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Mostrando postagens de 2015

Pensamentos III

O coração bate acelerado
Ansiedade de instantes
Aquele gole de café
Mãos trêmulas
A indiferença toca a alma
Perde-se amigos mas não os dedos


Pensamentos II

O corte na alma
Fez-me mais humano
O cheiro podre que exala
Não me deixa pensativo
As linhas percorridas nunca devem ser esquecidas
Pois foram elas que me trouxeram
Vida e morte há de contemplar

Pensamentos I

Vivo com meus pensamentos
Mergulhado na sombra do vale
Inspirado no cotidiano
Faço versos performáticos
Cadência e ritmo não é meu forte
Sigo minha própria estrada
Ladrilhos e estrutura
Estrofes acabadas

Língua de fogo

A língua que beira a insanidade
Conversas sobre si mesmo
Não compactuo com tal disparate
Em línguas de fogo há de refazê-las
Sou poeta cabisbaixo
De olhares pouco profundos
Penetro na pele e subverto
Na profundeza alma hei de me encontrar

Meu amor calado

Calado meu amor me ama
E o amor ama-me de dentro pra fora
Aquele amor que penetra
Penetrando no meu ser

Ao meu gato que foi doado Ele foi embora
Deixou um vazio
Fez do meu coração seu ninho
Deitou e partiu

Passageiro do tempo

Não sou um otimista e nem um pessimista
Sou do realismo fantástico
Tenho lembranças inventadas
Daquelas que nem o pó repercute
Meus dedos de folha
Passam pelo teclado
E me fixam noutra realidade
Escrevo para esquecer do tempo
Daquele tempo que não volta mais


Lembranças

Lembro-me no canto da parede
Botando fogo na cortina
Jogando tinta na sobrinha
Com aquela raiva peculiar

Lembro-me do cachorro preso ao portão
Sangrando até a morte
Uivando de dor

Lembro-me de tantas coisas ruins
Minha cabeça chega a pirar
Só a poesia me conserta
Das minhas lembranças

O copo

O copo que derrama
Seu próprio ser
Vivência cada palavra
Lidar com as inferências
Em um toque de adeus

Mundo trocado

Cachorro que pia
Gato que late
Pássaro que mia
No meu universo de criança
Tudo é trocado
Só o amor pelos animais continua o mesmo

O vôo

O amor  toca
Na pele desenvolve-se
Sulcos sendo criados
Num dia me metamorfose-o
Livre vôo
As asas são de um chumbo prata
Você quer me amar?
Então perca as esperanças
Voe mais alto e me encontre

Cores

Para crianças Na minha imaginação
Vivo de cores
O azul sou eu
O vermelho é você
E o verde somos nós

O tempo me diz

O tempo me diz
Revoada
Cada um sabe do nó da gravata
Que precisa apertar
O tempo me diz
Renovar
Ideias e orações precisam ficar

O pecado ao lado

Que o pecado mora ao lado
Delícia é pecar
Diante de um altar sacrilégio
Com a força do perdão me disfaço
Naquelas notas intensas de tanto tesão

Andarilho existencial

Andarilho existencial
Quebra as correntes do tempo
Responsável por aquilo que acredita
Mesmo com os erros de outrora
Caminha a passos largos
Estradas estreitadas pela mente confusa
Ergue-se um novo deslumbramento
Onde cânticos de amor aparecem

A vida parece uma ficção
Ora liberta
Ora reprime

Andarilho existencial
Ao andar pelos montes
Vê-se como um menino
Aturdido pelo mundo
Que quer colo e sente calafrio
A alegria deveria ser de agora
Mas o sol que se põe
Não deixa suas marcas no pobre coração


Minha companheira: a música

Sou um gay casado
com o meu tempo
Mesmo que não seja os melhores
são estes que me perseguem
Um tempo de paródias
porque não se dá valor ao original
Precisamos das ideias dos outros
e não exploramos nossas próprias ideias
Sou um aficionado por música
escrevo ouvindo música
Ela penetra no meu ser
e desenvolve sentimentos ainda não explorados
Sou casado com a noite
casado com o dia
E aquele piano da Gaga ao fundo me ensurdece
As notas evoluem e me sinto mais eu
Não preciso disso pra escrever
mas gosto de ouvir e escrever

Gravidez das palavras

Brigo com meus bons sentimentos
Tempestade em copo d'água
Crio uma vida ficcional
Para a realidade nem tão dura

Sou uma pessoa clichê
Nem me importo
Faço tudo por prazer
E escrever poesia está neste alcance

Gravido das palavras
Gesto cada uma delas
Na hora certa elas nascem
E povoam todo meu ser


Não quero ser poeta de guetos

Não quero ser poeta de guetos
Das sombras
Dos relampejosNão quero ser poeta de uma turma só
De um bando
De uma manadaQuero constar no universo
Escrever poesia é minha sina
Dos versos meus, tão meus

