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Mostrando postagens de 2012

Verso moço

Não escrevi nada que valesse a pena ser publicado
Minha escrita tem um quê de infantil
Voltada pra dentro, umbilical
Há em mim uma pressa moça como diria Cora
Não me sinto a vontade de publicar
Escrever um livro, só por deleite
Prefiro continuar a fazer meus versos descolados do tempo
Organizados na minha desorganização
Frutos de ideias e pensamentos soltos

Minguante

Estou numa fase minguante
Sem ideias pra compor
As mesmas palavras se repetindo
Se fosse doceiro meu doce seria insonso
Aguado diria
Acho que é fase de lua
Vou esperar ficar cheio
Redondo, abaulado
Como aquele doce em tacho
Bem temperado
Com raspas de canela.

O lustre e a morte

A luz e o calor da lâmpada atrai a abelha
Ela gira desesperadamente
Contorcida de dor e sofrimento
Observo tudo de olhos atentos
Não perco nenhum movimento
A morte chega aos poucos
Não sinto dó e nem pena

Sonho

De alto de um morro
Avisto um mar azulado
Pulo panelas de pressão
Escalo  a parede de um hotel

Andarilho nas palavras
Encontro letras no meu sonho
Ideias alucinadas
E um poema subconsciente

Show

Ansiedade toma conta Quanto tempo esperando Aquele show ansiado Desejado de coração
As luzes do palco irão se acender Verei você pela primeira vez Uma memória que vai ficar

Parece uma besteira Mas quando a gente gosta de um artista É porque ele nos diz algo que toca

Dançarei freneticamente Com aquela batida melodiosa Que nem tanto gosto Porque tua inteligência é que me instiga

Adversário

Finjo que não existo
Na dissimulação persistente
Sei dos teus pontos fracos
Ataco

O adversário dentro de nós
Avilta, enseja
Cria obstáculos a luz
Combata-o antes que tarde seja

Número 7

Você já me falou do número 7
Sinto falta dos seus conselhos
Aquela bela voz suave e sútil
Como pude ser bobo
Em não ver a nossa numerologia
Eramos dois números pares
Feitos um para o outro
Nasci 7
Mas você, ainda não me falou
Fale qual o teu número?
Faz tanto tempo que não nos vemos
Tudo bem, tanto faz
Qual o seu número, ok!
Somos números pares
Dizem que os sete são profetas
Você se vê como um?
Não, não mesmo
A felicidade não se encontra em números
Por isso quero ter você por perto
Não vá embora, não me deixe
Adeus, sou uma lua minguante
Meu eterno adeus!

Poesias em 140 caracteres

Você
Quantas vezes te procurei por caminhos abertos,
em teus cabelos cor de selva,
te encontrei abismada de fronte a uma aquarela.

Possessão
Sangue encarnado em um peito circunflexo,
coração dilatado,
meu amor é possesso.

Revoada
Naquele azul-celeste os pássaros brindam,
em revoadas metafísicas.

Corpo
O corpo se lambuza,
em uma alma que abusa.

Tocar
Findar do dia,
eu te toco com minha imaginação.

Bye bye

Beijos nas gardênias
Sem culpas e sofrimentos
Levo da vida o melhor
Bons sentimentos

Não consigo acreditar em coisas tão universais
Tente entender, darling
Prometas que seguirás teu caminho
Com afeto e adoçante

Independência da poesia

Aquele grito na beira do riacho
Vamos todos nos tornar independentes
Sem frases e ideias autorais
Entregando-se a qualquer balela

A forma que escrevo independente fica
O pensar independente se torna
Independência que tardia
Ela vem com esforço e vai embora

Rimas frouxas, menos complexas
Facéis de conjugar
Tudo indenpendente fica
A poeisa é dependente da forma?

