sábado, 28 de dezembro de 2013

Mensagem de fim de ano

Escrevo poesia tem uns 8 anos, o blog tem 5 anos. Muito do que escrevo são reflexões de fatos do cotidiano, outras vezes inspirações que vem das músicas que escuto. Além dos autores que sempre cito no blog como Carlos Drummond de Andrade, Cora Coralina e Adélia Prato, tem uma cantora que de alguma certa forma influência muito minha escrita. Para alguns pode parecer que sempre quando cito-a quero me promover as suas custas, mas não é assim. Tem pessoas que nos motivam pelo jeito que trabalham, pelo jeito que pensam, é como se as ideias de um fundissem com as ideias do outro, e muitos sabem da minha paixão por Madonna, por aquilo que ela é. Não tenho medo de dizer que ela de uma certa maneira me influência principalmente depois de 2012. Por que estou escrevendo sobre estas coisas, é pra agradecer a todos que passaram pela minha vida e que de alguma maneira me influenciaram a expressar o que penso. Que esta pequena comunhão chegue até ela, e que algum dia ela veja isso. Tem outras pessoas que tenho que agradecer, meu namorado, por estar sempre comigo em cada viagem interior que faço, por ser tão prestativo e um verdadeiro companheiro de viagem. O meu agradecimento a minha família pela força que me dá, em especial minha irmã Irley por toda forma de apoio. Sou grato, gratidão é uma palavra que sempre me põe com os pés no chão. Próximo passo pra os próximos anos fazer o curso de Filosofia e/ou Letras, está no meu caderno de intenções não só pra 2014, mas para os próximos anos.
 
Desejo a todos um ano repleto de reflexões, boas escolhas e que a Luz que habita dentro de nós reverbere em todos os corações.
 
Feliz 2014!!! Volto a escrever só no próximo ano.

Assim

Te criei por entre folhas
De um jasmim encantado
Cruzes formadas com seu nome
Enfeitam meu teto

Pai, não sou aquele garoto
Que tudo ouvia e calava
Pressentia e mantia calado
Prestes a explosão

Te criei numa selva de pedras
Busquei notas fictícias
De uma amizade que pouco valeu
Somos e seremos opostos

Confrontados pelo tempo
Carreados pela força dos ventos
Minha póetica é etérea
Fina como bruma de um amanhã

Oliwer

Um lindo transhomem
Oliwer com coragem se fez
Consciente de suas batalhas
Vencerás todas uma de cada vez

Com a maturidade invejável
De alguém que passa por transformações
O teu corpo pode ser até cobiçado
Mas é na alma que se encontra o verdadeiro valor

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

II

Não sei onde está a paz que me consola
Do toque marginal dos teus lábios
Duas rolas entremeadas de paixão
No coito obsceno
Falaste ao meu ouvido coisas delirantes

I

Andei por caminhos pra te encontrar
No céu de pontos luminosos
Vejo seu sorriso junto ao meu
Em uma condição orgástica
Vozes e volumes penetrando a alma

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Pássaros do paraíso

Sobrevoam aos quatro ventos
Seres celestiais com suas plumas
Vestes de quatro cores
Fantasia de uma vida real
Subvertendo o paraíso
Não sou um pecador
Não sou um lindo assassino
Minha álula vem de pensamentos caóticos
Se misturam e formam pássaros do paraíso

Naufrágio

Aquela distância entre nós
Num submerso amor
Em uma noite parisiense
Os secretos desejos mascarados
Você é importante, baby
Venha me conquistar com teus lábios
Aquele fogo que consome
Em um caudaloso rio de emoções
Naufraguei entre seus braços
Fiz loucuras que só poderiam ser de amor
Um amor obstinado
Por ti, por ti
Vem e me consuma como uma vodka
Embalada para o alto mar
Stromboli, Stromboli
Nosso amor é uma Stromboli

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Abismo

De encontro com o abismo
Um vento que toca a pele
A morte do próprio orgulho
Com asas em uma aquarela

Abismando em reflexos
O cair instaura a paz
Blocos de pedra em água cristalina
Como artista hão de ficar

domingo, 22 de dezembro de 2013

10 livros que recomendo

1. Felicidade Clandestina de Clarice Lispector
2. A filosofia perene de Aldous Huxley
3. O Universo, Os Deuses e Os Homens de Jean-Pierre Vernant
4. Rosa do povo de Carlos Drummond de Andrade
5. Oráculos de maio de Adélia Prado
6. Vintém de Cobre - Meias confissões de Aninha de Cora Coralina
7. 26 Poetas hoje de Heloísa Buarque de Hollanda (referência da poesia marginal)
8. Viagem solitária de João W. Nery
9. O encontro marcado de Fernando Sabino
10. O grito de Chiara Lubich (pra quem gosta de espiritualidade cristã)

P.s: Não escolhi porque são os melhores, mas sim, porque me dizem algo de profundo.




sábado, 21 de dezembro de 2013

Profetizar

As pessoas querem coisas irreais
Onde não se pode tocar
A realidade está aí
Basta olhar pra fora de nós mesmos

Querem profecias
Coisas mágicas
A ilusão de se iludir
Basta olhar pra fora de si mesmo

Experiência

Não posso me referenciar como católico.Apesar da minha formação humana e religiosa estar embuinda de catolicismo. Sou um cristão com raízes bem definidas.Tenho dentro de mim um sentido de mudança, pequenas, mas constantes. Ontem vi que um motorista de táxi que estava dentro do seu carro e queria jogar fora uma garrafa de plástico na lixeira. Não pensei duas vezes, vi que estava com dificuldades e perguntei se precisava de ajuda, ele me disse sim, e aí o ajudei. Penso nestes pequenos gestos que podem ser feitos, tão simples, mas autênticos. E se tenho dentro de mim essa vontade, muito devo a minha formação humana que recebi nos meus anos de adolescência. E que agora estão mais maduras e ao estudo das leituras da kabbalah. Não sou um cabalista, não estudei o Zohar ainda, mas estou em vias de buscar este conhecimento.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Complexos entre livros