Um outro ser

O seu amor é como mosca ovulada
Daquelas cheias de larvas
Prontas para nascer

O teu sexo cheira a fezes
Arrombamento que dá prazer

Bata na boca quando for falar
Bato na tua cara 
Cuspo mentiras na tua face

Você me aniquilou
Me esnobou
Violentou

Me fez ser eu mesmo
Me encantou
Enfeitiçou


Por menores

Nem tudo é realidade
A ficção salva
Crio poesias inventadas
Pra inventar a própria vida

Se tudo fosse verdade
A falsidade existiria em quê?
A poesia me salva
De momentos de profundo tédio

Não tenho uma vida atribulada
Meus dias são um simples entardecer
Viro do avesso e encontro desejos
Só a morte me aproxima da vida
O óbvio seria ter um fim
Em que tudo possa surgir de relance
A brisa leve da escuridão
E a minha alma toca a Luz

Viva o Rio!

Céu que me lembra o azul das estrelas
Numa tarde ensolarada
Raios que tocam minha pele
Fulguras em linhas de um amor
O avião em quase partida
Deixa um pouco do Rio em mim

Coragem

Coragem para viver o que se tem que viver
Coragem para desafiar os próprios desafios
Coragem para se manter digno
Hoje me faltou coragem
Era apenas uns trocados
Mas mesmo assim me faltou coragem

Para Mariana e Paris

Acidente ambiental e humano
Na cidade de Mariana
Não importa o tamanho
A lama revestiu os mortos
Em Paris um atentado
Mortos despedaçados
Qual tragédia é mais tragédia?
É nisto que o povo pensa
O amor é gratuito
Dá quem quer e pode
As duas tragédias me comovem
E elevo o olhar ao horizonte e rezo pelos familiares
As almas ainda estão vagando
Precisam de orações
Os que ficam meus pêsames
E num gesto límpido um abraço de dor-amor

Poesia controversa

Entrei no bosque das sete árvores
Criei um mundo do avesso
Em que as pessoas têm quatro patas
Correm no descampado
São e nada mais que animais
Vivem e deixam ser vividas
Não pensam
São como marionetes
E assim o governo da soberana rainha se realiza
Nem tudo que ela faz
Eu um  pobre esquerdista aplaudo
No mundo de hoje a gente não deve seguir
E sim procurar ser seguido

Poesia choca

O álcool me acalma
Entorpece os sentidos
Deixa meus instintos afiados
Depois a ansiedade volta
Como se nada tivesse ocorrido
Uma bela taça de vinho
Corrompe até essa poesia choca

Filosofia de vida

Renego-me
Entrego-me
A filosofia
Donde tiro água de pedra
Para viver neste mundo cão
Entrego-me
Renego-me
A Filosofia

Anjo safado

Um anjo safado me disse:
Vai ser gauche em vida!
Escrever poesia é para quem pode
Não para quem acha que pode
Fiz-me de rogado
Nem escutei e nem ouvi
Sou obstinado a tempos
Sempre cumpri minha sina
Escrever compulsivamente para aliviar
A dor que eu sinto



A morte para uma criança

Para criança

Busquei a vida
Levei-a para passear
A morte nos espera
Não tem como escapar

Flores na alma

Busquei dentro de mim flores
Que me acalmassem
Ansiosamente as encontrei
Plantei flores na alma
De lá nunca as tirarei

Fome

Nunca senti fome
A minha fome é outra
Na infância arredio
A adolescência estático
Movimentos poucos na fase adulta
E neste vai e vem de interesses
Descubro-me mais humano

Minha fortaleza

O relógio marca infinitas horas
Tempo que me conserva melhor
É um monte de sensações que povoam minha mente
Sinto cheiro de crise
Dizem que por elas passamos mais fortes
As minhas pequenas depressões
Corrompem momentos da minha alma
Passeiam pelos labirintos do ser
E tocam abismos de dor
Com cores nem sempre brilhantes

Crise depressiva

Em crise depressiva
Vontade de não fazer e não ser
Ficar parado, estático
Lágrimas quase imperceptíveis
Escorrem no canto dos olhos
E a vontade de estar só domina
Preciso sair disso

Agreste místico

Sou seco por dentro
Sem muitos atrativos
Por isso minha poesia é de um agreste místico
Vivo das minhas entranhas
Continuo árido
A procura de beleza
Uma fulgida certeza dentro de mim

Sozinho

Choro pequenas notas
Uma solidão devastante
Só e junto com as pessoas
Mesmo assim sozinho
Pretos dias
E as sensações vem e voltam
Sozinho assim
Sem ninguém para acompanhar

Momento

Hoje estou desanimado
Não sei explicar o motivo
Aquela ânsia de ficar só
No meu canto, comigo
Hoje estou cabisbaixo
Arrastando chinelos
No desvio do meu caminho

O assalto

Estava no ponto do ônibus
Três rapazes à margem apareceram
Queriam dinheiro e celulares
Consegui escapar
Não sei se fiz o certo
Foi algo impensável
Tudo pareceu rápido
Corri como um louco
Ouvia o clep clep dos chinelos parados
Foi aterrorizante
No meio do caminho encontrei a Luna
Que por sinal estava indo pra lá
Nada mais nos aconteceu
Mas na memória fica os momentos de uma violência

?