Nas linhas curvas
De compassado traço
Poesia e independência se entrelaçam
Minhas formas são independentemente diversas

O copo

Em um copo vazio
Uma taça de espumante
Aquele querer bem
Insinuante desejo

Em copo semi-cheio
Uma taça de vinho
Aquele querer que corrompe
Desejo exposto

Em um copo cheio e transbordante
Uma taça de champagne
Aquele querer que devora
Desejo consumado

Oração Suplicante de Correção

Peço ao Criador ajuda de seus anjos e arcanjos para a correção de minha alma imperfeita para que consiga sentir e ver tua Luz. Que ela ilumine meu caminhar e transforme naquilo que é tua vontade.


Rogo pela paz e correção dos sentimentos para que eu seja transformado no instrumento benéfico a sua vontade.

Rogo-lhe para que me inspire a criar novas formas de autocontrole e que o egoísmo inato não triunfe mais e sim a tua glória no alto dos céus.

Abandono-me nos teus braços para que seja tu a mandar as provações e que não seja, eu, a criá-las.

Perdoe-me pelas faltas, pelos estados de cólera, pela pouca entrega.

Que o Criador de todas as coisas me torne o que já está determinado para tua e completa glória. Amém.

Sério?

Conseguiram me tirar do controle
A raiva no olhar
Ódio corrompendo a alma
Aquele sangue árido escorrendo pelos olhos como lágrimas

Em face do transtorno
Humilhado e taxado como louco varrido
E o destempero tomando conta
Que ninguém chegue perto

Um pedaço de madeira na mão
Lascas voando e o céu se aclareando
A força que batia corrompia até o mais simples silêncio

Depois no esmeril lixando a madeira
Que forma daria? Sério?
Pouco importava mas o sentimento esvaía

Gabardine

Aquela calça masculina
Tecido clássico
Apertada mostrando volume
Sensual de gabardine
Uma leve curva que denota mistério
Podendo ser risca de giz
Tem que ser bem cortada
Alinhavada com cuidado
Olho de novo para prateleira
Apenas a peça
Parada, estática
Alguém quer comprar?

Loja de tecidos

Há vários tipos de tecidos
Cada qual com sua composição
Elastano, poliéster e algodão

Musseline, cambraia e seda
Crepe golden, prada e fustão
Cada qual com sua textura e forma
Alguns armam outros caem como luva

Estampados ou lisos
Olho pra eles e vejo um certo tédio no prada
Uma leveza de viver da viscose
A dureza da sarja

O único tecido que me encanta é a musseline
Sua transparência e delicadeza
Dê um pique
Rasga

Constelações

O céu com suas constelações
A abóboda terrestre
Suas estrelas e luzes próprias
Encantam as crianças

A menina logo sobe ao telescópio
Naquela precisão de ver um planeta
Agitação pela curiosidade
Algo que nunca deveríamos perder

O mundo do adulto
Aquela rotina maçante
Nos tira o brilho dos olhos
As estrelas nos devolvem esse brilhar

Conheço Saturno e Vênus, e você caro leitor?
Já se deu a oportunidade de ver os céus
Claridade que acalma, rejuvenesce e transcende
Toda criança no fundo sabe disso

Por preconceito tolo de adultos
Perdemos esse religar com o espaço
Somos feitos de poeira cósmica
Um dia retornaremos como chuvas ou estrelas

Ode a Carlos Drummond de Andrade

Imaginaste uma escola onde todos pensassem iguais
Um mundo onde todos pensassem iguais
A arte onde tudo fosse igual
Que tedioso seria!
A escola castra o aluno naquilo que ele tem de mais puro
o pensamento
Não façamos de nossas crianças passarinhos presos na gaiola
Deixemos que elas voem quando assim quiserem
A insubordinação mental de Carlos foi um alívio para ele
Faltou-me na infância o prazer e a ousadia de questionar
Hoje não falta.

