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Mensagem de fim de ano

Escrevo poesia tem uns 8 anos, o blog tem 5 anos. Muito do que escrevo são reflexões de fatos do cotidiano, outras vezes inspirações que vem das músicas que escuto. Além dos autores que sempre cito no blog como Carlos Drummond de Andrade, Cora Coralina e Adélia Prato, tem uma cantora que de alguma certa forma influência muito minha escrita. Para alguns pode parecer que sempre quando cito-a quero me promover as suas custas, mas não é assim. Tem pessoas que nos motivam pelo jeito que trabalham, pelo jeito que pensam, é como se as ideias de um fundissem com as ideias do outro, e muitos sabem da minha paixão por Madonna, por aquilo que ela é. Não tenho medo de dizer que ela de uma certa maneira me influência principalmente depois de 2012. Por que estou escrevendo sobre estas coisas, é pra agradecer a todos que passaram pela minha vida e que de alguma maneira me influenciaram a expressar o que penso. Que esta pequena comunhão chegue até ela, e que algum dia ela veja isso. Tem outras pesso…

Assim

Te criei por entre folhas
De um jasmim encantado
Cruzes formadas com seu nome
Enfeitam meu teto

Pai, não sou aquele garoto
Que tudo ouvia e calava
Pressentia e mantia calado
Prestes a explosão

Te criei numa selva de pedras
Busquei notas fictícias
De uma amizade que pouco valeu
Somos e seremos opostos

Confrontados pelo tempo
Carreados pela força dos ventos
Minha póetica é etérea
Fina como bruma de um amanhã

Oliwer

Um lindo transhomem
Oliwer com coragem se fez
Consciente de suas batalhas
Vencerás todas uma de cada vez

Com a maturidade invejável
De alguém que passa por transformações
O teu corpo pode ser até cobiçado
Mas é na alma que se encontra o verdadeiro valor

II

Não sei onde está a paz que me consola
Do toque marginal dos teus lábios
Duas rolas entremeadas de paixão
No coito obsceno
Falaste ao meu ouvido coisas delirantes

I

Andei por caminhos pra te encontrar
No céu de pontos luminosos
Vejo seu sorriso junto ao meu
Em uma condição orgástica
Vozes e volumes penetrando a alma

Pássaros do paraíso

Sobrevoam aos quatro ventos
Seres celestiais com suas plumas
Vestes de quatro cores
Fantasia de uma vida real
Subvertendo o paraíso
Não sou um pecador
Não sou um lindo assassino
Minha álula vem de pensamentos caóticos
Se misturam e formam pássaros do paraíso

Naufrágio

Aquela distância entre nós
Num submerso amor
Em uma noite parisiense
Os secretos desejos mascarados
Você é importante, baby
Venha me conquistar com teus lábios
Aquele fogo que consome
Em um caudaloso rio de emoções
Naufraguei entre seus braços
Fiz loucuras que só poderiam ser de amor
Um amor obstinado
Por ti, por ti
Vem e me consuma como uma vodka
Embalada para o alto mar
Stromboli, Stromboli
Nosso amor é uma Stromboli

Abismo

De encontro com o abismo
Um vento que toca a pele
A morte do próprio orgulho
Com asas em uma aquarela

Abismando em reflexos
O cair instaura a paz
Blocos de pedra em água cristalina
Como artista hão de ficar

10 livros que recomendo

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1. Felicidade Clandestina de Clarice Lispector
2. A filosofia perene de Aldous Huxley
3. O Universo, Os Deuses e Os Homens de Jean-Pierre Vernant
4. Rosa do povo de Carlos Drummond de Andrade
5. Oráculos de maio de Adélia Prado
6. Vintém de Cobre - Meias confissões de Aninha de Cora Coralina
7. 26 Poetas hoje de Heloísa Buarque de Hollanda (referência da poesia marginal)
8. Viagem solitária de João W. Nery
9. O encontro marcado de Fernando Sabino
10. O grito de Chiara Lubich (pra quem gosta de espiritualidade cristã)

P.s: Não escolhi porque são os melhores, mas sim, porque me dizem algo de profundo.




Profetizar

As pessoas querem coisas irreais
Onde não se pode tocar
A realidade está aí
Basta olhar pra fora de nós mesmos

Querem profecias
Coisas mágicas
A ilusão de se iludir
Basta olhar pra fora de si mesmo

Experiência

Não posso me referenciar como católico.Apesar da minha formação humana e religiosa estar embuinda de catolicismo. Sou um cristão com raízes bem definidas.Tenho dentro de mim um sentido de mudança, pequenas, mas constantes. Ontem vi que um motorista de táxi que estava dentro do seu carro e queria jogar fora uma garrafa de plástico na lixeira. Não pensei duas vezes, vi que estava com dificuldades e perguntei se precisava de ajuda, ele me disse sim, e aí o ajudei. Penso nestes pequenos gestos que podem ser feitos, tão simples, mas autênticos. E se tenho dentro de mim essa vontade, muito devo a minha formação humana que recebi nos meus anos de adolescência. E que agora estão mais maduras e ao estudo das leituras da kabbalah. Não sou um cabalista, não estudei o Zohar ainda, mas estou em vias de buscar este conhecimento.

