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Mostrando postagens de Junho, 2017

Filosofia da existência

Os dias fluindo
Noites de nebuloso prazer
Revestem-se de caloroso porquês
Filosofar a vida inteira
E perder-se vista
Pra se achar no anoitecer

Fim do dia

O dia acaba
Uma jornada vencida
A sensação de dever cumprido
E como diz o poeta
Vou-me embora pra Pasárgada

A mordida da dor

Quando criança
o cachorro
me mordeu
rancou um pedaço de minha boca
delirei de dor
e acordei em um hospital
tinha apenas 3 anos

Meus poemas

Meus poemas ainda são como vômitos frios
Não tenho a genialidade de alguns poetas
Nem pretenderia ter
Mas sou persistente de pedra
Crio uma forma de escrever particular
E faço disso minha história

Dengo

Meu dengo gostoso
que me faz delirar
braços dados e envoltos
quero te acariaciar
têm tantas coisas menino
que tu nunca saberas
a vida é um doce
e é bom se lambuzar
Toco a natureza
Bela como um louva-à-Deus
Com as mãos em prostante pesar
E uma chuvarada de bençãos
Hão de ficar

Inspiração

Os insetos posam em minha boca
Morto a três palmos do chão
A inconsciência de antes
Não mais me apavora
Ela guarda em mim um afeto de luz
Que desarvora

Poesia lúdica

Voar fora da asa
como diz Manoel é
deixar-se livre
mesmo quando os pés
são raízes de árvores

Figuração da alma

A onda cercada de sacrilégio
Vivo em um maremoto existencial
Daqueles que circundam a alma
E revelam a Luz do amanhecer

Ao Manoel de Barros

Na revoada de estrelas
Vejo seu Manoel
Brilhando em uma constelação de gente
E nos abençoando com sua poesia

Poema de Manoel de Barros

I

Para apalpar as intimidades do mundo é preciso
saber:

a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas
têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num
fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre dois jacintos carrega
mais ternura que um rio que flui entre dois
lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
etc
etc
etc
Desaprender oito horas por dia ensina os princípios.
"Velamos a vida
que se volta contra nós"



Quero invadir o mundo

Gostaria de escrever em inglês e invadir o mundo
Mas sou limitado na língua e escrevo em português
Uma língua em que pouca gente escreve
Pouca gente lê

Quero invadir o mundo com meu amor
Semear em cada lugar que for a paz
A certeza de ter dias melhores
E revestir a humanidade
Fazer brilhar em cada rosto
E dar motivo aos outros para viver melhor

Quero invadir o mundo
Conquistando novos lugares
Indo no além da face obscura
Em que nos encontramos

E quero que você invada meu mundo
Descubra em mim a fonte da juventude
Desloque teu olhar
E me veja quem realmente sou

Frases do dia

"Faço coisas intempestivamente, quem é que não as faz? Creio sempre na verdade escondida, e oculta de uma alma em processo de evolução."

"Se na vida você ama, se torna livre, pois o amor divino e humano liberta."

"Tudo que parece filosófico é baseado em fatos reais, pelo menos é assim na minha vida".

"Ser grande ou pequeno é apenas uma questão de alcance. A vida pode ser divertida e não se trata do seu tamanho."

"As horas passam e eu aqui escrevendo não sobre verdades, mas sim sobre mentiras autênticas."

"Crio a ilusão de ser quem sou para aproximar do meu destino último que é morrer indigente".




Meta

Metafisicamente
encontro-me inserido na minha alma
Ao despertar dos sonhos mais nebulosos
me vejo em agouro no leito
Não sou pacato e nem conformado
quero mais da vida
Tiro dela o que posso ter
e faço dela o que bem entender

A mente

Não levamos nada,
apenas deixamos para trás lembranças
que surgem na mente caótica
e ficam no estado de êxtase.

