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Mostrando postagens de Dezembro, 2012

Avesso

Sou o excesso do meu avesso Aquele destempero de razões Cuja felicidade parece nunca abarca
O avesso é uma camuflagem Escondida como pérola Reluzente de pedra Transparente como água filtrada
Sou avesso do meu avesso Pairando em córrego translúcido Metamorfoseado de contos de fadas
As asas que tenho nos pés Catapultam para o oriente Laranja cor quente Arrepio que congela e acalma
Sou feito de avesso Navalha na carne solta O avesso do meu avesso eu

Verso moço

Não escrevi nada que valesse a pena ser publicado
Minha escrita tem um quê de infantil
Voltada pra dentro, umbilical
Há em mim uma pressa moça como diria Cora
Não me sinto a vontade de publicar
Escrever um livro, só por deleite
Prefiro continuar a fazer meus versos descolados do tempo
Organizados na minha desorganização
Frutos de ideias e pensamentos soltos

Percorrendo

Antes te procurei por caminhos de girassóis, naquela eterna soledade de um alvorecer. Revirei pedras de um azul celeste, na breve honra de tê-lo como mulher. A tua mão valseia pela minha nuca, toca-me, arranha e assanha... Uma mulher de carne e osso pra sempre serei.

Espera

Minha vida se tornou uma espera
Parece que tem coisas que acontecem devagar
Lentas, arrastadas, pesadas como correntes
Um mínimo de esforço e tudo parece pesado
Carrego meu mundo nas costas
Quase em posição quadrúpede
Extensão nos olhares e uma ponta de imaginação
Só ela me tira do marasmo hoje em dia.

Minguante

Estou numa fase minguante
Sem ideias pra compor
As mesmas palavras se repetindo
Se fosse doceiro meu doce seria insonso
Aguado diria
Acho que é fase de lua
Vou esperar ficar cheio
Redondo, abaulado
Como aquele doce em tacho
Bem temperado
Com raspas de canela.

O lustre e a morte

A luz e o calor da lâmpada atrai a abelha
Ela gira desesperadamente
Contorcida de dor e sofrimento
Observo tudo de olhos atentos
Não perco nenhum movimento
A morte chega aos poucos
Não sinto dó e nem pena

Sonho

De alto de um morro
Avisto um mar azulado
Pulo panelas de pressão
Escalo  a parede de um hotel

Andarilho nas palavras
Encontro letras no meu sonho
Ideias alucinadas
E um poema subconsciente