Complexos entre livros

Eu nunca li Madame de Bovary. Muitos clássicos também não li. Há uma certa discriminação literária quando você se assume leitor das chamadas "autoajudas". Pra mim todo livro tem um caráter educativo e se isso é ser autoajuda então nada a temer. As pessoas perdem muito tempo recriminando as outras por aquilo que elas gostam de ler, já vi comentários maldosos com relação as obras do Paulo Coelho e nem me importo de dizer que já li três livros dele e não me sinto nem um pouco diminuido por isso. Se a cultura de um autor te enriquece é porque valeu a pena lê-lo. Há um certo ranço intelectual em alguns que se julgam muito cultos devido as coisas que leem. É mais fino falar que leu determinado autor do que outro, ao invés de pensar, o que eu aprendi com aquele autor? A gente sempre pode aprender um pouco mais, mesmo em literatura de "autoajuda". Estimular o pensamento positivo das pessoas, imbuir nelas o desejo de querer melhorar, levá-las a pensar nos próprios comporta…

Romance

A chuva no para-brisa
Aquele movimento de ida e volta
A água escorrendo
Sendo levada
O beijo na imensidão do toque
Apenas água.

Sóbrio

Um copo de conhaque
Uma taça de cosmopolitan
A cerveja bem gelada
E sobriedade de tempos passados
Sóbrio

Twitter

Estou no twitter, lá posto ideias, pensamentos e coisas que faço se quiser me seguir seja bem vindo. @evanmarcal

A rotina

Ele cheira a fragrância Monsenhor de Gaultier Com notas encorpadas e distintas Percorre os corredores Aquela pressa constante Pega metro e ônibus Um jeito meio desleixado de ser Displicente Calça larga que evidência seu excesso de peso Uma camisa clara, tom pastel Chega ao trabalho todas as tardes Senta no computador e olha os e-mails Uma rotina quase insuportável Nunca foi afeito as rotinas Agora na fase adulta tem que se adequar É teu ganha pão, seu sustento Mergulhado encontra-se

Casarão orfanato

Ele era órfão naquele casarão velho
Ruínas de uma história de vida
Corria pelos campos apressadamente
Vivia de pegar goiaba nos pés
O banho era uma imposição
A oração um ofício
Vejo o silêncio da refeição
E na parede uma frase
Sou o pão da vida quem me come será saciado
Procuro histórias verídicas
Se um dia encontrar
Deixariam de ser apenas poesia
Prosa livre a desenrolar

Minha primeira publicação

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Faz alguns meses publiquei uma poesia numa antologia poética "O Segredo da Crisálida - Volume III", começando a aventurar pelo mundo das palavras, agora de maneira um pouco mais profissional.

Segue o site pra compra da antologia. A compra da antologia pode ser feita diretamente na Editora Andross http://www.andross.com.br/



Uma pequena experiência

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Conheci uma garotinha de 8 ou 9 anos de idade na escola que trabalho e seu sonho é montar uma biblioteca. Vendo-a falar com entusiasmo deste sonho fiquei sensibilizado e prometi que daria um livro pra ela. Neste semana fui comprar o livro, não tinha nada na cabeça. Que livro dar pra uma criança? Veio logo depois o nome da autora Ana Maria Machado muito conhecida do público infanto-juvenil. Fui pesquisar e encontrando e por sinal comprando o livro Doroteia, A centopeia. Depois do trabalho fui até a casa da garota cujo endereço é na frente do ponto de ônibus no Olaria. Bati a campanhia e entreguei-o, vi nos olhos dela uma grande gratidão, olhos de menina quando está feliz. E pra falar a verdade fiquei tão feliz de vê-la feliz que até fiquei emocionado, não chorei na frente dela, mas as lágrimas escorreram quando estava no ônibus a caminho de casa. Sempre que posso tento fazer uma experiência, não pra ser bom, mas pra dar um pouco de felicidade a alguém. Acho que ao divulgar essa minha …

Livres

Ao amor que tudo liberta Vivenciado no dia a dia Modifica a consciência Tornando-nos mais puros e sensíveis
Naquele desenrolar de um novelo de lã Puxa uma ponta, desfaz Cria novas possibilidades E a história se refaz
A liberdade Artigo mais cobiçado do mundo Acontecerá quando vivermos Em uma fraternidade universal que tudo alcança.

Céu metafísico

Aquelas luzes trazem um frescor
de uma tarde de verão
Transparecem em meio a nuvens
cor de um cinza chumbo
Formam buracos de velas apagadas
Num tom que traz uma sabedoria tranquila
O sol entre linhas do tempo
Deixando marcas no espaço
Sem precisão de cirurgias cósmicas
ou coisas metafísicas.

Poesia marginal

Purificaram a poesia?
Tornando-a pudica
Comportada
Uma Senhora recatada

Decoro nas estrofes
Nunca foi o mote
Palavras que se corrompem
Num estado de graça celeste


Cospe bala

O policial de dentro do carro atira
Não pergunta
Trata o rapaz como inimigo
A vítima faz uma breve pergunta que ecoa
Por que você atirou em mim?
E a resposta não vem
Armas não falam
Apenas cospem tragédias

Nós

Minha face vermelha púrpura
Uma boca pintada
E um desejo ardente de gritar
Céu anuviado
Toco seus lábios
E como encantados nos tornamos
Em cetim áureo

A faca e o aluno

Com uma faca na mochila
O ódio no pensamento
Diálogos que se perdem
É tão mais fácil deixar-se explodir do que se conter e parar
E ver outra solução
É o extremo mas isso acontece
E aconteceu na escola
Um aluno querendo matar o outro
Motivos? Que motivos?
Existe motivo pra isso?
É difícil eu sei e todos sabemos
Mas é no diálogo que crescemos
Na troca de entendimentos
Quando não der
O melhor é calar não os sentimentos
Mas sim as vontades
Às vezes você quer reagir
De impulso, reativo
Para, dá um tempo
Pensa!
Os nossos sentimentos negativos nos cegam
Nos privam de melhorar
Aquele sentimento menor
Transforme em arte
E provoque em si uma revolução

As Marias

Minha casa tem muitas Marias
Cada uma com sua cor
Com vertentes de fé particulares
Umas mais religiosas outras nem tanto
Mãe é a mais religiosa
Daquelas de debulhar o terço
Talvez por isso tenha uma necessidade quase orgânica de sagrado
Em tudo que faço, minhas ideias são impregnadas dele
Chega às vezes ser sufocante
Muda o disco diria alguns
Mas quando se tem referências tão fortes
Não há como fugir
O melhor a fazer é tirar proveito



Inovação

Você quer inovar?
Por que se busca desesperadamente algo novo?
Estamos insaciáveis por aquilo que faz brilhar os olhos
Buscamos o brilho do lado externo
Sejamos inovadores
O castelo interior no mundo de hoje é menos interessante?
Então é de lá que virá a inovação.

