domingo, 29 de abril de 2012

Brote

A sete palmos encontras-te
Seu cadáver em putrefação
Raízes brotam de si
A vida renasce quando a semente morre
Brotar é uma fase da vida
Enquanto não se morre
Aquela bela árvore não poderá existir
As tuas folhas não alcançaram teu destino
Deixe que a semente morra

sábado, 28 de abril de 2012

Kanji

Tooku
Encaminhe para o próximo
Shita
Suba aquela montanha
Mijikai
Alargue o pensamento
Kanpai
Cuide de si

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Viva

O sol brilha em nossos corações
Aquece aquele instante de um amor
Falando de coisas tão banais
Lembre-se daquele sorriso estampado

Aquela canção que não tem fim
Elevando os nossos olhos para o poente
Momentos de um prazer doce e frágil
Entregue-se ao que a vida tem de bom

Não há escuridão que não possa ser iluminada
Bata suas asas e voe longe do seu coração
Alcance a imensidão de um luar
Toque as estrelas e seja feliz

terça-feira, 24 de abril de 2012

O estranho olhar

Olha pelo buraco da fechadura
Estranho
É um bicho de outro lugar
Estranho
Será algo de outro planeta
Estranho
Não o toque ele pode te morder
Estranho
Encosta nele vai
Perdeu a graça, estranho

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Manet inspirado

Na paisagem bucólica de uma Paris inventada
O campestre tom esverdeado
Sentam-se a dama de pele alva
E teu amo com a cara deformada

Ela cobrindo tuas partes num gesto delicado
Ele na vontade de tê-la em seus braços
Toquem a trombeta do apocalípitico
E aquele anjo querubim eriçado

sábado, 21 de abril de 2012

Labirinto

Entrou em um labirinto com relvas cortadas
Os monstros ainda o perseguem
Caiu em um precipício e encontraste Fauno
A bela criatura revestida de noite


Adentrou em lugares não visitados
Pisa em solo firme e rochoso
Fauno dá uma fruta e ele a come
Em um sonho profundo penetrou


Mergulhado em pensamentos
Arrastando uma multidão
Não esta só, agora cria histórias poéticas
Momentos de alegria interior

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Balada

Na balada do azul solar
Raios atravessam o poente
Luzes do luar a beira mar

Balada inacaba
A menina rodando gira a saia
Cada giro mais luz é atirada ao azul celeste
Um pássaro surge

Em um instante o pássaro torna-se luz
A energia aquece o corpo e enamorar-se
Os braços estendidos, joelhos ao chão

Asas levantam vôo
Em um azul estrelar vê-se de tudo
Olha-se para baixo
As pessoas andam calmamente pela rua

No quintal uma balada
O povo dança
Em uma balada acabada

terça-feira, 17 de abril de 2012

A vida se repete

Não sei cantar outra coisa se não o amor
Aquele jocoso sentimento que enriquece o mundo
Torna-nos tão próximos e distantes

Ao falar dos amores sonhados tão teus
Parece uma tristeza em cada gota de desejo
Ininterrupta sensação de um conto belo

O amor cantado tantas vezes exaltado
Não é uma página dobrada e guardada no bolso
Nem funciona como um pensamento abstrato

Tantas vezes já repeti, me dilui
Naqueles versos tão presentes ao lado teu
Com aquela vida que se repete

Curtas

Curtas X

Não, não o sigo
Sim o caminho

Curtas XI

Não vendo a alma
Como peça de troca
E nem vendo amor
Como bijuteria barata
Dou em troca amor e alma


Curtas XII

O relógio fez cuco-cuco
Era o chá das três
Em um bule francês
Faço o fino
Torradinhas e pasta de atum

Bonsai da Pampulha

Aterrem, aterrem a Pampulha!
Não, podemos! Aonde irão as capivaras.
Suspendam, suspendam a Pampulha!
Sim, podemos! Em cima de um bonsai.

Trancado

O baú se fechou
A nudez desfeita
Cobriu-se em prosa
Aceita um copo de coca-cola
Uma biribinha vai bem agora

sábado, 14 de abril de 2012

Chamas

Encontrei-te em lugares nunca antes aventurados
Naquela escuridão que caminhava
E você foi luz para meus dias
Quando nos encontramos
Somos como chamas
Que se queimam até que um dia
O dia que não sei
Seremos só luz

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sorrio para você

Um largo sorriso move montanhas
Destrói as auguras do empobrecimento
Naquela alma cheia de coisas tão vazias
É melhor que nunca haja preenchimento
Não são necessárias lutas gloriosas
Aquele arregaçar os caninos
Já não temos tempo a perder
Preciso ter consciência disso
Aos xingamentos ouvem os bastardos
Caminho agora de mãos dadas com minha gente
Somos finitos não levamos nada deste lugar
Apenas o bem a quem seja

quinta-feira, 12 de abril de 2012

As lavadeiras

A lavadeira na beira do rio bate a roupa
Soca, sacoleja, rebola as cadeiras
Num movimento arqueado entre o socar e o limpa
Cantam ladainhas, musicando a própria vida

Cantos antigos, cantigas de roda
A voz melodiosa em tons agudos que atravessam o céu
Riscam de esperança e força
Na pedra batida a roupa tom de terra fica azul como o rio a frente

