Casta humanidade perdida

Sento em uma calçada, com os pés descalços, sujos e roupas em trapos. Delício um caldo de feijão que encontrei em uma lata de lixo e pães que um morador em sua atitude humana havia entregado-me. Restos do caldo caem no chão, com a fome que bate no peito, passo um naco de pão naqueles restos. A fome ainda não saciada, percorro lixeiras próximas, matar o desejo da não existência digna, e se fartar de partículas daquilo que seria minha humanidade. E essas cenas se repetem, passamos por elas todos os dias, nem damos a devida atenção, ou por medo, desprezo, ou insensibilidade mesmo. É comum, é banal, mas não me canso de pensar não é humano. Ou se é humano, perdi minha casta humanidade.

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