sábado, 29 de junho de 2013

Casta humanidade perdida

Sento em uma calçada, com os pés descalços, sujos e roupas em trapos. Delício um caldo de feijão que encontrei em uma lata de lixo e pães que um morador em sua atitude humana havia entregado-me. Restos do caldo caem no chão, com a fome que bate no peito, passo um naco de pão naqueles restos. A fome ainda não saciada, percorro lixeiras próximas, matar o desejo da não existência digna, e se fartar de partículas daquilo que seria minha humanidade. E essas cenas se repetem, passamos por elas todos os dias, nem damos a devida atenção, ou por medo, desprezo, ou insensibilidade mesmo. É comum, é banal, mas não me canso de pensar não é humano. Ou se é humano, perdi minha casta humanidade.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Contador de horas

O tempo foge
Entre diários e papéis
O tempo urge
Como menestrel de linhas encantadas
Nada passa ao seu lado
Ao meu lado
Fulgurante e delirante
Contar de horas

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Trans

Sou homem
Ou sou mulher
Somos desejos
Gêneros que se movem
Bailam no inconsciente
Expressão da individualidade
Que é vivida quando aberto ao outro

sábado, 22 de junho de 2013

Sol e Lua

Meu corpo em fragmentos encontraste
Aquela dor no peito bate
Tantos sonhos com você

Meu beijo em teus lábios tocaste
Naquele anseio vibraste
Derrama em todo o meu ser

Te quis na minha cama sempre
Com aquele olhar que se senti
Duas histórias que nunca vou esquecer

Quando dois corpos que se querem
Roubaste
Num leito de morte
Ficaste
Duas almas ao entadecer

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Mais protestos

Não há revoluções
Tudo é mentira
Os mesmos modos e os mesmos gestos
As mesmas bandeiras astiadas
Quando um pouco de mim muda
Um pouco do mundo sente
Se nada dá pra fazer dentro de si
Nada no mundo mudará
E quem quer mudar as coisas fora
Neste espaço conturbado
Pouco muda o mundo
Políticos não querem mudanças
Partidos políticos querem poder
Não se iluda meu caro manifestante
Teu grito corrupiado
É isso que eles querem ter

domingo, 16 de junho de 2013

No ambiente de uma escola

Do alto da escola
Vejo ao longe a serra
Linda imagem em um céu azul
Manhã clara e limpa
Ornada por casas pobres e castas
A violência inserida como ferida
Para todo lugar se espalha
Os pais que trabalham todo dia
Deixam teus filhos na escola integral
O ambiente é agitado como em qualquer escola
Gritos de algazarra e felicidade
Espalham-se por todos os lados
Há guardas no recreio
Tentam manter a ordem
Mas com crianças em plena idade
A desordem é a forma de inspirar a criatividade
Volto ao ambiente escolar, não como professor
Acabo relembrando dos tempos de sala de aula
Educar é viver
E tudo tem sentido se a educação transformar a realidade

sábado, 15 de junho de 2013

Protestos

Passeatas nas ruas
Gritos de ordem
Há liberdade pra protestar onde se quer?
Neste país chamado Brasil
O governo é que quer controlar
A voz do povo adormecida

segunda-feira, 10 de junho de 2013

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Beijo ao semelhante

Cantar com um beijo escondido
Dizendo que se ama quem quer amar
O livro aberto da própria vida
Escancarado
Deixe voar
As pausas reflexivas que dão gosto da verdade
O frio que nada corta mais
Marejar os olhos esguios
Em um profundo ambiente de paz


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Quintal

O quintal é um lugar vivo
Onde bichos e plantas dividem o espaço
Pode haver caracóis e lesmas
Borboletas e louva-deuses
Lagartos que se esquentam ao sol
Pássaros no jambo vermelho
A noite corujas e morcegos
E eu aqui um simples observador

sábado, 1 de junho de 2013

Experiência

Um pedaço de bolo
O mendigo encontrado na rua
Não era pra ser dado a mãe
Mata-se uns minutos de fome
E o coração alegre se foi