Eu nunca li Madame de Bovary. Muitos clássicos também não li. Há uma certa discriminação literária quando você se assume leitor das chamadas "autoajudas". Pra mim todo livro tem um caráter educativo e se isso é ser autoajuda então nada a temer. As pessoas perdem muito tempo recriminando as outras por aquilo que elas gostam de ler, já vi comentários maldosos com relação as obras do Paulo Coelho e nem me importo de dizer que já li três livros dele e não me sinto nem um pouco diminuido por isso. Se a cultura de um autor te enriquece é porque valeu a pena lê-lo. Há um certo ranço intelectual em alguns que se julgam muito cultos devido as coisas que leem. É mais fino falar que leu determinado autor do que outro, ao invés de pensar, o que eu aprendi com aquele autor? A gente sempre pode aprender um pouco mais, mesmo em literatura de "autoajuda". Estimular o pensamento positivo das pessoas, imbuir nelas o desejo de querer melhorar, levá-las a pensar nos próprios comportamentos são traços de um autor consonante com o nosso tempo. Há quem não goste, como há quem não goste de muitas outras coisas. E assim, se ergue um muro. Proponho a derrubada de muros, de conceitos, de ideias. Não gostar de algo, não precisa ser impecílio pra agrupar novas formas de se fazer as coisas, ou de tentar fazê-las de modo diferente. Na minha estante cabe vários livros, eles dialogam entre si numa boa, não precisam sofrer de complexos de inferioridade, todos tem a mesma importância educativa. Agora sobre importância literária, essa eles dão de ombros, porque eles são mais eles.


Romance

A chuva no para-brisa
Aquele movimento de ida e volta
A água escorrendo
Sendo levada
O beijo na imensidão do toque
Apenas água.

Sóbrio

Um copo de conhaque
Uma taça de cosmopolitan
A cerveja bem gelada
E sobriedade de tempos passados
Sóbrio

sábado, 14 de dezembro de 2013

Twitter

Estou no twitter, lá posto ideias, pensamentos e coisas que faço se quiser me seguir seja bem vindo. @evanmarcal

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A rotina

Ele cheira a fragrância Monsenhor de Gaultier
Com notas encorpadas e distintas
Percorre os corredores
Aquela pressa constante
Pega metro e ônibus
Um jeito meio desleixado de ser
Displicente
Calça larga que evidência seu excesso de peso
Uma camisa clara, tom pastel
Chega ao trabalho todas as tardes
Senta no computador e olha os e-mails
Uma rotina quase insuportável
Nunca foi afeito as rotinas
Agora na fase adulta tem que se adequar
É teu ganha pão, seu sustento
Mergulhado encontra-se

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Casarão orfanato

Ele era órfão naquele casarão velho
Ruínas de uma história de vida
Corria pelos campos apressadamente
Vivia de pegar goiaba nos pés
O banho era uma imposição
A oração um ofício
Vejo o silêncio da refeição
E na parede uma frase
Sou o pão da vida quem me come será saciado
Procuro histórias verídicas
Se um dia encontrar
Deixariam de ser apenas poesia
Prosa livre a desenrolar

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Minha primeira publicação

Faz alguns meses publiquei uma poesia numa antologia poética "O Segredo da Crisálida - Volume III", começando a aventurar pelo mundo das palavras, agora de maneira um pouco mais profissional.

Segue o site pra compra da antologia. A compra da antologia pode ser feita diretamente na Editora Andross http://www.andross.com.br/



sábado, 7 de dezembro de 2013

Uma pequena experiência

Conheci uma garotinha de 8 ou 9 anos de idade na escola que trabalho e seu sonho é montar uma biblioteca. Vendo-a falar com entusiasmo deste sonho fiquei sensibilizado e prometi que daria um livro pra ela. Neste semana fui comprar o livro, não tinha nada na cabeça. Que livro dar pra uma criança? Veio logo depois o nome da autora Ana Maria Machado muito conhecida do público infanto-juvenil. Fui pesquisar e encontrando e por sinal comprando o livro Doroteia, A centopeia. Depois do trabalho fui até a casa da garota cujo endereço é na frente do ponto de ônibus no Olaria. Bati a campanhia e entreguei-o, vi nos olhos dela uma grande gratidão, olhos de menina quando está feliz. E pra falar a verdade fiquei tão feliz de vê-la feliz que até fiquei emocionado, não chorei na frente dela, mas as lágrimas escorreram quando estava no ônibus a caminho de casa. Sempre que posso tento fazer uma experiência, não pra ser bom, mas pra dar um pouco de felicidade a alguém. Acho que ao divulgar essa minha iniciativa contribuo também pra estimular as pessoas, a pensar e agir pelas outras, porque eu quero e vou viver num mundo melhor, prometi a mim mesmo.

P.S: Ontem fiquei sabendo que o pai da garota está preso. A vida dessa garota não deve ser nada fácil, mais um motivo pra incentivar o sonho dela de montar uma biblioteca.
 
Vista da quadra ao fundo
 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Livres


Ao amor que tudo liberta
Vivenciado no dia a dia
Modifica a consciência
Tornando-nos mais puros e sensíveis

Naquele desenrolar de um novelo de lã
Puxa uma ponta, desfaz
Cria novas possibilidades
E a história se refaz

A liberdade
Artigo mais cobiçado do mundo
Acontecerá quando vivermos
Em uma fraternidade universal que tudo alcança.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Céu metafísico

Aquelas luzes trazem um frescor
de uma tarde de verão
Transparecem em meio a nuvens
cor de um cinza chumbo
Formam buracos de velas apagadas
Num tom que traz uma sabedoria tranquila
O sol entre linhas do tempo
Deixando marcas no espaço
Sem precisão de cirurgias cósmicas
ou coisas metafísicas.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Poesia marginal

Purificaram a poesia?
Tornando-a pudica
Comportada
Uma Senhora recatada

Decoro nas estrofes
Nunca foi o mote
Palavras que se corrompem
Num estado de graça celeste