Girando a roda

Em recolhimento da face
O aprofundar se faz necessário
Aquela roda que gira
Moinho d'água
O sol resplandescente dentro de si
Toma conta dos pensamentos
Há caminho de descobertas
Árvore da vida
E o sete na porta bate
Deixando o que não mais importa
Segue uma nova história

Em meio a guerra

Nos idos anos 40
Bombardeios na Itália
Moças e rapazes afungentados
Correndo das bombas
Escondendo-se dos escombros
Um pequeno grupo ali se ajuntou
Com o evangelho na mão
Pediram proteção e saíram atrás dos desamparados
Cada face era uma oportunidade
Para amar o semelhante
Não se importando rico ou pobre
Eram todos iguais em dignidade
Diante de várias experiências
Surge uma nova atmosfera
Dessas jovens que amaram a Deus
Um mundo de coisas aconteceu
E veio uma nova identidade
a Unidade
Como uma marca no peito
Este ideal de vida se espalhou
Chegou ao Brasil
Aflorou, deu e dá frutos
E como é bom dizer que fiz parte dessa história

Palavra e luz

Quando se enche de palavras soltas
Notas sem valor
Vaga-se sem destino

Cada ser tem seu modo de ver
Mesmo que sejam transfiguradas
Palavras não podem ser vagas


Olhe para tua consciência de artista
E deixe bem claro o porquê está aqui
Não se submeta a uma vontade imperiosa


Os artistas são livres
Podemos dizer as coisas mais vis
Ou as coisas mais libertadoras


A palavra abre
Fecha
Encerra
E traz luz

Vírgulas

Lâmina que transpassa
Corta palavras
Dividindo-as em pontes
Agora, livre de propósitos.

As interrogações usadas para questionar
Transformam-se em exclamações
Soltando os pontos finais
Sem aspas e travessões

Vírgulas que dão apenas pausas
Respiros em processo contínuo
Mudando a linha para compasso, quem sabe

Giros, giros, que dão base ao triângulo
De cume agudo
Na perpendicular

Descobri na literatura

Descobri na literatura
Que Adélia Prado pode ser meu céu
Carlos Drummond de Andrade a minha introspecção
a volta ao meu castelo interior
E que Cora Coralina, meu chão, de terra batida
E a Senhorinha de cabelos brancos
Essa fica guardada pois não é o momento
Procurei (in)conscientemente por tradição
Encontrei com esses três na literatura e a outra na vida
Um ciclo se fecha, como numa mandala, como numa via crucis
Só entende quem vive a experiência

Pausa

Sábio foi o homem
Que da pedra fez seu lápis
Do minério sua tinta
E da vida sua Arte

Fios

Fios retos
Fios encaracolados
Fios frisados
Só fios
Aquele vento que arma
Desconstroi e volta
Fios duplos
Fios unidos
Fios sem ponta
Fios que fazem moda

A vida é doce

Meu dengo gostoso
Que me faz te amar
Braços dados envoltos
Quero-te acalentar

Têm tantas coisas menino
Tu nunca saberás
A vida é um doce
E é bom se lambuzar

Amor brega

Eu me esqueço dos teus beijos
Nas ondas dos teus braços
Envolvo-me naquele nosso desejo
Arranho tua face

Mostro o meu dengo doce
Nas curvas corro a ti dizer
Que amor mais brega
Toma jeito mulher

Tulipas e Paris

Uma praça em Paris
Tulipas rosas
Aquela estátua em forma de anjo

Um ar bucólico
Inspirando paz e harmonia
As cores chamam a atenção

Por este trançamento te vejo no banco
Com um olhar que se olha mais profundo
A contemplação do que é belo
Deixa-nos mais próximos da eternidade

Se todas as praças das cidades
Aquelas que se encontram na linha abaixo do Equador
Tivessem seu encanto e beleza
Provocariam mudanças no estado de alma

Voltemos a nossa realidade
Praças mal conservadas e cuidadas
Cinzas cor de prata
Com aqueles torrões jogados ao chão

Uma cena sem grandes precedentes
Fato típico de qualquer cidade
Prefira encher os olhos de cores coloridas
Mas não esqueçamos que nem tudo são cores

Tentativas

A gente passa por aqui
Deixa um pouco acolá
Entra sem pensar
É expulso
Bate na porta
Espera
Se não consegue
Tenta de novo
Prossegue
Vai em frente
Continua sem parar
Insiste até que um dia
Vai dar certo

