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Mostrando postagens de Dezembro, 2015

Pensamentos III

O coração bate acelerado
Ansiedade de instantes
Aquele gole de café
Mãos trêmulas
A indiferença toca a alma
Perde-se amigos mas não os dedos


Pensamentos II

O corte na alma
Fez-me mais humano
O cheiro podre que exala
Não me deixa pensativo
As linhas percorridas nunca devem ser esquecidas
Pois foram elas que me trouxeram
Vida e morte há de contemplar

Pensamentos I

Vivo com meus pensamentos
Mergulhado na sombra do vale
Inspirado no cotidiano
Faço versos performáticos
Cadência e ritmo não é meu forte
Sigo minha própria estrada
Ladrilhos e estrutura
Estrofes acabadas

Língua de fogo

A língua que beira a insanidade
Conversas sobre si mesmo
Não compactuo com tal disparate
Em línguas de fogo há de refazê-las
Sou poeta cabisbaixo
De olhares pouco profundos
Penetro na pele e subverto
Na profundeza alma hei de me encontrar

Meu amor calado

Calado meu amor me ama
E o amor ama-me de dentro pra fora
Aquele amor que penetra
Penetrando no meu ser

Ao meu gato que foi doado Ele foi embora
Deixou um vazio
Fez do meu coração seu ninho
Deitou e partiu

Passageiro do tempo

Não sou um otimista e nem um pessimista
Sou do realismo fantástico
Tenho lembranças inventadas
Daquelas que nem o pó repercute
Meus dedos de folha
Passam pelo teclado
E me fixam noutra realidade
Escrevo para esquecer do tempo
Daquele tempo que não volta mais


Lembranças

Lembro-me no canto da parede
Botando fogo na cortina
Jogando tinta na sobrinha
Com aquela raiva peculiar

Lembro-me do cachorro preso ao portão
Sangrando até a morte
Uivando de dor

Lembro-me de tantas coisas ruins
Minha cabeça chega a pirar
Só a poesia me conserta
Das minhas lembranças

O copo

O copo que derrama
Seu próprio ser
Vivência cada palavra
Lidar com as inferências
Em um toque de adeus

Mundo trocado

Cachorro que pia
Gato que late
Pássaro que mia
No meu universo de criança
Tudo é trocado
Só o amor pelos animais continua o mesmo

O vôo

O amor  toca
Na pele desenvolve-se
Sulcos sendo criados
Num dia me metamorfose-o
Livre vôo
As asas são de um chumbo prata
Você quer me amar?
Então perca as esperanças
Voe mais alto e me encontre

Cores

Para crianças Na minha imaginação
Vivo de cores
O azul sou eu
O vermelho é você
E o verde somos nós

O tempo me diz

O tempo me diz
Revoada
Cada um sabe do nó da gravata
Que precisa apertar
O tempo me diz
Renovar
Ideias e orações precisam ficar

O pecado ao lado

Que o pecado mora ao lado
Delícia é pecar
Diante de um altar sacrilégio
Com a força do perdão me disfaço
Naquelas notas intensas de tanto tesão

Andarilho existencial

Andarilho existencial
Quebra as correntes do tempo
Responsável por aquilo que acredita
Mesmo com os erros de outrora
Caminha a passos largos
Estradas estreitadas pela mente confusa
Ergue-se um novo deslumbramento
Onde cânticos de amor aparecem

A vida parece uma ficção
Ora liberta
Ora reprime

Andarilho existencial
Ao andar pelos montes
Vê-se como um menino
Aturdido pelo mundo
Que quer colo e sente calafrio
A alegria deveria ser de agora
Mas o sol que se põe
Não deixa suas marcas no pobre coração