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Mostrando postagens de Outubro, 2016

Instinto

Unhas cravadas no peito
Aquela mordiscadinha na orelha
E a brasa que horas enfrenta
Se transforma no relaxamento de outrora

Uma cidade maravilha

Para crianças

O sino bate às 15 horas
Do fundo da mesa gigante grita um coelho
Todo vestido de smoking
O Chapeleiro ficou alvoroçado
E a bela criança senta a mesa
Toma um gole de café
E se torna uma gigante
Tudo naquele espaço ficou pequeno
Para diminuir de tamanho
A garota comeu um pedaço de bolo
E encolheu
Tudo pode ser visto
Na claridade do dia
Em uma cidade distante
Em que só existem malucos e psicodélicos

Money is not everything

Não escrevo por dinheiro
É por alívio
Que a dor que deveras sinto
Passa para o papel
E enche as páginas
Não com lamentos
E sim com pensamentos repetitivos

O espelho

Hoje procurei você
Não encontrei em lugar algum
Dançando aquela moda de viola
E enchendo a vida de luz

Hoje encontrei você
Naquela via de mão dupla
Fui até ao compasso do tempo
E criei uma via encantada

Entrei por um espelho
Caindo até um jardim
Menor que estou
E com a certeza de um novo horizonte se abrindo

A escrita como novidade

Escrevendo a vida passa
Não que passe rápido
Nem é essa a vontade que encontra dentro de mim
A escrita me motiva ir além
Movimenta os meus dias
Deixam com sabor de novidade

Relance

Cheguei e encontrei você nua em minha cama
Pele da cor do pecado
Cabelos esvoaçantes
E uma vontade louca de se entregar
Vivemos em tempos diferentes
Em que a mulher é que toma a atitude
Mas isso é até saudável
Porque tira do homem seu eixo
E o coloca fora de sua zona de conforto


Imaginação

Vento que bate na alma
Corta as miseras arestas
Faz de mim um ser quase perfeito
Com asas que nem voam
E pés que planam
Povoam de imaginação os meus sentidos

Chão batido

Para crianças

Chão batido
Amassado
Interposto a você
Que cheira a terra
Faz buracos e se enterra


Canjica

Para crianças

Sou de grãos brancos
Pareço um tipo de milho
As cozinheiras me fazem com leite e açucar
Sou cozido até ficar macio
Na boca da criançada me desmancho
Eles adoram e repetem sem parar
Dou sustança 


Virei tua cabeça

Virei tua cabeça
Em cima de um cavalo
Corri na estrada de tijolos amarelos
Na direção sempre oposta
Fiz um monte de coisas
Enquanto você foi buscar sua paz de espírito
Na mesma proporção dos meus encantos
Lutando ao redor de espíritos maus
Busquei minha direção
Pode ser uma direção não muito agradável
Virei tua cabeça
As marteladas batendo como um sample
Tocando tua alma bem alto
Freneticamente dançando





Transexual

Trans
Pontes que são elevadas
Transportadas de um lado para outro
Em que pessoas caminham
Olhando não mais para seus sexos
Trans
Não tenho intimidade para escrever algo profundo
Deixo apenas as palavras mais contidas
Em uma noite de puro desparate
Trans
Transverso do ser
Aquele que se alimenta da própria dor
E transfigura em notas de amor

Para crianças desrespeitosas

A gente não pode aceitar ser desrespeitado
Mesmo quando é uma criança que fala
Às vezes, é preciso dizer verdades
Que ninguém ousa dizer

Face desnuda

A face que nos mostra
Como é importante amar
As pessoas que vão embora
Vida e morte sempre a cavalgar

Sou um ser introspectivo
De olhares retumbantes
As chagas que evadiam
São as mesmas circundantes


O dia começou

E o dia começou
Indo de lá pra cá
Na eterna simbologia do querer
Vendo a vida passar pela janela do 1404
Transiuntes de um tempo que não volta mais

Mudança

Frio que invade
Deixa horas incontadas
Naquele devaneio presente
Sufocado de tanto amor
Ás vezes, penso em mudar
Mas como é difícil se mudar
Prefiro mudar pacientemente
Que lutar bruscamente e acabar se debatendo de tanta dor

Calor

Sufocado de calor
Intenso sol escaldante
E o sorriso que invade
Aumenta a necessidade de você
O fogo dentro de mim se alastra
Faz-me mais forte que antes
Procuro uma sombra e água fresca
Encontro o desespero no vale da morte

