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Mostrando postagens de 2017

As borboletas (Pra crianças)

As borboletas
azuis, amarelas e vermelhas
são um encanto quando voam
bailam pelos céus e seduzem
com seu espanto

Surreal

Sou fruto de um amor proibido
Daqueles que corrompem até a alma
Deste fruto sai meu umbigo
Descascado pela dor sempre mais alta

Obrigado

Obrigado
Todas as vezes que apareceste
Disse obrigado
Todas as vezes que falhei
Me disseste obrigado
E quero sempre agradecer pelo que posso ter
E dizer obrigado
O nosso sonho é finito
enquanto dure a vida
que por detrás da existência
se faz mera conscidência

Não vou te atacar

Não vou te atacar
A violência pode ser inspiradora
Mas é no amor que devo ficar
Mesmo que insista em tal despautério
E me faça ficar com raiva
Luto comigo mesmo
Meus leões são mais fortes
Que o gosto de revidar


Não se sentir vítima

Não me sinto uma vítima
Corro os riscos que a vida me pede
Sem medo de demonstrar desejos
Calado é uma coisa que não fico mais
Na santa paz
estou com os desejos
e na harmonia
teço votos de felicidades

Elas se vão

Faltam 3 horas
que nunca passam
me deixam com um gosto amargo
e um sentimento nostálgico

As horas nunca passam
devagar vão indo
Não nos deixe cair na tentação de matá-las
Elas se vão...na incompletude dos minutos
Elas se vão

Sou eu

Sou eu
Que preciso de mudança
Não o mundo a minha volta
O meu trajeto
sou eu quem faço
não me adiantas dizer o que devo fazer
porque sou o único responsável

Quem canta o amanhã
Não colhe o dia
Eternizar-se numa nota de amor
Tem sempre mais valia

Trajetória - Na voz de Elza Soares

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Violência gratuita

A violência velada
Na palma da língua
Já senti e já presenciei
É algo que angustia

A violência descancarada
Nem precisa de bala perdida
É ouro no peito
E que afeta até os nervos

A violência
De qualquer maneira que vier
É suja e imunda
O algoz acha que tudo pode
Até que um dia se revide
E se faça crescer ainda mais o ódio

Língua de bosta

Muita gente com preconceito arraigado
Gente que não aprendeu respeitar o espaço alheio
Ontem ouvi na rua
Língua de bosta
Só porque beijei um menino

Fear

O medo bate na almaTe congela por instantesE faz você delirar de paixão

Branco, Homem e Cisgênero

Sou branco
Homem
Cis
Não tive dificuldades na vida
Nem por isso sofro menos
Minha alma é marcada
Por acontecimentos distintos
E deles produzo meus poemas
São a força do meu ser
Quero que você saiba
Mesmo sendo
Branco
Homem
Cis
Não compactuo com a violência contra a mulher
Não compactuo com a violência contra gays e trans
Compactuo com todas as formas de amar
Penso num país e vejo com novos olhos
Onde a luta de ser o que se é prevalecerá!



Não justifica

Não justifica
A cabeça ao meu lado
O coração em frangalhos
E o corpo em alta tensão




O amor é uma faca

O amor é uma faca
Penetra na alma e deixa cicatrizes
Rompe com ela
Deixe ela ir embora
Não queira saber dela
Mas o amor é uma faca
Sangra até não poder mais
E diante de tanto desespero
Notas de amor vão ficar

Reticência

Cabisbaixo
O olhar reticente
Coração abaulado de tanta dor
Que o corpo corre
E a alma voa

Para Elza Soares

Voz singular
Rara e bela
Permeada de amor
Cada letra dita com paixão
Negra de todas as cores
No samba, tua raíz
Raízera
Força em mulher
Lata d'água
Subindo e descendo morro
Gritando aos quatro ventos
Deixa ela cantar até o fim

Sorrir

Sorrir
Mesmo banguelo de afeto
Sorrir
Mesmo com o país em frangalhos
Sorrir
Mesmo com toda a forma de corrupção
Sorrir
É uma sina do brasileiro pobre
Deboche
É uma circustância de todo aquele que é rico


Elza Soares

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Elza Soares - A carne

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Poeta

Eu sou poeta até o fim
É minha sina
Escrever poemas é o local onde me reconheço
Mesmo que me digam ao contrário
Afundo-me em poesia

Quando a morte bate à porta

Não há nada o que fazer
O Espírito me disse
Pode-se apenas rezar
Sobre a incompletude que é a vida