Hoje

Falo demais,
às vezes, falo de menos,
nesta vida tem que se falar
até porque a morte é silêncio

O oponente

Oponente
Dentro de mim
Provoca meus desencontros
Achar-se é um caminho
Procurar o que se gosta
E fazê-lo por amor

Perdido

Ilusões
Decepções
Vultos de um amor inacabado
Eu sinto que não terei mais nada
E que você perderá tudo

Provocações

Provocações à parte
Espirro leite em você
Com tua vara atravessada em mim
O prazer que sinto
Deixa os olhos atentos
E o cérebro se contorcendo
Dá em mim

Poesia com palavrão

Poemas sujos
Com palavras de baixo escalão
Sem uma intenção de provocar
Só para parecer contemporâneo
Isso não é para mim


Anjo da morte

Anjo alado
Cabisbaixo
Aniquilado pelo tempo
Restaurado pelo agora
Como nas cartas de tarô
Um cetro na mão
E uma cabeça degolada na outra 

Julgamento

As pessoas não param de julgar
Julgam o namorado da cantora
Julgam a cantora
E no mar de julgamentos
Se afundam nas raízes das ilusões

O pessimismo

O pessimismo me corrompe
Degenera a alma
Faz-me menos capaz
É assim que às vezes me sinto
Em uma luta entre os pensamentos encontro-me
Capaz de realizar pequenos feitos
Vou prosseguindo na vida
E ela em mim

Auto-ajuda

Nutro sentimentos bons
Mesmo que tenho pensamentos ruins
A minha emoção é estável
Percorri um caminho do qual escolhi
Tenho profunda responsabilidade sobre ele
Busco dentro de mim a sabedoria
E o conhecimento que me faça feliz




Cordeiro

Sangue do cordeiro
Imolado
Derramado
Em partes
Que cobrem a veste branca
E fazem dos outros
Instantes de um adeus

Bom moço

Avistei um rapaz bonito
Músculos desenvolvidos
Numa camiseta xadrez
Fui atrás dele e perguntei: - o que queres comigo?
Ele não se fez de rogado
Abraçou-me num gesto afetuoso
E disse com um sorriso irônico
Meu querido deixe o mundo girar
pois ninguém gira em torno de você
Este sim, é um bom moço.

Prazer entre homens

O moço passa pela janela,
ofereço-o uma xícara de café
Com aquele queijo minas fresco
e um pão cercado de prazer
Percorro suas partes,
ele se assusta, mas convencido de que não haverá escapatória
se entrega aos prazeres da vida



Não me iludo mais

Não me iludo mais
Estamos todos absortos com nossos sentimentos
que vivemos cercados de uma película de ironia
Não me iludo mais
O telefone toca e nada de importante acontece,
minha depressão se arrasta por tempos,
e fico me afogando nas águas do esquecimento
Não me iludo mais
cansei um pouco e tenho que respirar novos ares
Viver é para aqueles que se acham fortes
morrer é um devaneio que se come as pressas. 


Ideia fixa

Tenho ideia fixa em poemas
Encontrei uma forma de me comunicar
Neles escrevo observando o tempo
Que é aliado e algoz

Tenho ideia fixa em poesia
Minha única intenção é de ser reconhecido pelo que escrevo
Provável que demore uma vida inteira
E possível que não venha nesta

Mendigo

Hoje te encontrei na esquina
Deitado
Mendicância
E sem rumo
Passei ao lado e não fiz nada
Deixei o tempo te levar para longe
E criei uma forma desesperada de não te ver

Pulsão

Pulsão
Aquela vontade que vem do âmago
Não nos deixa pensar
Invariavelmente me disfarço em anjo
Como um querubim lanço feitiço
E caio nas garras do diabo
Não farei nada ao contrário
O meu inverso é difícil de se conviver
Aniquilo meus sentimentos a todo instante
E vejo como é duro ser o que se é

