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Mostrando postagens de Junho, 2015

O frio da manhã

Pra crianças

Hoje está frio
Numa manhã ensolarada
O vento que bate
Calafrio
Pés e mãos congelados
A criança brinca com o astro rei
Nele ela encontra um amigo
Que sempre pode confiar
Nestes momentos de puro frio

Verdades?!

Hoje acordei de madrugada
De um sonho ruim
Aquele gosto de morte no canto da boca
Será que nunca terá fim?
Não penso em premonições
Pois não acredito nelas
Se fossem verdades
Seriam intocáveis
Mas fica uma pergunta no ar
Qual verdade é intocável?

Alucinação poética

No céu listras brancas
Nuvens como gel
E a beleza da flor
Instantes se foram

Não que eu traga mal agouro
Nem pressentimentos ruins
A vida de cabeça para baixo
E o amor como fim

Sou uma roda gigante
Para baixo e para cima
Meus sentimentos estão
Não vejo e nem sinto o teu calor

Frio que formiga a alma
Coração de um rebelde sem uma causa
Não sei o que pretendes comigo
Sou todo ouvidos e dor

A dor

Desejar a dor
Resplandecer de alegria
Até que um dia a dor não exista mais
Numa sociedade multicolorida
Tons de cinza
Onde o berro passa na esquina
Momentos a sós
Deixemos de lado o mundo acelerado
Com sua ânsia de correr
A simplicidade é lenta
Como um alvorecer

Rio de Janeiro

Em novembro vou conhecer o Rio de Janeiro
Suas praias, suas manhãs de sol, seus entardecer
Espero encontrar a beleza da cidade
Já que dizem que é bela
Conhecer o Cristo, o Corcovado,
a Vista Chinesa, o Arpoador
Ver cada canto da cidade com olhos novos
Mas o rio me amedronta pela violência
Pelas facadas distribuídas pelos assaltantes
Como me amedronta

Eu

Fundi-me ao ouro incrustado nas serras de Minas
Procurei por caminhos ora nunca dantes navegados
Refiz-me do barro impuro e das manhãs claras
Sou um sujeito de puro braço
Ornamentado com flores pequenas
Um brilho no olhar de causar esperança
A dor que sinto é pequena diga-se de passagem
Mas é dela que me alimento
Faz-me ser mais corajoso que sou
Cria dentro de mim espaços
Onde só o amor pode entrar

Ao consumo

Lixo para todos os lados
Rejeitos de uma população
As vias de consumo imediatista
Tudo pode ser descartável
Até sentimentos podem ser?
Como cruzes em um calvário
Sustentadas pelo monte de descarte
A sociedade se refaz da pobreza
Somos frutos do nosso modo de consumo.

A estrada

Percorrer a estrada menos percorrida
Viver como se em cada instante a navalha passasse sobre o pescoço
Golpear o coração e deixar a razão falar
Três frases clichês
Nada de novo até aqui
Rever o presente com olhos de águia
Continuar a escrever
Até que um dia a escrita diga por si só

Quero ser pop

Encontro-me no pop
Nos seus coloridos
Nos seus questionamentos
Sim questionamentos
O Pop não é só cor
Não é algo simples
Uma batida perfeita e só
Tem algo nele que ainda me encanta
Faz vibrar por dentro
E também me faz pensar
Sou sujeito do meu espaço
Sempre posso colaborar com o outro
Não justificar o injustificável
E querer ir além das possibilidades
Esse é o pop que conheço

Poeta do "terceiro mundo"

Sou poeta do "terceiro mundo"
Que olha para si com desdém
Não vê a força que emana
Das tuas poucas letras
Elas são miúdas
Ora ficcionais ora confecionais
Não crio nada de novo
A poesia tem sua forma e lirismo
Pra que inventar muita coisa
Deixe os sentimentos e emoções falarem por si

Inconstante

Inconstante
Não sei porque mais sou inconstante
Só a poesia me mantém vivo
Dela tiro água de pedra
Alimento-me e busco a paz
Insconstante
Cada dia é uma coisa diferente
E perco o foco em coisas tão simples
Meditar não ajuda
Orar também não
Mas minhas poesias são manifestações do meu sagrado
Sagrada alma de pouca exixtência
Inconstante predicado do meu sujeito
Que agora nem tem verbo
De tão sem ação
Apenas incurável