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Mostrando postagens de Setembro, 2017
Preciso
forma em versos, para me desvencilhar das amarras, escrevo agora em texto corrido, para  causar estranhamento, pois poesia pode ser em prosa.
Cansado
Julgo suave
Leve desespero
As intenções quando não acompanhadas da realidade
morrem
Faço versos
Como-os até seus últimos palavreios
Cada rima é às vezes intencional
Ora momentos de uma estúpida lucidez


A mulher de biquíni na Savassi

A espera de um amigo Próximo à praça da Savassi Surge uma mulher Rasga o cartaz de um político Com ele em mãos Deita perto da fonte Como ela mesma diz Uma cachoeira invertida Vestida com seu biquíni azul céu E umas gordurinhasa mais Escarrapachada na beirada Tira foto, vira famosa por um dia Vai embora feliz e acompanhada.

Visibilidade

Eu quero é visibilidade
ser visto
expressar o que tem dentro de mim
e libertar os meus dramas pessoais
Eu quero é visibilidade
dar voz a quem não tem
fazer de cada poema
uma grande orgia intelectual
Eu quero é visibilidade

O mendigo e a mulher que grita

Sentando em um banco de praça,
com os pés de asfalto,
a fome batendo na porta,
e aquela mulher gritando:
-Vocês vão filmar e não dar nada pra ele
Uma outra voz nos diz:
-Ela é que quer o dinheiro.
Pensando nestas questões,
onde a mentira suplanta a verdade
Nada que é por coação
é de verdade.

Rua

A rua em que te vi
não existe mais,
ou você não existe naquele espaço.
Construído com gotas de sangue,
derramadas nos verbos dos teus corpos.
Sôfregas expressões de uma tênue visibilidade,
fantasmas do agora,
ou de si mesmos.

Livros

Quero mergulhar em livros
tornando-me como página da história.
Revelar cada momento de dor,
da minha pobre alma.

Fruto

O fruto que se come
da árvore proibida
arranca a verdade
e só deixa as feridas.

Fazenda do meu avô

A fazenda de meu avô,
não existe mais.
Era um lugar onde moíamos café,
milho e cana-de-açúcar.
Lugar bom de se viver.
Não conheci meus avós por parte de mãe,
apenas os irmãos dela.
O medo de cobra era grande, pois
a casa era cercada de mato.
Havia também galinhas e bovinos.
Era uma pequena propriedade,
na área rural de Betim.
Bom lugar era este.

Furacão

Vejo devastação na tv,
não sei o que é isso,
prefiro lugares mais seguros
onde possa fincar minhas raízes
e construir algo de bom.
Os furacões do pacífico,
do atlântico,
são maneiras que a natureza
encontrou para se expressar
E como não as ouvimos
Morremos

Fado

O fado
expressão de um povo
que tem como ponto de equilíbrio
os seus sentimentos.
Sentimento puro,
onde cada palavra ganha força e vida,
melodia para os ouvidos.
Na voz de Amália Rodrigues,
o fado se realiza
na mais alta intensidade e
riqueza.
Mergulho em Portugal e me vejo mais Brasileiro.

Pensamentos delirantes

Eu gostaria que você me escutasse
mas sei que os meus pensamentos são delirantes
e nada que eu diga fará sentido.
Eu gostaria de te escutar
mas nada que tu me disseste fará sentido
pois estamos longe um do outro em pensamentos e ações.

Brincando com as palavras

Penso em brincar com as palavras,
deixá-las livres para dançar entre elas
correr entre elas
respirar cada fato
até que elas dancem por si.

Brasilidade

Tacacá
Tucupi
Bambá
Açaí

A face escura

O sol que brilha na face
esconde a escura.
Como yin e yang
obscura.

Independência?

O Brasil continua dependente,
vendendo suas riquezas e
aceitando a corrupção entrenhada na alma.
Até Senhor seremos um país de coadjuvantes?
Até quando viveremos como se fossemos vira-latas?
Até quando?

Horizonte

Vou ir fundo mergulhar na minha alma alcançar o horizonte belo e transfigurar o eterno

Miró

As pinturas de Miró, podem ser até incompreensíveis mas é na tua arte de expressão do inconsciente coletivo que elas se realizam. Não é necessário ir muito longe para notar que o surrealismo é vanguarda de um jeito de se comportar buscando nos sonhos expressões de adequação a uma vida monótona e sem  sabor.

Ponto

O ponto final
nem sempre acontece depois de uma frase prefiro as curvas das vírgulas que dão pausas e respiros de expressões.

Era sonho

Achei que tinha te conhecido
Mostrei as cachoeiras em Minas
Conversamos sobre coisas prosaicas
Mas tudo não passou de um sonho
Tudo que me aconteceu não passou de um delírio
A realidade machuca, fere
E eu cá
Volto a ela
São 5:20 da manhã
E o sono acaba