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Cospe bala

O policial de dentro do carro atira
Não pergunta
Trata o rapaz como inimigo
A vítima faz uma breve pergunta que ecoa
Por que você atirou em mim?
E a resposta não vem
Armas não falam
Apenas cospem tragédias

sábado, 9 de novembro de 2013

Nós

Minha face vermelha púrpura
Uma boca pintada
E um desejo ardente de gritar
Céu anuviado
Toco seus lábios
E como encantados nos tornamos
Em cetim áureo

terça-feira, 29 de outubro de 2013

A faca e o aluno

Com uma faca na mochila
O ódio no pensamento
Diálogos que se perdem
É tão mais fácil deixar-se explodir do que se conter e parar
E ver outra solução
É o extremo mas isso acontece
E aconteceu na escola
Um aluno querendo matar o outro
Motivos? Que motivos?
Existe motivo pra isso?
É difícil eu sei e todos sabemos
Mas é no diálogo que crescemos
Na troca de entendimentos
Quando não der
O melhor é calar não os sentimentos
Mas sim as vontades
Às vezes você quer reagir
De impulso, reativo
Para, dá um tempo
Pensa!
Os nossos sentimentos negativos nos cegam
Nos privam de melhorar
Aquele sentimento menor
Transforme em arte
E provoque em si uma revolução

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

As Marias

Minha casa tem muitas Marias
Cada uma com sua cor
Com vertentes de fé particulares
Umas mais religiosas outras nem tanto
Mãe é a mais religiosa
Daquelas de debulhar o terço
Talvez por isso tenha uma necessidade quase orgânica de sagrado
Em tudo que faço, minhas ideias são impregnadas dele
Chega às vezes ser sufocante
Muda o disco diria alguns
Mas quando se tem referências tão fortes
Não há como fugir
O melhor a fazer é tirar proveito



terça-feira, 22 de outubro de 2013

Inovação

Você quer inovar?
Por que se busca desesperadamente algo novo?
Estamos insaciáveis por aquilo que faz brilhar os olhos
Buscamos o brilho do lado externo
Sejamos inovadores
O castelo interior no mundo de hoje é menos interessante?
Então é de lá que virá a inovação.

Inovação é um processo lento
É experimentativo, é autoexperimentativo
Vem de reflexões constantemente confrontadas
Confronto e realizo
Realizo-me ao confrontar
Despido de grandes conceitos e fórmulas
Procuro meu lugar no mundo
 


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Luz

Cada palavra que é revelada
Sussurrada e intuida
Provoca uma alegria não etérea
Colocando-a sempre de igual para igual
Surge, então, movimentos
Ações que repousam no âmago da alma
Não é eu
Nem é ti
É uma outra coisa
Que coabita dentro
Desnivela e nivela
Chega as raízes da loucura
Um ideal que só os loucos atestam
Amar nas pequenas coisas
Estirpar pensamentos negativos
Assumir as próprias responsabilidades
E criar vínculos de afeto
Que a Luz dentro de mim
Ilumine a Luz dentro de ti

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O que a gente diz

Muitas vezes falo sem pensar
Não vejo os percalços das palavras
Atravessam quem eu gosto
Machucando-as e nem percebo
A língua no esmeril afiada
Espeta e arfa
E naquele exame de consciência
Vejo o que devo mudar

sábado, 17 de agosto de 2013

Amarildos

Um pai de família
Levado para qualquer lugar
Policiais que o interrogaram
Não sabemos onde estará
Pra família esta poesia é um nada
Na imensidão da dor ocupada
Estou longe
Na mesma imensidão do grito que não cala
Onde está o Amarildo?







terça-feira, 13 de agosto de 2013

Quero servir

Quero servir
Não importa quando e onde
Estar no mundo e ser útil
Com a força do trabalho
Na labuta do dia a dia
Mesmo que haja intempéries
Revezes
Ocasos
Ser o menor
Não para conquistar admiração
Lenir as dores dos semelhantes
No fundo deixar pouco de mim e muito Dele

 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Homem só

Uma espiritualidade solitária em que você encontra com os demais
Inspirado no transcendente levando a cada pessoa afeto e paz
Comece ao seu redor, principalmente com os que tu não amas
Porque ama-se aquilo que não agrada
É que o mundo precisa entender

domingo, 4 de agosto de 2013

Doce Vingança



Doce vingança é um filme violento e é  até redundante, mas a maior violência é aquela que não aparece. A vingança é a mais poderosa forma de violência, que quem a prática torna-se refém de um circulo vicioso de ódio, quanto mais ódio, mais terrível a vingança. Este filme causa náusea, repulsa e uma descoberta pessoal, a pena de morte nada mais é que uma forma de vingança, consentida pelo Estado quando em forma de lei. 











Não há coerção

Não há coerção
Ainda somos livres
Diga ao outro o que quiser
Mas as escolhas são pessoais
Não escolho ser como você
Não escolhas ser igual a mim
Isso é apenas uma constatação
No meio da massa
Espalhe recamos de luz
E o resto não se sabe o que irá acontecer

terça-feira, 30 de julho de 2013

Liberdade, palavra pra um novo tempo

Um dia me fizeram as seguintes perguntas:

O que liberdade significa para você? Você está disposto à lutar pelo que acredita?

Respondendo a essas perguntas. A responsabilidade de ser livre é de cada um, são nossas escolhas que nos tornam livres. Sempre penso, siga o seu coração, ele diz mais forte sobre você. Na maioria das vezes, há aquela "voz interna" que te diz, vai ajuda determinada pessoa, ou situação, você é livre para escutá-la ou não. E se lutaria por algo em que acredito, a resposta é bem simples, sim, porque é de ideais que vivo. Lembrando vive-se primeiro o que se acredita depois comunga-se as experiências para que vejam que seus atos não são da boca para fora.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Férias na escola

Crianças brincando em pula-pulas
Gritaria que não quer acabar
Felizes por breves momentos de férias
Vejo rostos alegres, numa felicidade contagiante
Enriquecem o dia que passa rápido
Estando triste, olhe para um sorriso
Um largo movimentar da face
E os dentes expostos a claridade do sol
Crianças, contagiam qualquer dia
Energia é o que não falta
Penso nas crianças africanas
Despidas de muitos direitos
Mas principalmente de afeto
E olho para as crianças do Olaria
São simples e preenchidas de amor.

sábado, 20 de julho de 2013

Seu coruja

Da série pra crianças




Olhos atentos sempre a espreita
Observando tudo ao seu redor
Pareço uma coruja, às vezes
Com uma nítida sensação
Percebo intenções e desejos
Ave de rapina
Sou


quinta-feira, 18 de julho de 2013

Ferida

Não sei porque tanta obsessão
A areia ainda esta na ostra
Machuca um pouco, mas aguenta
Suporta o incomodo
Transfigure-o
Muda pouco o que se faz



terça-feira, 16 de julho de 2013

Rezo

Cansado dos mesmos olhares
Infinitos semblantes de desprezo
O moribundo sentindo dor
Vejo pelo vidro do ônibus 1950
Apenas uma boa oração
Nada, nada mesmo dá para fazer


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Frases pessoais

"Desagua dentro de mim saudades do tempo em que a palavra se tornava viva"

"Ser tua palavra viva."

