quarta-feira, 28 de março de 2012

É o meu único vício

O sol daquela clara manhã ilumina o meu sorriso
Uma esperança surge de velhas ideias deixadas de lado
Sopro de uma existência ininterrupta

O calor da estrada em uma curva de alta velocidade
Saco o arsenal de notas musicais viciantes
Encontro-me viciado com aquele desejo de um som

Viciado em uma batida eletrônica que mexe com as minhas percepções
Toque mais alto, não ouço mais nada, vejo apenas sensações
O coração acelerado, apressado, batendo forte

Olho para aquele belo horizonte entremeado de uma grande paixão
A música é minha companhia para o hoje, brindo-a com aquele gosto de vício
Alucinante como um amor prestes a explodir

sexta-feira, 23 de março de 2012

Ouça-me

O teu som não me convence
O que adianta tanta doçura se nunca quis dizer nada
Perca a vida nas letras e deixe que elas expressem a tua dor

Não adianta criar o teu mundo encantado
Um gosto de mel que causa ânsia de vômito
Áspero como uma pedra-sabão
Esfole tuas ideias de um pequeno faz de conta

Amadurecemos quando tudo parece não existir
Sinto você fraca e sem substância
Aprofunde aquilo que tu queres dizer
As raízes da Caatinga não são rasas

Quando a tua música contiver seus desejos mais profundos
Avise-me que quero ouvir, um som límpido e agudo
Saiu das artérias e não da pele fina
Ouça-me você é capaz de ir além

Um casamento, uma aliança rompida não é o fim
Um câncer, uma depressão, uma tetraplegia não é o fim
É oportunidade de o novo recomeçar sem as velhas bengalas
As aparências são um espelho quebrado, somos alma além-mar

quinta-feira, 22 de março de 2012

A São Petersburgo

Criemos leis para oprimir?
Criemos leis para subjulgar?
Criemos leis para coisificar?

O Estado laico perdeu sua importância
Estamos a deriva da Mãe de Deus
Que em seu manto protetor nos cobre das nossas vergonhas

As minorias são as sadômitas do povo em conversão
Glória seja os Santos nomes em vão que o Rei proclama
Que a São Petersburgo ninguém seja exaltado

Criemos leis para proteger os desprotegidos
Criemos leis para amparar os irmãos sofridos
Criemos leis para coibir ações penosas a humanidade

No Estado laico democrático de direito
A coroa já caiu faz tempo
Mas insistem em ultrajar os direitos de alguns
Porque o medo de ver os próprios defeitos é maior e mais constrangedor

quarta-feira, 21 de março de 2012

Image

Crown of thorns
Blackheads
Lights blinding
Love in a knifepoint
A hint of sadness
Singing at a dancefloor

sábado, 17 de março de 2012

Som sinérgico

O meu sangue é feito de sons
Cada gota derramada é uma imperceptível sinfonia
Aos agudos a energia que balança
Os graves e melódicos a sobriedade do momento

Pare e escute o som do teu coração
Pode dizer muita coisa sem querer dizer nada
Escute aquela melodia refinada e doce
Ao solo de uma guitarra que corta como navalha

Um estampido quase sinérgico
Aquele gosto de ácido nas palavras ensaiadas
Um tanto pscicodélicas e reflexivas
Ouça-a como uma pílula do amor

Os teus poros soam como uma dança tribal
Martelando os músculos ora descontrolados
Não verás mais nada além de um sussuro rompante
Delírio e morte ao extâse da própria sorte

sexta-feira, 16 de março de 2012

Hiperativo

Correndo de um lado para o outro
Naquela pressa de ver as coisas em tempo fortuíto
O automatismo dos novos tempos nos fizeram cegos
Obscuro mundo chipado em linhas pré-determinadas

Ao lado da avenida uma multidão caminha
Com aquelas asas nos pés como Mercúrio em seu mito
Voamos diante de tanta informação fabricada

O tijolo feito com as palavras e colado com argamassa
Em ideias tão estereótipadas e de rápida e fácil absorção
Fulgidas as letras dos nossos pensamentos atravessam a correria dos nossos dias

Enfrentamos filas só para obter coisas digitais porque é moda
Aquele iPad de última geração nos mobiliza mais que as questões sociais
Digo isto, diante do marasmo que se encontra os nossos dias
Vamos ao shopping para fazer umas compras?

Não é necessário ir longe, procuremos nos nossos atos
Corremos atrás de um prejuízo existencial
Compremos palavras num supermercado
Ponha no carrinho e consuma, numa eterna infelicidade de apenas possuir

domingo, 11 de março de 2012

O meu relicário

Em uma cama estou e acordo de um sonho
Daqueles que nós não gostamos de sonhar
Olho para aquele longo corredor e vejo só paredes
E no fundo um piano, e alguém o toca-o

A música ao fundo parece penetrar em minha vaga alma
Um sentimento de propensa obcessão pela vida
Os dias parecem que chegaram a um breve fim como uma nota musical

Aquele relicário onde guardo o meu melhor
Mesmo diante de um desespero quase interior
Chega como uma clara visão da inconsciência dos meus atos

Agora naquela beira da praia, esquento meus pés
Água fria e gélida, tocam os meus dedos
A voz contraída e um sofrego gosto de marésia

Fico naquele lugar, um quarto escuro
Com livros pendurados e uma luz que cega em instantes
Os bonecos em minha cama conversam comigo
No rompante do largo quarto durmo em profundo leito