Não quero deixar mágoas
Rancores ou desilusões
Quero que minha alma perene
Seja motivo de luz

Tiro

Um alvejamento
Tiroteios no interior
A violência circunda a cidade
E a cor vermelha se fez dor

Ficção e realidade

Coração em dois pedaços
Uma bala atravessou
Tudo aconteceu em um baile funk
Com extremo horror

Vazios

Vazios
São os melhores espaços
Pra se preencher de poesia

Os meus vazios presentes na alma
Encantam-me com a clara certeza
De que revoar entre as noites
É conquistar horizontes ainda não conquistados


Bagunçar

Eu não irei te bagunçar
Por que sou cis
Venho pra te provocar
Com minha filosofia
Onde o amor é a gota de liberdade

Pra relaxar com Liniker

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Volta

Voltar ao ponto inicial
Onde as palavras eram doloridas
Vejo que não dá mais
Não que queira falar de sofrimento
Mas quero falar de coisas que são importantes para mim
Volta pra meu lado
Oh! Palavras
Ajudem-me escrever por bem
Onde a dor suplantada seja melodia
Para meus ouvidos caídos

Como ser encantado

Quero escrever até os 100 anos
Manter a mente produtiva
Até que minha morte chegue
E como ser encantado me despeço

Minha B

Hoje deixo-me influenciar por você
Minha negra dos cabelos encaracolados
Sua realeza me fascina
Você diz verdades em seu último disco
Eu falo as minhas verdades desde sempre
Fui traído virtualmente não por você
Mas por ele que mora comigo
Decepcionante entender isso
Na realidade hoje pouco me importa
Um grande foda-se
Sou dono do meu próprio nariz
E das palavras que escrevo aqui

Hoje deixo-me influenciar por você
Escrever até as pontas dos dedos sangrem
E ver em cada estrofe um pouco mais de mim
E quem sabe um pouco de você
Minha B

Frase do dia

"A vida é uma grande festa do autoconhecimento,
se não for pra ser assim. É melhor se calar e manter o espírito em paz."

Kesha parabéns!!!

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Kesha prova que é uma grande cantora e dá show nesta música profunda e bela. É disso que digo, precisamos dizer nossas almas em forma de letras.

Acredito!

Não era pra ser? Não acredito nisso Quando as coisas acontecem Vem na hora que tem que vir
Estar preparado Crescer com as palavras Até que elas não estejam dentro de mim Mas nas outras pessoas

Metafísica do amor

Se Deus é amor Por que tanto ódio disseminado pelo mundo? Será porque vivemos numa época em que o desamor reina? Vamos criar a metafísica do amor Espalhá-la e deixar que o ódio não suplante o amor

Me amar de verdade

Não gosto de sofrência
Prefiro passar por cima
Ir onde o cérebro mandar
Racionalizar as relações
Deixar o dois com dois
E me amar de verdade

Meu sonho

Meu sonho
Vou conseguir alcançá - lo
Não irei arrancar da vida
Irei conquistá- lo

Para crianças

Não quero ver os males da Terra
A bondade deveria imperar
Passando a vida em revista
E vendo onde devo melhorar


Para crianças

Pra você ser artista
não é preciso aprovação
basta que na alma a arte cante
e encante com o coração

Retrospectiva

Aos 3 a mordida
Aos 7 a garrafa
Aos 11 a caída
Marcas que não somem
deixam lembranças
e como lembranças ficaram

Pensamento

O som das feridas abertas
cicatrizaram
E pude notar a beleza da vida
em meio aos espinhos

Fiz-me fraco
para aguentar os fortes
Fiz-me robusto
para suportar as angustias
E assim delas tirar
leite de pedra

Tela limpa

Em uma tela limpa
letras
que formam
conceitos
e arrancam ideias

Sem criatividade

Hoje estou sem criatividade pra escrever
O que vier a cabeça escrevo
E num instante depois
Surgem palavras que compõem versos

Tento pensar em cada linha
Mas convenhamos
Isto não é uma coisa incomum
Chega um tempo de obscura criatividade

As palavras parecem que vão
As frases vem
E os versos voltam

Na forma mais límpida 
De poetizar a alma
E encontrar a beleza de cada palavra




Não sou rei e nem profeta
Não advinho as coisas que acontecem
Apenas uso minha intuição
Pra enxergar mais longe

