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Mostrando postagens de 2016

Ambulante e as travestis

Travestis perseguidas
Ambulante que morre
Na barbárie que virou estes dias
De tristeza se morre

Feliz Natal

Feliz Natal pra você que lê minhas poesias e por isso me incentiva a escrever sempre mais.

A sombra

A infindável sombra que me habita
Faz de mim quem sou
Não perco ela de vista
A cada hora a mim penetrou

Limite poético

Entre o limite da sanidade e da loucura
Revejo-me como um santo casto
De olhares inoportunos
E o coração em chamasMeu mundo irreal me machuca
Feri até as profundezas da alma
Em que só entra
A dor de ser si mesmo

Loucura

Depressão e psicose
Interagindo entre si
Levando - me aos espaços
Em que a loucura cura
Assim
Se faz
E se foi
Vivo num mundo fantasioso
Em que só a dor penetra
No peito aberto

Sentimentos

O coração bate acelerado
A cabeça mergulhada nas emoções
E a tendência de se sentir só persiste

Emoções

Minhas emoções giram
Até que me perca dentro delas
Sozinho estou
Dentro desta casca
Que me envolve
E não me deixa livre
Escrevo não para passar o tempo
E sim para refrear a dor que deverás sinto

Proibido

Proibido
As margens do céu se fecharam
E os anjos não puderam calar
E gritaram
Senhor, olhai pra terra e veja o quanto dos teus filhos morrem
Morrer é fonte para o paraíso
A libélula azul
Cheiro de mato
Chuva que chega e inunda de amor

Não me calarão

Não me irão proibir de escrever
Enquanto tiver subterfúgio
E vontade
Escreverei até a minha morte de amor

Possível

Não irei buscar a infelicidade
Quero usar a sabedoria a meu favor
E construir um mundo possível
Em que o amor reina

Frio cortante

Hoje fez um frio cortante
Daqueles que cortam a alma
Busquei dentro de mim orações
Que me acalmassem
Encontrei na ânsia de liberdade
O sol que deverás perdi
Encontrei-o dentro de mim

O pó

Cada pó que circula entre meus pés
É um pouco de quem passou ao meu lado
Não me guio pela sujeira dos outros
Vale ressaltar
Que de dias invernosos
Minhas paixões só aumentam

Sonhos

Sonho com coisas ruins
Elas acontecem a todos instantes
Não sei porque é assim
Vou mergulhar no inconstante
E assim descobrir
Sonhos revigorantes

Palavras, palavras

O calor que corta meu peito de aço
Sem sentimentos e emoções
Cada dia mais frio me faço
Não aguento mais tantas exclusões

O meu eu poético
Cada dia petrificado fica
Sem romance, sem gentileza
A corda bamba estica

Palavras, palavras, palavras
Todo mundo enche a boca pra falar
Mas o coração não mais engana
De intensões é que se vive

Ideias secas

Às vezes, as ideias secam Ficam pantanosas É preciso submergir a elas E declarar como prova de amor

Quitutes mineiros

Café e leite
Pão de queijo
Broa de fubá
Goiabada com queijo
Arroz doce
A menina de fita amarela se lambuza
Come sem parar
A cozinha mineira é um encanto
Com seus doces e sabores
Venha experimentar!
E se deliciar com quitutes mineiros

Mundo nos ombros
Arqueado como uma vara bem fina
Meticulosamente testado ao extremo
Não se rompe
É melhor envergar e não rachar

Reflexões

É tempo que vai embora
É tempo que não volta mais
É vida que passa como jato
Sorriso que não vejo mais

As circunstâncias me fizeram rude
Bronco como pedra
Não choro, não lamento
O beijo que me espera

Haitianos

Haitianos no Brasil
Passam por necessidades
Mas lutam pra conquistar
Um lugar ao sol

Quero colo

Machucado
Eu vou
Sigo o caminhar das estrelas
Naquela noite de puro amorPandora
Veio para o meu colo me consolar
Gatos sabem o que fazemSenti uma vontade de abraça - la é agradecer
Animal nos entende
E eu aqui fico a sorrir
Tempo de chuva
Meu beijo foi embora
Cada orvalho que cai nos ombros
Molham os músculos de amor
Tem horas que me sinto inútil
Passam-se momentos de depressão
Caminhar alivia os pensamentos
E deixa o coração mais tranquilo