Fiz uma prece

Fiz uma prece
Orei por todos aqueles que não querem orar
Pedi não por mim, mas por todos

Fiz uma prece
Dentro de mim, surge uma bela criatura
Que quer fazer o bem

Fiz uma prece
Busquei numa noite de orvalho
Um lugar ao sol


Limite

No limite da dor
Votos consagrados ao eterno
Devemos ver cada sensação
Como oportunidade de ser a si mesmo

Extâse com McQueen

Estamos todos cegos
Somos estranhos uns dos outros
Aos exageros superexpostos
Camadas e camadas de tecidos
Textura e formas dão a sensação de vazios
Aquele sussuro que te acompanha
Deixa-te paralizado
Quase um tom esquizofrênico
Frio que corrompe os sentidos
Escute o sino palpitando e extâse
Quase um gozo auditivo

A dor que sinto

Não sei falar de política
Meus poemas giram em torno de um único tema
A inconstância de ser eu mesmo
Talvez quando crescer poderei escrever algo
Que seja digno de nota
Mas por enquanto
Escrevo para aliviar a dor que sinto

Amar

Amar
Verbo de conjugação duvidosa
Ou duvidosa são as pessoas que o conjugam?
Vou te amar
Como se fosse possível
A possibilidade é tão pequena que nem mesmo
os mais amorosos seres conseguem Amar

Vejo o mundo por um olhar invertido
Vivendo uma vida corriqueira
Sem grandes pretensões
Fixo o meu olhar
Na linha do horizonte
Riscos no céu avisto
São apenas nuvens
Em que posso relaxar a mente

Buscando a noite

Busco a noite voluptuosas sombras
Carregadas de um desgosto
Que cerca cada razão do existir

Lágrimas de esperança

Eu não posso te esperar
Vivemos em mundos tão diferentes
Vou me embora para bem longe
Procurar a mim mesmo
Dentro de onde?
Ainda não sei!
Quero viver uma vida sem atribulações
E com você a vida é tão vazia
Deixe-me ir embora
Buscarei novos horizontes
Quando voltar
E se voltar
Quero te ver com lágrimas de esperança

A vericidade dos fatos
De nada adianta, se não tiver amor
Busquei em outros lugares minha paz
Encontrei dentro do espaço sideral
Olhando para as estrelas
E vendo-as como uma parte de mim

XoXo

Um fim de tarde
Pela janela raios de sol
Aquecem a alma gélida
E em instantes um farol

Um fim de tarde
A dor que passa no balanço
Revestisse de caridade
E abraça o ser

Estrada

Dor e opressão
Estados da alma de quem ama
Um furacão existencial é atravessado
Escrevendo parece que as coisas fluem
E deixo de lado toda dor
A opressão não existe
Procuro a mim mesmo
Nesta estrada pouco percorrida
Que são as minhas poesias

Criei um mundo encantado
Em que você é rei
E nada te segurou
Vou viver minha vida longe de você
Não espere por mim
Encontrarei outro que me queira
Ouvindo o som alto
Pelas estradas empoeiradas de tempo
Vividas na dor de ti perder
Não criarei mais expectativas
Vou por aí
Ao som de violinos e ao sal da terra
Inspirado ao som de Million reasons

Amo

Imagem
Sensações estranhas tomam meu corpo
Um vazio tão profundo que nada conforta
Risos pelos corredores não me alegram
E fica aquela agonia de ver a vida passar ao relento

Angústia

Angústia que toma conta
Coração acelerado
E mais angústia se acentua
Neste pobre peito
Glória aos anjos
E a sensação de desespero a bater

Distorção

Te vejo através do espelho
Disfórmica sensação de ter
A cada dia as palavras fogem do controle
Nítida percepção distorcida do ser

Silêncio da tarde

O silêncio da tarde
Atordoa
Faz com que eu me cale
E veja tudo com os olhos diferentes

Deixa

Estava com você a poucos passos da felicidade
Não enxerguei um palmo a minha frente
Deixei partir o amor que me consolava
Foi embora e nunca mais voltou
Por isso, deixa como está
Os padrões nos mantêm cabisbaixos
Fujo para um lugar onde possa encontrar minha felicidade
O que não pode mais gerar nostalgia
Corra para os céus estrelados
Viaje para dentro de si, o mais alto
E a vida que recomeça
Dentro de mim
Dentro de ti
Possa me desafogar das mágoas do passado