A verdade

Na multidão
vejo bandeiras erguidas
e pouca gente de fé
Uma fé inócua
Em que a verdade pouco transparece
Vejo tantos reclarem
que penso
uma vida que não é preenchida
se torna nefasta sombra de qualquer coisa

Língua maldita

Oh! Língua maldita
Que ninguém escuta
Tanto se fez para se tornar uma língua insana
Que conseguiu cair no esquecimento de tão profana


O frio que corta

Ah! Aquele frio
que machuca a pele
Corta os lábio até sangrar
Deixa um gosto de pulsão
e um desejo ardente
Ser orquestrado por si mesmo
até que Deus faça parte de mim
Uma criança em convulsão
Entre a dor da existência
Que abate no corpo
E perdura na alma
Como uma gota de orvalho



Realidades

Tem que ficar calado
O silêncio não maltrata a alma
Vazio que te quero
Deixa espaço para o pensamento
E pode ser bom ter tempo para pensar
Corremos tanto de coisas superficiais
Esquecemos de ver que na vida
O que vale preencher a alma
É de realidades mágicas e sobrenaturais 


Poeta marginal

Sou poeta marginal
Escrevo no limite
E só quem está no defronte
Observa sem prejuízo

Frase do meu dia

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Tocando no alto
verbarizar baixinho
A ponte que nos liga
não quebra mais
Meu mote é sempre o mesmo
Versar poesia até que não chegue
o lapso do querer

O ócio

Apenas o ócio produtivo
Que não corrompe a alma
E deixa um belo cheiro de rosas

Poemas

Escrevo coisas inutilizáveis
Posto o arroz com aquele feijão aguado
Vivo pra escrever dentro de mim
Até que consiga escrever algo fora
Em versos e poesias

O que me toca

O que me toca
Não é apenas uma mente pensante
O que me toca
É um coração ardente de afeto

Filosofia da existência

Os dias fluindo
Noites de nebuloso prazer
Revestem-se de caloroso porquês
Filosofar a vida inteira
E perder-se vista
Pra se achar no anoitecer

Fim do dia

O dia acaba
Uma jornada vencida
A sensação de dever cumprido
E como diz o poeta
Vou-me embora pra Pasárgada

A mordida da dor

Quando criança
o cachorro
me mordeu
rancou um pedaço de minha boca
delirei de dor
e acordei em um hospital
tinha apenas 3 anos

Meus poemas

Meus poemas ainda são como vômitos frios
Não tenho a genialidade de alguns poetas
Nem pretenderia ter
Mas sou persistente de pedra
Crio uma forma de escrever particular
E faço disso minha história

Dengo

Meu dengo gostoso
que me faz delirar
braços dados e envoltos
quero te acariaciar
têm tantas coisas menino
que tu nunca saberas
a vida é um doce
e é bom se lambuzar
Toco a natureza
Bela como um louva-à-Deus
Com as mãos em prostante pesar
E uma chuvarada de bençãos
Hão de ficar

Inspiração

Os insetos posam em minha boca
Morto a três palmos do chão
A inconsciência de antes
Não mais me apavora
Ela guarda em mim um afeto de luz
Que desarvora

Poesia lúdica

Voar fora da asa
como diz Manoel é
deixar-se livre
mesmo quando os pés
são raízes de árvores

Carta aberta à Lady Gaga

Resolvi escrever sobre o que senti quando li as palavras da Lady Gaga direcionadas aos fãs com o intuito de agradecer o apoio a Sonja e seu marido Andre. Fiquei com os olhos marejando pois vi na mensagem uma sincera forma de agradecimento. E gratidão, amor e paz são sentimentos que o mundo precisa estimular. Sei que nem todos os fãs da Lady Gaga são altruístas, parece um julgamento, mas é uma constatação pelas redes sociais que sigo e que falam dela. Espero de coração que sua mensagem reverbere em cada alma.

Figuração da alma

A onda cercada de sacrilégio
Vivo em um maremoto existencial
Daqueles que circundam a alma
E revelam a Luz do amanhecer

Ao Manoel de Barros

Na revoada de estrelas
Vejo seu Manoel
Brilhando em uma constelação de gente
E nos abençoando com sua poesia

Poema de Manoel de Barros

I

Para apalpar as intimidades do mundo é preciso
saber:

a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas
têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num
fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre dois jacintos carrega
mais ternura que um rio que flui entre dois
lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
etc
etc
etc
Desaprender oito horas por dia ensina os princípios.
"Velamos a vida
que se volta contra nós"