Fogo que alastra na alma
Palavras que povoam o espaço
Signos e significantes
Diante de cada lêxico
Coisas acontecem
Orações soltas
Sem amarração
Desalinhavar
Pontas soltas com expressões simples
E em cada gesto um ponto de interrogação



Tendência

As horas passam
E eu só sei escrever para mim
É um autorreflexo
Uma tendência narcísica
Chega!
Quero escrever sobre a vida
Crescer com a vida
Mudar e ir mudando aos poucos
Buscar nos objetos poesia
Aquela xícara no café da manhã
Toda suja, borrada, com pó ainda fresco
Pode me dizer algo


Perdido

Estou só com meus defeitos
Fazem-me ser quem sou
Os quero bem perto a mim
Desejos de uma noite de amor
Sem complexidades
Vou escrevendo estes versos
E não sei onde vou
A melancolia reitera
Faz parte do meu ser
Busco em mim um pouco de esperança
Mas na vida
Ah esta vida ingrata
Perdi-me do meu ponto
Sim, Senhor!

Uma questão

Afeito de riachos
que transparecem nas mãos
Rios que caminham por baixo
levantando o pó
A água que corre em minhas veias
percorre meu caminhar lento
Sou fogo que corrompe espaços
desnaturaliza opções
A cada dia me pergunto
Deprimir ou não deprimir
Eis a grande questão?

Árvore humana

Para crianças

Os meus galhos
As minhas raízes
Folhas que não cabem dentro de mim
Sou pousada de pássaros
Abraço a imensidão do universo
Que diz e fala seus encantos

Refugiados

Em meio a guerra
Escombros
Tetos desabando
Ruínas
Para onde ir?
Países que acolhem
Refugiados de guerra
A tristeza toma conta dos semblantes
Mas sempre há um sorriso de esperança
Chegar a um local seguro
Reconstruir
Com o pouco que se tem
Refazendo-se a vida

Sensações pela manhã

Talvez não devesse falar de sentimentos
Quem sabe sobre coisas e objetos
Fixando o olhar
Remexendo por dentro
Achando um coração de carne
Pulsante e febril
Crendo em milagres que não vão acontecer
Tecendo os verbos e adjetivos
Sem momentos de tranquilidade
A linha que percorre os acentos
Deslumbrando tempos de glórias
E a pulsão amarela e roxa
TOC TOC TOC
Que caiba no peito.



Desorganização

Amar enquanto há tempo
Desprazer que corrompe
Em litros de leite jorrados
Não há uma lógica no que escrevo
Tudo é fruto de pensamentos desorganizados
Que se organizam em versos


Meditações de um domingo

O plágio que me fizeste
Os autores não revelados
Mentiras dadas as pressas
Verdades na lata
Não sou um fingidor como diz o poeta
Tenho coração de pura carne
Já falei inúmeras vezes
Não o sigo
Não pontuo, e nem virgulo
Nem parafraseio a ninguém

Mudanças

A cabeça cansada
O corpo cansado
Cansado estou
Não achei que seria difícil trabalhar e estudar
Neste corre-corre do dia-a-dia
A alimentação fica em segundo plano
E as poesias também diminuem
É muita coisa para se estudar
Textos e mais textos
Capítulos de livros
Sínteses
Resenhas
E mais e mais
Mas era isso que queria
Aumentar a sapiência
E estender a paciência

Contentamento

Frescor na alma
Não é dela o renascimento
As armadilhas que a vida prega
São atestadas nos vencimentos
Sou tudo aquilo que posso
Não entenda como descontentamento
Os meus brancos cabelos aparecem
Vou viver a vida para sempre.

Gozo santo

A santidade revestida de pecado
Aquele gozo santo
Que espalha como leite derramado
Elevando a céus terrenos Dois seres que se amam
Revestem-se de puro êxtase
O toque do divino amado
Consubstancia aquela vida ao largo

O olfato

Seguir em passos largos
Subir a ladeira
Sentir o teu cheiro
Pode ser a maior loucura
Que transcende o olfato