Inovação é um processo lento
É experimentativo, é autoexperimentativo
Vem de reflexões constantemente confrontadas
Confronto e realizo
Realizo-me ao confrontar
Despido de grandes conceitos e fórmulas
Procuro meu lugar no mundo



O tempo passou e continuo a refletir

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"Não sou poeta do universal, sou poeta das entranhas de Minas, vivo rodeado de serras com o olhar na imensidão".


Luz

Cada palavra que é revelada
Sussurrada e intuida
Provoca uma alegria não etérea
Colocando-a sempre de igual para igual
Surge, então, movimentos
Ações que repousam no âmago da alma
Não é eu
Nem é ti
É uma outra coisa
Que coabita dentro
Desnivela e nivela
Chega as raízes da loucura
Um ideal que só os loucos atestam
Amar nas pequenas coisas
Estirpar pensamentos negativos
Assumir as próprias responsabilidades
E criar vínculos de afeto
Que a Luz dentro de mim
Ilumine a Luz dentro de ti

O que a gente diz

Muitas vezes falo sem pensar
Não vejo os percalços das palavras
Atravessam quem eu gosto
Machucando-as e nem percebo
A língua no esmeril afiada
Espeta e arfa
E naquele exame de consciência
Vejo o que devo mudar

Amarildos

Um pai de família
Levado para qualquer lugar
Policiais que o interrogaram
Não sabemos onde estará
Pra família esta poesia é um nada
Na imensidão da dor ocupada
Estou longe
Na mesma imensidão do grito que não cala
Onde está o Amarildo?







Quero servir

Quero servir
Não importa quando e onde
Estar no mundo e ser útil
Com a força do trabalho
Na labuta do dia a dia
Mesmo que haja intempéries
Revezes
Ocasos
Ser o menor
Não para conquistar admiração
Lenir as dores dos semelhantes
No fundo deixar pouco de mim e muito Dele


A moment of calm

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Homem só

Uma espiritualidade solitária em que você encontra com os demais
Inspirado no transcendente levando a cada pessoa afeto e paz
Comece ao seu redor, principalmente com os que tu não amas
Porque ama-se aquilo que não agrada
É que o mundo precisa entender

Doce Vingança

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Doce vingança é um filme violento e é  até redundante, mas a maior violência é aquela que não aparece. A vingança é a mais poderosa forma de violência, que quem a prática torna-se refém de um circulo vicioso de ódio, quanto mais ódio, mais terrível a vingança. Este filme causa náusea, repulsa e uma descoberta pessoal, a pena de morte nada mais é que uma forma de vingança, consentida pelo Estado quando em forma de lei. 










Não há coerção

Não há coerção
Ainda somos livres
Diga ao outro o que quiser
Mas as escolhas são pessoais
Não escolho ser como você
Não escolhas ser igual a mim
Isso é apenas uma constatação
No meio da massa
Espalhe recamos de luz
E o resto não se sabe o que irá acontecer

Liberdade, palavra pra um novo tempo

Um dia me fizeram as seguintes perguntas:

O que liberdade significa para você? Você está disposto à lutar pelo que acredita?

Respondendo a essas perguntas. A responsabilidade de ser livre é de cada um, são nossas escolhas que nos tornam livres. Sempre penso, siga o seu coração, ele diz mais forte sobre você. Na maioria das vezes, há aquela "voz interna" que te diz, vai ajuda determinada pessoa, ou situação, você é livre para escutá-la ou não. E se lutaria por algo em que acredito, a resposta é bem simples, sim, porque é de ideais que vivo. Lembrando vive-se primeiro o que se acredita depois comunga-se as experiências para que vejam que seus atos não são da boca para fora.

Música - Posh life

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Uma das letras mais sinceras e lindas que vi por estes tempos.


Férias na escola

Crianças brincando em pula-pulas
Gritaria que não quer acabar
Felizes por breves momentos de férias
Vejo rostos alegres, numa felicidade contagiante
Enriquecem o dia que passa rápido
Estando triste, olhe para um sorriso
Um largo movimentar da face
E os dentes expostos a claridade do sol
Crianças, contagiam qualquer dia
Energia é o que não falta
Penso nas crianças africanas
Despidas de muitos direitos
Mas principalmente de afeto
E olho para as crianças do Olaria
São simples e preenchidas de amor.

Seu coruja

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Da série pra crianças



Olhos atentos sempre a espreita Observando tudo ao seu redor Pareço uma coruja, às vezes Com uma nítida sensação Percebo intenções e desejos Ave de rapina Sou

Ferida

Não sei porque tanta obsessão
A areia ainda esta na ostra
Machuca um pouco, mas aguenta
Suporta o incomodo
Transfigure-o
Muda pouco o que se faz



Rezo

Cansado dos mesmos olhares
Infinitos semblantes de desprezo
O moribundo sentindo dor
Vejo pelo vidro do ônibus 1950
Apenas uma boa oração
Nada, nada mesmo dá para fazer


Frases pessoais

"Desagua dentro de mim saudades do tempo em que a palavra se tornava viva"

"Ser tua palavra viva."

