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Mostrando postagens de Março, 2015

VI

Senhor
O que procuraste em mim
Vislumbraste em Santos
Sou um pecador
Um insano
Da plebe mentecapta
Forjaste meu ventre
Doido de pedra
Ufano demente
Néscio propriamente

V

Oh meu amado ser de devaneios
Olhaste pra mim como se olha ao horizonte
E viste um nada circundante
Olhe para mim e vire uma pedra
Com o coração gélido de emoção
E jaz sua humilde solidão

IV

Foram em três primaveras
que te encontrei
Na metade delas sempre te amei
Encontrei respostas
Que nunca mais esquecerei

III

Descompassado
Arrítmico
Um coração em rebeldia bate
Sou aquele que escreve na simplicidade
Tênue existência de uma vida a poetizar
Vai poetiza
Arranca dos seus os limites
Transpareça em toda divisão
Aquele que quer unir
Criando pontes adversas
Não sou mais o mesmo
Criei-me com pão e água
Fiz do meu calvário
Um remendo de ideias
Simples como a luz do luar


II

O caminho me leva para além mar
Sigo o coração na eterna ansiedade que não passa
Bate mais forte e grita
A dor que deveras sentes

I

A vida é um entardecer de notas tristes
Agudas e profundas distensões
Aguarda o tempo que não volta
A liga profunda da alma
Em versos fáceis e pueris 


Dois corpos

São apenas dois corpos
Entrelaçados
Vivendo como um só
Numa cama escura

São apenas dois corpos
Envoltos
Emaranhados como árvores
Numa praia deserta

São dois corpos unidos
Pregados
Apregoados numa face
Num quarto de motel

Mística

Senhor tenho te procurado
Não sei por qual caminho procurar
Pelas estradas enternecidas da vontade
Abismos de um amor confessional
Não, não, sou arredio
Te procuro
Vejo em cada instante pontos de sua presença
Cada um traz consigo a vontade
Vontade de te ver
Com os olhos da alma


Há em algum lugar

Há em algum lugar
Mil faces de um amor bandido
Daqueles que só aparecem nas novelas
Frio e ressentido

Há em algum lugar
Amores em notas
Verbos consonantes com o tempo
Árido e sombrio

Há em algum lugar
Um telefone que toca
Não sou eu
Deve ser teu amante enroscado como serpente

Há em algum lugar
Poesias livres e soltas
Simples e nada mais
Haverá algum lugar?

Basta

Subir o monte
Descer a esquina
Virar a esquerda na rua sem fim
Correr em sintonia com a luz do sol
Morrer por instantes a cada palavra dita
Ser como se é
E basta

Intimidade

Vamos falar das nossas entranhas
Entranhar em nós mesmos
Escrever sobre nossas desilusões
Criar abismos e adentrar

Vamos falar de nossas entranhas
Deslumbrar de um mundo mágico
Onde o poder de ser estranho
É mais vivido que ora antes

Vamos adentrar nas nossas entranhas
Expomos ao ridículo
Como aquela bunda amostra
Sem mais e sem perigo

Vamos adentrar nas estranhas
Crucificar nossos males
Arrotar as nossas belas certezas
E criar um mundo de paz

Repetição

Oh! Face desnuda
Que corrompe as horas
Inutilizadas por trabalho repetitivo
Repete, repete, repete
E depois cai e não sabe

Oh! Trabalho perfeito
Na ilusão da repetição
Cansa, cansa, cansa
E repete com exaustão

Meias palavras não bastam

Meias palavras não bastam
Tenho fome de palavras inteiras
Daquelas que me enlouqueçam
Que me fazem repensar

Meias palavras não bastam
Frutíferas interpretações
Com aquele que vos fala
Sou Senhor do que escrevo