Não sou mais um pecador

Os meus pecados morreram
Naquela noite de choque
Convulsão que me afetou

Os meus pecados morreram
Sou um homem livre
Diferente do que era

All over again

Tudo outra vez
Os pensamentos voltam
Enchem de conturbadas sensações
E um desprazer me acomete

O assassinato

Correndo nas ruas
Assalto e uma bala
Acertou em cheio o coração
Um corpo estendido no chão
O sangue escorrendo para o boeiro
Não vi quem atirou
Apenas quem correu pelas estradas sombrias

Revelações em sonhos

Meus sonhos vividos
Não são coisas para mim
A humanidade que tanto amo
Despedaçada em ouros de ofír

Cada povo tem sua beleza
Que deveria ser ajudada
O que vemos é um assalto há tempos
De cada parte, o nada

O diferente oras almejado
Agora será suplantado
E tudo que o mundo conquistou de bom agrado
Será exterminado




O novo presidente dos Estados Unidos da América

O discurso de ódio venceu
Tempos sombrios
Em que as consequências são incalculáveis
Prevejo guerras purgativas
Em que todo mal viscerado
Seja purgado até as últimas consequências
Mortes, catástrofes, intempéries
E o mundo passa por um momento difícil
Que o diferente sobreviva
Para contar sua história   

O sol como Deus

O sol que esconde atrás das nuvens espessas
Brilha dentro de nós
O sol que esconde atrás das nuvens espessas
Brilha entre vós!

A chuva

Para crianças

A chuva chegou
Mês de novembro
As formigas apressadas caminham
As cigarras que cantam sem parar
E aquele friozinho quente
Embalam suas tardes


Em verdade, que verdade? Vos digo:

Em verdade, que verdade? Vos digo:
A consciência era única coisa que poderia parar as malfeitorias pelo mundo,
mas vejo que nem ela consegue mais para-las.

Em verdade, que verdade? Vos digo:
Viemos ao mundo para amar e não para destilar seu próprio veneno,
que é ódio revestido de santidade.

Em verdade, que verdade? Vos digo:
As amizades não suportam mais desencontros,
são frágeis ideias de pertencimento ao mundo.

Em verdade, que verdade? Vos digo:
As minhas verdades foram para o espaço,
o que me resta são as inverdades honestas.


Para espantar, "reze"!

O retrocesso avança mundo afora
Políticos sensacionalistas ganham espaço
E ficamos cada vez mais, a mercê deste obscuro panorama

Sem complexidade

Sangue que escorre em meu ventre
Derrama em todos seu amor
Não paro, e nem desisto
Sempre te darei uma flor
Rimar sem complexidade
É um jeito de escrever poemas
Na hora de lidar com a dor que balança o berço
Eu cá estou
A vida é de duelos
Cada qual com sua espada
Ou também lanças
Por isso, é importante a verdade que sana
E que as dores purificadas
Se transformem em deusas insanas

Mágica

Para crianças

Jogo nas linhas da sorte
Pulo estrelas
Encanto animais
Faço estripulias 
Brinco com mentes fechadas
Abrindo-as para próximo do céu
Fui até em ambientes longínquos
Adentrei em lugares inóspitos
E revelei as mágicas dos magos



Lugares

Gritaria que ensurdece
Crianças por todos os lados
E eu cada dia mais convicto
Que só uma música me acalma

Criei uma redoma
Num mundo de estupenda fantasia
Em que minhas asas me acompanham
E me levam para outros lugares mais sabidos

Tudo está fechado
As portas do céu trancafiadas
E as verdades ditas
No fundo de um aquário
Borbulhando com tal disparate

Sabe

Todo mundo sabe
Que mais vale
Uma verdade iluminada
Daquelas que enchem o peito de alegria
Que verdades infundadas
Descritas como verdadeiras sinfônias



A dor no peito

Jorro água pelas ventas
O sangue que escorre purificado
Encontra um rio de solidão
Naquela beirada de uma praia
Não fui eu que causei a maldição
Ela veio das águas do mar
Entre maremotos existências
Frios cortes na pele escura
Deixam marcas que nunca saem de lá

Mundo bolha

Criei um mundo particular
Vivo dentro de uma bolha
Quando estourar vou sair por aí
E viver a vida como ela é

Ideais

Apago ideias
Reescrevo
E vou tecendo uma teia envolta de mim mesmo
Até que um dia
Me torne um ser belo

Riscos

Céu azul
Riscos
Aviões que passam cuspindo fumaça
E eu aqui embaixo neste delírio constante.