"O Sol que absorve e cicatriza muitas chagas."

"Eu sempre tive determinadas convicções, elas nunca esmoreceram."

No transporte público

As pessoas cansadas de um dia de trabalho
Abarrotadas em conservas
O som ao meu lado não me incomoda, parece um rap
E mais gente entra
A possibilidade de sentar é remota
De tanto balançar, enjoa
As mesmas cenas todos os dias
O mesmo trajeto
O mesmo do mesmo
E os questionamentos continuam
Até quando seremos carregados como porcos?


Frase pra quem quer ouvir

"To change the way how people think, takes time. If you do what you do with an open heart, there is nothing to fear about criticism." Arquimedes Diniz

Revolução

Toque a humanidade
na sua beleza conquistada
nas suas dores reveladas
enxugue lágrimas
e revele seu amor

Cure as chagas da sociedade
com gestos e mangas arregaçadas
faça a sua parte
independente do que pense os outros

Não é pra revelar luz que amamos
é pra lenir sofrimentos
resgatar a beleza de olhares
inundar a vida com novas cores

E se houver luz pra ser revelada
que seja pra melhorar a humanidade
torná-la sujeito da própria história

Eu, acredito que a educação
caminho a ser percorrido
seja fonte de inspiração
pra grande revolução
que é amar o próximo





Poesia curta

Fogo que arde
abrasa
naquela gota de multidão


Casta humanidade perdida

Sento em uma calçada, com os pés descalços, sujos e roupas em trapos. Delício um caldo de feijão que encontrei em uma lata de lixo e pães que um morador em sua atitude humana havia entregado-me. Restos do caldo caem no chão, com a fome que bate no peito, passo um naco de pão naqueles restos. A fome ainda não saciada, percorro lixeiras próximas, matar o desejo da não existência digna, e se fartar de partículas daquilo que seria minha humanidade. E essas cenas se repetem, passamos por elas todos os dias, nem damos a devida atenção, ou por medo, desprezo, ou insensibilidade mesmo. É comum, é banal, mas não me canso de pensar não é humano. Ou se é humano, perdi minha casta humanidade.

Contador de horas

O tempo foge
Entre diários e papéis
O tempo urge
Como menestrel de linhas encantadas
Nada passa ao seu lado
Ao meu lado
Fulgurante e delirante
Contar de horas

Trans

Sou homem
Ou sou mulher
Somos desejos
Gêneros que se movem
Bailam no inconsciente
Expressão da individualidade
Que é vivida quando aberto ao outro

Sol e Lua

Meu corpo em fragmentos encontraste
Aquela dor no peito bate
Tantos sonhos com você

Meu beijo em teus lábios tocaste
Naquele anseio vibraste
Derrama em todo o meu ser

Te quis na minha cama sempre
Com aquele olhar que se senti
Duas histórias que nunca vou esquecer

Quando dois corpos que se querem
Roubaste
Num leito de morte
Ficaste
Duas almas ao entadecer

Mais protestos

Não há revoluções
Tudo é mentira
Os mesmos modos e os mesmos gestos
As mesmas bandeiras astiadas
Quando um pouco de mim muda
Um pouco do mundo sente
Se nada dá pra fazer dentro de si
Nada no mundo mudará
E quem quer mudar as coisas fora
Neste espaço conturbado
Pouco muda o mundo
Políticos não querem mudanças
Partidos políticos querem poder
Não se iluda meu caro manifestante
Teu grito corrupiado
É isso que eles querem ter

No ambiente de uma escola

Do alto da escola
Vejo ao longe a serra
Linda imagem em um céu azul
Manhã clara e limpa
Ornada por casas pobres e castas
A violência inserida como ferida
Para todo lugar se espalha
Os pais que trabalham todo dia
Deixam teus filhos na escola integral
O ambiente é agitado como em qualquer escola
Gritos de algazarra e felicidade
Espalham-se por todos os lados
Há guardas no recreio
Tentam manter a ordem
Mas com crianças em plena idade
A desordem é a forma de inspirar a criatividade
Volto ao ambiente escolar, não como professor
Acabo relembrando dos tempos de sala de aula
Educar é viver
E tudo tem sentido se a educação transformar a realidade

Protestos

Passeatas nas ruas Gritos de ordem Há liberdade pra protestar onde se quer? Neste país chamado Brasil O governo é que quer controlar A voz do povo adormecida

Antes da meia noite

Uivar em peito bramido
Névoa inconstante
Os pés movem-se
Em terra fria e espinhos

Beijo ao semelhante

Cantar com um beijo escondido
Dizendo que se ama quem quer amar
O livro aberto da própria vida
Escancarado
Deixe voar
As pausas reflexivas que dão gosto da verdade
O frio que nada corta mais
Marejar os olhos esguios
Em um profundo ambiente de paz


Quintal

O quintal é um lugar vivo
Onde bichos e plantas dividem o espaço
Pode haver caracóis e lesmas
Borboletas e louva-deuses
Lagartos que se esquentam ao sol
Pássaros no jambo vermelho
A noite corujas e morcegos
E eu aqui um simples observador

Experiência

Um pedaço de bolo
O mendigo encontrado na rua
Não era pra ser dado a mãe
Mata-se uns minutos de fome
E o coração alegre se foi

Declaração de um amor

Procurei por mim
Encontrei em ti
Naquela brincadeira de nós dois
Formamos um só
Misturados naquele beijo
Eu e tu
Sempre vejo




