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Mostrando postagens de Fevereiro, 2012

Pensei no povo de lá

Naqueles governos ditatoriais, o povo clama por liberdade
Os gritos de pavor se escuta aos montes, numa clara sinfonia do terror
Todo ditador tem o ego grande, mas a alma é pequena
Vejo no Oriente Médio reflexos de um mundo em oposição

Clara intenção de intimidação, deixe as palavras de lado
Lute pelo seus ideais com a faca nos dentes
Que a democracia tanta proclamada de agora, não seja apenas linhas de jornais

Massificando uma geração antes adormecida
Encontra-se a tocha e as bandeiras
Se há alguém neste mundo que prefere a opressão
Vós direis este alguém não ama nem a si mesmo

Que os árabes consigam restabelecer tua fé
Naquela liberdade proclamada por todos
E que não fiquem em silêncio sentindo tuas dores

Som hipnótico

Aquela música "bate cabelo" te faz dançar
Como uma jovem sensação de querer mais
Teus músculos sincronizados com o ritmo
Em um vai e volta hipnótico

Isto deve ser erótico
Na batida o coração balança
Movimenta-o como um ponto em faca
Eletrônico e pulsante, vibra a cada instante

O teu refrão não sai da minha cabeça
Leva-me para outra dimensão
Transporte-me para uma pista de dança
Na louca inversão das paixões

Ouça, você consegue dançar sem parar
Oi, estou mais susceptível a você
Penetre naquele vai e vem
Todo garoto já dançou uma música assim

Meu ato de contrição

Com o coração contrito de paixão
A alma elevada ao som do natural
Vejo a tua presença na tua ausência

Corro os olhos no mundo
Que para muitos é pura perdição
E encontro alento para confessar
A beleza deste mundo está fixa nos teus olhos

Se tú usares lentes miópes
Verás que não enxerga o mundo com bons olhos
O mal não é ausência de bem
Na realidade isso é tão Maquiável

Equilíbro meus pensamentos numa corda frágil
Não tenho verdades para dizer
Corra para o alto de uma serra
E terás a nitída certeza que a vida é um nada

É uma interrogação sempre presente
Nestas linhas do meu ato de contrição
Quero apenas dizer a tú que lê
Não há certezas, a única beleza da vida está nas incertezas

Em uma fotografia desfocada

Mantenha uma foto antiga
Lembranças que ainda não tiveram um fim
Questiono a real necessidade de tal lembrança

Coloca no imaginário dos dias que foram bons
Aquele largo e falso sorriso de uma criança
Um porta-retrato na tela de um computador

Mantenha a imagem na tua memória
Talvez um dia te fará bem
Desejo é o inconsciente em alerta
Aquela pulsão que nunca quer esconder?

Em face daquilo que se deseja
Pensamentos divagam em sentimentos
Olho para aquela tela
Em uma fotografia desfocada te encontro

A alma é um cordel

Nesta cor do cordel encantado
Figuras e mensagens populares
Encarnam o espírito do povo nordestino
Guerreiro e alegre

A cor do semi-árido
Barro batido e rochoso
Com renda e organza
E bonecas de cabaça

Minas tem um pouco do nordeste
Do Jequetinhonha ao São Francisco
Rios que cruzam de beleza
Na imensidão de uma singela riqueza

Naquelas histórias fantásticas
Olham para um país inventado
Não se quer ver de fato
Que pobreza não está na alma

Bordel

Em um chorinho cantei-te amores verdadeiros
Sonhei um lindo amor de folia
Naquele timbre calmo e largo sorriso

Olhei para teus olhos lacrimejantes
Duas amêndoas panhadas no céu
Fiz mil coisas para encontrar estas rimas tortas
Para te confessar o meu doce desejo

Neste samba bem bolado de um mineiro
Rogo aos deuses o bem amado
Venha comigo nesta dança do requebrado
O som alto e muito ziriguidum

Vou fazer você ficar louco
Com o meu gingado te colocar no coração
Não adianta desviar o olhar, eu sou o que sou

Esqueça daquilo que já tiveste
Porque eu sou bom no que faço
Sabe aquele Bordel que fiz da tua vida
Vamos dançar num só compasso

Geração X

A geração X acredita em um sonho como Peter Pan
Não veem que as linhas de expressão são as marcas do tempo
Aquele que nos identifica com o que aprendemos

A vida é uma ficção para ser vivida na realidade
Perdemos tanto o tempo com brigas tolas
Com certezas tão infundadas e fragéis

A geração X olha para o que é velho
E despreza com tal zelo
Não percebem que na maturidade
Pode-se encontrar muito bom senso

A velhice não tem nada de decadente
Precisa ser exaltada com tal reverência
O corpo envelhece mas a alma é jovem
Não existe juventude se não houver maturidade

Não dou o meu amor

Eu te sigo pelas ruas descalçadas
Com aquele chão batido de pó
Crio um mundo imaginário
Ergo aquele castelo de terror

Pinto a cara com sombra e morte
Minhas música são sombrias
Testo a inteligência dos meus monstros
E como uma mãe os plenifico

Teus desejos são absolutamente meus
Comando o teu pensar e agir
Faço de você uma bola de futebol
Meto o pé quando chega o fim

Quero tudo aquilo que é meu
Te dou o meu sincero amor
Não se engane com tal atitude
Eu pareço o que não sou?