Instinto

Unhas cravadas no peito
Aquela mordiscadinha na orelha
E a brasa que horas enfrenta
Se transforma no relaxamento de outrora

Uma cidade maravilha

Para crianças

O sino bate às 15 horas
Do fundo da mesa gigante grita um coelho
Todo vestido de smoking
O Chapeleiro ficou alvoroçado
E a bela criança senta a mesa
Toma um gole de café
E se torna uma gigante
Tudo naquele espaço ficou pequeno
Para diminuir de tamanho
A garota comeu um pedaço de bolo
E encolheu
Tudo pode ser visto
Na claridade do dia
Em uma cidade distante
Em que só existem malucos e psicodélicos

Money is not everything

Não escrevo por dinheiro
É por alívio
Que a dor que deveras sinto
Passa para o papel
E enche as páginas
Não com lamentos
E sim com pensamentos repetitivos

O espelho

Hoje procurei você
Não encontrei em lugar algum
Dançando aquela moda de viola
E enchendo a vida de luz

Hoje encontrei você
Naquela via de mão dupla
Fui até ao compasso do tempo
E criei uma via encantada

Entrei por um espelho
Caindo até um jardim
Menor que estou
E com a certeza de um novo horizonte se abrindo

A escrita como novidade

Escrevendo a vida passa
Não que passe rápido
Nem é essa a vontade que encontra dentro de mim
A escrita me motiva ir além
Movimenta os meus dias
Deixam com sabor de novidade

Relance

Cheguei e encontrei você nua em minha cama
Pele da cor do pecado
Cabelos esvoaçantes
E uma vontade louca de se entregar
Vivemos em tempos diferentes
Em que a mulher é que toma a atitude
Mas isso é até saudável
Porque tira do homem seu eixo
E o coloca fora de sua zona de conforto


Imaginação

Vento que bate na alma
Corta as miseras arestas
Faz de mim um ser quase perfeito
Com asas que nem voam
E pés que planam
Povoam de imaginação os meus sentidos

Chão batido

Para crianças

Chão batido
Amassado
Interposto a você
Que cheira a terra
Faz buracos e se enterra


Canjica

Para crianças

Sou de grãos brancos
Pareço um tipo de milho
As cozinheiras me fazem com leite e açucar
Sou cozido até ficar macio
Na boca da criançada me desmancho
Eles adoram e repetem sem parar
Dou sustança 


Virei tua cabeça

Virei tua cabeça
Em cima de um cavalo
Corri na estrada de tijolos amarelos
Na direção sempre oposta
Fiz um monte de coisas
Enquanto você foi buscar sua paz de espírito
Na mesma proporção dos meus encantos
Lutando ao redor de espíritos maus
Busquei minha direção
Pode ser uma direção não muito agradável
Virei tua cabeça
As marteladas batendo como um sample
Tocando tua alma bem alto
Freneticamente dançando





Transexual

Trans
Pontes que são elevadas
Transportadas de um lado para outro
Em que pessoas caminham
Olhando não mais para seus sexos
Trans
Não tenho intimidade para escrever algo profundo
Deixo apenas as palavras mais contidas
Em uma noite de puro desparate
Trans
Transverso do ser
Aquele que se alimenta da própria dor
E transfigura em notas de amor

Para crianças desrespeitosas

A gente não pode aceitar ser desrespeitado
Mesmo quando é uma criança que fala
Às vezes, é preciso dizer verdades
Que ninguém ousa dizer

Face desnuda

A face que nos mostra
Como é importante amar
As pessoas que vão embora
Vida e morte sempre a cavalgar

Sou um ser introspectivo
De olhares retumbantes
As chagas que evadiam
São as mesmas circundantes


O dia começou

E o dia começou
Indo de lá pra cá
Na eterna simbologia do querer
Vendo a vida passar pela janela do 1404
Transiuntes de um tempo que não volta mais

Mudança

Frio que invade
Deixa horas incontadas
Naquele devaneio presente
Sufocado de tanto amor
Ás vezes, penso em mudar
Mas como é difícil se mudar
Prefiro mudar pacientemente
Que lutar bruscamente e acabar se debatendo de tanta dor