Amor

O amor como redenção  Que tira as dores que calam Subvertem a revolução Numa Paris acabada
Segregando amores aos guetos Que visibilidade queres ver? Toda manifestação é amor Quando há respeito

Hoje, mais uma no jornal

Não podemos sair nas ruas
Os bandidos aos poucos conquistam os espaços
Fazem da sociedade refém da não liberdade

Menores que se formam na escola do crime
Aprendem desde de cedo a ter o ódio nos olhos
Aquela fome de dominar e o poder de ter a vida de outros nas mãos

A família perdeu seu ponto de equilíbrio
Aterrorizador momento em que vivemos
Obscuro semblante da morte ronda e avilta a todos

Trabalhadores além de serem roubados são mortos
Menores soltos e rebelados
E a impunidade reina no país que vivo

Estrada

Uma nova estrada abre-se  Em um caminho não deslumbrado Nessa estrada só asfalto Perifericamente encontro-me Com o coração batendo acelerado Não há como saber  O que em Olaria irei encontrar Que seja um ambiente de transformação pessoal.

Retórica

Cada espada transpassada em meu peito
Um languido sorriso se abre
De verdades retóricas não me encho
Vivo de breve mocidade

Eu ei de ser poeta

Eu sou a beleza de uma aurora boreal
Em um céu oculto abismando-se
Gerando infinitas fagulhas de uma luz clara
Nevoeiro que apascenta o ser

Crio imagens das mais belas
Como sinfonia de um eterno aprender
A palavra gera em mim certa ânsia
Inestimável razão pra se viver

Não julgues o meu caminhar póetico
De intenções primaveris
Recolho cada benção alcançada
E sempre ofereço a ti

Escuridão

Há muito tempo não ouço as crianças brincarem
As praças desabitadas de cultura e lazer
Enchem-se de pedras, pó e fumaça

No trânsito o poder de quem corre
Passa depressa, o tempo morre
Abarrotamento de carros
Vias quase intransitáveis

O caos no contemporâneo
A arte vibra de sem nexos
Apenas pra chocar e ser ouvida

Quem me dera se conhecimento gera-se revolução
Num anseio de uma breve transformação
As mãos que balançam o berço da humanidade
São sofregas tentativas de toda desilusão

Respiro

Enquanto a chuva molha o asfalto
Minhas lágrimas escorrem dentro de mim
Lavam momentos de uma intensa alegria
Você me pegou pelo braço
Andou comigo por breves descampados
Correu pairando as mãos sobre macelas
Cheiro de paz e de calor naquele sol
E o vento que bramia na face
Hoje sou música nos teus ouvidos
Aquele canto calado
De um eterno aprendiz
Que aprende com a natureza




Here inside

Saímos de calabouços
Ao vivermos em gaiolas prateadas Os evangelhos que não sustentam nada São linhas de uma forma de expressão
Seguimos descalços pelas estradas empoeiradas Com vestes opacas pela sujidade Daqueles querubins com suas harpas
Força e claridade de uma vida que resplandece De um desejo quase inalcançável E assim um breve será


A amada

Minha amada Procurei por caminhos de flores Vestes brancas como pureza da alma Aquele loiro cintilante Ilumina o céu e as estrelas Ô amada Senhora! Não fujas do destino que nos persegue Aquela nota aguda de desilusão No findar dos tempos de outrora Com uma flecha acertei seu coração.

Um adeus

Apressando os passos
Vira naquela esquina tenebrosa
O passeio coberto de mato
As mãos e os pés livres
Um buquê de gardênias
Avisto um bilhete:
Goodbye in between kisses

Transitório

Tempo que parte do ocaso Desfigura  Volta a retidão do tempo

Confidência

Poesia escrita em 2007.

Voar

E chegou a hora de voar
A notícia corre solta
Coração em medo brota
Hoje, voando pra fora de casa.

Folhas e tribos

Em uma tribo distante
As folhas são remédios ou venenos
Maceradas em uma cuia
O cheiro de erva impregnando as matas
Substâncias de alívio ou cura
Poderes sobrenaturais invocados
Em rituais de profundo simbolismo
Pataxós, Maxacali, Caxixó, Puri

Figuras míticas

(da série pra crianças)
Aquele som em tempos de chuva O barulho que causa receio Tupã para os índios  Como Iansã para os negros
A natureza toda decorada de deuses De uma mística sabedoria Encanto e beleza Nos mitos afro e indígenas
Guaraci, o sol Ilumina a aldeia Jaci, a lua Seu oposto  Nas águas dos rios estampa sua beleza
Sumé regia a agricultura Iara sedutora das águas Anhangá eram os espíritos que a noite vagavam Protegendo os animais de caçadas Indígenas viviam com profundo respeito



Orixá da terra

Obaluaiê
Senhor da Terra
Tuas feridas protegidas
Por palha-da-costa-aze
Iemanjá que cuidou das feridas e o criou
Debaixo daquela palha
Guarda os segredos da morte e do renascimento
Com um canto de guerra
Atotoó!!!
Omulú, Atotoó Obaluaiê, Atotoó

Poesia marginal

Ode aos poetas marginais
Com suas poesias informais
Asseguradas pelos palavrões
Expressões de cunho amorais
E recusa pelo convencional

Representatividade

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"As lutas mesmo sendo individuais em determinados momentos elas declinam pra coletividade, se não for assim, não é preciso nunca ter nenhum tipo de representatividade". Arquimedes Diniz



Homem de afetos

Os olhos enchem de lágrimas
Péssimo com conflitos
Prefiro sempre a paz

Há uma coisa dentro de mim
Que não contenta com a guerra
Se desfaz na hora certa
Em clima de uma eufórica mansidão

Os joelhos cansados
Prostrados diante de uma espada
Transpassasse o peito
E de utopias morreria

O anjo das pernas tortas

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Soneto de Vinicius de Moraes.