O amor transgride

Transgredir a cada palavra dita
Dar de cara com os acontecimentos
Subverter as ordens das coisas
Criar sulcos na sociedade
Onde só o amor penetra
Quer algo mais transgressor do que o amor?
Não é preciso dar esmola
Não é preciso dar as coisas de graça
Isto não é amor
O amor motiva
Ele é o combustível da alma
Ele ampara e deixa-se amparar
Substância que envolve
Embala as noites e os dias
É questão de filosofia e vivência
O amor é amor?
Isto é muito pouco para algo que transcende a humanidade
Ele tem seus inúmeros significados
Incorpora e deixa se incorporar
É fome que alimenta
É brisa que refresca
É som que acalma











Aos mestres

A sabedoria encarnada
Vivida com a própria vida
Celebrada como vitória
Que a todos conquista
Um professor pode ser um mestre
Ele conduz seu aluno
Para momentos de triunfantes desejos
E apazigua conflitos dorovantes
Seu saber pode até ser contestável
Mas a retidão do seu caráter, não
Se for um mestre de verdade
Deixa na vida dos outros um rastro de luz







Sopro

Sopro de vida
Acalentando a minha tarde
Um bem que envolve sem procedência
Reveste-se com a própria arte
Busco dentro de mim o que quero dizer
Nem sempre é o mais perfeito
Mas a ideia sempre deve de prevalecer

A vida continua

Que a vida continue sendo esperança
Que você que passa ao meu lado, tenha uma vida abundante
E que os finais de tarde não sejam de tédio
Que o amor vos acompanhe
Cada dia de glória, seja a manifestação de um bem querer
Bem querer que ultrapasse a lógica humana
E resplandeça em cada entardecer.

Feitura de doces

Para crianças

Fazer doce é muito fácil
Dizem que Cora era de mão cheia
Fazia os doces mais encantadores
Gostosos de lambuzar os lábios
Eu sei fazer doce
Minha especialidade
Arroz doce
Com canela
Ninguém resiste

Ocaso

Ocaso
No meu caso
É um tempo obscuro
Que a claridade bate
Iluminando cada acontecimento
Como um novo alvorecer.

A vida é amor

Você que me ama
Eu também te amo
Você que me odeia
Eu não te odeio
Você que é indiferente
Eu não sou
Penso que só o amor conquista
Onde a gente o coloca ele resplandece
Cria sulcos na areia árida
Do meu tempo desértico
Não quero uma vida em vão
Só de acontecimentos triviais
Quero uma vida interessante
Onde o amor penetra e guarda

Desejo a ti

A alegria pulsa no meu coração
E os acordes do amanhã
Deslumbram um novo tempo
Um tempo de amor sincero
Quero paz, quero alegria
Que a vida seja farta, abundante
É o que desejo a todos

Eu e você

Eu encontrei beleza em você
Fui até ao fundo da alma
Vi que a caminhada era longa
Mesmo assim tive coragem
E agradeço por cada coisa
Nos encontramos na vida
Você não me pertence
Eu não te pertenço
Estamos juntos como um laço
Vivemos uma vida de amor
Que a cada dia seja constante
A nossa história de amor

A face

Face desnuda
Sem máscaras
E sem traquejo
Amo pelo vale da morte
Sou consciente dos meus desejos.

Feridas abertas

Imagem
Feridas que são abertas
Expurgadas
Colocadas para fora
Cicatrizes de uma breve vida
Não quero expor o feio
Aquela mácula que marca
Sei das minhas insanidades
Prevejo o meu futuro de glória
Estar consciente de si mesmo
É o caminho para encontrar o equilíbrio


Frases pessoais sobre o amor

A alma se enternece de amor até que um dia dela possa transbordar.Romance exige uma segunda pessoa do qual se possa tirar o melhor dela mesma.O amor é fonte de beleza, rejuvenesce e provoca os mais belos sonhos.Onde houver amor, o ódio não vai imperar.Amar é com atos e o amor é divino.Cresci numa cidade pequena onde tive pouco amor, aprendi amar amando com atos concretos.O amor é como espada que transpassa a dor  e cura qualquer forma de desunião.A arte pode ser a manifestação da beleza interior revestida de amor.Os nossos atos de amor podem provocar pequenas revoluções nas cabeças das pessoas.Cada ato de amor é único porque a inspiração é divina.Dor e amor duas faces que transfiguram a beleza humana.A falta de amor provoca as maiores dores da existência humana. O amor preenche nossos vazios existências até que você se sinta curado e queira curar os outros com seu próprio amor do qual nem conhecia.A filosofia do amor pode provocar muitas mudanças desde que não seja para proveito própr…

Meus olhos

Meus olhos não se fecham mais
Da minha boca só palavras belas
Recuso-me a entregar o meu melhor
Desde que seja por uma causa correta
Lido com meu lado sombrio
Ele não vai mais me importunar
Que a luz encontrada no caminho
Seja a minha razão de estar
Tudo que toco não vira ouro
Mas tudo que amo é puro deleite
Que minha inocência não seja transgredida
Vida e morte deixa estar


