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Mostrando postagens de Março, 2013

Canto do pássaro livre

Canto, outro dia eu encanto Da magia de um esperar tanto Faças da alegria uma vida Em notas de humor que nostalgia
O caminhar reto decidido Com peito aberto acredito Falo de coragem que alimenta
A face de um simples branquear O amor derramar Neste chão que pisa uma nação Que não vive de rumores e quer pão
Somos um estrelado no poente Cada um reluz a própria sorte De tanto viver fogo, com fogo fique ferido.


Sexta-feira da paixão

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Roxo
Que fica no tempo
Transforma em alimento
A dor e a paixão

A cruz
Símbolo de vitória
Carregada e depois estendida
Branda aos quatro ventos
Na ressurreição de dois mil anos

Um carpinteiro que pela vida afora
Juntou-se aos pequenos
Alimentou os excluídos
E veio a morrer por defender seu ideal

O sagrado da morte e vida
Ancorada naquela ferida
Escancara-se de luz e alegria
E que Ele ressuscite dentro de cada um de nós.



Congresso Nacional

Congresso
Um esgoto a céu aberto
A putrefação instaurada
Democracia de fachada

O evangelho se tornou lei?
Destruíram a constituição?
E se você é gay
Teu amor crime tornarão?

Anacrônica instituição
Não serve a população
Os anseios desprezados
Viva como rato

Não viveremos nobres deputados
A visibilidade é que nos distingue
Bandeiras e cartazes nas mãos
E o grito que ecoa, verbalize

Escrevo essa "canção"
Pra falar de coisas atuais
A indignação tomou conta
E para o deputado tanto faz

Cadê a Presidenta Dilma
Finge que não vê
As eleições estão próximas
E não quer se comprometer

O país nunca será de todos
É sim, da maioria enrugada
Podre os poderes
E a população não reage a nada

Fraco é o povo que não questiona
E aceita com passividade
Querem destruir a laicidade
E inaugurar a picaretagem.


Casamento igualitário

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Não importa o seu sexo O casamento civil é igual Aquela vontade de se enamorar Uma família com justiça  Eis o Estado laico decretar

Sofreguidão

Andei por passos arrastados Sôfregos de intuição Pensamentos distantes Nem vontade e excitação
Construindo arquétipos de felicidade Uma vida mansa e paz Aquela que nunca veio Devaneios de um cristão
A traça corroeu a vaidade Deixou em pé só carcaça E num singelo gesto de delicadeza Faleceu

Amor reflexivo

Sorrir além das linhas do Equador
Sussurros que invadem meu amor
Cristalizam as noções de afeto
Do povo que brada o peito aberto

Pra que chorar
Se existem mil fontes
Amar é certo

Se lamentar
Na pureza do orvalho
O bem querer espero

Sonhar na luz branca
Revestir-se de silêncio
Amor que invade
Breves notas de um contexto atento

Já ti pedi
Não se entregue a soluções prontas
O beijo amado
Na consciência suportas




O vestido vermelho

Baila com seu vestido vermelho
Os opostos e complementares
Dançam em contra pontos
Fazendo linhas não lineares

Sentada no sofá
Eu de frente observo
Os pés mexendo, trêmulos
E aquele olhar hipnotizante

Por um segundo
Estou no meio
Danço sem saber dançar

Na figura de um pensador
Olhando adiante teus olhos que me tocam
Compenetrado esqueço que existo.

Depois de Lúcia

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Assisti este filme ontem, "Depois de Lúcia". Sai do cinema atônito, sem reação aparente. É daqueles filmes que você vê e demora pra assimilar. Uma realidade presente em todos os tempos. Escancarada de maneira sútil, mas densa e profunda. A dor que cala por medo. A angústia da não reação. Submeter-se aos piores constrangimentos pra não incomodar um pai, este em processo depressivo. A maldade escancarada, batendo na cara, gritando sua fúria, seu desejo incontrolável por poder. Escravizar o outro, dominá-lo até que não consiga mais reagir. Onde estaria a vítima? Onde estariam os algozes? E tudo num ambiente de uma escola que deveria ser o local onde apenas as ideias fossem confrontadas, mas na realidade não é bem assim. Depois de Lúcia fiquei sem reação, perplexo pela maldade com que o ser humano pode chegar. Isso não é apenas um filme, uma ficção, tem muito de verdade. Talvez por isso a perplexidade seja a nota aguda que ecoa em Lúcia. Ela tem um pouco de mim.