Um ponto final só termina quando determino
E minhas poesias nunca têm
Reveja o que te digo
Não amarei nada, nem música e nem ninguém

Prefiro o meu amor incondicional
Aquele que guardo só para mim
Evite olhar com os teus olhos de "dê o seu amor"
Porque sou Medusa, e pretrifíco tantas quanto sejam necessárias
A história me fez assim, não me dou e te dou

A menina de fita amarela (Parte 2)

Em um dia a menina de fita amarela, resolveu viajar para conhecer seu país que tanto amava, e descobriu que seu mundinho era apenas uma parte da vida. Descobriu dentro de si que o mar é seu grande companheiro de viagem. E como ela gosta do mar, daquele gosto de sal que impregna sua alma, deixando-a mais atenta. Caminhava pelas areias da praia, deserta por sinal, ela encontra um rapaz, olhares são trocados. Ela já não é aquela menina pequena, cresceu se tornou numa bela mulher, madura, com seu jeito todo especial de ser, mas que ainda guarda dentro de si aquela menina de fita amarela.
O rapaz se aproxima a convida para um passeio daqueles que só podem ser feitos nas estrelas, e cada areia se torna uma estrela em seus pés e de singela beleza eles de mãos dadas caminham, e veem seus reflexos naquela imensidão do oceano.
A lua já se encontra no topo, toda nova, toda bela, e os olhos de ambos se enchem de lágrimas. Daquelas lágrimas que escorrem em seus olhos no qual há um futuro promis…

Carnaval

Um dia em uma folia
O alerquim olhava para tua colombina
Aquele suor dos bailes de carnaval
Fizeram ambos amantes inesperados

Fantasia ao chão
Naquele ímpeto de verão
Suor e cheiro forte
Um prazer de poucos minutos

A folia continuava com os confetes
Riscando com serpentinas o salão
Fico só a observar
Em cores o carnaval é sempre mais preto e branco

Afogados e desonrados

A liberdade é uma conquista alicerciada
Daquelas faces de dupla interpretação
Ou se pensa ao contrário
Engana-se com aquilo de fato

Cada ser na tua imensa razão de existir
Faz do poder a intercessão do querer
Pode-se querer muitas coisas
Mas na ilusão do bem querer faço estar e acontecer

Na imensa razão da retórica
O povo inteiro quer aquela falsa troca
De palavras o mundo enfarta
Na eterna luz dos afogados e desonrados

Escolho ser finito como você

Somos seres finitos de cores nem sempre claras
A gente escolhe o caminho que quer percorrer
Deixo de ser sentimento e torno-me razão
Naquele instante finito um respiro

Quantos de nós não assumimos os nossos limites
Impondo-os aos outros que nada têm a ver
O mundo da morte sempre a espreita
Mesmo em corações com chagas abertas

Porque sempre que alguém morre
Principalmente um famoso, mesmo com a sua importância
Nos referenciamos com tal realeza
E esquecemos que são gente como qualquer um outro?

Pergunto-me porque precisamos enaltecer a morte
Naquela breve nota aguda e forte
De um tempo que não se pode voltar atrás
Fraca ilusão de nos manter conectados

Não, não somos uma família planetária
Como tantos gostam de afirmar
Talvez o fascínio e o desejo de guardar lembranças
Seja uma tentativa de proteger das dilacerações constantes

Escuto tua voz e não me emociono
Já perdi a sensibilidade de ver quem não se ama
Entregou-se a própria sorte, e buscou o leito de morte
Num fúnebre gesto de um ad…

De frente ao Santa Tereza

De frente para Santa Tereza encontro-me            
Vejo arranha-céus e árvores que quase ciliam a avenida
Os postes antigos ainda acesos            
É manhã de uma quinta-feira

O formigueiro as pressas, aquela revoada de gente
Corre corre de cidade grande assusta um pouco
Nada a temer porque no Viaduto as almas atravessam
Nem queira ver

Mudo das palavras mudo

A verborrágia imaginária da palavra
Aquela nota sem som poético
Na onamatópeia desvairada
A língua solta em retórica

Um canto mudo se desfez agora
Terra cobrindo poucas e infindáveis ideias
Na clara face em tecido e pedra
Bate a cabeça e solta a besta-fera

Toco as palavras com punho fechado
Fecho aquela porta de madeira e aço
O som não mais penetra
Mudificando a clareza e aquela onda reverbera

Coisas de criança

Fui ali comprar umas frutas
O sacolão da esquina têm várias
Quando pequeno roubava manga
Tinha aquele gosto de frio na barriga
A gente pulava o muro das ideias
Crescia na fantasia de um dia ter um pé de manga
Sabe daqueles bem frondosos
Então, as frutas não foram pagas
Ainda estão no chão
Bicho de manga é sempre o mesmo
Do melhor retira aquele doce jaz de um dia

Voe bem alto

Viva como se fosse o último dia
Ame como se não pudesse mais amar
Dance como se não tivesse mais pernas
A exaustão é o início do imaginário

Cante como se fosse ficar sem voz
Pule naquele trampolim encantado
Segure naquele raio de sol
A intenção de viver é o reflexo daqueles que amam

Imagine um mundo onde pudessemos crer em fantasias
Enchê-las de beleza e não transfigurar o feio
Naquela breve nota de uma flor
Sorriso de uma felicidade incomum

A gente nasceu para voar
Para criar os sonhos e encontrá-los onde tiverem
Toco o inanimável com as pontas dos meus neurônios
Voe bem alto, e como quero voar

Amanhecendo

Olho para o céu neste amanhecer
Um azul amarelado faz brotar de nuvens cor de prata
Você já se permitiu olhar para a vida que passa diante dos teu olhos?
Correr da moderna existência é um saco
Permito-me um pouco de contemplação
Pelo menos é um refrigérido na linha do tempo
Fulgáz período composto que são os amanheceres