domingo, 29 de novembro de 2015

Minha companheira: a música

Sou um gay casado
com o meu tempo
Mesmo que não seja os melhores
são estes que me perseguem
Um tempo de paródias
porque não se dá valor ao original
Precisamos das ideias dos outros
e não exploramos nossas próprias ideias
Sou um aficionado por música
escrevo ouvindo música
Ela penetra no meu ser
e desenvolve sentimentos ainda não explorados
Sou casado com a noite
casado com o dia
E aquele piano da Gaga ao fundo me ensurdece
As notas evoluem e me sinto mais eu
Não preciso disso pra escrever
mas gosto de ouvir e escrever
 

sábado, 28 de novembro de 2015

Gravidez das palavras

Brigo com meus bons sentimentos
Tempestade em copo d'água
Crio uma vida ficcional
Para a realidade nem tão dura

Sou uma pessoa clichê
Nem me importo
Faço tudo por prazer
E escrever poesia está neste alcance

Gravido das palavras
Gesto cada uma delas
Na hora certa elas nascem
E povoam todo meu ser


terça-feira, 24 de novembro de 2015

Não quero ser poeta de guetos

Não quero ser poeta de guetos
Das sombras
Dos relampejos

Não quero ser poeta de uma turma só
De um bando
De uma manada

Quero constar no universo
Escrever poesia é minha sina
Dos versos meus, tão meus

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Um outro ser

O seu amor é como mosca ovulada
Daquelas cheias de larvas
Prontas para nascer

O teu sexo cheira a fezes
Arrombamento que dá prazer

Bata na boca quando for falar
Bato na tua cara 
Cuspo mentiras na tua face

Você me aniquilou
Me esnobou
Violentou

Me fez ser eu mesmo
Me encantou
Enfeitiçou


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Por menores

Nem tudo é realidade
A ficção salva
Crio poesias inventadas
Pra inventar a própria vida

Se tudo fosse verdade
A falsidade existiria em quê?
A poesia me salva
De momentos de profundo tédio

Não tenho uma vida atribulada
Meus dias são um simples entardecer
Viro do avesso e encontro desejos
Só a morte me aproxima da vida
O óbvio seria ter um fim
Em que tudo possa surgir de relance
A brisa leve da escuridão
E a minha alma toca a Luz 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Viva o Rio!

Céu que me lembra o azul das estrelas
Numa tarde ensolarada
Raios que tocam minha pele
Fulguras em linhas de um amor
O avião em quase partida
Deixa um pouco do Rio em mim

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Coragem

Coragem para viver o que se tem que viver
Coragem para desafiar os próprios desafios
Coragem para se manter digno
Hoje me faltou coragem
Era apenas uns trocados
Mas mesmo assim me faltou coragem

domingo, 15 de novembro de 2015

Para Mariana e Paris

Acidente ambiental e humano
Na cidade de Mariana
Não importa o tamanho
A lama revestiu os mortos
Em Paris um atentado
Mortos despedaçados
Qual tragédia é mais tragédia?
É nisto que o povo pensa
O amor é gratuito
Dá quem quer e pode
As duas tragédias me comovem
E elevo o olhar ao horizonte e rezo pelos familiares
As almas ainda estão vagando
Precisam de orações
Os que ficam meus pêsames
E num gesto límpido um abraço de dor-amor

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Poesia controversa

Entrei no bosque das sete árvores
Criei um mundo do avesso
Em que as pessoas têm quatro patas
Correm no descampado
São e nada mais que animais
Vivem e deixam ser vividas
Não pensam
São como marionetes
E assim o governo da soberana rainha se realiza
Nem tudo que ela faz
Eu um  pobre esquerdista aplaudo
No mundo de hoje a gente não deve seguir
E sim procurar ser seguido

Poesia choca

O álcool me acalma
Entorpece os sentidos
Deixa meus instintos afiados
Depois a ansiedade volta
Como se nada tivesse ocorrido
Uma bela taça de vinho
Corrompe até essa poesia choca

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Filosofia de vida

Renego-me
Entrego-me
A filosofia
Donde tiro água de pedra
Para viver neste mundo cão
Entrego-me
Renego-me
A Filosofia

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Anjo safado

Um anjo safado me disse:
Vai ser gauche em vida!
Escrever poesia é para quem pode
Não para quem acha que pode
Fiz-me de rogado
Nem escutei e nem ouvi
Sou obstinado a tempos
Sempre cumpri minha sina
Escrever compulsivamente para aliviar
A dor que eu sinto



A morte para uma criança

 Para criança

Busquei a vida
Levei-a para passear
A morte nos espera
Não tem como escapar

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Flores na alma

Busquei dentro de mim flores
Que me acalmassem
Ansiosamente as encontrei
Plantei flores na alma
De lá nunca as tirarei