Calor

Sufocado de calor
Intenso sol escaldante
E o sorriso que invade
Aumenta a necessidade de você
O fogo dentro de mim se alastra
Faz-me mais forte que antes
Procuro uma sombra e água fresca
Encontro o desespero no vale da morte

Fiz uma prece

Fiz uma prece
Orei por todos aqueles que não querem orar
Pedi não por mim, mas por todos

Fiz uma prece
Dentro de mim, surge uma bela criatura
Que quer fazer o bem

Fiz uma prece
Busquei numa noite de orvalho
Um lugar ao sol


Limite

No limite da dor
Votos consagrados ao eterno
Devemos ver cada sensação
Como oportunidade de ser a si mesmo

Alexander McQueen

Estamos cegos,
somos estranhos uns dos outros.
Camadas e camadas de tecidos,
texturas e formas dão a sensação de vazios.
Sabe aquele sussurro que acompanha
Deixa-te paralisado
quase um tom esquizofrênico.
Frio que corrompe os sentidos,
escute o sino palpitando e êxtase.

A dor que sinto

Não sei falar de política
Meus poemas giram em torno de um único tema
A inconstância de ser eu mesmo
Talvez quando crescer poderei escrever algo
Que seja digno de nota
Mas por enquanto
Escrevo para aliviar a dor que sinto

Amar

Amar
Verbo de conjugação duvidosa
Ou duvidosa são as pessoas que o conjugam?
Vou te amar
Como se fosse possível
A possibilidade é tão pequena que nem mesmo
os mais amorosos seres conseguem Amar

Vejo o mundo por um olhar invertido
Vivendo uma vida corriqueira
Sem grandes pretensões
Fixo o meu olhar
Na linha do horizonte
Riscos no céu avisto
São apenas nuvens
Em que posso relaxar a mente

Buscando a noite

Busco a noite voluptuosas sombras
Carregadas de um desgosto
Que cerca cada razão do existir

Lágrimas de esperança

Eu não posso te esperar
Vivemos em mundos tão diferentes
Vou me embora para bem longe
Procurar a mim mesmo
Dentro de onde?
Ainda não sei!
Quero viver uma vida sem atribulações
E com você a vida é tão vazia
Deixe-me ir embora
Buscarei novos horizontes
Quando voltar
E se voltar
Quero te ver com lágrimas de esperança

A vericidade dos fatos
De nada adianta, se não tiver amor
Busquei em outros lugares minha paz
Encontrei dentro do espaço sideral
Olhando para as estrelas
E vendo-as como uma parte de mim

XoXo

Um fim de tarde
Pela janela raios de sol
Aquecem a alma gélida
E em instantes um farol

Um fim de tarde
A dor que passa no balanço
Revestisse de caridade
E abraça o ser

Estrada

Dor e opressão
Estados da alma de quem ama
Um furacão existencial é atravessado
Escrevendo parece que as coisas fluem
E deixo de lado toda dor
A opressão não existe
Procuro a mim mesmo
Nesta estrada pouco percorrida
Que são as minhas poesias

Criei um mundo encantado
Em que você é rei
E nada te segurou
Vou viver minha vida longe de você
Não espere por mim
Encontrarei outro que me queira
Ouvindo o som alto
Pelas estradas empoeiradas de tempo
Vividas na dor de ti perder
Não criarei mais expectativas
Vou por aí
Ao som de violinos e ao sal da terra
Inspirado ao som de Million reasons

Amo

Imagem
Sensações estranhas tomam meu corpo
Um vazio tão profundo que nada conforta
Risos pelos corredores não me alegram
E fica aquela agonia de ver a vida passar ao relento

Angústia

Angústia que toma conta
Coração acelerado
E mais angústia se acentua
Neste pobre peito
Glória aos anjos
E a sensação de desespero a bater

Distorção

Te vejo através do espelho
Disfórmica sensação de ter
A cada dia as palavras fogem do controle
Nítida percepção distorcida do ser

Silêncio da tarde

O silêncio da tarde
Atordoa
Faz com que eu me cale
E veja tudo com os olhos diferentes

Deixa

Estava com você a poucos passos da felicidade
Não enxerguei um palmo a minha frente
Deixei partir o amor que me consolava
Foi embora e nunca mais voltou
Por isso, deixa como está
Os padrões nos mantêm cabisbaixos
Fujo para um lugar onde possa encontrar minha felicidade
O que não pode mais gerar nostalgia
Corra para os céus estrelados
Viaje para dentro de si, o mais alto
E a vida que recomeça
Dentro de mim
Dentro de ti
Possa me desafogar das mágoas do passado