"O Sol que absorve e cicatriza muitas chagas."

"Eu sempre tive determinadas convicções, elas nunca esmoreceram."

quarta-feira, 10 de julho de 2013

No transporte público

As pessoas cansadas de um dia de trabalho
Abarrotadas em conservas
O som ao meu lado não me incomoda, parece um rap
E mais gente entra
A possibilidade de sentar é remota
De tanto balançar, enjoa
As mesmas cenas todos os dias
O mesmo trajeto
O mesmo do mesmo
E os questionamentos continuam
Até quando seremos carregados como porcos?


domingo, 7 de julho de 2013

Frase pra quem quer ouvir

"To change the way how people think, takes time. If you do what you do with an open heart, there is nothing to fear about criticism." Arquimedes Diniz

Revolução

Toque a humanidade
na sua beleza conquistada
nas suas dores reveladas
enxugue lágrimas
e revele seu amor

Cure as chagas da sociedade
com gestos e mangas arregaçadas
faça a sua parte
independente do que pense os outros

Não é pra revelar luz que amamos
é pra lenir sofrimentos
resgatar a beleza de olhares
inundar a vida com novas cores

E se houver luz pra ser revelada
que seja pra melhorar a humanidade
torná-la sujeito da própria história

Eu, acredito que a educação
caminho a ser percorrido
seja fonte de inspiração
pra grande revolução
que é amar o próximo





sábado, 29 de junho de 2013

Casta humanidade perdida

Sento em uma calçada, com os pés descalços, sujos e roupas em trapos. Delício um caldo de feijão que encontrei em uma lata de lixo e pães que um morador em sua atitude humana havia entregado-me. Restos do caldo caem no chão, com a fome que bate no peito, passo um naco de pão naqueles restos. A fome ainda não saciada, percorro lixeiras próximas, matar o desejo da não existência digna, e se fartar de partículas daquilo que seria minha humanidade. E essas cenas se repetem, passamos por elas todos os dias, nem damos a devida atenção, ou por medo, desprezo, ou insensibilidade mesmo. É comum, é banal, mas não me canso de pensar não é humano. Ou se é humano, perdi minha casta humanidade.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Contador de horas

O tempo foge
Entre diários e papéis
O tempo urge
Como menestrel de linhas encantadas
Nada passa ao seu lado
Ao meu lado
Fulgurante e delirante
Contar de horas

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Trans

Sou homem
Ou sou mulher
Somos desejos
Gêneros que se movem
Bailam no inconsciente
Expressão da individualidade
Que é vivida quando aberto ao outro

sábado, 22 de junho de 2013

Sol e Lua

Meu corpo em fragmentos encontraste
Aquela dor no peito bate
Tantos sonhos com você

Meu beijo em teus lábios tocaste
Naquele anseio vibraste
Derrama em todo o meu ser

Te quis na minha cama sempre
Com aquele olhar que se senti
Duas histórias que nunca vou esquecer

Quando dois corpos que se querem
Roubaste
Num leito de morte
Ficaste
Duas almas ao entadecer

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Mais protestos

Não há revoluções
Tudo é mentira
Os mesmos modos e os mesmos gestos
As mesmas bandeiras astiadas
Quando um pouco de mim muda
Um pouco do mundo sente
Se nada dá pra fazer dentro de si
Nada no mundo mudará
E quem quer mudar as coisas fora
Neste espaço conturbado
Pouco muda o mundo
Políticos não querem mudanças
Partidos políticos querem poder
Não se iluda meu caro manifestante
Teu grito corrupiado
É isso que eles querem ter

domingo, 16 de junho de 2013

No ambiente de uma escola

Do alto da escola
Vejo ao longe a serra
Linda imagem em um céu azul
Manhã clara e limpa
Ornada por casas pobres e castas
A violência inserida como ferida
Para todo lugar se espalha
Os pais que trabalham todo dia
Deixam teus filhos na escola integral
O ambiente é agitado como em qualquer escola
Gritos de algazarra e felicidade
Espalham-se por todos os lados
Há guardas no recreio
Tentam manter a ordem
Mas com crianças em plena idade
A desordem é a forma de inspirar a criatividade
Volto ao ambiente escolar, não como professor
Acabo relembrando dos tempos de sala de aula
Educar é viver
E tudo tem sentido se a educação transformar a realidade

sábado, 15 de junho de 2013

Protestos

Passeatas nas ruas
Gritos de ordem
Há liberdade pra protestar onde se quer?
Neste país chamado Brasil
O governo é que quer controlar
A voz do povo adormecida

segunda-feira, 10 de junho de 2013

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Beijo ao semelhante

Cantar com um beijo escondido
Dizendo que se ama quem quer amar
O livro aberto da própria vida
Escancarado
Deixe voar
As pausas reflexivas que dão gosto da verdade
O frio que nada corta mais
Marejar os olhos esguios
Em um profundo ambiente de paz


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Quintal

O quintal é um lugar vivo
Onde bichos e plantas dividem o espaço
Pode haver caracóis e lesmas
Borboletas e louva-deuses
Lagartos que se esquentam ao sol
Pássaros no jambo vermelho
A noite corujas e morcegos
E eu aqui um simples observador

sábado, 1 de junho de 2013

Experiência

Um pedaço de bolo
O mendigo encontrado na rua
Não era pra ser dado a mãe
Mata-se uns minutos de fome
E o coração alegre se foi