Quero invadir o mundo

Gostaria de escrever em inglês e invadir o mundo
Mas sou limitado na língua e escrevo em português
Uma língua em que pouca gente escreve
Pouca gente lê

Quero invadir o mundo com meu amor
Semear em cada lugar que for a paz
A certeza de ter dias melhores
E revestir a humanidade
Fazer brilhar em cada rosto
E dar motivo aos outros para viver melhor

Quero invadir o mundo
Conquistando novos lugares
Indo no além da face obscura
Em que nos encontramos

E quero que você invada meu mundo
Descubra em mim a fonte da juventude
Desloque teu olhar
E me veja quem realmente sou

Frases do dia

"Faço coisas intempestivamente, quem é que não as faz? Creio sempre na verdade escondida, e oculta de uma alma em processo de evolução."

"Se na vida você ama, se torna livre, pois o amor divino e humano liberta."

"Tudo que parece filosófico é baseado em fatos reais, pelo menos é assim na minha vida".

"Ser grande ou pequeno é apenas uma questão de alcance. A vida pode ser divertida e não se trata do seu tamanho."

"As horas passam e eu aqui escrevendo não sobre verdades, mas sim sobre mentiras autênticas."

"Crio a ilusão de ser quem sou para aproximar do meu destino último que é morrer indigente".




Meta

Metafisicamente
encontro-me inserido na minha alma
Ao despertar dos sonhos mais nebulosos
me vejo em agouro no leito
Não sou pacato e nem conformado
quero mais da vida
Tiro dela o que posso ter
e faço dela o que bem entender

A mente

Não levamos nada,
apenas deixamos para trás lembranças
que surgem na mente caótica
e ficam no estado de êxtase.

Hoje

Falo demais,
às vezes, falo de menos,
nesta vida tem que se falar
até porque a morte é silêncio

O oponente

Oponente
Dentro de mim
Provoca meus desencontros
Achar-se é um caminho
Procurar o que se gosta
E fazê-lo por amor

Perdido

Ilusões
Decepções
Vultos de um amor inacabado
Eu sinto que não terei mais nada
E que você perderá tudo

Provocações

Provocações à parte
Espirro leite em você
Com tua vara atravessada em mim
O prazer que sinto
Deixa os olhos atentos
E o cérebro se contorcendo
Dá em mim

Poesia com palavrão

Poemas sujos
Com palavras de baixo escalão
Sem uma intenção de provocar
Só para parecer contemporâneo
Isso não é para mim


Anjo da morte

Anjo alado
Cabisbaixo
Aniquilado pelo tempo
Restaurado pelo agora
Como nas cartas de tarô
Um cetro na mão
E uma cabeça degolada na outra 

Julgamento

As pessoas não param de julgar
Julgam o namorado da cantora
Julgam a cantora
E no mar de julgamentos
Se afundam nas raízes das ilusões

O pessimismo

O pessimismo me corrompe
Degenera a alma
Faz-me menos capaz
É assim que às vezes me sinto
Em uma luta entre os pensamentos encontro-me
Capaz de realizar pequenos feitos
Vou prosseguindo na vida
E ela em mim

Auto-ajuda

Nutro sentimentos bons
Mesmo que tenho pensamentos ruins
A minha emoção é estável
Percorri um caminho do qual escolhi
Tenho profunda responsabilidade sobre ele
Busco dentro de mim a sabedoria
E o conhecimento que me faça feliz




Cordeiro

Sangue do cordeiro
Imolado
Derramado
Em partes
Que cobrem a veste branca
E fazem dos outros
Instantes de um adeus

Bom moço

Avistei um rapaz bonito
Músculos desenvolvidos
Numa camiseta xadrez
Fui atrás dele e perguntei: - o que queres comigo?
Ele não se fez de rogado
Abraçou-me num gesto afetuoso
E disse com um sorriso irônico
Meu querido deixe o mundo girar
pois ninguém gira em torno de você
Este sim, é um bom moço.

Prazer entre homens

O moço passa pela janela,
ofereço-o uma xícara de café
Com aquele queijo minas fresco
e um pão cercado de prazer
Percorro suas partes,
ele se assusta, mas convencido de que não haverá escapatória
se entrega aos prazeres da vida



Não me iludo mais

Não me iludo mais
Estamos todos absortos com nossos sentimentos
que vivemos cercados de uma película de ironia
Não me iludo mais
O telefone toca e nada de importante acontece,
minha depressão se arrasta por tempos,
e fico me afogando nas águas do esquecimento
Não me iludo mais
cansei um pouco e tenho que respirar novos ares
Viver é para aqueles que se acham fortes
morrer é um devaneio que se come as pressas. 