Revoada

Faço contas das vezes que disse a palavra amor
Não sei mais se inspiro ou se expiro
Parece que a morte toma conta do meu ser
Vou viajar por aí
Criar asas e voar
Encontrar um ser alado e flutuar na imensidão do mar



Wannabe

A música não pode parar
Os poemas não irão cessar
Wannabe

Farei como o primeiro
Encantarei pedra
Wannabe

Todo close errado
Será expurgado
Wannabe

Complicações a parte
Sei dos teus sabores
Das delícias que é ser você
Wannabe

Profundo

A dor que aprofunda o ser
Revela-se na alegria do dar
Ideias dicotómicas
Não irão ficar
Na profundeza da alma
Recamos de luz

Senhor, mostre-me tua face

Te procuro em todos os lugares
Parece que você se esconde de mim
Te procuro desesperadamente
Quero olhar a tua face, Senhor
Enxugar tuas chagas e teu suor frio
Embebido no cálice de salvação
Senhor, mostre-me tua face

Oh!!! Pai.

Conheço meu pai
Mas às vezes parece que não o conheço
Somos tão distantes um do outro
Que nos tocamos por WhatsApp
As relações se tornaram mais frias
Aquele abraço forte parece que não basta
Não o culpo
É necessário
Um amor que invade
E deixa transparecer a alegria de sermos filhos

Lágrimas de um palhaço

O palhaço perdeu o pai
E não conseguia mais fazer os outros rirem
Passou o tempo em que alegria era seu forte
Até que um dia, ele olhando para si mesmo
Revendo as coisas boas que sempre fez
Tirou o riso de uma criança
E lágrimas surgiram de sua face

Estranheza

A minha face estranha
Dilacerada pelo cão
Os dentes postiços
Tudo no chão
Minha vida falsa
Sem grandes acontecimentos
Incrustada em diamantes fakes
Encontro as mesmas palavras
Vazias de sentido
Repetitivas
Pelo menos são minhas

Dias sombrios

Dias sombrios
Revestem-me de medo
E corto pulsos fictícios
E jorro água de lavanda

O pulo ao desconhecido

Pulo ao desconhecido
A dor n'alma parece refrear os sentidos
E colocá-los no devido lugar

Pulo ao desconhecido
E te vejo alva, como um transluzente vestido
Quero devorar até o fim dos tempos

Pulo ao desconhecido
Mulher é um pedaço de corpo
Revestido de carne

Pulo ao desconhecido
E caio em seus braços
Oh! Amada amante




Assumir a própria vida

A chuva parou
Lavou-me por inteiro
Pensamentos ruins ainda existem
Quero aprender a controlá-los
Um infinito que passou
E a chuva que cai sem parar
Aquece meu coração gelado
Vida e morte se confundem
Pelo menos há como rezar
Cai chuva
Molhe-me sem parar
Leve tudo que de ruim quer ficar

Meu homem

Eu não te esqueci meu amor
Você procurou outras mulheres
Fez-me promessas nunca cumpridas
Te revejo você nos meus lençóis 
E eu nua, sedenta e prostituída

Flores

Para crianças

Flores que invadem os cabelos
Inundam de histórias
As palavras sempre acessas
Como faróis iluminam os olhos
De cada criança

Toc

Tudo ainda é confuso
Os pressentimentos obtusos
Pensamentos sem nexo
E aquela dorzinha lá no fundo
Batendo à porta sem sair

Ser flexível

Tento ser flexível como um bambu
Dobrando ou entortando
Sem quebrar
Mas a face da morte sempre presente
Obscuro senso de perdição

Contração

Meu coração em pedaços
Em pranto de amor regozijo
A face obscura que me envolve
Vejo tantas luzes de cores diferentes
E em orações ficam a devanear

A musculatura dói
Sem muito que fazer
Percebo que sou apenas humano
Em sua infinita concepção

Deixo registrado o fato de que nada pode ser mudado
É mentira que milagres acontecem
Não serei curado nem pela morte
E nem pelos dias de luz
Espancamento verbal
Não faz tanto sentido
Nas ruas percorridas
Um monte de atrito

Luz

Luzes
Em um fundo
Extrapolando de dor
Sem convencer pelo pecado ou pela virtude
O meu melhor remédio
é aquele tempo que passa devagar
deixando um brilho
que floresce em cada primavera

