O meu relicário

Em uma cama estou e acordo de um sonho
Daqueles que nós não gostamos de sonhar
Olho para aquele longo corredor e vejo só paredes
E no fundo um piano, e alguém o toca-o

A música ao fundo parece penetrar em minha vaga alma
Um sentimento de propensa obcessão pela vida
Os dias parecem que chegaram a um breve fim como uma nota musical

Aquele relicário onde guardo o meu melhor
Mesmo diante de um desespero quase interior
Chega como uma clara visão da inconsciência dos meus atos

Agora naquela beira da praia, esquento meus pés
Água fria e gélida, tocam os meus dedos
A voz contraída e um sofrego gosto de marésia

Fico naquele lugar, um quarto escuro
Com livros pendurados e uma luz que cega em instantes
Os bonecos em minha cama conversam comigo
No rompante do largo quarto durmo em profundo leito

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