Fato

Rosto umedecido de emoção
Uma cantora enaltecendo o amor
Bandeira hasteada
Positivando as ações
Momento de reflexão e luta

Cinismo

Vamos tratar todos iguais? Na igualdade absurda Do normal ou incurável Do louco ao bipolar Que ninguém veja Lutamos pelos padrões Os desvios nos afligem Catalogando tudo em caixas Separando, e coisificando Livrando-nos da ironia Aquela que carcome os verbos Das boas mentiras inventadas e espalhadas Como verdades absolutas enaltecidas Dos freios que te colocam na boca Na beleza do desencontro O cínico sempre aviva

Porvir

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No andar da carruagem
Em mãos
Duas alianças
Vinculo de fé e afeto
Transluzente num sorriso
Entre mulheres que se amam
Enchem de orgulho
Amor sempre é preciso
Daniela e Malu
Num gesto singelo e bonito
Fizeram-me emocionar
Com a alegria do divino
De ser amor enquanto a vida deixar
Em um eterno vínculo
A alegria de hoje
Se transforme em bandeira
Que sejam felizes
No porvir da vida inteira




Terceiro Milênio, o Amor

Sós Olhando a vastidão além-mar Com o coração cheio de emoções Não vemos quem está ao nosso lado Perdemos a sorte de amar Ame ao próximo disse o profeta Continuamos absortos na paisagem Olhando, olhando Porque no amor se ama Quando nada tem nosso Um amor que sobrevive do divino de outrora Mergulhado em raízes etéreas Sós Continuemos a olhar sós E daquela vontade que inspira Sairemos dos nós Alcançaremos o outro lado Neste silêncio em que o eu parece imperar Juntos A grande possibilidade se abre Daquele sorriso de criança invade Fulguras o verdadeiro amor Ame Os laços de uma humanidade em evolução Em que as ações prosperam Busquemos os olhares de afeto E num abraço forte se alternam.

Vírus

Faço um caminho
Descrevo os passos Finjo realces Páginas seguras  Encantamento pela bobagem A maldade disfarçada Em imagens e coisas belas Intenções dúbias Pergunto-me pra que? Enquanto a vida passa lá fora Corroem-se com um falso poder Mimetizar a falsidade Em histórias falsas
Eu não vou me a ter

Choca-da-mata

(da série pra crianças)
O choca-da-mata agourento De plumagem cinza lembra fêmea Macho de cores pardas Constrói um ninho que é um pequeno cesto Na forquilha de um galho Vivem em bandos e reúnem-se na floresta Procuram presas entre arbustos Perto do homem do campo Nunca ouvi e vi Retrato aqui como o descrevem Fico curioso pra vê-los Canta Thamnophilus caerulescenses Lá nas matas de Dona Rosana

Amanhecendo

Olho para o céu neste amanhecer
Um azul amarelado faz brotar de nuvens cor de prata 
Você já se permitiu olhar para a vida que passa diante dos teu olhos?
Correr da moderna existência é um saco 
Permito-me um pouco de contemplação 
Pelo menos é um refrigério na linha do tempo 
Fulgáz período composto que são os amanheceres

Cantiga

Queria falar de coisas boas Nem tanto ao mar quanto a lua Viver de brisas ao luar Com cheiro de mato e orvalho
Fui buscar na via Aquela láctea pra enfeitar De verdades me encher E flutuar de um gesto de alegria
Amar, amar, amar Levantar o voo de uma felicidade contida Alçar caminhos numa constelação
Sonhar, sonhar, sonhar Falando de realidades existências Com um grande gosto de te ver sambar

Canto do pássaro livre

Canto, outro dia eu encanto Da magia de um esperar tanto Faças da alegria uma vida Em notas de humor que nostalgia
O caminhar reto decidido Com peito aberto acredito Falo de coragem que alimenta
A face de um simples branquear O amor derramar Neste chão que pisa uma nação Que não vive de rumores e quer pão
Somos um estrelado no poente Cada um reluz a própria sorte De tanto viver fogo, com fogo fique ferido.


Sexta-feira da paixão

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Roxo
Que fica no tempo
Transforma em alimento
A dor e a paixão

A cruz
Símbolo de vitória
Carregada e depois estendida
Branda aos quatro ventos
Na ressurreição de dois mil anos

Um carpinteiro que pela vida afora
Juntou-se aos pequenos
Alimentou os excluídos
E veio a morrer por defender seu ideal

O sagrado da morte e vida
Ancorada naquela ferida
Escancara-se de luz e alegria
E que Ele ressuscite dentro de cada um de nós.



Congresso Nacional

Congresso
Um esgoto a céu aberto
A putrefação instaurada
Democracia de fachada

O evangelho se tornou lei?
Destruíram a constituição?
E se você é gay
Teu amor crime tornarão?

Anacrônica instituição
Não serve a população
Os anseios desprezados
Viva como rato

Não viveremos nobres deputados
A visibilidade é que nos distingue
Bandeiras e cartazes nas mãos
E o grito que ecoa, verbalize

Escrevo essa "canção"
Pra falar de coisas atuais
A indignação tomou conta
E para o deputado tanto faz

Cadê a Presidenta Dilma
Finge que não vê
As eleições estão próximas
E não quer se comprometer

O país nunca será de todos
É sim, da maioria enrugada
Podre os poderes
E a população não reage a nada

Fraco é o povo que não questiona
E aceita com passividade
Querem destruir a laicidade
E inaugurar a picaretagem.


