segunda-feira, 21 de março de 2016

Oração

Livras-te dos maus pensamentos
Que insistem em monopolizar a mente
Não nos deixando livres
E nos acorrentando ao desespero

Livras-te das más ações
Daqueles que nos perseguem
Injuriando no leito de morte
O pouco que ainda temos

Livras-te
Oh! Pai
Infunda-nos momentos de glória
Para todo e sempre 


sábado, 19 de março de 2016

sexta-feira, 18 de março de 2016

quinta-feira, 17 de março de 2016

Podar

Já busquei dentro de mim muitas coisas
Aquela felicidade de instantes
Passará pelos meus dedos
Ainda crio histórias
E meus amigos me dão asas para voar
Mãos que podam todo tipo de silêncio

segunda-feira, 14 de março de 2016

Festa na mata

Para criança

No som da mata
Surge a voz dos bichos
As maritacas
Os sinhaços
Os trinca-ferros
Bem-te-vis
Pássaros que não acabam mais
A criança dentro de mim
Se espanta com tanta beleza
E ardor


Limiar

No limiar da vida
Entre a morte e o ser
Vamos cavalgando sem olhar para trás
Distante vejo um quê de saudade
Repleto de bons momentos
Mas a vida continua
Sem esperar nada de ninguém
Sigo o meu destino.


sexta-feira, 11 de março de 2016

A mulher da marmita e dona da vida

Era uma entregadora de marmita. Vivia pelas ruas da cidade, no sol escaldante com suas pernas de fora. Sempre com aquele short jeans e camiseta branca. Era afeita da mais pura sensualidade feminina, com o bico dos seios sempre amostra. Os homens a admiravam e as mulheres a odiavam. Uma loira de pouco mais de 25 anos, com aparência de 30. Vendia marmita para cuidar de Augusto, que nascerá menina, mas tinha o comportamento e a identidade de menino. 
Era a grande luta, entender o que se passava na cabeça do filho que tanto ela amava. No dia a dia, era uma mulher comum, trabalhava e levava a vida numa boa e a noite se transformava na loira do Bonfim. A vida de dupla jornada a cansava, queria largar o período noturno, mas tinha contas para pagar e um filho para criar. Era só. 
Como a maioria das mulheres queria apenas viver bem. Homens não faltavam mesmo em tempos de vacas magras. Todos os dias a avistava. Queria entender como era tua vida, marcada por sofrimentos e dores, mas com um sorriso no rosto e amor pela vida a entregadora de marmita e mulher de vida nada fácil contara-me coisas que estas linhas se fazem desnecessárias. Já apanhou de homem, já bateu em homem, mãos calejadas. E muita vontade de viver.
Uma vez, em um destes encontros noturnos, um homem, tentou sodomizá-la; era daqueles malucos que encontramos nos bares da vida. Ela não aceitou e a discussão foi generalizada, e por pouco ela não saiu ferida. Em poucas palavras era assim a vida desta mulher. Cheia de percalços.
Voltando a sua relação com teu filho, ela era mãe dedicada e muito paciente. Apesar de não saber lidar com a transgeneridade da criança, era uma mulher de mente aberta que vivia seu tempo sem preconceitos e com tolerância. Queria o bem do filho, mesmo sem saber como fazê-lo feliz. Talvez encontrou motivos para respeitá-lo na sua individualidade e isso já o fazia feliz.
Augusto estudava em uma unidade municipal de educação infantil e tinha problemas com a professora que não entendia bem o comportamento dele. Tanto que vivia o levando ao banheiro feminino, coisa inconcebível na cabeça de Augusto. Já que era um menino de alma.
Tanto a mãe e o menino eram acompanhados por psicólogos que ajudavam a amenizar a vida sofrida de ambos. E isso não parava por aí. Os coleguinhas zombavam dele, o que inferiorizava ainda mais. Mas ele não se abatia, era um menino vivo, sabia contornar os percalços da vida.
Ambos viviam em um sobrado, casa simples. Tudo organizado e limpo. Era uma mulher que sabia também cuidar de casa. Tinha poucos utensílios domésticos, mas todos em perfeito estado de uso. Caprichosa com a casa, vivia comprando badulaques no Mercado Central para enfeitá-la. Tinha um gosto brega. Para música então nem se fala, era daquelas das antigas, Nelson Gonçalves, Inezita Barroso, entre outros.
Mulher da vida, companheira na vida, vivia seus dias complacentemente; sem grandes desejos, vivia o hoje, o agora, não dava para viver sonhando. Apesar dos inúmeros sonhos que tinha. Era mulher de fibra, de personalidade bem marcada, mulher bem vivida, de olhares fecundos.

 
  

Dona Doida - Adélia Prado

Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso
com trovoadas e clarões, exatamente como chove agora.
Quando se pôde abrir as janelas,
as poças tremiam com os últimos pingos.
Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,
decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.
Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,
trinta anos depois.  Não encontrei minha mãe.
A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha, 
com sombrinha infantil e coxas à mostra. 
Meus filhos me repudiaram envergonhados,
meu marido ficou triste até a morte,
eu fiquei doida no encalço.
Só melhoro quando chove.

A chuva

A cada gota que cai dentro de mim
Refresca minha alma
A água que guia meus passos
É aquela que percorre meu ser

quinta-feira, 10 de março de 2016

Suicídio

Um jovem que se mata
Horas infinitas passadas no quarto
Na ilusão de viver
Vida porca e inútil
Infinito tempo
Um tempo que escorre pelos dedos
A morte também é clichê

Metalinguagem

Não tenho métrica
Não tenho forma
Surjo espontaneamente
Cada palavra que aventuro em dizer
São palavras surgidas do nada
Que minha ínfima existência neste planeta
Seja de puro êxtase contemplativo
Em um mundo tão atribulado
Escrever poemas é minha única saída 

O Amor

Amor
Sentimento que nasce
Brota de uma alma imperfeita
Nos faz acreditar em dias melhores
Vivendo uma coisa de cada vez
E lutando por sonhos inacabados



Muito Obrigado!

Você caro leitor dos meus poemas. Agradeço por parar um minuto da tua existência e ler o que escrevo. Faz-me bem saber que tenho leitores neste mundão afora. Que se interessam por aquilo que escrevo. Aqui fica registrado o meu muito obrigado.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Tesão

Somos tomados por um fogo interno
Que desvincula cada ação do momento presente
Aquele que passa ao nosso lado
E nos enche de tanto tesão

terça-feira, 8 de março de 2016

Mulher

Você que se mantém a duras penas
Cercada de sacrifícios
Lutando por um mundo melhor

Você que arregaça as mangas
Faz da vida um eterno revoar de pássaros
Em que todos possam pousar

Você que vive sua luta diária
Empresta sua garra
E nos faz sem a se questionar

Você que encontra no outro
Um pouso, um abraço, um afago
Mulher

Você que se faz sempre autêntica
Nas batalhas vencidas nesta vida
Um grande abraço de quem nasceu do seu ventre amado

sexta-feira, 4 de março de 2016

quinta-feira, 3 de março de 2016

terça-feira, 1 de março de 2016

Poesia curta 1

Cada dia que escrevo
Um pouco de mim se esvai
Na tentativa de moldar os sentimentos
Viro uma pérola na ostra