O formigueiro as pressas, aquela revoada de gente
Corre corre de cidade grande assusta um pouco
Nada a temer porque no Viaduto as almas atravessam
Nem queira ver

Mudo das palavras mudo

A verborrágia imaginária da palavra
Aquela nota sem som poético
Na onamatópeia desvairada
A língua solta em retórica

Um canto mudo se desfez agora
Terra cobrindo poucas e infindáveis ideias
Na clara face em tecido e pedra
Bate a cabeça e solta a besta-fera

Toco as palavras com punho fechado
Fecho aquela porta de madeira e aço
O som não mais penetra
Mudificando a clareza e aquela onda reverbera

Coisas de criança

Fui ali comprar umas frutas
O sacolão da esquina têm várias
Quando pequeno roubava manga
Tinha aquele gosto de frio na barriga
A gente pulava o muro das ideias
Crescia na fantasia de um dia ter um pé de manga
Sabe daqueles bem frondosos
Então, as frutas não foram pagas
Ainda estão no chão
Bicho de manga é sempre o mesmo
Do melhor retira aquele doce jaz de um dia

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Voe bem alto

Viva como se fosse o último dia
Ame como se não pudesse mais amar
Dance como se não tivesse mais pernas
A exaustão é o início do imaginário

Cante como se fosse ficar sem voz
Pule naquele trampolim encantado
Segure naquele raio de sol
A intenção de viver é o reflexo daqueles que amam

Imagine um mundo onde pudessemos crer em fantasias
Enchê-las de beleza e não transfigurar o feio
Naquela breve nota de uma flor
Sorriso de uma felicidade incomum

A gente nasceu para voar
Para criar os sonhos e encontrá-los onde tiverem
Toco o inanimável com as pontas dos meus neurônios
Voe bem alto, e como quero voar

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Amanhecendo

Olho para o céu neste amanhecer
Um azul amarelado faz brotar de nuvens cor de prata
Você já se permitiu olhar para a vida que passa diante dos teu olhos?
Correr da moderna existência é um saco
Permito-me um pouco de contemplação
Pelo menos é um refrigérido na linha do tempo
Fulgáz período composto que são os amanheceres

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Distorço minha imagem

Atrás de um espelho
Vidro laminado e ondulado
Cores que permeiam a minha face
Uma boca carmim e púrpura

Não deixo que me vejam
Na ilusão de verem
Sou uma luz transparente
Em meio a desejos inconscientes

Distorço a imagem
Para que aqueles vejam que não sou
Olho adiante e percebo dores
Em um vidro com muita cor

sábado, 28 de janeiro de 2012

Sensações auditivas

Escuto tua voz numa espécie de nevoeiro
Aquele som metálico, cinza e cru
Tem algo de especial, mexe com aquelas nossas sensações primitivas
Naquela claridade quase dilatada por artérias abertas

Sinto como se fosse um som hipnótico
Entra na alma, escancarando-a num gesto quase sufocante
Faz-me lembrar de um profundo despespero
Naquela viagem entre estrelas solares

Viajo para dentro de mim quando te escuto
Um caminho quase sem volta
Aquelas bolhas que saem da minha boca
Como um peixe num rio fundo encontro-me

Melódico e anestésico
Com os ouvidos martelando este som que me consome
Caio num abismo de ideias
Te vejo em uma voz pura e nua
Como aço e gelo

sábado, 21 de janeiro de 2012

Eu falo

Entro e saio
Em pele nua e úmida
Aquele movimento repetitivo

Entro e saio
No leitoso gozo
Face rubra

Entro e saio
Naquele calor em água
Meu falo

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Dama da escrita Clarice Lispector

Como Macabeia descalça
Em um pensamento feminista
Arranho as entranhas das palavras
Coloco-as abertas e expostas

Ácido é o meu sangue que corre
Por aquelas veias, dilaçerando-as
Com um cigarro na mão e um ponto de interrogação entre os dedos

Não quis ser compreendida, quis apenas amar
Com aquele amor quase neurótico e belo
Na angústia de chegar ao delírio constante

Sou assim, uma apaixonada por palavras
Com aquele querer de invertê-las ao quadrado
Toque sútil e nefasto

Sou sombra e luz
Clareio ideias e encoberto-as
Naquela penumbra quase obscura

Minhas palavras são fortes
Inspiram momentos de vômito
Límpido e puro

Não dei frases soltas, sem nexo
Procure seus meambros
Sou a palavra da carne viva

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Às vezes

Às vezes a gente não entendi porque é do jeito que é

Às vezes a gente não entendi porque sente do jeito que sente

Às vezes a gente não entendi porque pensa do jeito que pensa

Às vezes a gente não entendi porque ri do jeito que ri

Às vezes a gente não entendi porque sofre do jeito que sofre

Parei hoje para pensar

Parei hoje para sorrir

Parei hoje para dizer

Às vezes a gente pensa que pensa e não pensa nada

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Reflexões de um dia

Quando puder estenda a mão
Faça algo, movimente-se
Deixe a roda girar
Espalhe o que de bom tem dentro de si
Contamine as pessoas com boas ações
E nunca se esqueça
Somos aquilo que fazemos aos outros

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Tempo em crise

Sou poeta de um tempo em crise
Em que um programa de tv mostra bizarrices
E no delírio de uma gente sem noção
Adora o prestígio que o trabalho simples

Sou poeta de um tempo em crise
Que sentimentos não mais importam
O falatório dos nossos egos
Encobriram-se de cinzas expressões de afeto

Sou poeta de um tempo em crise
Que escrever poesia é quase uma histeria
Só que invertida
De versos sem uma prosa definida

Sou poeta de um tempo em crise
Que mesmo com tais dificuldades
Ainda tem gente com cabeça pensante
Não aceita as formas definitivas
E luta para ser ouvida

Sou poeta de um tempo em crise
Que o verdadeiro é escasso
O falso é exaltado
Como se fosse uma verdade de fato

Sou poeta de um tempo de crise
Que acredita na capacidade humana
De reinventar a própria história
Naquele olhar de brilho inconfundível
Perpassa o finito e toca com os dedos

Sou poeta de um tempo em crise
Que não tem medo de dizer o que pensa
Mesmo se errado estiver
Para e reflete
Não sou dono da verdade
Dei-me uma linha e um tecido
Remendo a vida, costuro
Daquele "patchwork"
Entrelaçando faço a diferença

domingo, 1 de janeiro de 2012

Novo mundo no velho mundo

Um mundo onde não houvesse guerras
Em que os povos se abraçassem sem facas
Os dentes a mostra talhadas como lâminas
Um mundo utópico como de Alice

Não, não há
Mas ainda que haja esperança
Daquelas dos nossos grandes sonhos
Brilham em nossas consciências e ações

Num velho mundo que se reveste novo
Só os mais bobos não percebem
As leis continuam as mesmas
Oprimindo e desejando oprimir

Aprendi que a gente age no silêncio
Sem precisar fazer estardalhaço
O que a mão esquerda fizer a direita não precisa saber
E assim homens de bem agem
Como formigas trabalhadoras e que nunca se cansam

Essa é a grande experiência
Individual e coletiva
Num mundo novo que se abre pela frente
Ser além do Eu é única alternativa