As lavadeiras, todas, em um único tom
Cantam uma única nota arrastando toda uma cultura
No alto do rio aquelas pessoas se sentem felizes
Cantam para agradecer a vida

Olham para frente e veem um rio de melodias
Ritmos, gingados ao balanço das ondas feitas pelos raios de vento
Cada uma delas têm histórias que estão entrelaçadas como roupas socadas
Socando é que se entende a alegria de ver a vida por ângulos diferentes

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Poesia do encantado

Aquela borboleta azul com asas abertas
Em uma laranja cortada em fatias
Uma banana seca arrematando a iguaria
Um cheiro perfumado abre teu dia

Degusto cada prazer com aquele laranja
Sobressalta aos olhos
A delicadeza de contranstes
Ora vivo, ora inanimado

Os olhos são nossos guias
Basta preenchê-los com o que há de belo
Forma inequívoca de uma beleza
A bela forma de enriquecer os dias com cores e sabores

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Peixes e Capricórnio

Naquele que ascende como cabra
Mergulhado em profundos sentimentos coletivos
Procura invariavelmente a retidão da pisada
Em pensamentos sóbrios e sombrios

Aprofundando em um rio escaldado
De águas claras e controvertidas
Aflora-se como mina em rocha cortada
Tem um ligeiro senso de esquivo

Água e Terra, em Capricórnio e Peixes se espelha
Naquela sombra em um repousante riacho
Com uma Lua em virgem e Saturno capricorniano
Não há como fugir dos embaraçosos enganos




domingo, 8 de abril de 2012

Cheiro de gente

Ando pelas ruas da minha cidade
Olhando nos olhos dos transeuntes
Faces de todos os jeitos, cores, e amores

Ando pelas ruas da minha cidade
Toco o encantado
Aquele sorriso que emana
Resplandece em cada ser

Ando pelas ruas da minha cidade
Sinto o cheiro da minha gente
Pulsa em cada parte
Como em um balé de pontas

Ando pelas ruas da minha cidade
Vejo você e eu
Somos uma reconstrução de nós mesmos

sábado, 7 de abril de 2012

A escada

Subo aquela escada de arame retorcido
Tento entrar no meu inconsciente intempestivo
Os degraus são de um ângulo quase obtuso
Enquadram-se num precipício alusivo

Chegando ao final não vejo absolutamente nada
Aquela parede não me deixa transpassar
Pulo para o alto que em tudo permeia
E acabo caindo em outro lugar

Aquele sonho onde Dalí em relógio aparece
As horas parecem rodar como uma confusa ciranda de rodas
Quadrados de todas as cores giram sem parar
Engulo iguarias todas enfeitadas

Meus Deus, que confusão!
Em meu sonho Dalínesco
As figuras não têm significação
Sou um louco que vê fotos e as toca com a imaginação

A morte do poeta

Todo poeta morre quando finda-se as palavras
Seu agonizante grito emuda-se diante delas
Temos a alma repleta de sentimentos
Vagamos por caminhos que outros não entendem

Seres de profunda imaginação
Caminham por abismos existênciais
Chegam a pontos de equilíbrio
O poeta morre mas tuas ideias são eternas

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O amor entre duas pontas

Não tenho culpa se eu amo um igual
Daqueles amores tão bons de se sentir
Gosto de doce na boca que enobrece o ser
Já sentiu algo assim uma vez na vida?

É difícil para quem não está em pele
O calor que você sente pelo diferente, sinto pelo igual
Amor que invade a alma e te joga no chão
Te faz criar asas e ir com pensamento além da paixão

Já sentiu aquele frio pela pessoa amada
Aquela vontade de querer ficar para sempre
Estreitar os laços de tal forma
Que até as leis digam amém

Não tenho culpa se amo um igual
Que os homens de bem não vejam com maus olhos
Duas pessoas iguais que se amam
Em uma ponte de desejos onde o amor reina

terça-feira, 3 de abril de 2012

Como nota musical

Não tenho o dom para escrever música
Talvez por isso procure tanto me inspirar em ritmos
Aquele tom melódico de linhas em construção
As palavras veem rápido surgem na ponta dos dedos

Raramente escrevo em papel, ponho-as na tela do computador
Elas nascem espontâneamente, sem tanto forçar os músculos
Escuto a melodia da música e em tons escrevo
Ora fortes e vigorosos, ora frios e debochados

A minha escrita é a minha alma plasmada em letras
A música é o sangue que corre por veias e capilares
Nutrem instantes de uma breve e rápida vida

Sou uma nota musical, um Fá sustenido
Aquelas notas medianas que completam uma partitura
Um simples e marcante som

domingo, 1 de abril de 2012

Canto das flores


Teu perfume deixa um cheiro bom no ar
Alimenta o meu vício de te querer perto de mim
Sinto tuas breves curvas naquele penhasco ao mar
Leve como aquela andorinha que só quer voar

Cântico de notas que inundam meu ser
Faz querer o meu amor por você
Fale das breves histórias de um amor
O coração em rios sempre quando te escuto

Linhas de um amor puro e bom
É um refrigerido no mundo tão absorto e cru
A vida em uma cama nos protege dos percaussos
Naquelas frases soltas te amo sempre mais