Ideia fixa

Tenho ideia fixa em poemas
Encontrei uma forma de me comunicar
Neles escrevo observando o tempo
Que é aliado e algoz

Tenho ideia fixa em poesia
Minha única intenção é de ser reconhecido pelo que escrevo
Provável que demore uma vida inteira
E possível que não venha nesta

Mendigo

Hoje te encontrei na esquina
Deitado
Mendicância
E sem rumo
Passei ao lado e não fiz nada
Deixei o tempo te levar para longe
E criei uma forma desesperada de não te ver

Pulsão

Pulsão
Aquela vontade que vem do âmago
Não nos deixa pensar
Invariavelmente me disfarço em anjo
Como um querubim lanço feitiço
E caio nas garras do diabo
Não farei nada ao contrário
O meu inverso é difícil de se conviver
Aniquilo meus sentimentos a todo instante
E vejo como é duro ser o que se é

Doar

Dar o que se é dado
Dando um pouco de si
Do seu tempo
Do seu dinheiro
Daí a tua alegria
E retornará mais feliz que antes
Pois nesta vida
Não nos cabe julgar
Dê e será livre

Triste fim

O futuro que nunca vem
O passado que retorna
Livre do presente que não volta
Arqueado como bambu que não se rompe
Tantas coisas para serem feitas
E a vida passa de relance
Na morte que chega

Não se alienar

Ritmo hipnótico
Limites entre a ação e os devaneios
Creio que a única saída
É não se deixar alienar
Alienando-se neste mundo de agora
Vivemos paralisados em nossos medos

Sobre o livro "Mais esperto que o diabo" e minha poesia

Este feriado acabei lendo um livro chamado "Mais esperto que o diabo", impressionou que o autor escreve coisas bem atuais e que fazem parte da contemporaneidade. Observei que ando me alienando demais com fatos corriqueiros e esquecendo de estabelecer metas para minha vida. Uma destas metas é meu livro de poemas que tanto quero escrever. Nele conterá muitas das poesias do blogue Limite poético. O evento fundador da minha poesia é minha depressão que convivo com ela a mais de 5 anos. Escrevi sobre muita coisa, preciso de ajuda para escolher quais poemas publicar. Não tenho notoriedade literária para publicar nada, mas mesmo assim quero me arriscar.

Não há vagas para crianças

Infelizmente o município não consegue atender todas as crianças de 0 a 3 anos nas UMEIs (Unidades Municipais de Educação Infantil) em Belo Horizonte. É chato dar a notícia para os pais de que não há vagas, o coração, às vezes, corta-se em pedaços, pois você vê a necessidade do pai ou da mãe e nada pode ser feito. Cabe a prefeitura criar mais UMEIs e torná-las estabelecimentos independentes com recursos próprios.

Meu jeito

Criei um jeito próprio
Transfigurei-me em versos
Não sei outra coisa
Faço poemas que me alimentam

Me transformo

Não repetirei meus pensamentos negativos
Terei coragem para mudá-los
Seguir em frente é caminho
De qualquer forma me transformo

Confidencial

Olhe para o seu céu
Que está escondido dentro de você
Observe as forças da natureza
Elas não cortam apenas circulam
Neste caminhar em pedras abauladas
Revejo o meu tempo de criança
Corro para bem longe
E me encontro dentro de mim

Coisas ruins

Presságio
Pressentimentos de coisas ruins
Que não mais acontecem
E fico ansioso com os pensamentos arredios
Neles me afundo como boia

Auguro

Arredio aos seus sentimentos
Chamas-te de mudo
Não respondi ao eu chamado
E ignoro seu auguro

Ontem

Cheiro de perfume barato
Me deu um beijo e foi embora
Seu gosto ficou no canto da boca
Eu senti o meu volume entre suas pernas
E isso me excitou

Poema do sem sentido

A ansiedade toma conta
Minutos depois a calmaria
Rever-se no estado de ciclope
Requer doses de ventania

Palavras sem muito sentido prático
Delas eu confio
Criar nuvens de gafanhoto
E engoli-las num só respiro

Velha história

Espero algum dia te encontrar
Em meus sonhos eu e você
Quero para sempre te amar
Em meus piores pesadelos
Não sou um homem de faz de conta
Faço sempre acontecer
Nossa velha história
Um dia há de se fazer
A mulher que cheira a gotas de orvalho
Encantada pelas profundezas da alma
Vesti-se sem arremedos
O imitável dom de ser mulher