Doar

Dar o que se é dado
Dando um pouco de si
Do seu tempo
Do seu dinheiro
Daí a tua alegria
E retornará mais feliz que antes
Pois nesta vida
Não nos cabe julgar
Dê e será livre

Triste fim

O futuro que nunca vem
O passado que retorna
Livre do presente que não volta
Arqueado como bambu que não se rompe
Tantas coisas para serem feitas
E a vida passa de relance
Na morte que chega

Não se alienar

Ritmo hipnótico
Limites entre a ação e os devaneios
Creio que a única saída
É não se deixar alienar
Alienando-se neste mundo de agora
Vivemos paralisados em nossos medos

Sobre o livro "Mais esperto que o diabo" e minha poesia

Este feriado acabei lendo um livro chamado "Mais esperto que o diabo", impressionou que o autor escreve coisas bem atuais e que fazem parte da contemporaneidade. Observei que ando me alienando demais com fatos corriqueiros e esquecendo de estabelecer metas para minha vida. Uma destas metas é meu livro de poemas que tanto quero escrever. Nele conterá muitas das poesias do blogue Limite poético. O evento fundador da minha poesia é minha depressão que convivo com ela a mais de 5 anos. Escrevi sobre muita coisa, preciso de ajuda para escolher quais poemas publicar. Não tenho notoriedade literária para publicar nada, mas mesmo assim quero me arriscar.

Não há vagas para crianças

Infelizmente o município não consegue atender todas as crianças de 0 a 3 anos nas UMEIs (Unidades Municipais de Educação Infantil) em Belo Horizonte. É chato dar a notícia para os pais de que não há vagas, o coração, às vezes, corta-se em pedaços, pois você vê a necessidade do pai ou da mãe e nada pode ser feito. Cabe a prefeitura criar mais UMEIs e torná-las estabelecimentos independentes com recursos próprios.

Meu jeito

Criei um jeito próprio
Transfigurei-me em versos
Não sei outra coisa
Faço poemas que me alimentam

Me transformo

Não repetirei meus pensamentos negativos
Terei coragem para mudá-los
Seguir em frente é caminho
De qualquer forma me transformo

Confidencial

Olhe para o seu céu
Que está escondido dentro de você
Observe as forças da natureza
Elas não cortam apenas circulam
Neste caminhar em pedras abauladas
Revejo o meu tempo de criança
Corro para bem longe
E me encontro dentro de mim

Coisas ruins

Presságio
Pressentimentos de coisas ruins
Que não mais acontecem
E fico ansioso com os pensamentos arredios
Neles me afundo como boia

Auguro

Arredio aos seus sentimentos
Chamas-te de mudo
Não respondi ao eu chamado
E ignoro seu auguro

Ontem

Cheiro de perfume barato
Me deu um beijo e foi embora
Seu gosto ficou no canto da boca
Eu senti o meu volume entre suas pernas
E isso me excitou

Poema do sem sentido

A ansiedade toma conta
Minutos depois a calmaria
Rever-se no estado de ciclope
Requer doses de ventania

Palavras sem muito sentido prático
Delas eu confio
Criar nuvens de gafanhoto
E engoli-las num só respiro

Velha história

Espero algum dia te encontrar
Em meus sonhos eu e você
Quero para sempre te amar
Em meus piores pesadelos
Não sou um homem de faz de conta
Faço sempre acontecer
Nossa velha história
Um dia há de se fazer
A mulher que cheira a gotas de orvalho
Encantada pelas profundezas da alma
Vesti-se sem arremedos
O imitável dom de ser mulher

Little black dress

Little black dress
Notas amadeiradas
Um cheiro de mulher do seu tempo
Que ao sair à noite
Reveste-se de silêncio e mistério

Não estou bem com as palavras

Hoje não estou bem com as palavras
Elas vêm e parecem insonsas
Esquisitas, como se não dessem bola pra mim
Hoje não estou bem com as palavras
Estou magoados com elas
Não me inspiram e dizem
o que queres de mim