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Declaração de um amor

Procurei por mim
Encontrei em ti
Naquela brincadeira de nós dois
Formamos um só
Misturados naquele beijo
Eu e tu
Sempre vejo




domingo, 19 de maio de 2013

Amor

O amor como redenção 
Que tira as dores que calam
Subvertem a revolução
Numa Paris acabada

Segregando amores aos guetos
Que visibilidade queres ver?
Toda manifestação é amor
Quando há respeito


sexta-feira, 17 de maio de 2013

Hoje, mais uma no jornal

Não podemos sair nas ruas
Os bandidos aos poucos conquistam os espaços
Fazem da sociedade refém da não liberdade

Menores que se formam na escola do crime
Aprendem desde de cedo a ter o ódio nos olhos
Aquela fome de dominar e o poder de ter a vida de outros nas mãos

A família perdeu seu ponto de equilíbrio
Aterrorizador momento em que vivemos
Obscuro semblante da morte ronda e avilta a todos

Trabalhadores além de serem roubados são mortos
Menores soltos e rebelados
E a impunidade reina no país que vivo

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Estrada

Uma nova estrada abre-se 
Em um caminho não deslumbrado
Nessa estrada só asfalto
Perifericamente encontro-me
Com o coração batendo acelerado
Não há como saber 
O que em Olaria irei encontrar
Que seja um ambiente de transformação pessoal.

domingo, 12 de maio de 2013

Retórica

Cada espada transpassada em meu peito
Um languido sorriso se abre
De verdades retóricas não me encho
Vivo de breve mocidade

sábado, 11 de maio de 2013

Eu ei de ser poeta


Eu sou a beleza de uma aurora boreal
Em um céu oculto abismando-se
Gerando infinitas fagulhas de uma luz clara
Nevoeiro que apascenta o ser

Crio imagens das mais belas
Como sinfonia de um eterno aprender
A palavra gera em mim certa ânsia
Inestimável razão pra se viver

Não julgues o meu caminhar póetico
De intenções primaveris
Recolho cada benção alcançada
E sempre ofereço a ti

terça-feira, 7 de maio de 2013

Escuridão

Há muito tempo não ouço as crianças brincarem
As praças desabitadas de cultura e lazer
Enchem-se de pedras, pó e fumaça

No trânsito o poder de quem corre
Passa depressa, o tempo morre
Abarrotamento de carros
Vias quase intransitáveis

O caos no contemporâneo
A arte vibra de sem nexos
Apenas pra chocar e ser ouvida

Quem me dera se conhecimento gera-se revolução
Num anseio de uma breve transformação
As mãos que balançam o berço da humanidade
São sofregas tentativas de toda desilusão

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Respiro

Enquanto a chuva molha o asfalto
Minhas lágrimas escorrem dentro de mim
Lavam momentos de uma intensa alegria
Você me pegou pelo braço
Andou comigo por breves descampados
Correu pairando as mãos sobre macelas
Cheiro de paz e de calor naquele sol
E o vento que bramia na face
Hoje sou música nos teus ouvidos
Aquele canto calado
De um eterno aprendiz
Que aprende com a natureza




quinta-feira, 2 de maio de 2013

Here inside

Saímos de calabouços
Ao vivermos em gaiolas prateadas
Os evangelhos que não sustentam nada
São linhas de uma forma de expressão

Seguimos descalços pelas estradas empoeiradas
Com vestes opacas pela sujidade
Daqueles querubins com suas harpas

Força e claridade de uma vida que resplandece
De um desejo quase inalcançável
E assim um breve será


terça-feira, 30 de abril de 2013

A amada

Minha amada
Procurei por caminhos de flores
Vestes brancas como pureza da alma
Aquele loiro cintilante
Ilumina o céu e as estrelas
Ô amada Senhora!
Não fujas do destino que nos persegue
Aquela nota aguda de desilusão
No findar dos tempos de outrora
Com uma flecha acertei seu coração.
 

Um adeus

Apressando os passos
Vira naquela esquina tenebrosa
O passeio coberto de mato
As mãos e os pés livres
Um buquê de gardênias
Avisto um bilhete:
Goodbye in between kisses

sábado, 20 de abril de 2013

Voar

E chegou a hora de voar
A notícia corre solta
Coração em medo brota
Hoje, voando pra fora de casa.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Folhas e tribos

Em uma tribo distante
As folhas são remédios ou venenos
Maceradas em uma cuia
O cheiro de erva impregnando as matas
Substâncias de alívio ou cura
Poderes sobrenaturais invocados
Em rituais de profundo simbolismo
Pataxós, Maxacali, Caxixó, Puri

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Figuras míticas

(da série pra crianças)

Aquele som em tempos de chuva
O barulho que causa receio
Tupã para os índios 
Como Iansã para os negros

A natureza toda decorada de deuses
De uma mística sabedoria
Encanto e beleza
Nos mitos afro e indígenas

Guaraci, o sol
Ilumina a aldeia
Jaci, a lua
Seu oposto 
Nas águas dos rios estampa sua beleza

Sumé regia a agricultura
Iara sedutora das águas
Anhangá eram os espíritos que a noite vagavam
Protegendo os animais de caçadas
Indígenas viviam com profundo respeito




sábado, 13 de abril de 2013

Orixá da terra

Obaluaiê
Senhor da Terra
Tuas feridas protegidas
Por palha-da-costa-aze
Iemanjá que cuidou das feridas e o criou
Debaixo daquela palha
Guarda os segredos da morte e do renascimento
Com um canto de guerra
Atotoó!!!
Omulú, Atotoó Obaluaiê, Atotoó

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Poesia marginal

Ode aos poetas marginais
Com suas poesias informais
Asseguradas pelos palavrões
Expressões de cunho amorais
E recusa pelo convencional

Representatividade

"As lutas mesmo sendo individuais em determinados momentos elas declinam pra coletividade, se não for assim, não é preciso nunca ter nenhum tipo de representatividade". Arquimedes Diniz



quinta-feira, 11 de abril de 2013

Homem de afetos

Os olhos enchem de lágrimas
Péssimo com conflitos
Prefiro sempre a paz

Há uma coisa dentro de mim
Que não contenta com a guerra
Se desfaz na hora certa
Em clima de uma eufórica mansidão