Revoada

Faço contas das vezes que disse a palavra amor
Não sei mais se inspiro ou se expiro
Parece que a morte toma conta do meu ser
Vou viajar por aí
Criar asas e voar
Encontrar um ser alado e flutuar na imensidão do mar



Wannabe

A música não pode parar
Os poemas não irão cessar
Wannabe

Farei como o primeiro
Encantarei pedra
Wannabe

Todo close errado
Será expurgado
Wannabe

Complicações a parte
Sei dos teus sabores
Das delícias que é ser você
Wannabe

Profundo

A dor que aprofunda o ser
Revela-se na alegria do dar
Ideias dicotómicas
Não irão ficar
Na profundeza da alma
Recamos de luz

Senhor, mostre-me tua face

Te procuro em todos os lugares
Parece que você se esconde de mim
Te procuro desesperadamente
Quero olhar a tua face, Senhor
Enxugar tuas chagas e teu suor frio
Embebido no cálice de salvação
Senhor, mostre-me tua face

Oh!!! Pai.

Conheço meu pai
Mas às vezes parece que não o conheço
Somos tão distantes um do outro
Que nos tocamos por WhatsApp
As relações se tornaram mais frias
Aquele abraço forte parece que não basta
Não o culpo
É necessário
Um amor que invade
E deixa transparecer a alegria de sermos filhos

Lágrimas de um palhaço

O palhaço perdeu o pai
E não conseguia mais fazer os outros rirem
Passou o tempo em que alegria era seu forte
Até que um dia, ele olhando para si mesmo
Revendo as coisas boas que sempre fez
Tirou o riso de uma criança
E lágrimas surgiram de sua face

Estranheza

A minha face estranha
Dilacerada pelo cão
Os dentes postiços
Tudo no chão
Minha vida falsa
Sem grandes acontecimentos
Incrustada em diamantes fakes
Encontro as mesmas palavras
Vazias de sentido
Repetitivas
Pelo menos são minhas

Dias sombrios

Dias sombrios
Revestem-me de medo
E corto pulsos fictícios
E jorro água de lavanda

O pulo ao desconhecido

Pulo ao desconhecido
A dor n'alma parece refrear os sentidos
E colocá-los no devido lugar

Pulo ao desconhecido
E te vejo alva, como um transluzente vestido
Quero devorar até o fim dos tempos

Pulo ao desconhecido
Mulher é um pedaço de corpo
Revestido de carne

Pulo ao desconhecido
E caio em seus braços
Oh! Amada amante




Assumir a própria vida

A chuva parou
Lavou-me por inteiro
Pensamentos ruins ainda existem
Quero aprender a controlá-los
Um infinito que passou
E a chuva que cai sem parar
Aquece meu coração gelado
Vida e morte se confundem
Pelo menos há como rezar
Cai chuva
Molhe-me sem parar
Leve tudo que de ruim quer ficar

Meu homem

Eu não te esqueci meu amor
Você procurou outras mulheres
Fez-me promessas nunca cumpridas
Te revejo você nos meus lençóis 
E eu nua, sedenta e prostituída

Flores

Para crianças

Flores que invadem os cabelos
Inundam de histórias
As palavras sempre acessas
Como faróis iluminam os olhos
De cada criança

Toc

Tudo ainda é confuso
Os pressentimentos obtusos
Pensamentos sem nexo
E aquela dorzinha lá no fundo
Batendo à porta sem sair

Ser flexível

Tento ser flexível como um bambu
Dobrando ou entortando
Sem quebrar
Mas a face da morte sempre presente
Obscuro senso de perdição

Contração

Meu coração em pedaços
Em pranto de amor regozijo
A face obscura que me envolve
Vejo tantas luzes de cores diferentes
E em orações ficam a devanear

A musculatura dói
Sem muito que fazer
Percebo que sou apenas humano
Em sua infinita concepção

Deixo registrado o fato de que nada pode ser mudado
É mentira que milagres acontecem
Não serei curado nem pela morte
E nem pelos dias de luz
Espancamento verbal
Não faz tanto sentido
Nas ruas percorridas
Um monte de atrito

Luz

Luzes
Em um fundo
Extrapolando de dor
Sem convencer pelo pecado ou pela virtude
O meu melhor remédio
é aquele tempo que passa devagar
deixando um brilho
que floresce em cada primavera
Medicado
Doses aumentadas
A cabeça invadida por pensamentos
Controlá-los ainda é sabedoria
Que a cada dia reina em novo saber