terça-feira, 30 de abril de 2013

A amada

Minha amada
Procurei por caminhos de flores
Vestes brancas como pureza da alma
Aquele loiro cintilante
Ilumina o céu e as estrelas
Ô amada Senhora!
Não fujas do destino que nos persegue
Aquela nota aguda de desilusão
No findar dos tempos de outrora
Com uma flecha acertei seu coração.
 

Um adeus

Apressando os passos
Vira naquela esquina tenebrosa
O passeio coberto de mato
As mãos e os pés livres
Um buquê de gardênias
Avisto um bilhete:
Goodbye in between kisses

sábado, 20 de abril de 2013

Voar

E chegou a hora de voar
A notícia corre solta
Coração em medo brota
Hoje, voando pra fora de casa.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Folhas e tribos

Em uma tribo distante
As folhas são remédios ou venenos
Maceradas em uma cuia
O cheiro de erva impregnando as matas
Substâncias de alívio ou cura
Poderes sobrenaturais invocados
Em rituais de profundo simbolismo
Pataxós, Maxacali, Caxixó, Puri

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Figuras míticas

(da série pra crianças)

Aquele som em tempos de chuva
O barulho que causa receio
Tupã para os índios 
Como Iansã para os negros

A natureza toda decorada de deuses
De uma mística sabedoria
Encanto e beleza
Nos mitos afro e indígenas

Guaraci, o sol
Ilumina a aldeia
Jaci, a lua
Seu oposto 
Nas águas dos rios estampa sua beleza

Sumé regia a agricultura
Iara sedutora das águas
Anhangá eram os espíritos que a noite vagavam
Protegendo os animais de caçadas
Indígenas viviam com profundo respeito




sábado, 13 de abril de 2013

Orixá da terra

Obaluaiê
Senhor da Terra
Tuas feridas protegidas
Por palha-da-costa-aze
Iemanjá que cuidou das feridas e o criou
Debaixo daquela palha
Guarda os segredos da morte e do renascimento
Com um canto de guerra
Atotoó!!!
Omulú, Atotoó Obaluaiê, Atotoó

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Poesia marginal

Ode aos poetas marginais
Com suas poesias informais
Asseguradas pelos palavrões
Expressões de cunho amorais
E recusa pelo convencional

Representatividade

"As lutas mesmo sendo individuais em determinados momentos elas declinam pra coletividade, se não for assim, não é preciso nunca ter nenhum tipo de representatividade". Arquimedes Diniz



quinta-feira, 11 de abril de 2013

Homem de afetos

Os olhos enchem de lágrimas
Péssimo com conflitos
Prefiro sempre a paz

Há uma coisa dentro de mim
Que não contenta com a guerra
Se desfaz na hora certa
Em clima de uma eufórica mansidão

Os joelhos cansados
Prostrados diante de uma espada
Transpassasse o peito
E de utopias morreria

sábado, 6 de abril de 2013

Fato

Rosto umedecido de emoção
Uma cantora enaltecendo o amor
Bandeira hasteada
Positivando as ações
Momento de reflexão e luta

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Cinismo

Vamos tratar todos iguais?
Na igualdade absurda
Do normal ou incurável
Do louco ao bipolar
Que ninguém veja
Lutamos pelos padrões
Os desvios nos afligem
Catalogando tudo em caixas
Separando, e coisificando
Livrando-nos da ironia
Aquela que carcome os verbos
Das boas mentiras inventadas e espalhadas
Como verdades absolutas enaltecidas
Dos freios que te colocam na boca
Na beleza do desencontro
O cínico sempre aviva


Porvir

No andar da carruagem
Em mãos
Duas alianças
Vinculo de fé e afeto
Transluzente num sorriso
Entre mulheres que se amam
Enchem de orgulho
Amor sempre é preciso
Daniela e Malu
Num gesto singelo e bonito
Fizeram-me emocionar
Com a alegria do divino
De ser amor enquanto a vida deixar
Em um eterno vínculo
A alegria de hoje
Se transforme em bandeira
Que sejam felizes
No porvir da vida inteira




quarta-feira, 3 de abril de 2013

Terceiro Milênio, o Amor


Sós
Olhando a vastidão além-mar
Com o coração cheio de emoções
Não vemos quem está ao nosso lado
Perdemos a sorte de amar
Ame ao próximo disse o profeta
Continuamos absortos na paisagem
Olhando, olhando
Porque no amor se ama
Quando nada tem nosso
Um amor que sobrevive do divino de outrora
Mergulhado em raízes etéreas
Sós
Continuemos a olhar sós
E daquela vontade que inspira
Sairemos dos nós
Alcançaremos o outro lado
Neste silêncio em que o eu parece imperar
Juntos
A grande possibilidade se abre
Daquele sorriso de criança invade
Fulguras o verdadeiro amor
Ame
Os laços de uma humanidade em evolução
Em que as ações prosperam
Busquemos os olhares de afeto
E num abraço forte se alternam.

Vírus

Faço um caminho
Descrevo os passos
Finjo realces
Páginas seguras 
Encantamento pela bobagem
A maldade disfarçada
Em imagens e coisas belas
Intenções dúbias
Pergunto-me pra que?
Enquanto a vida passa lá fora
Corroem-se com um falso poder
Mimetizar a falsidade
Em histórias falsas
Eu não vou me a ter

terça-feira, 2 de abril de 2013

Choca-da-mata


(da série pra crianças)

O choca-da-mata agourento
De plumagem cinza lembra fêmea
Macho de cores pardas
Constrói um ninho que é um pequeno cesto
Na forquilha de um galho
Vivem em bandos e reúnem-se na floresta
Procuram presas entre arbustos
Perto do homem do campo
Nunca ouvi e vi
Retrato aqui como o descrevem
Fico curioso pra vê-los
Canta Thamnophilus caerulescenses
Lá nas matas de Dona Rosana

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Amanhecendo


Olho para o céu neste amanhecer
Um azul amarelado faz brotar de nuvens cor de prata 
Você já se permitiu olhar para a vida que passa diante dos teu olhos?
Correr da moderna existência é um saco 
Permito-me um pouco de contemplação 
Pelo menos é um refrigério na linha do tempo 
Fulgáz período composto que são os amanheceres

Cantiga

Queria falar de coisas boas
Nem tanto ao mar quanto a lua
Viver de brisas ao luar
Com cheiro de mato e orvalho

Fui buscar na via
Aquela láctea pra enfeitar
De verdades me encher
E flutuar de um gesto de alegria

Amar, amar, amar
Levantar o voo de uma felicidade contida
Alçar caminhos numa constelação

Sonhar, sonhar, sonhar
Falando de realidades existências
Com um grande gosto de te ver sambar