Viva

O sol brilha em nossos corações
Aquece aquele instante de um amor
Falando de coisas tão banais
Lembre-se daquele sorriso estampado

Aquela canção que não tem fim
Elevando os nossos olhos para o poente
Momentos de um prazer doce e frágil
Entregue-se ao que a vida tem de bom

Não há escuridão que não possa ser iluminada
Bata suas asas e voe longe do seu coração
Alcance a imensidão de um luar
Toque as estrelas e seja feliz

Labirinto

Entrou em um labirinto com relvas cortadas
Os monstros ainda o perseguem
Caiu em um precipício e encontraste Fauno
A bela criatura revestida de noite


Adentrou em lugares não visitados Pisa em solo firme e rochoso
Fauno dá uma fruta e ele a come
Em um sonho profundo penetrou


Mergulhado em pensamentos Arrastando uma multidão
Não esta só, agora cria histórias poéticas
Momentos de alegria interior

Balada

Na balada do azul solar
Raios atravessam o poente
Luzes do luar a beira mar

Balada inacaba
A menina rodando gira a saia
Cada giro mais luz é atirada ao azul celeste
Um pássaro surge

Em um instante o pássaro torna-se luz
A energia aquece o corpo e enamorar-se
Os braços estendidos, joelhos ao chão

Asas levantam vôo
Em um azul estrelar vê-se de tudo
Olha-se para baixo
As pessoas andam calmamente pela rua

No quintal uma balada
O povo dança
Em uma balada acabada

A vida se repete

Não sei cantar outra coisa se não o amor
Aquele jocoso sentimento que enriquece o mundo
Torna-nos tão próximos e distantes

Ao falar dos amores sonhados tão teus
Parece uma tristeza em cada gota de desejo
Ininterrupta sensação de um conto belo

O amor cantado tantas vezes exaltado
Não é uma página dobrada e guardada no bolso
Nem funciona como um pensamento abstrato

Tantas vezes já repeti, me dilui
Naqueles versos tão presentes ao lado teu
Com aquela vida que se repete

Curtas

Curtas X

Não, não o sigo
Sim o caminho

Curtas XI

Não vendo a alma
Como peça de troca
E nem vendo amor
Como bijuteria barata
Dou em troca amor e alma


Curtas XII

O relógio fez cuco-cuco
Era o chá das três
Em um bule francês
Faço o fino
Torradinhas e pasta de atum

Trancado

O baú se fechou
A nudez desfeita
Cobriu-se em prosa
Aceita um copo de coca-cola
Uma biribinha vai bem agora

Chamas

Encontrei-te em lugares nunca antes aventurados
Naquela escuridão que caminhava
E você foi luz para meus dias
Quando nos encontramos
Somos como chamas
Que se queimam até que um dia
O dia que não sei
Seremos só luz

Sorrio para você

Um largo sorriso move montanhas
Destrói as auguras do empobrecimento Naquela alma cheia de coisas tão vazias É melhor que nunca haja preenchimento Não são necessárias lutas gloriosas Aquele arregaçar os caninos Já não temos tempo a perder Preciso ter consciência disso Aos xingamentos ouvem os bastardos Caminho agora de mãos dadas com minha gente Somos finitos não levamos nada deste lugar Apenas o bem a quem seja

Poesia do encantado

Aquela borboleta azul com asas abertas
Em uma laranja cortada em fatias
Uma banana seca arrematando a iguaria
Um cheiro perfumado abre teu dia

Degusto cada prazer com aquele laranja
Sobressalta aos olhos
A delicadeza de contranstes
Ora vivo, ora inanimado

Os olhos são nossos guias
Basta preenchê-los com o que há de belo
Forma inequívoca de uma beleza
A bela forma de enriquecer os dias com cores e sabores

A morte do poeta

Todo poeta morre quando finda-se as palavras
Seu agonizante grito emuda-se diante delas
Temos a alma repleta de sentimentos
Vagamos por caminhos que outros não entendem