Bullying

Vi a arma branca
Com o colega de escola
Ameaças
E o choro contido
Nunca saiu da memória

Capítulos - Inflorescência

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Capítulos de infinita simplicidade Pontilhados de um amarelo pálido Revestem-se como os lírios do campo

Fóssil

Pinça o caramujo
na lupa observo
aspirais e minério

Correnteza

A correnteza
que força
é o nosso guia









Look

O olhar de uma criança
Contemplando o horizonte
No anseio da idade
Eterniza cada instante
Ela corre pelos descampados
Sente o cheiro de relva molhada
Deita e observa
O semblante de um céu
Que a abraça

Paradoxo

A vida pra mim é um paradoxo
Não sabemos o que viemos fazer aqui
Comer, dormir, respirar o ar
É tão pouco, ínfimo
Temos alguma coisa pra fazer
Ou escolhemos algo que nos dê sentido
Ou fazemos de conta que somos raízes
Ainda assim a vida é paradoxal
Se você acredita só na matéria
E vive como se ela bastasse
Já se perguntou
Há falta de algo?
Essa falta sempre me acompanha
Pra onde quer que eu possa estar
Há coisas que a materialidade não explica
Ou a explicação é superficial
Nem tudo que se vê é o fim das coisas
Viver ainda é um paradoxo
Não ter o que lutar ou sonhar me constringe
Sou um ser de inúmeras faltas
Às vezes falta coragem
Outras vezes ela vem e me falta o impulso
Outras vezes sinto falta de bondade
Às vezes excesso de cordialidade
Sou um ser de grandes faltas
Falta-me, às vezes, acreditar nesse Deus
Ou naquele das escrituras
Parece um absurdo acreditar em algo assim
Para os espíritos é a inteligência suprema
Causa de todas as coisas
Independente de crer ou não
Somos um parado…

O tempo dirá?

Perco tempo por brigar?
Uma briga ignóbil
Que consiste em achincalhamento
Barbáries, mentiras inventadas

Ganho tempo por lutar
Esmerada no pensamento
Crítico no seu alicerce
Amorosa nas intenções

Sei o que é uma mentira
Brota da internet quase todo dia
Faz das linhas ponto de oposição
Discórdia e nenhuma redenção

Inimigos que se comem mutuamente
Um sangue nefasto
Derramado virtualmente
Entre RTs e tuítes


Pensamento de criança

A criança corre pelo mato
Toca as hastes de capim
Cheira as flores do campo
E observa

Aquela abelha pousada na flor
Beliscando delicadamente
Com a trombinha suga o néctar

Caminhando de flor em flor
Alimentando-se de açúcares
Voe rápido dona abelhinha
Pensa como criança

Há tantas flores pra serem visitadas
E trabalho pra ser feito
Com capim na boca, deita e olha para o azul intenso.


Pra criança

Doce de marmelada
Açúcar nos lábios
Travessura de criança
Corre, corre apressada
Pula a cerca
O boi já vem
A garota de fita amarela
Histórias em versos têm
E você amigo pequeno leitor
Tomou nota?
Vá de prosa
Que a conversa é sempre um bem

Bem-ti-vi

O bem-ti-vi sorriu pra mim
Um largo e branco sorriso
Perguntou-me se queria voar
No alto daquelas montanhas
Lá de cima te avistar
O bem-ti-vi disse assim
Voa de asa delta
Pairando na imensidão
Dando cambalhota
No zigue-zague do ar
O bem-ti-vi para
Solta uma gargalhada
Desce como montanha-russa
Deixou-te em terra firme
E os sonhos de outrora
Pra sempre irão ficar

Poema reflexão

Como dói escrever Ideias que vêm frágeis No limiar da verdade Conspícuo
Lido com aquilo que é meu Que transpassa os dias Marca a pele E deixa cicatrizes
Ainda há um pouco de frescor Em cada verso escrito Uma nota aguda Paro e penso: “a minha voz é uma muda introspecção do ser”

Protesto

A pior coisa que acontece na internet é esse excesso de julgamento. Meu protesto silencioso!!!

Frieza

Golpe na bicicleta
Corpo ultrajado
Uma parte arrancada
Omiti-se socorro
A barbárie instalada