Os joelhos cansados
Prostrados diante de uma espada
Transpassasse o peito
E de utopias morreria

sábado, 6 de abril de 2013

Fato

Rosto umedecido de emoção
Uma cantora enaltecendo o amor
Bandeira hasteada
Positivando as ações
Momento de reflexão e luta

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Cinismo

Vamos tratar todos iguais?
Na igualdade absurda
Do normal ou incurável
Do louco ao bipolar
Que ninguém veja
Lutamos pelos padrões
Os desvios nos afligem
Catalogando tudo em caixas
Separando, e coisificando
Livrando-nos da ironia
Aquela que carcome os verbos
Das boas mentiras inventadas e espalhadas
Como verdades absolutas enaltecidas
Dos freios que te colocam na boca
Na beleza do desencontro
O cínico sempre aviva


Porvir

No andar da carruagem
Em mãos
Duas alianças
Vinculo de fé e afeto
Transluzente num sorriso
Entre mulheres que se amam
Enchem de orgulho
Amor sempre é preciso
Daniela e Malu
Num gesto singelo e bonito
Fizeram-me emocionar
Com a alegria do divino
De ser amor enquanto a vida deixar
Em um eterno vínculo
A alegria de hoje
Se transforme em bandeira
Que sejam felizes
No porvir da vida inteira




quarta-feira, 3 de abril de 2013

Terceiro Milênio, o Amor


Sós
Olhando a vastidão além-mar
Com o coração cheio de emoções
Não vemos quem está ao nosso lado
Perdemos a sorte de amar
Ame ao próximo disse o profeta
Continuamos absortos na paisagem
Olhando, olhando
Porque no amor se ama
Quando nada tem nosso
Um amor que sobrevive do divino de outrora
Mergulhado em raízes etéreas
Sós
Continuemos a olhar sós
E daquela vontade que inspira
Sairemos dos nós
Alcançaremos o outro lado
Neste silêncio em que o eu parece imperar
Juntos
A grande possibilidade se abre
Daquele sorriso de criança invade
Fulguras o verdadeiro amor
Ame
Os laços de uma humanidade em evolução
Em que as ações prosperam
Busquemos os olhares de afeto
E num abraço forte se alternam.

Vírus

Faço um caminho
Descrevo os passos
Finjo realces
Páginas seguras 
Encantamento pela bobagem
A maldade disfarçada
Em imagens e coisas belas
Intenções dúbias
Pergunto-me pra que?
Enquanto a vida passa lá fora
Corroem-se com um falso poder
Mimetizar a falsidade
Em histórias falsas
Eu não vou me a ter

terça-feira, 2 de abril de 2013

Choca-da-mata


(da série pra crianças)

O choca-da-mata agourento
De plumagem cinza lembra fêmea
Macho de cores pardas
Constrói um ninho que é um pequeno cesto
Na forquilha de um galho
Vivem em bandos e reúnem-se na floresta
Procuram presas entre arbustos
Perto do homem do campo
Nunca ouvi e vi
Retrato aqui como o descrevem
Fico curioso pra vê-los
Canta Thamnophilus caerulescenses
Lá nas matas de Dona Rosana

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Amanhecendo


Olho para o céu neste amanhecer
Um azul amarelado faz brotar de nuvens cor de prata 
Você já se permitiu olhar para a vida que passa diante dos teu olhos?
Correr da moderna existência é um saco 
Permito-me um pouco de contemplação 
Pelo menos é um refrigério na linha do tempo 
Fulgáz período composto que são os amanheceres

Cantiga

Queria falar de coisas boas
Nem tanto ao mar quanto a lua
Viver de brisas ao luar
Com cheiro de mato e orvalho

Fui buscar na via
Aquela láctea pra enfeitar
De verdades me encher
E flutuar de um gesto de alegria

Amar, amar, amar
Levantar o voo de uma felicidade contida
Alçar caminhos numa constelação

Sonhar, sonhar, sonhar
Falando de realidades existências
Com um grande gosto de te ver sambar

sábado, 30 de março de 2013

Canto do pássaro livre



Canto, outro dia eu encanto
Da magia de um esperar tanto
Faças da alegria uma vida
Em notas de humor que nostalgia

O caminhar reto decidido
Com peito aberto acredito
Falo de coragem que alimenta

A face de um simples branquear
O amor derramar
Neste chão que pisa uma nação
Que não vive de rumores e quer pão

Somos um estrelado no poente
Cada um reluz a própria sorte
De tanto viver fogo, com fogo fique ferido.



sexta-feira, 29 de março de 2013

Sexta-feira da paixão

Roxo
Que fica no tempo
Transforma em alimento
A dor e a paixão

A cruz
Símbolo de vitória
Carregada e depois estendida
Branda aos quatro ventos
Na ressurreição de dois mil anos

Um carpinteiro que pela vida afora
Juntou-se aos pequenos
Alimentou os excluídos
E veio a morrer por defender seu ideal

O sagrado da morte e vida
Ancorada naquela ferida
Escancara-se de luz e alegria
E que Ele ressuscite dentro de cada um de nós.



quinta-feira, 28 de março de 2013

Congresso Nacional

Congresso
Um esgoto a céu aberto
A putrefação instaurada
Democracia de fachada

O evangelho se tornou lei?
Destruíram a constituição?
E se você é gay
Teu amor crime tornarão?