Seres de profunda imaginação
Caminham por abismos existênciais
Chegam a pontos de equilíbrio
O poeta morre mas tuas ideias são eternas

Como nota musical

Não tenho o dom para escrever música
Talvez por isso procure tanto me inspirar em ritmos
Aquele tom melódico de linhas em construção
As palavras veem rápido surgem na ponta dos dedos

Raramente escrevo em papel, ponho-as na tela do computador
Elas nascem espontâneamente, sem tanto forçar os músculos
Escuto a melodia da música e em tons escrevo
Ora fortes e vigorosos, ora frios e debochados

A minha escrita é a minha alma plasmada em letras
A música é o sangue que corre por veias e capilares
Nutrem instantes de uma breve e rápida vida

Sou uma nota musical, um Fá sustenido
Aquelas notas medianas que completam uma partitura
Um simples e marcante som

Canto das flores

Teu perfume deixa um cheiro bom no ar
Alimenta o meu vício de te querer perto de mim
Sinto tuas breves curvas naquele penhasco ao mar
Leve como aquela andorinha que só quer voar

Cântico de notas que inundam meu ser
Faz querer o meu amor por você
Fale das breves histórias de um amor
O coração em rios sempre quando te escuto

Linhas de um amor puro e bom
É um refrigerido no mundo tão absorto e cru
A vida em uma cama nos protege dos percaussos
Naquelas frases soltas te amo sempre mais

É o meu único vício

O sol daquela clara manhã ilumina o meu sorriso
Uma esperança surge de velhas ideias deixadas de lado
Sopro de uma existência ininterrupta

O calor da estrada em uma curva de alta velocidade
Saco o arsenal de notas musicais viciantes
Encontro-me viciado com aquele desejo de um som

Viciado em uma batida eletrônica que mexe com as minhas percepções
Toque mais alto, não ouço mais nada, vejo apenas sensações
O coração acelerado, apressado, batendo forte

Olho para aquele belo horizonte entremeado de uma grande paixão
A música é minha companhia para o hoje, brindo-a com aquele gosto de vício
Alucinante como um amor prestes a explodir

Ouça-me

O teu som não me convence
O que adianta tanta doçura se nunca quis dizer nada Perca a vida nas letras e deixe que elas expressem a tua dor
Não adianta criar o teu mundo encantado Um gosto de mel que causa ânsia de vômito Áspero como uma pedra-sabão Esfole tuas ideias de um pequeno faz de conta
Amadurecemos quando tudo parece não existir Sinto você fraca e sem substância Aprofunde aquilo que tu queres dizer As raízes da Caatinga não são rasas
Quando a tua música contiver seus desejos mais profundos Avise-me que quero ouvir, um som límpido e agudo Saiu das artérias e não da pele fina Ouça-me você é capaz de ir além
Um casamento, uma aliança rompida não é o fim Um câncer, uma depressão, uma tetraplegia não é o fim É oportunidade de o novo recomeçar sem as velhas bengalas As aparências são um espelho quebrado, somos alma além-mar

A São Petersburgo

Criemos leis para oprimir?
Criemos leis para subjulgar?
Criemos leis para coisificar?

O Estado laico perdeu sua importância
Estamos a deriva da Mãe de Deus
Que em seu manto protetor nos cobre das nossas vergonhas

As minorias são as sadômitas do povo em conversão
Glória seja os Santos nomes em vão que o Rei proclama
Que a São Petersburgo ninguém seja exaltado

Criemos leis para proteger os desprotegidos
Criemos leis para amparar os irmãos sofridos
Criemos leis para coibir ações penosas a humanidade

No Estado laico democrático de direito
A coroa já caiu faz tempo
Mas insistem em ultrajar os direitos de alguns
Porque o medo de ver os próprios defeitos é maior e mais constrangedor

Image

Crownof thorns
Blackheads
Lightsblinding
Love inaknifepoint
A hint of sadness
Singing ata dancefloor

Som sinérgico

O meu sangue é feito de sons
Cada gota derramada é uma imperceptível sinfonia
Aos agudos a energia que balança
Os graves e melódicos a sobriedade do momento

