Postagens

Mostrando postagens de Janeiro, 2013

Pedras

Não sei o que faço com esta pedra,
já joguei num rio mas ela volta.
Volta em forma de areia, fina e clara,
no fundo do rio que corta minha cidade.
Já pensei em tudo, pensei em amarrá-la,
amordaça-la, tampar-lhes os olhos,
colocá-la num baú.
Mas enfim, as pedras do caminho,
pesadas e leves, lisas ou brutas,
acompanham a certa medida.
Farei castelos de pedras, esconderei por entre elas,
suplicarei por alento e morrerei ao lado delas.

Pensamento racional

A razão nos tira do propósito,
subverte os sentimentos,
coisifica as coisas pequenas.
Não sei mais se uso a lógica,
ou apenas normatizo tudo,
tudo dentro de um padrão normal,
medicamentado e seguido de perto.
Bem perto até não precisar mais,
e naquela loucura de se perder a razão,
é melhor perder, criando possibilidades,
o sangue correndo na face,
pelo menos deixou-se viver.

Coser

Crio histórias,
coloco-as na cabeça,
invento cenários ora reais, ora irreais.
Roubo vidas,
transfiguro-as em letras,
numa bela imagem psicopática.
Costuro versos, coso,
alinhavo cada parte,
deixo crescer, e crescendo me vejo.
Procuro enredos em uma mina,
de bateia na mão, vou procurando,
procuro até encontrar uma só história.
É difícil escrever histórias, poesias são mais libertadoras,
a mente aceita o desenrolar dos versos, desenrolando,
desatando nós, cosendo, aparando, e aí se vê
num alinhavar de versos surge a poesia.



Obra

A parede branca
Os azulejos amostra
E o som incomoda
Breve luz transluzente

Cores

Azul verde mar
De areias brancas
Água fria
Pulando as sete ondas
Avisto uma aquarela

Lâmina

Aço retorcido
Curvo
Amolado
Corte aprofundado
Estilhaços

Esquecimento

Tantas coisas eu te disse mesmo assim
Você nunca quis me escutar
O amor que bate nesta linda história de nós dois
Fez você, coração de pedra,  não me aguentar
O passado insiste bater a nossa porta
Com um cheiro de noz moscada
Não te quero minha amada
Sem muito mais vou-me embora
Coração fechado
Amordaçado
Loucamente em contrição
Resguardo-me dos lábios teus
Ô Yolanda!
Coloco-te num barco à vela
Onde náufragos irão te levar
Vingt mille lieues sous les mers






A tela

Em um quarto o frio que transpassa
Gélida sensação de consternação
Um buraco na mente maltrata
Não ter pena e sem solução

A tinta no quadro que encobre
Mentiras, falsidades e manipulações
O vermelho agora é arte
Medita o pintor em construção


Prefiro Frankl

Eu não gosto de Freud,
muito menos do Lacan,
prefiro o Frankl.
Não sei dizer ao certo.
Qual sentido da vida?
Que sentido tem viver?
Comer, beber e dormir?
Tão pouco há de si sentir.
E o sexo, Freud explica?
Como explica.
Prefiro a responsabilidade das dores,
dos anseios e odores,
Do que colocar a culpa em mãe e pai.
Prefiro Frankl,
é moeda mais honesta.