Anacrônica instituição
Não serve a população
Os anseios desprezados
Viva como rato

Não viveremos nobres deputados
A visibilidade é que nos distingue
Bandeiras e cartazes nas mãos
E o grito que ecoa, verbalize

Escrevo essa "canção"
Pra falar de coisas atuais
A indignação tomou conta
E para o deputado tanto faz

Cadê a Presidenta Dilma
Finge que não vê
As eleições estão próximas
E não quer se comprometer

O país nunca será de todos
É sim, da maioria enrugada
Podre os poderes
E a população não reage a nada

Fraco é o povo que não questiona
E aceita com passividade
Querem destruir a laicidade
E inaugurar a picaretagem.


quarta-feira, 27 de março de 2013

Casamento igualitário


Não importa o seu sexo
O casamento civil é igual
Aquela vontade de se enamorar
Uma família com justiça 
Eis o Estado laico decretar

Sofreguidão


Andei por passos arrastados
Sôfregos de intuição
Pensamentos distantes
Nem vontade e excitação

Construindo arquétipos de felicidade
Uma vida mansa e paz
Aquela que nunca veio
Devaneios de um cristão

A traça corroeu a vaidade
Deixou em pé só carcaça
E num singelo gesto de delicadeza
Faleceu

segunda-feira, 25 de março de 2013

Amor reflexivo

Sorrir além das linhas do Equador
Sussurros que invadem meu amor
Cristalizam as noções de afeto
Do povo que brada o peito aberto

Pra que chorar
Se existem mil fontes
Amar é certo

Se lamentar
Na pureza do orvalho
O bem querer espero

Sonhar na luz branca
Revestir-se de silêncio
Amor que invade
Breves notas de um contexto atento

Já ti pedi
Não se entregue a soluções prontas
O beijo amado
Na consciência suportas




domingo, 24 de março de 2013

O vestido vermelho


Baila com seu vestido vermelho
Os opostos e complementares
Dançam em contra pontos
Fazendo linhas não lineares

Sentada no sofá
Eu de frente observo
Os pés mexendo, trêmulos
E aquele olhar hipnotizante

Por um segundo
Estou no meio
Danço sem saber dançar

Na figura de um pensador
Olhando adiante teus olhos que me tocam
Compenetrado esqueço que existo.

Depois de Lúcia


Assisti este filme ontem, "Depois de Lúcia". Sai do cinema atônito, sem reação aparente. É daqueles filmes que você vê e demora pra assimilar. Uma realidade presente em todos os tempos. Escancarada de maneira sútil, mas densa e profunda. A dor que cala por medo. A angústia da não reação. Submeter-se aos piores constrangimentos pra não incomodar um pai, este em processo depressivo. A maldade escancarada, batendo na cara, gritando sua fúria, seu desejo incontrolável por poder. Escravizar o outro, dominá-lo até que não consiga mais reagir. Onde estaria a vítima? Onde estariam os algozes? E tudo num ambiente de uma escola que deveria ser o local onde apenas as ideias fossem confrontadas, mas na realidade não é bem assim. Depois de Lúcia fiquei sem reação, perplexo pela maldade com que o ser humano pode chegar. Isso não é apenas um filme, uma ficção, tem muito de verdade. Talvez por isso a perplexidade seja a nota aguda que ecoa em Lúcia. Ela tem um pouco de mim.

Bullying

Vi a arma branca
Com o colega de escola
Ameaças
E o choro contido
Nunca saiu da memória

sábado, 23 de março de 2013

sexta-feira, 22 de março de 2013

Paradoxo

A vida pra mim é um paradoxo
Não sabemos o que viemos fazer aqui
Comer, dormir, respirar o ar
É tão pouco, ínfimo
Temos alguma coisa pra fazer
Ou escolhemos algo que nos dê sentido
Ou fazemos de conta que somos raízes
Ainda assim a vida é paradoxal
Se você acredita só na matéria
E vive como se ela bastasse
Já se perguntou
Há falta de algo?
Essa falta sempre me acompanha
Pra onde quer que eu possa estar
Há coisas que a materialidade não explica
Ou a explicação é superficial
Nem tudo que se vê é o fim das coisas
Viver ainda é um paradoxo
Não ter o que lutar ou sonhar me constringe
Sou um ser de inúmeras faltas
Às vezes falta coragem
Outras vezes ela vem e me falta o impulso
Outras vezes sinto falta de bondade
Às vezes excesso de cordialidade
Sou um ser de grandes faltas
Falta-me, às vezes, acreditar nesse Deus
Ou naquele das escrituras
Parece um absurdo acreditar em algo assim
Para os espíritos é a inteligência suprema
Causa de todas as coisas
Independente de crer ou não
Somos um paradoxo




segunda-feira, 18 de março de 2013

O tempo dirá?

Perco tempo por brigar?
Uma briga ignóbil
Que consiste em achincalhamento
Barbáries, mentiras inventadas

Ganho tempo por lutar
Esmerada no pensamento
Crítico no seu alicerce
Amorosa nas intenções

Sei o que é uma mentira
Brota da internet quase todo dia
Faz das linhas ponto de oposição
Discórdia e nenhuma redenção

Inimigos que se comem mutuamente
Um sangue nefasto
Derramado virtualmente
Entre RTs e tuítes


Pensamento de criança

A criança corre pelo mato
Toca as hastes de capim
Cheira as flores do campo
E observa

Aquela abelha pousada na flor
Beliscando delicadamente
Com a trombinha suga o néctar

Caminhando de flor em flor
Alimentando-se de açúcares
Voe rápido dona abelhinha
Pensa como criança

Há tantas flores pra serem visitadas
E trabalho pra ser feito
Com capim na boca, deita e olha para o azul intenso.


sexta-feira, 15 de março de 2013

Pra criança

Doce de marmelada
Açúcar nos lábios
Travessura de criança
Corre, corre apressada
Pula a cerca
O boi já vem
A garota de fita amarela
Histórias em versos têm
E você amigo pequeno leitor
Tomou nota?
Vá de prosa
Que a conversa é sempre um bem

Bem-ti-vi

O bem-ti-vi sorriu pra mim
Um largo e branco sorriso
Perguntou-me se queria voar
No alto daquelas montanhas
Lá de cima te avistar
O bem-ti-vi disse assim
Voa de asa delta
Pairando na imensidão
Dando cambalhota
No zigue-zague do ar
O bem-ti-vi para
Solta uma gargalhada
Desce como montanha-russa
Deixou-te em terra firme
E os sonhos de outrora
Pra sempre irão ficar

quinta-feira, 14 de março de 2013

Poema reflexão


Como dói escrever
Ideias que vêm frágeis
No limiar da verdade
Conspícuo

Lido com aquilo que é meu
Que transpassa os dias
Marca a pele
E deixa cicatrizes

Ainda há um pouco de frescor
Em cada verso escrito
Uma nota aguda
Paro e penso: “a minha voz é uma muda introspecção do ser”

terça-feira, 12 de março de 2013

segunda-feira, 11 de março de 2013

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Reflexões espirituais

Deus tem predileção pelo gênero feminino. Basta olhar as inúmeras mulheres que fazem da vida um serviço constante a Ele. A mulher deixa de ter um papel coadjuvante para se tornar protagonista na sociedade humana. Assume a responsabilidade oras masculinas e as conduz com graça e energia femininas.
As mulheres são fruto do amor de Deus que se tornaram vivificadas quando assumem pra si as características femininas e as vivem no dia a dia com a beleza do gênero.