Pare e escute o som do teu coração
Pode dizer muita coisa sem querer dizer nada
Escute aquela melodia refinada e doce
Ao solo de uma guitarra que corta como navalha

Um estampido quase sinérgico
Aquele gosto de ácido nas palavras ensaiadas
Um tanto pscicodélicas e reflexivas
Ouça-a como uma pílula do amor

Os teus poros soam como uma dança tribal
Martelando os músculos ora descontrolados
Não verás mais nada além de um sussuro rompante
Delírio e morte ao extâse da própria sorte

O meu relicário

Em uma cama estou e acordo de um sonho
Daqueles que nós não gostamos de sonhar
Olho para aquele longo corredor e vejo só paredes
E no fundo um piano, e alguém o toca-o

A música ao fundo parece penetrar em minha vaga alma
Um sentimento de propensa obcessão pela vida
Os dias parecem que chegaram a um breve fim como uma nota musical

Aquele relicário onde guardo o meu melhor
Mesmo diante de um desespero quase interior
Chega como uma clara visão da inconsciência dos meus atos

Agora naquela beira da praia, esquento meus pés
Água fria e gélida, tocam os meus dedos
A voz contraída e um sofrego gosto de marésia

Fico naquele lugar, um quarto escuro
Com livros pendurados e uma luz que cega em instantes
Os bonecos em minha cama conversam comigo
No rompante do largo quarto durmo em profundo leito

Confidência 3

Procuro um verbete para qualificar o que penso
Não o encontro em nenhum dicionário
Ao menos se existessem em minhas memórias
Mas infelizmente não há mais o que dizer

As histórias que conto nestes versos frágeis
São pura imaginação de quem encontrou uma maneira de se expressar
Com aquelas doces palavras e ácidas ideias
Corroem-se em pensamentos e sentidos existências

Grande é o meu prazer em escrever
Elas veem como uma descarga de adrenalina
Chegam aos dedos e parecem que nunca vão secar

Posso não ter aquele dom latente de por no papel pérolas
Afinal, sou um aprendiz da palavra
O que importa neste vida é deixar o tempo revelar seu tempo

Sou um poeta que não procuro versos perfeitos
Daqueles que as pessoas mal conseguem compreender
Minhas linhas são tênues e ora convencionais
Mas o meu amor pela palavra, não, não é

Brasileiro

O meu povo canta com o corpo
Com aquela alma alegre
Inventa a própria história
Cria o ritmo com aquela batida em um tambor

O meu povo faz festa mesmo sem poder
Dança em rodas giradas a tempos atrás
Movimentos arqueados de um tempo em paz
Faz de uma belo sorriso seu canto e oração

Em uma pista de dança

Eu te vê naquela pista de dança, com coragem de uma menina pequena
Com minha arma apontada para tua cabeça disparei-a
Você nem notou que na realidade acertei seu pobre coração
Fiz com um prazer quase doentio de tê-lo ao meu lado

Agora não adianta fugir das armadilhas que coloquei a tua volta
Sadomizando o teu ser, com aquele gesto profundo comprimindo o teu eu
Tu, pertence-me e mesmo que tentes fugir  as raízes já estão formadas
Aquela música ao fundo é minha melhor droga para te corromper

Cala-te enquanto podes, farei de você o que quiser
Mando e desmando no teu coração contrito
O meu gozo é o teu prazer contido

Olhe para a pista de dança?
Aquelas luzes não te dizem nada
Com minha arma em punho, faço um disparo certeiro
Naquele onírico fim teu orgão muscular é meu

Desgraça

A felicidade não baterá em tua porta
Naquela face desnuda de uma paixão voraz
Ao som de um tiro escuto teu choro
Caíste ao chão naquele vale encatado
Não terás sossego com tal reverterio
Nestas poucas linhas um ponto sem fim