Silêncio de um dia

Como é agradável e bom o silêncio
Silêncio das horas que passam devagar
Faz a ansiedade ir embora e não mais voltar
Se o mundo entendesse o silêncio
Respeitasse o silêncio
Mas o mundo quer falar
Falar sem parar
Mesmo que seja algo irreal
O mundo quer falar

Ser livre

A alegria de ser livre
Expressar o que se sente
É a coisa mais digna
Que o mundo não entende
Quantos têm sua liberdade coibida
Amordaçada e vilipendiada
Sejamos francos conosco
A vida é a única alternativa
De se fazer crescer
Em cada dia

Clara Nunes

Imagem

Tempo

O tempo meu amigo
Tempo irmão
Tempo que corre para o rio
É tempo do meu amor

Madrugada

O frio da madruga
Enche meu peito de dor
No calor do abraço do amado
Rejuvenesce minha pele
No seu calor

O amor é fonte do bem

A humanidade é o demônio para si mesmo
O mal prevalece onde não há amor
Enchemos corações e mentes
Criemos um mundo pontuado pelos relacionamentos afetivos
E tudo que não é bom desaparecerá
O amor é fonte do bem

Reflexo no espelho

Refletido no espelho
Vejo um ser comum
Sem grandes alardes
Vai construindo seu espaço
Firme como rocha
Esculpindo cada palavra
Porque é da palavra que ele sobrevive
Neste mundo onde todo mundo quer ser conhecido
Ele parou para refletir
Não quero ser famoso a qualquer custo
Pode ser confuso isto que ele disse
Mas atualmente é como se senti
Quer escrever livremente suas poesias
Até que um dia alguém se interesse por aquilo que escreve
E o devore até a última estrofe


Sentimentos afogados

Meu sangue corre goela abaixo
Os sentimentos ruins vêm e voltam
Parecem nunca cessar
Escravo das emoções
Não posso e não quero estar

Vem e me diz o que posso fazer
Brincar com as nuvens para relaxar
Ou viver de vento

Não, sou poeta de alma pura
Libero meus sentimentos
Não quero afogar

O que é real nisto tudo?
Devolva meus dias claros
E encha o meu peito de amor 

Não ao linchamento

Vivemos em um país que aceita o linchamento e isto é preocupante. Não é oportuno a justiça com as próprias mãos, isto é pura vingança que corrompe qualquer ação para o bem. Quem comete crime tem que ser julgado perante as leis isto é o correto e humano. A vingança nos tira a possibilidade de ter amor até por quem comete crime. Talvez seja pedir demais, mas pelo menos o respeito deveria de imperar. Todos somos cidadãos deste país. Falo como poeta e cidadão não como especialista em política.

Rotina

Os ônibus passam pela minha janela
O ruído não deixa nenhum momento de silêncio
Sentado numa máquina de escrever
Compondo sinfonias poéticas
E a cada letra no papel
Mais vontade de escrever
Elas pulam na minha frente
Como se quisessem dizer algo
Escrevo compulsivamente
Letras em formas de sentimentos

Emergir dos sentimentos

Emergir dos sentimentos
Procurar um pouco de brisa
Encontrar na face nua da lua
Imergir do som límpido
Que acalma a alma atribulada
E os sentimentos que ora sufocavam
Não sufocam mais
Deixam aquela paz de dias mais quentes 



Tão jovem

Sou tão jovem
Inexperiente
Com aquela força de viver
Mesmo que os sentimentos não deixem
Luto para controlá-los com a pulsão das estrelas
Sou tão jovem
Que faço coisas sem pensar
Sem muito medo de me arriscar
Gostaria de amadurecer
Tornar-me mais velho
Não digo em idade
Até mesmo porque pouco importa
Em sabedoria mesmo
Ser jovem e adulto ao mesmo tempo
Administrar a vida com o raiar do sol
Tão jovem
Espero que daqui para frente consiga ser
Um pouco mais jovem.

O frio da manhã

Pra crianças

Hoje está frio
Numa manhã ensolarada
O vento que bate
Calafrio
Pés e mãos congelados
A criança brinca com o astro rei
Nele ela encontra um amigo
Que sempre pode confiar
Nestes momentos de puro frio

Verdades?!

Hoje acordei de madrugada
De um sonho ruim
Aquele gosto de morte no canto da boca
Será que nunca terá fim?
Não penso em premonições
Pois não acredito nelas
Se fossem verdades
Seriam intocáveis
Mas fica uma pergunta no ar
Qual verdade é intocável?