Por que há catástrofes naturais?

Tudo converge a diversidade. Ela é que mantém a vida sobre suas várias concepções e estabelece uma maneira de viver consciente. A homogeneidade existe enquanto "doença" que derruba a heterogeneidade em momentos de crise e por isso ambas são necessárias para que ocorra mudanças ontológicas.

Pensamento

Se não sabemos para onde iremos, mas difícil é supor o que somos. Diante de um espelho que não distorce a vida, as palavras perdem sua lógica se se sacralizam. Talvez assim é mais confortável caminhar.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Futuro

A parede branca
O quarto de um hospital
Fios e um entubador
Oxigênio que pouco se consegue
Respiro lento, pulsátil
Uma veemência do existir
Pouco se quer ver em aquarela
A propensa dor do porvir

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Obsessor

A alma constrangida de outrora
Sequestrada de seus princípios morais
Revestida de uma áurea mortificadora
Arrasta as correntes com instinto desafiador
Libertas com a oração e a caridade
Um novo mundo há de deslumbrar
Presença de espíritos superiores
A alma obsessa a de se libertar

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Além-túmulo

Choro que envolve de lágrimas
Corações apertados em um peito semiaberto
Fulguraste o encanto do saber
Coisas pequenas não há de se preocupar

Realizastes mil novas tentativas
Naquela imensidão de um mar
Águas claras e empobrecidas
No além-túmulo hão de ficar

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Sonhos e pressentimentos

Estou perdido dentro de mim mesmo
Rodopiando em emoções e sentimentos
Estável aos olhos de uma humanidade
Mas diante do espelho alma, inconstante

Procuro auxílio
Os espíritos me instruem
Em um sonho murmurado
Ela se apresentou

Não ignores os instintos
Com força e fé lá chegarei
Diante de tudo que não vejo
Pressentimentos pra sempre ouvirei

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Errante

Sentado na calçada pedindo um amor
Mãos estendidas em concha
Cada vintém seu dessabor

Olhando fixamente
Angustia e medo
Um prato de comida, por favor

Um desaparecido dos jornais
Fome e sede de viver
Arruma outro corpo
E a alma há de permanecer

Céus,
Estrelas a brilhar
A formosa noite
E ainda encontro-me a vagar



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Riscos no céu


Aviões que cortam o céu
Deixando rastros de uma fumaça pálida
Em xis na tela como se fosse quadro
Pintado pela obra do acaso

Constantemente os vejo
Circulando no céu da minha casa
Tanto no poente como no nascente

Sempre na mesma fixação
Olho para o céu e sinto-me prisioneiro
Refúgio e Éden 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Pedras

Não sei o que faço com esta pedra,
já joguei num rio mas ela volta.
Volta em forma de areia, fina e clara,
no fundo do rio que corta minha cidade.
Já pensei em tudo, pensei em amarrá-la,
amordaça-la, tampar-lhes os olhos,
colocá-la num baú.
Mas enfim, as pedras do caminho,
pesadas e leves, lisas ou brutas,
acompanham a certa medida.
Farei castelos de pedras, esconderei por entre elas,
suplicarei por alento e morrerei ao lado delas.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Pensamento racional

A razão nos tira do propósito,
subverte os sentimentos,
coisifica as coisas pequenas.
Não sei mais se uso a lógica,
ou apenas normatizo tudo,
tudo dentro de um padrão normal,
medicamentado e seguido de perto.
Bem perto até não precisar mais,
e naquela loucura de se perder a razão,
é melhor perder, criando possibilidades,
o sangue correndo na face,
pelo menos deixou-se viver.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Coser

Crio histórias,
coloco-as na cabeça,
invento cenários ora reais, ora irreais.
Roubo vidas,
transfiguro-as em letras,
numa bela imagem psicopática.
Costuro versos, coso,
alinhavo cada parte,
deixo crescer, e crescendo me vejo.
Procuro enredos em uma mina,
de bateia na mão, vou procurando,
procuro até encontrar uma só história.
É difícil escrever histórias, poesias são mais libertadoras,
a mente aceita o desenrolar dos versos, desenrolando,
desatando nós, cosendo, aparando, e aí se vê
num alinhavar de versos surge a poesia.



quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Esquecimento

Tantas coisas eu te disse mesmo assim
Você nunca quis me escutar
O amor que bate nesta linda história de nós dois
Fez você, coração de pedra,  não me aguentar
O passado insiste bater a nossa porta
Com um cheiro de noz moscada
Não te quero minha amada
Sem muito mais vou-me embora
Coração fechado
Amordaçado
Loucamente em contrição
Resguardo-me dos lábios teus
Ô Yolanda!
Coloco-te num barco à vela
Onde náufragos irão te levar
Vingt mille lieues sous les mers






terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A tela

Em um quarto o frio que transpassa
Gélida sensação de consternação
Um buraco na mente maltrata
Não ter pena e sem solução

A tinta no quadro que encobre
Mentiras, falsidades e manipulações
O vermelho agora é arte
Medita o pintor em construção


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Prefiro Frankl

Eu não gosto de Freud,
muito menos do Lacan,
prefiro o Frankl.
Não sei dizer ao certo.
Qual sentido da vida?
Que sentido tem viver?
Comer, beber e dormir?
Tão pouco há de si sentir.
E o sexo, Freud explica?
Como explica.
Prefiro a responsabilidade das dores,
dos anseios e odores,
Do que colocar a culpa em mãe e pai.
Prefiro Frankl,
é moeda mais honesta.