Little black dress

Little black dress
Notas amadeiradas
Um cheiro de mulher do seu tempo
Que ao sair à noite
Reveste-se de silêncio e mistério

Não estou bem com as palavras

Hoje não estou bem com as palavras
Elas vêm e parecem insonsas
Esquisitas, como se não dessem bola pra mim
Hoje não estou bem com as palavras
Estou magoados com elas
Não me inspiram e dizem
o que queres de mim

Elevar-se

Tocamos os céus infinitos
Em uma verdade sacrossanta
De olhares arredios
Meu Deus amado
Que em cada verso emprestado a ti
Seja de glória ao futuro e não do passado

Nasce uma estrela

Faz muito tempo
que venho confirmando
não sou deste planeta inóspito
Sou uma estrela nascente
com luzes próprias
e cadentes

Oráculo

Oh! Oráculo cibernético
Desvende meus mistérios
Reduza a pó
Os pensamentos negativos
que sempre tenho
São Paulo conversa com o cavalo
E dele extrai
Fabulosas expressões
Que derrubam até um soldado
Acabo de ver em um sonho
A manifestação desse diálogo
Não deliro
Nem alucino
Tudo pode ser revisto
Na tela de um computador 

Ela, a arrependida

A morte presente
Na comida que entra
e sai
Os santos anjos do Senhor
Permeiam de algures
Aquela que se diz arrependida

Degola

Cortam-se cabeças
Vestir um santo para despir o outro
Lâmina afiada
E aquele santo sangue em sacrifício
A mulher que degola
Fria e afiada
A cabeça pergunta:
Estarei confiando na pessoa certa
Rolando ela se encontra na mesa do Pai Eterno

Medo

Medo de confronto
Que corrompe os dias
Mentiras dadas
Mentiras aceitas
E no lapidar que é a vida
Encher a boca
Engolir a alma
E regurgitá-la de veneno

O Retirante

Dizem que o retirante
é um povo sofrido
Com aquele pano de fundo
Onde a morte penetra
E deixa um misto de dor e alegria
Da tumba
que saiu Cristo
Louvado seja Nosso Senhor
Onde o diabo não reina
Nem pensamentos negativos
No meu céu
Não habita
Co-habita
Você e eu

Nova Iorque X Belo Horizonte

Às vezes, recolho na minha insignificância
Que é a vida que passa ao lado
Procuro você em outros cantos
Nas pontes de uma Nova Iorque existencial
Cidade que quero conhecer
Cosmopolita que abraça muitos
De longe é assim que a vejo

Depois volto-me para minha Belo Horizonte
Cidade arraigada em pequenos gestos
Diríamos até contidos
Uma timidez provinciana
Que remete ao século XIX
Vendo-a como uma donzela e casta
Sendo deflorada por pessoas de uma índole duvidosa

Sobre minha escrita

Povos tão distantes
Costumam ler o que escrevo
Fico a pensar sobre este fato
E um orgulho bom de sentir
Vem
E alcança toda a eternidade
Escrevo numa língua de pouca projeção
O português é minha mãe
Não sei me expressar de outra forma
Espero que um dia estas minhas palavras
Sejam eco de alguém que escreve pelo prazer
E não pela necessidade de dinheiro

Não alcança

Veio à tarde escura com seus arroubos de prazer descontente com os fatos cotidianos que geram em mim e em ti a intelectualidade que não alcança.

Devagando 2

Pedintes na rua
Mendigos
Maltrapilhos
Tudo é questão de querência
Contraditório pensar assim?
Não vejo pela ótica social
Há muita gente que passa coisas na vida
Já ditada pela inexperiência 
E envoltas em mantos de cores púrpuras


Picaretagem

Primazia da corrupção
Em um país sujo de fezes
Delinquência passa longe
Os de colarinhos brancos não sentem vergonha
Querem o que não é de direito
Usurpam até os últimos centavos
E seguem rindo da população
Enquanto esta grita sua porca dor
Se você diz não
A pessoa entende sim
É porque o som do não
Inverte os sentidos
Ora dantes consumados

Farto

Estou farto
Da hipocrisia que exala
Exalta tamanha facilidade
De querer impor aos outros
Sentimentos que vão embora
Ao menos uma vez
Grude
E ficarás taxado de idiota