Alucinação poética

No céu listras brancas
Nuvens como gel
E a beleza da flor
Instantes se foram

Não que eu traga mal agouro
Nem pressentimentos ruins
A vida de cabeça para baixo
E o amor como fim

Sou uma roda gigante
Para baixo e para cima
Meus sentimentos estão
Não vejo e nem sinto o teu calor

Frio que formiga a alma
Coração de um rebelde sem uma causa
Não sei o que pretendes comigo
Sou todo ouvidos e dor

A dor

Desejar a dor
Resplandecer de alegria
Até que um dia a dor não exista mais
Numa sociedade multicolorida
Tons de cinza
Onde o berro passa na esquina
Momentos a sós
Deixemos de lado o mundo acelerado
Com sua ânsia de correr
A simplicidade é lenta
Como um alvorecer

Rio de Janeiro

Em novembro vou conhecer o Rio de Janeiro
Suas praias, suas manhãs de sol, seus entardecer
Espero encontrar a beleza da cidade
Já que dizem que é bela
Conhecer o Cristo, o Corcovado,
a Vista Chinesa, o Arpoador
Ver cada canto da cidade com olhos novos
Mas o rio me amedronta pela violência
Pelas facadas distribuídas pelos assaltantes
Como me amedronta

Eu

Fundi-me ao ouro incrustado nas serras de Minas
Procurei por caminhos ora nunca dantes navegados
Refiz-me do barro impuro e das manhãs claras
Sou um sujeito de puro braço
Ornamentado com flores pequenas
Um brilho no olhar de causar esperança
A dor que sinto é pequena diga-se de passagem
Mas é dela que me alimento
Faz-me ser mais corajoso que sou
Cria dentro de mim espaços
Onde só o amor pode entrar

Ao consumo

Lixo para todos os lados
Rejeitos de uma população
As vias de consumo imediatista
Tudo pode ser descartável
Até sentimentos podem ser?
Como cruzes em um calvário
Sustentadas pelo monte de descarte
A sociedade se refaz da pobreza
Somos frutos do nosso modo de consumo.

A estrada

Percorrer a estrada menos percorrida
Viver como se em cada instante a navalha passasse sobre o pescoço
Golpear o coração e deixar a razão falar
Três frases clichês
Nada de novo até aqui
Rever o presente com olhos de águia
Continuar a escrever
Até que um dia a escrita diga por si só

Quero ser pop

Encontro-me no pop
Nos seus coloridos
Nos seus questionamentos
Sim questionamentos
O Pop não é só cor
Não é algo simples
Uma batida perfeita e só
Tem algo nele que ainda me encanta
Faz vibrar por dentro
E também me faz pensar
Sou sujeito do meu espaço
Sempre posso colaborar com o outro
Não justificar o injustificável
E querer ir além das possibilidades
Esse é o pop que conheço

Poeta do "terceiro mundo"

Sou poeta do "terceiro mundo"
Que olha para si com desdém
Não vê a força que emana
Das tuas poucas letras
Elas são miúdas
Ora ficcionais ora confecionais
Não crio nada de novo
A poesia tem sua forma e lirismo
Pra que inventar muita coisa
Deixe os sentimentos e emoções falarem por si

Inconstante

Inconstante
Não sei porque mais sou inconstante
Só a poesia me mantém vivo
Dela tiro água de pedra
Alimento-me e busco a paz
Insconstante
Cada dia é uma coisa diferente
E perco o foco em coisas tão simples
Meditar não ajuda
Orar também não
Mas minhas poesias são manifestações do meu sagrado
Sagrada alma de pouca exixtência
Inconstante predicado do meu sujeito
Que agora nem tem verbo
De tão sem ação
Apenas incurável

Cultura Pop

Tudo é massificado
Quanto mais gente melhor
Como cordeiros para o abate
Uma multidão segue um dito astro
Nada é questionado
Tudo passa a ser aceito
E a cultura pop que antes trazia um frescor
Hoje em dia é mesmo do mesmo

O trem

Enveredando por trilhos abertos a golpes de faca
O trem passa
Passa devagar
Olho o semblante da natureza
E vejo um verde mortificador
Nuances de uma vida a desejar
Passo por vilas
Pequenos pontos de civilização
Passo por cidades
A chance de chegar ao espaço é remota
Não que eu queira ir para a Lua
Viver momentos com o amado
E de tanto pensar
A paisagem se desfez
E encontro-me no trem
Momentos de fantasia
Delírios e sonho

Quero conhecer Nova Iorque

Como deve ser Nova Iorque?
Sua gente, seus cafés, suas ruas
Visitar os museus
Conhecer cada canto da cidade
Um sonho, uma químera
Uma necessidade
Quero conhecer Nova Iorque

Ao menino da Argentina

É humilhante
Uma criança de seis anos
ser violada na sua dignidade
e o pedófilo ter a pena reduzida

É degradante
Corromper a inocência
E tornar o algoz mártir

Isso é matéria de poesia?
Que se dane as métricas e rimas
Falo de respeito e vida que tem mais valia

Vermelho

Faca afiada
no tomate
Finas fatias
sobre o arroz e feijão
Translúcidas
E o vermelho amargo
consumia
as memórias do menino-narrador

Algumas frases do livro Vermelho Amargo de Bartolomeu Campos de Queiroz.