Confidência 2

Sensações estranhas tomam meu corpo Emoções e sentimentos não são os mesmos A cabeça quase reclinada encontra-se em pequenos lampejos A face desfigurada em dores inconscientes
O tempo voa como um pássaro de fogo Que em tudo arde, queima, sem deixar vestígios O corpo treme, mudo estou, nada mais parece fazer sentido Diante dessa situação o que é preciso entender?
O inconsciente parece querer tomar o consciente Há uma briga interiorizada Não sei quem irá vencer, nem sei se irá ter vencedores O fato é que só se pode aguardar
Os instantes passam, passam como nunca haviam passado Com o coração anestesiado não se sabe mais o que pensar Os fatos serão consumados O cinzel do escultor faz seus últimos entalhes
É doloroso ver-se neste estado A cada estocada uma parte é arremessada Mais dor que parece nunca mais acabar Será que não haverá nenhum dia de tréguas?
A dor, dizem que só por ela amadurecemos Mas como é difícil sustentar-se quando ela alcança os ápices da existência Neste momento só h…

Festa de aniversário

Brindo este dia como uma lembrança do meu nascimento
Sai do ventre de minha mãe com dificuldade
Talvez porque fosse o medo de enfrentar a vida

Pode ser também apenas um erro médico
Já que o próprio mandou-a voltar para casa
Estando em nítido trabalho de parto

Reelembro hoje disso tudo porque é meu aniversário
Nascendo às uma hora e trinta minutos de uma madrugada
Renascendo para a vida a cada instante me encontro

Sou agora apenas um garoto com  alguns anos
Feliz aniversário com gosto de doce na boca
E desejoso de futuro próspero acontecer

Pensei no povo de lá

Naqueles governos ditatoriais, o povo clama por liberdade
Os gritos de pavor se escuta aos montes, numa clara sinfonia do terror
Todo ditador tem o ego grande, mas a alma é pequena
Vejo no Oriente Médio reflexos de um mundo em oposição

Clara intenção de intimidação, deixe as palavras de lado
Lute pelo seus ideais com a faca nos dentes
Que a democracia tanta proclamada de agora, não seja apenas linhas de jornais

Massificando uma geração antes adormecida
Encontra-se a tocha e as bandeiras
Se há alguém neste mundo que prefere a opressão
Vós direis este alguém não ama nem a si mesmo

Que os árabes consigam restabelecer tua fé
Naquela liberdade proclamada por todos
E que não fiquem em silêncio sentindo tuas dores

Som hipnótico

Aquela música "bate cabelo" te faz dançar
Como uma jovem sensação de querer mais
Teus músculos sincronizados com o ritmo
Em um vai e volta hipnótico

Isto deve ser erótico
Na batida o coração balança
Movimenta-o como um ponto em faca
Eletrônico e pulsante, vibra a cada instante

O teu refrão não sai da minha cabeça
Leva-me para outra dimensão
Transporte-me para uma pista de dança
Na louca inversão das paixões

Ouça, você consegue dançar sem parar
Oi, estou mais susceptível a você
Penetre naquele vai e vem
Todo garoto já dançou uma música assim

Geração X

A geração X acredita em um sonho como Peter Pan
Não veem que as linhas de expressão são as marcas do tempo
Aquele que nos identifica com o que aprendemos

A vida é uma ficção para ser vivida na realidade
Perdemos tanto o tempo com brigas tolas
Com certezas tão infundadas e fragéis

A geração X olha para o que é velho
E despreza com tal zelo
Não percebem que na maturidade
Pode-se encontrar muito bom senso

A velhice não tem nada de decadente
Precisa ser exaltada com tal reverência
O corpo envelhece mas a alma é jovem
Não existe juventude se não houver maturidade

Não dou o meu amor

Eu te sigo pelas ruas descalçadas
Com aquele chão batido de pó
Crio um mundo imaginário
Ergo aquele castelo de terror

Pinto a cara com sombra e morte
Minhas música são sombrias
Testo a inteligência dos meus monstros
E como uma mãe os plenifico

Teus desejos são absolutamente meus
Comando o teu pensar e agir
Faço de você uma bola de futebol
Meto o pé quando chega o fim

Quero tudo aquilo que é meu
Te dou o meu sincero amor
Não se engane com tal atitude
Eu pareço o que não sou?