Casamento igualitário

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Não importa o seu sexo O casamento civil é igual Aquela vontade de se enamorar Uma família com justiça  Eis o Estado laico decretar

Sofreguidão

Andei por passos arrastados Sôfregos de intuição Pensamentos distantes Nem vontade e excitação
Construindo arquétipos de felicidade Uma vida mansa e paz Aquela que nunca veio Devaneios de um cristão
A traça corroeu a vaidade Deixou em pé só carcaça E num singelo gesto de delicadeza Faleceu

Amor reflexivo

Sorrir além das linhas do Equador
Sussurros que invadem meu amor
Cristalizam as noções de afeto
Do povo que brada o peito aberto

Pra que chorar
Se existem mil fontes
Amar é certo

Se lamentar
Na pureza do orvalho
O bem querer espero

Sonhar na luz branca
Revestir-se de silêncio
Amor que invade
Breves notas de um contexto atento

Já ti pedi
Não se entregue a soluções prontas
O beijo amado
Na consciência suportas




O vestido vermelho

Baila com seu vestido vermelho
Os opostos e complementares
Dançam em contra pontos
Fazendo linhas não lineares

Sentada no sofá
Eu de frente observo
Os pés mexendo, trêmulos
E aquele olhar hipnotizante

Por um segundo
Estou no meio
Danço sem saber dançar

Na figura de um pensador
Olhando adiante teus olhos que me tocam
Compenetrado esqueço que existo.

Depois de Lúcia

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Assisti este filme ontem, "Depois de Lúcia". Sai do cinema atônito, sem reação aparente. É daqueles filmes que você vê e demora pra assimilar. Uma realidade presente em todos os tempos. Escancarada de maneira sútil, mas densa e profunda. A dor que cala por medo. A angústia da não reação. Submeter-se aos piores constrangimentos pra não incomodar um pai, este em processo depressivo. A maldade escancarada, batendo na cara, gritando sua fúria, seu desejo incontrolável por poder. Escravizar o outro, dominá-lo até que não consiga mais reagir. Onde estaria a vítima? Onde estariam os algozes? E tudo num ambiente de uma escola que deveria ser o local onde apenas as ideias fossem confrontadas, mas na realidade não é bem assim. Depois de Lúcia fiquei sem reação, perplexo pela maldade com que o ser humano pode chegar. Isso não é apenas um filme, uma ficção, tem muito de verdade. Talvez por isso a perplexidade seja a nota aguda que ecoa em Lúcia. Ela tem um pouco de mim.

Bullying

Vi a arma branca
Com o colega de escola
Ameaças
E o choro contido
Nunca saiu da memória

Capítulos - Inflorescência

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Capítulos de infinita simplicidade Pontilhados de um amarelo pálido Revestem-se como os lírios do campo

Fóssil

Pinça o caramujo
na lupa observo
aspirais e minério

Correnteza

A correnteza
que força
é o nosso guia









Look

O olhar de uma criança
Contemplando o horizonte
No anseio da idade
Eterniza cada instante
Ela corre pelos descampados
Sente o cheiro de relva molhada
Deita e observa
O semblante de um céu
Que a abraça

Paradoxo

A vida pra mim é um paradoxo
Não sabemos o que viemos fazer aqui
Comer, dormir, respirar o ar
É tão pouco, ínfimo
Temos alguma coisa pra fazer
Ou escolhemos algo que nos dê sentido
Ou fazemos de conta que somos raízes
Ainda assim a vida é paradoxal
Se você acredita só na matéria
E vive como se ela bastasse
Já se perguntou
Há falta de algo?
Essa falta sempre me acompanha
Pra onde quer que eu possa estar
Há coisas que a materialidade não explica
Ou a explicação é superficial
Nem tudo que se vê é o fim das coisas
Viver ainda é um paradoxo
Não ter o que lutar ou sonhar me constringe
Sou um ser de inúmeras faltas
Às vezes falta coragem
Outras vezes ela vem e me falta o impulso
Outras vezes sinto falta de bondade
Às vezes excesso de cordialidade
Sou um ser de grandes faltas
Falta-me, às vezes, acreditar nesse Deus
Ou naquele das escrituras
Parece um absurdo acreditar em algo assim
Para os espíritos é a inteligência suprema
Causa de todas as coisas
Independente de crer ou não
Somos um parado…

O tempo dirá?

Perco tempo por brigar?
Uma briga ignóbil
Que consiste em achincalhamento
Barbáries, mentiras inventadas

Ganho tempo por lutar
Esmerada no pensamento
Crítico no seu alicerce
Amorosa nas intenções

Sei o que é uma mentira
Brota da internet quase todo dia
Faz das linhas ponto de oposição
Discórdia e nenhuma redenção

Inimigos que se comem mutuamente
Um sangue nefasto
Derramado virtualmente
Entre RTs e tuítes


Pensamento de criança

A criança corre pelo mato
Toca as hastes de capim
Cheira as flores do campo
E observa

Aquela abelha pousada na flor
Beliscando delicadamente
Com a trombinha suga o néctar

Caminhando de flor em flor
Alimentando-se de açúcares
Voe rápido dona abelhinha
Pensa como criança

Há tantas flores pra serem visitadas
E trabalho pra ser feito
Com capim na boca, deita e olha para o azul intenso.