"Vim ao mundo molhado pelo desenlace. A dor do parto é também de quem nasce."

"Com a saudade evaporando pelos olhos".

"Espelho sustenta o concreto e prefiro a mentira dos sonhos nas manhãs frias e secas."

"Quanto mais amor mais a morte se anuncia".

"Nascer é abrir-se em feridas".

"O tomate não exala nenhum cheiro. É da índole do tomate manifestar-se apenas em cor e cólera".


Passarinho

Série para crianças

Sonho passarinho
Meu amor sonha
Como um bem-ti-vi no ninho
De amor sonha

Cada dia que te vejo
Minha alma canta
Nas asas de um lindo passarinho
Meu amor sonha

Quero te rever sempre
Olhar teus olhos azuis
Cor de um excelso mar
Provocar tua ira
E ver ondas a ondejar

Corra para os quatro cantos
Voe bem perto de mim
Vem meu passarinho
A saudade bate forte
E encontro somente em ti

Homem só

A sombra que balança a vida
Enternece os lírios do campo
Aquelas flores que se põem no jazido
Com um beijo de morte proclamam um semblante

Tu que fizeste a vida
Uma roda gigante
Passeando pelo alto e pelo baixo
Com amores provocantes

Não revejo o passado
Estou diante de tal presente
Caminhar para frente
É momento de glória transluzente

Refaço meu caminho
Pisando em cacos de vidro
O sangue derramado se foi
A dor do momento é descabido

Não me julgues pelo que escrevo
Sou poeta de uma nota só
Martelo, bateio e provoco
Instintos de um homem só

O sorriso

O sorriso é alma de quem brilha
É fogo para quem se excita
Poesia que nos faz amar
O meu sorriso é um tanto amarelo
Feio
Desajeitado
Fiel a si mesmo
Que não quer convencer ninguém
É pura sinfonia dos meus dias nublados
O que me faz melhor a cada dia

Wang

No corredor escuro
Uma luz ao fundo
Na busca pelo desejo
Um caminho se abre
Para onde deverei ir?
O começo de algo
Música que enche os ouvidos
Mostra o coração em prantos
E uma alegria transluzente é percebida



A chave do inconsciente

O coração bate acelerado
Pensamentos negativos vão e voltam
E a ansiedade brota na mente
É ruim estes sentimentos e sensações
Não me deixam deslumbrar o poente
Cada qual com sua chave
Vou abrir meu inconsciente

Cansado

Cansado De tanta brutalidade De tanta inverdade De tanta celebridade Cansado
O caminho pelas letras é solitário É pessoal e forma gente Uma reflexão atrás da outra É só e misturado É junto e solidário

Da série pra crianças

Emoção com crianças

As crianças brincam no pátio
De escorregador
De pula-pula
E amarelinha
Estão todas felizes
Rindo com risadas no canto da boca
E eu só observo
Com um olhar atento
Quem não se emociona com crianças?

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Na escola

Mochila nas costas
Pronta para aula
A menina de fita amarela sonha com a escola
É o lugar onde se sente mais viva
E você caro leitor
Onde se sente mais vivo?


Zumbido de abelha

Série pra crianças
O zumbido da abelha Numa noite de luar No vidro da cozinha Elas sempre estão a perambular Vem de encontro a luz Atacam sem parar Depois morrem queimadas E jaz

Sensações estranhas

Folha que balança ao vento
Ansiedade que bate na porta
Eu, com minhas mãos tremulas
O coração palpitante
Procurando tranquilizar-me
E não adianta nada
Tudo parece não passar
Os pressentimentos voltam
E numa onda de sentimentos mergulho
Até quando Senhor estarei imerso?
Afogado nestas sensações!
E o tempo percorre sua linha
Eu percorro a minha
E nada mais faz sentido




Imitação da natureza

Série pra crianças

Em nossas vestes
Imitamos a natureza
Suas cores e sabores
Seus bichos e plantas
É a necessidade do homem moderno
Estar próximo a ela e tocá-la
Nem que seja pela imaginação

DeMarchelier

Rostos desconstruídos
Por véus negros
Olhares em profundidade
E roupas quentes
Fotografia inusitada
Tudo pode ser visto em DeMarchelier

Eu e você

No beijo azul
Coroado com mil faces de rosas
Languidos momentos de prazer
Eu e você
Aquele sonho de valsa na boca
Derretendo com o nosso calor
Fazendo a vida mais doce
Eu e você
Do espelho da alma
Como carne e unha
Não penso em outra coisa
Eu e você

Flor azul

Blaue blume
Aquele cheiro de perfume estrelar
Em notas constantes
Für mich nur dich

O golpe

A ansiedade toma conta do ser
Não me deixa pensar
A mente sofre golpes de marteladas
Em um sangue fictício me encontro
Aquela corrente do desespero
Oh! Deuses alados
Fizeste desta pobre alma
Um andarilho descalço


Caqui

Série pra crianças

Uma fruta suculenta
Macia e fibrosa
Um gosto peculiar
Aquele gosto doce
na boca deixa estar

Memórias do membro

Quando te conheci
o beijo foi quente
a boca molhada
língua eriçada

O corpo pulava
Pele tocada
Aquela volúpia
Sangue em massa

Arriste
Em pé
a pique



Leitura

Imagem
Fascinado com o novo livro da Adélia Prado.