Dor

A dor que em meu peito abre
Escancará mais dor que permeio
Elevo aos céus orações
Que parecem nem ser escutadas
De tanta dor que invade o peito

Menos valia

Sinto-me inútil
Os pensamentos intrusivos invadem
Me deixam com aspecto retardado
Como se estivesse carregando muito peso


Roda

O que eu sinto não mais vejo
Minha cabeça roda
Devaneando em pensamentos
Roda, roda e roda

Hoje estou cabisbaixo

Hoje estou cabisbaixo
Sem ânimo
Com uma vontade de ficar só

Hoje estou cabisbaixo
A depressão me corrompe
Deixa os dias mais gélidos

Hoje estou cabisbaixo
Lutando para não debater
E não cair no leito de morte


Luta diária

Tento lutar diariamente
As sensações ruins voltam
Batendo acelerado meu órgão pulsante
E consternado com a situação fico a deriva
Não adianta pensar em coisas boas se elas não vêm

Triste fim

A pessoa está morta
Enterrada viva
Naquela cova no Bonfim
Debatendo-se no caixão
Pede socorro
Ninguém a escuta

A pessoa está viva
Viva enterrada
Naquele apartamento minúsculo
Debatendo-se na cama
Pede socorro
As pessoas escutam, mas nem ligam

Era amor

Não era ódio
O que sentia era amor


Sinto muito por tudo que te fiz
Deixei de lado a minha vida de sexo
As noitadas na Chilli Pepper


Te busquei em outros lugares
Não encontrei
Vivo numa desilusão tremenda
Em busca de um prazer que me corrompe


Chego agora a um veredicto
Sou consumado pelas chamas da paixão
Procurando por um amor despedaçado
Posso te dizer agora


Não era ódio
O que sentia era amor
Crio realidades fantásticas
Vozes que povoam minha mente
Fazendo com que tudo passe a ser vermelho
Em um azul infinito de céus riscados de branco

Café

Hoje tomei um café forte
Amargo
Com um doce no final
E lembrei da tua face
Desfigurada pelo tempo
E um sorriso no canto do rosto
Abençoando
A gente vive com brilho nos olhos
Carrega uma vida inteira nas costas
E vê crianças sorrindo à noite inteira

O mundo

Tudo neste mundo é fulgaz
Passa - se ao relento
E a vida diante de cada olhar
Se faz um nada

Antologia poética

Imagem
P.S: Publico nesta Antologia um poema.

A boca que se cala

A minha boca se cala
Diante de tantas coisas
E necessário que as palavras se tornem em oração constante

Cansado

Cansado
De ver tantas cruzes
E não poder fazer muita coisaCansado
De te ver sofrendo
E não poder fazer nadaTudo é  tão transitório
A doença que invade teu peito
Entra em conformidade com os dias atuais

Limite

Pousado no movimento
Incertezas na vida
Somos nossos limites

Consolo

Não sei o que te dizer meu amigo As palavras morrem Te consolar é a melhor forma de dizer Eu te amo

As minhas angustias são um nada
Perante a dor dos outros
Quero levá-las no colo
Enxugar lágrimas
E colher os frutos de amor
A tristeza do meu olhar
Não corrompe meus dias
Faz com que queira viver sempre mais
E viver é a palavra do momento

Por um fio

Por um fio
A vida se encerra
As cortinas fechadas se abrem
Ou pra uma nova experiência
Ou para o findar das coisas

Nunca

O trabalho árduo pouco valorizado
As manchetes de jornal espalhadas pela cama
Enaltecendo o sucesso
Valorizando o que temos e nunca o que somos
É algo que me faz pensar
Não posso parar de escrever nunca
A mão que balança em meu peito
Um som hipnótico
Que toca interminavelmente
Enchendo - me de uma certa esperança
Aquele refrão chiclete que não sai da cabeça
Dançando a noite inteira
Esquecendo por alguns momentos a própria dor

Ecos

Fiz história
Corri em campos descampados
Em uma nudez que choca
Desnudei minhas palavras
Pra encontrar ecos
A tranquilidade dos dias quentes
Me fazem crer em dias melhores
Como aquela cigarra que canta
A procura de um amor

A seita

Pra amar uma seita
Basta um monte de gente míope
Um salvador da música que desmancha a face
E a idolatria da encenação