Pra criança

Doce de marmelada
Açúcar nos lábios
Travessura de criança
Corre, corre apressada
Pula a cerca
O boi já vem
A garota de fita amarela
Histórias em versos têm
E você amigo pequeno leitor
Tomou nota?
Vá de prosa
Que a conversa é sempre um bem

Bem-ti-vi

O bem-ti-vi sorriu pra mim
Um largo e branco sorriso
Perguntou-me se queria voar
No alto daquelas montanhas
Lá de cima te avistar
O bem-ti-vi disse assim
Voa de asa delta
Pairando na imensidão
Dando cambalhota
No zigue-zague do ar
O bem-ti-vi para
Solta uma gargalhada
Desce como montanha-russa
Deixou-te em terra firme
E os sonhos de outrora
Pra sempre irão ficar

Poema reflexão

Como dói escrever Ideias que vêm frágeis No limiar da verdade Conspícuo
Lido com aquilo que é meu Que transpassa os dias Marca a pele E deixa cicatrizes
Ainda há um pouco de frescor Em cada verso escrito Uma nota aguda Paro e penso: “a minha voz é uma muda introspecção do ser”

Protesto

A pior coisa que acontece na internet é esse excesso de julgamento. Meu protesto silencioso!!!

Frieza

Golpe na bicicleta
Corpo ultrajado
Uma parte arrancada
Omiti-se socorro
A barbárie instalada

Reflexões espirituais

Deus tem predileção pelo gênero feminino. Basta olhar as inúmeras mulheres que fazem da vida um serviço constante a Ele. A mulher deixa de ter um papel coadjuvante para se tornar protagonista na sociedade humana. Assume a responsabilidade oras masculinas e as conduz com graça e energia femininas. As mulheres são fruto do amor de Deus que se tornaram vivificadas quando assumem pra si as características femininas e as vivem no dia a dia com a beleza do gênero.

Por que há catástrofes naturais?

Tudo converge a diversidade. Ela é que mantém a vida sobre suas várias concepções e estabelece uma maneira de viver consciente. A homogeneidade existe enquanto "doença" que derruba a heterogeneidade em momentos de crise e por isso ambas são necessárias para que ocorra mudanças ontológicas.

Pensamento

Se não sabemos para onde iremos, mas difícil é supor o que somos. Diante de um espelho que não distorce a vida, as palavras perdem sua lógica se se sacralizam. Talvez assim é mais confortável caminhar.

Futuro

A parede branca
O quarto de um hospital
Fios e um entubador
Oxigênio que pouco se consegue
Respiro lento, pulsátil
Uma veemência do existir
Pouco se quer ver em aquarela
A propensa dor do porvir

Obsessor

A alma constrangida de outrora
Sequestrada de seus princípios morais
Revestida de uma áurea mortificadora
Arrasta as correntes com instinto desafiador
Libertas com a oração e a caridade
Um novo mundo há de deslumbrar
Presença de espíritos superiores
A alma obsessa a de se libertar

Além-túmulo

Choro que envolve de lágrimas
Corações apertados em um peito semiaberto
Fulguraste o encanto do saber
Coisas pequenas não há de se preocupar

Realizastes mil novas tentativas
Naquela imensidão de um mar
Águas claras e empobrecidas
No além-túmulo hão de ficar

Sonhos e pressentimentos

Estou perdido dentro de mim mesmo Rodopiando em emoções e sentimentos Estável aos olhos de uma humanidade Mas diante do espelho alma, inconstante
Procuro auxílio Os espíritos me instruem Em um sonho murmurado Ela se apresentou
Não ignores os instintos Com força e fé lá chegarei Diante de tudo que não vejo Pressentimentos pra sempre ouvirei

Errante

Sentado na calçada pedindo um amor Mãos estendidas em concha Cada vintém seu dessabor
Olhando fixamente Angustia e medo Um prato de comida, por favor
Um desaparecido dos jornais Fome e sede de viver Arruma outro corpo E a alma há de permanecer
Céus, Estrelas a brilhar A formosa noite E ainda encontro-me a vagar


Riscos no céu

Aviões que cortam o céu Deixando rastros de uma fumaça pálida Em xis na tela como se fosse quadro Pintado pela obra do acaso
Constantemente os vejo Circulando no céu da minha casa Tanto no poente como no nascente
Sempre na mesma fixação Olho para o céu e sinto-me prisioneiro Refúgio e Éden

Pedras

Não sei o que faço com esta pedra,
já joguei num rio mas ela volta.
Volta em forma de areia, fina e clara,
no fundo do rio que corta minha cidade.
Já pensei em tudo, pensei em amarrá-la,
amordaça-la, tampar-lhes os olhos,
colocá-la num baú.
Mas enfim, as pedras do caminho,
pesadas e leves, lisas ou brutas,
acompanham a certa medida.
Farei castelos de pedras, esconderei por entre elas,
suplicarei por alento e morrerei ao lado delas.

Pensamento racional

A razão nos tira do propósito,
subverte os sentimentos,
coisifica as coisas pequenas.
Não sei mais se uso a lógica,
ou apenas normatizo tudo,
tudo dentro de um padrão normal,
medicamentado e seguido de perto.
Bem perto até não precisar mais,
e naquela loucura de se perder a razão,
é melhor perder, criando possibilidades,
o sangue correndo na face,
pelo menos deixou-se viver.

Coser

Crio histórias,
coloco-as na cabeça,
invento cenários ora reais, ora irreais.
Roubo vidas,
transfiguro-as em letras,
numa bela imagem psicopática.
Costuro versos, coso,
alinhavo cada parte,
deixo crescer, e crescendo me vejo.
Procuro enredos em uma mina,
de bateia na mão, vou procurando,
procuro até encontrar uma só história.
É difícil escrever histórias, poesias são mais libertadoras,
a mente aceita o desenrolar dos versos, desenrolando,
desatando nós, cosendo, aparando, e aí se vê
num alinhavar de versos surge a poesia.



Obra

A parede branca
Os azulejos amostra
E o som incomoda
Breve luz transluzente