Um ponto final só termina quando determino
E minhas poesias nunca têm
Reveja o que te digo
Não amarei nada, nem música e nem ninguém

Prefiro o meu amor incondicional
Aquele que guardo só para mim
Evite olhar com os teus olhos de "dê o seu amor"
Porque sou Medusa, e pretrifíco tantas quanto sejam necessárias
A história me fez assim, não me dou e te dou

A menina de fita amarela (Parte 2)

Em um dia a menina de fita amarela, resolveu viajar para conhecer seu país que tanto amava, e descobriu que seu mundinho era apenas uma parte da vida. Descobriu dentro de si que o mar é seu grande companheiro de viagem. E como ela gosta do mar, daquele gosto de sal que impregna sua alma, deixando-a mais atenta. Caminhava pelas areias da praia, deserta por sinal, ela encontra um rapaz, olhares são trocados. Ela já não é aquela menina pequena, cresceu se tornou numa bela mulher, madura, com seu jeito todo especial de ser, mas que ainda guarda dentro de si aquela menina de fita amarela.
O rapaz se aproxima a convida para um passeio daqueles que só podem ser feitos nas estrelas, e cada areia se torna uma estrela em seus pés e de singela beleza eles de mãos dadas caminham, e veem seus reflexos naquela imensidão do oceano.
A lua já se encontra no topo, toda nova, toda bela, e os olhos de ambos se enchem de lágrimas. Daquelas lágrimas que escorrem em seus olhos no qual há um futuro promis…

Voe bem alto

Viva como se fosse o último dia
Ame como se não pudesse mais amar
Dance como se não tivesse mais pernas
A exaustão é o início do imaginário

Cante como se fosse ficar sem voz
Pule naquele trampolim encantado
Segure naquele raio de sol
A intenção de viver é o reflexo daqueles que amam

Imagine um mundo onde pudessemos crer em fantasias
Enchê-las de beleza e não transfigurar o feio
Naquela breve nota de uma flor
Sorriso de uma felicidade incomum

A gente nasceu para voar
Para criar os sonhos e encontrá-los onde tiverem
Toco o inanimável com as pontas dos meus neurônios
Voe bem alto, e como quero voar

Eu falo

Entro e saio
Em pele nua e úmida
Aquele movimento repetitivo

Entro e saio
No leitoso gozo
Face rubra

Entro e saio
Naquele calor em água
Meu falo

Às vezes

Às vezes a gente não entendi porque é do jeito que é

Às vezes a gente não entendi porque sente do jeito que sente

Às vezes a gente não entendi porque pensa do jeito que pensa

Às vezes a gente não entendi porque ri do jeito que ri

Às vezes a gente não entendi porque sofre do jeito que sofre

Parei hoje para pensar

Parei hoje para sorrir

Parei hoje para dizer

Às vezes a gente pensa que pensa e não pensa nada

Reflexões de um dia

Quando puder estenda a mão
Faça algo, movimente-se
Deixe a roda girar
Espalhe o que de bom tem dentro de si
Contamine as pessoas com boas ações
E nunca se esqueça
Somos aquilo que fazemos aos outros

Novo mundo no velho mundo

Um mundo onde não houvesse guerras
Em que os povos se abraçassem sem facas
Os dentes a mostra talhadas como lâminas
Um mundo utópico como de Alice

Não, não há
Mas ainda que haja esperança
Daquelas dos nossos grandes sonhos
Brilham em nossas consciências e ações

Num velho mundo que se reveste novo
Só os mais bobos não percebem
As leis continuam as mesmas
Oprimindo e desejando oprimir

Aprendi que a gente age no silêncio
Sem precisar fazer estardalhaço
O que a mão esquerda fizer a direita não precisa saber
E assim homens de bem agem
Como formigas trabalhadoras e que nunca se cansam

Essa é a grande experiência
Individual e coletiva
Num mundo novo que se abre pela frente
Ser além do Eu é única alternativa