Confidência 3

Procuro um verbete para qualificar o que penso
Não o encontro em nenhum dicionário
Ao menos se existessem em minhas memórias
Mas infelizmente não há mais o que dizer

As histórias que conto nestes versos frágeis
São pura imaginação de quem encontrou uma maneira de se expressar
Com aquelas doces palavras e ácidas ideias
Corroem-se em pensamentos e sentidos existências

Grande é o meu prazer em escrever
Elas veem como uma descarga de adrenalina
Chegam aos dedos e parecem que nunca vão secar

Posso não ter aquele dom latente de por no papel pérolas
Afinal, sou um aprendiz da palavra
O que importa neste vida é deixar o tempo revelar seu tempo

Sou um poeta que não procuro versos perfeitos
Daqueles que as pessoas mal conseguem compreender
Minhas linhas são tênues e ora convencionais
Mas o meu amor pela palavra, não, não é

sábado, 10 de março de 2012

Brasileiro

O meu povo canta com o corpo
Com aquela alma alegre
Inventa a própria história
Cria o ritmo com aquela batida em um tambor

O meu povo faz festa mesmo sem poder
Dança em rodas giradas a tempos atrás
Movimentos arqueados de um tempo em paz
Faz de uma belo sorriso seu canto e oração

Em uma pista de dança

Eu te vê naquela pista de dança, com coragem de uma menina pequena
Com minha arma apontada para tua cabeça disparei-a
Você nem notou que na realidade acertei seu pobre coração
Fiz com um prazer quase doentio de tê-lo ao meu lado

Agora não adianta fugir das armadilhas que coloquei a tua volta
Sadomizando o teu ser, com aquele gesto profundo comprimindo o teu eu
Tu, pertence-me e mesmo que tentes fugir  as raízes já estão formadas
Aquela música ao fundo é minha melhor droga para te corromper

Cala-te enquanto podes, farei de você o que quiser
Mando e desmando no teu coração contrito
O meu gozo é o teu prazer contido

Olhe para a pista de dança?
Aquelas luzes não te dizem nada
Com minha arma em punho, faço um disparo certeiro
Naquele onírico fim teu orgão muscular é meu

sexta-feira, 9 de março de 2012

Desgraça

A felicidade não baterá em tua porta
Naquela face desnuda de uma paixão voraz
Ao som de um tiro escuto teu choro
Caíste ao chão naquele vale encatado
Não terás sossego com tal reverterio
Nestas poucas linhas um ponto sem fim

sábado, 3 de março de 2012

Confidência 2

Sensações estranhas tomam meu corpo
Emoções e sentimentos não são os mesmos
A cabeça quase reclinada encontra-se em pequenos lampejos
A face desfigurada em dores inconscientes

O tempo voa como um pássaro de fogo
Que em tudo arde, queima, sem deixar vestígios
O corpo treme, mudo estou, nada mais parece fazer sentido
Diante dessa situação o que é preciso entender?

O inconsciente parece querer tomar o consciente
Há uma briga interiorizada
Não sei quem irá vencer, nem sei se irá ter vencedores
O fato é que só se pode aguardar

Os instantes passam, passam como nunca haviam passado
Com o coração anestesiado não se sabe mais o que pensar
Os fatos serão consumados
O cinzel do escultor faz seus últimos entalhes

É doloroso ver-se neste estado
A cada estocada uma parte é arremessada
Mais dor que parece nunca mais acabar
Será que não haverá nenhum dia de tréguas?

A dor, dizem que só por ela amadurecemos
Mas como é difícil sustentar-se quando ela alcança os ápices da existência
Neste momento só há uma coisa a fazer
Oferecer a própria vida como um ato de amor

Festa de aniversário

Brindo este dia como uma lembrança do meu nascimento
Sai do ventre de minha mãe com dificuldade
Talvez porque fosse o medo de enfrentar a vida

Pode ser também apenas um erro médico
Já que o próprio mandou-a voltar para casa
Estando em nítido trabalho de parto

Reelembro hoje disso tudo porque é meu aniversário
Nascendo às uma hora e trinta minutos de uma madrugada
Renascendo para a vida a cada instante me encontro

Sou agora apenas um garoto com  alguns anos
Feliz aniversário com gosto de doce na boca
E desejoso de futuro próspero acontecer

quinta-feira, 1 de março de 2012

Refletindo

Encha o peito ao brado perfeito
Aquele gesto de propensa intenção de dizer não
Saia daquele discurso em tela e viva a tua história
Não deixe que mais inocentes suplantem ao chão

Na liberdade da razão
Um filme em preto e branco passa pela memória
Anos calados de pura introspecção
Não serão mais os mesmos devido ao fato de nem tudo é não

Se uma história aviltante não é capaz de trazer a tua missão
Pelo menos faça o que puder para que aquele ser seja lembrado
A homofobia não é um caso isolado e precisa ser questionada
Por aquele que sofre essa inquietante omissão

Aqueles que com trava nos olhos omitem-se deste fato
Não veem tua população as marcas da desolação
Bravo é aquele que luta pela tua identidade fincada
Eu sou apenas um poeta, que finca as imagens na eterna liberdade de expressão

Carregas essa chaga pela realidade mundo a fora
Em um instante de reflexão vejo uma clara ausência
O país onde vivo não é de todos, porque omite o socorro
Daquele mesmo povo que faz das palavras seu gesto de libertação