Elevar-se

Tocamos os céus infinitos
Em uma verdade sacrossanta
De olhares arredios
Meu Deus amado
Que em cada verso emprestado a ti
Seja de glória ao futuro e não do passado

Nasce uma estrela

Faz muito tempo
que venho confirmando
não sou deste planeta inóspito
Sou uma estrela nascente
com luzes próprias
e cadentes

Oráculo

Oh! Oráculo cibernético
Desvende meus mistérios
Reduza a pó
Os pensamentos negativos
que sempre tenho
São Paulo conversa com o cavalo
E dele extrai
Fabulosas expressões
Que derrubam até um soldado
Acabo de ver em um sonho
A manifestação desse diálogo
Não deliro
Nem alucino
Tudo pode ser revisto
Na tela de um computador 

Ela, a arrependida

A morte presente
Na comida que entra
e sai
Os santos anjos do Senhor
Permeiam de algures
Aquela que se diz arrependida

Degola

Cortam-se cabeças
Vestir um santo para despir o outro
Lâmina afiada
E aquele santo sangue em sacrifício
A mulher que degola
Fria e afiada
A cabeça pergunta:
Estarei confiando na pessoa certa
Rolando ela se encontra na mesa do Pai Eterno

Medo

Medo de confronto
Que corrompe os dias
Mentiras dadas
Mentiras aceitas
E no lapidar que é a vida
Encher a boca
Engolir a alma
E regurgitá-la de veneno

O Retirante

Dizem que o retirante
é um povo sofrido
Com aquele pano de fundo
Onde a morte penetra
E deixa um misto de dor e alegria
Da tumba
que saiu Cristo
Louvado seja Nosso Senhor
Onde o diabo não reina
Nem pensamentos negativos
No meu céu
Não habita
Co-habita
Você e eu

Nova Iorque X Belo Horizonte

Às vezes, recolho na minha insignificância
Que é a vida que passa ao lado
Procuro você em outros cantos
Nas pontes de uma Nova Iorque existencial
Cidade que quero conhecer
Cosmopolita que abraça muitos
De longe é assim que a vejo

Depois volto-me para minha Belo Horizonte
Cidade arraigada em pequenos gestos
Diríamos até contidos
Uma timidez provinciana
Que remete ao século XIX
Vendo-a como uma donzela e casta
Sendo deflorada por pessoas de uma índole duvidosa

Sobre minha escrita

Povos tão distantes
Costumam ler o que escrevo
Fico a pensar sobre este fato
E um orgulho bom de sentir
Vem
E alcança toda a eternidade
Escrevo numa língua de pouca projeção
O português é minha mãe
Não sei me expressar de outra forma
Espero que um dia estas minhas palavras
Sejam eco de alguém que escreve pelo prazer
E não pela necessidade de dinheiro

Não alcança

Veio à tarde escura com seus arroubos de prazer descontente com os fatos cotidianos que geram em mim e em ti a intelectualidade que não alcança.

Devagando 2

Pedintes na rua
Mendigos
Maltrapilhos
Tudo é questão de querência
Contraditório pensar assim?
Não vejo pela ótica social
Há muita gente que passa coisas na vida
Já ditada pela inexperiência 
E envoltas em mantos de cores púrpuras


Picaretagem

Primazia da corrupção
Em um país sujo de fezes
Delinquência passa longe
Os de colarinhos brancos não sentem vergonha
Querem o que não é de direito
Usurpam até os últimos centavos
E seguem rindo da população
Enquanto esta grita sua porca dor
Se você diz não
A pessoa entende sim
É porque o som do não
Inverte os sentidos
Ora dantes consumados

Farto

Estou farto
Da hipocrisia que exala
Exalta tamanha facilidade
De querer impor aos outros
Sentimentos que vão embora
Ao menos uma vez
Grude
E ficarás taxado de idiota