Humano

A alma se desespera,
mas o corpo é humilde;
ainda que demore,
mesmo que não coma,
dorme.

P.s: poesia retirada do livro acima.

Amores

O desespero bate na porta do peito
Range como uma fechadura enferrujada
E eu com meus nobres sentimentos
Me desfaço em água quebrada

Não que eu queira um amor mutilado
Destes que o sangue verse alto
De amores eu vivo
Como gota de orvalho

A destruição do mundo

Dançando tango no final dos tempos
A obsessão por capas e cartolas
Um grillz nos dentes
Em meio a tanques que pegam fogo
Na realidade tudo deteriora
Em tempos imemoriais
Na memória apenas a mãe
São rascunhos
Pretextos
Para trocas de ideias



Mata o filho

Mata o filho
Vai ao supermercado
Compra alcatra e faz um churrasco

Mata o filho
Joga-o na parede
E o esconde no sofá

Quantas cenas vemos nestes dias
Quanto "misere"
E famílias destruídas

O frio

Série para criança
O frio chega
De mansinho  Como um menino Corto a pele Mas não sangro
O vento vem e corta Sopra sem parar Aquele gélido  Revoar

VI

Senhor
O que procuraste em mim
Vislumbraste em Santos
Sou um pecador
Um insano
Da plebe mentecapta
Forjaste meu ventre
Doido de pedra
Ufano demente
Néscio propriamente

V

Oh meu amado ser de devaneios
Olhaste pra mim como se olha ao horizonte
E viste um nada circundante
Olhe para mim e vire uma pedra
Com o coração gélido de emoção
E jaz sua humilde solidão

IV

Foram em três primaveras
que te encontrei
Na metade delas sempre te amei
Encontrei respostas
Que nunca mais esquecerei

III

Descompassado
Arrítmico
Um coração em rebeldia bate
Sou aquele que escreve na simplicidade
Tênue existência de uma vida a poetizar
Vai poetiza
Arranca dos seus os limites
Transpareça em toda divisão
Aquele que quer unir
Criando pontes adversas
Não sou mais o mesmo
Criei-me com pão e água
Fiz do meu calvário
Um remendo de ideias
Simples como a luz do luar


II

O caminho me leva para além mar
Sigo o coração na eterna ansiedade que não passa
Bate mais forte e grita
A dor que deveras sentes

I

A vida é um entardecer de notas tristes
Agudas e profundas distensões
Aguarda o tempo que não volta
A liga profunda da alma
Em versos fáceis e pueris 


Dois corpos

São apenas dois corpos
Entrelaçados
Vivendo como um só
Numa cama escura

São apenas dois corpos
Envoltos
Emaranhados como árvores
Numa praia deserta

São dois corpos unidos
Pregados
Apregoados numa face
Num quarto de motel

Mística

Senhor tenho te procurado
Não sei por qual caminho procurar
Pelas estradas enternecidas da vontade
Abismos de um amor confessional
Não, não, sou arredio
Te procuro
Vejo em cada instante pontos de sua presença
Cada um traz consigo a vontade
Vontade de te ver
Com os olhos da alma


Há em algum lugar

Há em algum lugar
Mil faces de um amor bandido
Daqueles que só aparecem nas novelas
Frio e ressentido

Há em algum lugar
Amores em notas
Verbos consonantes com o tempo
Árido e sombrio

Há em algum lugar
Um telefone que toca
Não sou eu
Deve ser teu amante enroscado como serpente

Há em algum lugar
Poesias livres e soltas
Simples e nada mais
Haverá algum lugar?

Basta

Subir o monte
Descer a esquina
Virar a esquerda na rua sem fim
Correr em sintonia com a luz do sol
Morrer por instantes a cada palavra dita
Ser como se é
E basta

Intimidade

Vamos falar das nossas entranhas
Entranhar em nós mesmos
Escrever sobre nossas desilusões
Criar abismos e adentrar

Vamos falar de nossas entranhas
Deslumbrar de um mundo mágico
Onde o poder de ser estranho
É mais vivido que ora antes

Vamos adentrar nas nossas entranhas
Expomos ao ridículo
Como aquela bunda amostra
Sem mais e sem perigo

Vamos adentrar nas estranhas
Crucificar nossos males
Arrotar as nossas belas certezas
E criar um mundo de paz

Repetição