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Mostrando postagens de Novembro, 2013

Poesia marginal

Purificaram a poesia?
Tornando-a pudica
Comportada
Uma Senhora recatada

Decoro nas estrofes
Nunca foi o mote
Palavras que se corrompem
Num estado de graça celeste


Cospe bala

O policial de dentro do carro atira
Não pergunta
Trata o rapaz como inimigo
A vítima faz uma breve pergunta que ecoa
Por que você atirou em mim?
E a resposta não vem
Armas não falam
Apenas cospem tragédias

Nós

Minha face vermelha púrpura
Uma boca pintada
E um desejo ardente de gritar
Céu anuviado
Toco seus lábios
E como encantados nos tornamos
Em cetim áureo